Notas iniciais
olá, meu caro leitor que decidiu - por algum motivo - ler esta fic! eu espero que você goste da leitura, e que me ajude a construir uma boa história dando suas opiniões e críticas construtivas - com carinho, sim? sou bem frágil - para ajudar a deixa-la agradável. vou procurar postar um capítulo por semana, toda terça-feira. sem mais delongas, boa leitura!

Prólogo

A moça de cabelos alaranjados corria pelos corredores escuros do labirinto.

As folhas de urtiga roçavam em sua pele, mas o medo não a permitia sentir a agonia. Os espinhos rasgavam suas roupas caras, mas ela não podia parar para se preocupar com isso. Seus olhos azuis, claros como a água, não conseguiam se focar em nada, o desespero contraindo suas pupilas a níveis dolorosos, que a impediam de enxergar, na escuridão quase completa, seus perseguidores. Apesar disso, ela corria sem tropeçar em nada, e jamais parava em um beco sem saída. Conhecia aquele labirinto como um cego conhece a casa onde vive e mesmo sem enxergar, se guiava pelo som, pelo cheiro, pelo tato. Suas mãos sangravam, nacos de pele sendo arrancados pelos espinhos, mas ela não sentia aquela dor, pois sabia que se não corresse rápido o bastante, a dor que sentiria a seguir seria mil vezes pior. Seus pés descalços, pois ela tirara os saltos pra correr mais rápido, nem sequer sentiam as pedrinhas que os perfuravam, ou os cacos de vidro que seus perseguidores espalharam para diminuir a velocidade de quaisquer intrusos que se aventurassem por ali, mas ela não desacelerava. O amor à vida era muito maior. Porém, o pior aconteceu.

Seu cérebro, sendo ainda humano, falhou por um momento, e por um segundo, ela se perdeu. Erro fatal.

Acreditando ainda estar na trilha para o lado de fora, a moça de cabelos de fogo chegou, ao invés disso, no centro do labirinto, o que a desesperou. Todo o cenário anda estava ali. A mesa de pedra ainda estava coberta de sangue e outros fluidos que ela preferia não tentar identificar, a faca de rituais ainda estava no chão, e algumas das máscaras e borboletas mortas ainda jaziam macabramente no chão. As cadeiras ainda estavam arrumadas em roda, e a tocha ainda queimava em seu pavio antiquíssimo. Foi como ter um dejávi, uma memória terrivelmente fresca em sua mente, que nem tão cedo se apagaria. E então, ela se virou, e sua vida novamente passou diante de seus olhos. Amaldiçoou, principalmente, o momento em que aceitara aquele emprego.

Os cabelos platinados brilhavam à luz da lua e bruxelavam com a leve brisa. Os olhos pálidos como moedas a observavam com decepção por trás da máscara. A pistola em sua mão inumanamente pálida estava carregada e pronta para atirar, mas a bala não saiu sem antes seu dono lançar à pobre moça um último insulto:

—curioso, não acha? Boas meninas, no final, sempre são apenas más meninas que ainda não foram pegas.

Ela fechou seus olhos. Deu seu último suspiro.

Ele puxou o gatilho.

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Capítulo 1

Lancelot observava a boca de seu pai abrindo e fechando, mas nenhum som saía de lá. Ao menos nenhum que o interessasse. Aquele lugar lhe era extremamente tedioso.

Seus olhos verdes se contorciam e retorciam nas órbitas, o tédio se esgueirando por suas entranhas como um verme parasítico. Fazia ouvidos surdos a todos os sons à sua volta, e seus pensamentos tentavam se voltar para qualquer outra coisa que não incluísse discursos sobre a bolsa de valores, conversa sobre cosméticos ou dissertações impessoais sobre processos e mais processos jurídicos que viviam a caminhar em um ciclo infinito de nenhum lugar a, é claro, lugar nenhum. Acabaram parando no caminho que o levara àquela furada. Como começara mesmo? Ah, sim.

O filme pornô na biblioteca da escola.

Ele não entendia por que a diretora ficara tão brava. Não é como se ela nunca tivesse feito uma coisa dessas – sua namorada, Julie, costumava argumentar que era porque ela já não fazia há tanto tempo que invejava quem ainda fazia. Lance achava aquela teoria genial — ou como se ela se importasse muito com os livros, ou até mesmo filmagens na biblioteca. Talvez fosse os chicletes grudados em seu cabelo. Ou, quem sabe, o papel higiênico usado nos bancos de seu carro. Mas Lance gostava de pensar que era pelo sabonete líquido de urina, seu truque preferido e o do qual ele mais se orgulhava. Enfim, pelo mero e simples fato de que a diretora já não transava fazia um tempo e pelo fato de que ele fazia de sua vida um inferno, ela o expulsara da escola – Lance dera aleluia aos céus. Seu pai, nem tanto.

O pai de Lancelot, George Sanders, era um homem de negócios, uma figura de importância nos investimentos na bolsa de valores, um homem respeitável e admiravelmente rico, sendo um dos homens mais poderosos dos EUA, e não é como se os EUA fossem pouca coisa. Ele também era um homem muito sério, cheio de rugas na cara apesar de só ter trinta e oito anos, que explodia com extrema facilidade e que passava a maior parte do tempo bebendo uísque em seu escritório enquanto revisava os investimentos via internet. Ele literalmente quis mandar matar a diretora e o próprio Lance quando ele soube de sua expulsão, mas, sua mãe, Wanda, não o permitiu.

Se George era como Hades, Wanda Wonderwall era Perséfone. Uma mulher de seus quarenta e dois anos de idade, doce e calma, de olhos castanhos pacientes e sorriso extremamente gentil. Usava sempre o fiel véu negro na cabeça, uma dama de princípios religiosos islâmicos ativos – apesar de sua família ser legalmente americana desde o início da WW1 –, que por algum milagre conseguia acalmar qualquer um com apenas uma rápida conversa. Lancelot amava sua mãe, e herdara dela muitas de suas características físicas, como a pele parda, o nariz fino e reto e os cabelos negros como o breu, mas, para desespero de seu pai, nada de sua personalidade doce e gentil.

—você poderia pelo menos parecer se importar com o que acontece à sua volta, por favor? – seu irmão mais velho o cutuca. – está parecendo um autista, encolhido num canto e revirando os olhos!

Lance olha para seu irmão, Galahad, com desprezo. Galahad, ou Gale, como preferia ser chamado, tinha muitas das características físicas de seu pai e avô, como o cabelo castanho claro, olhos verdes que mimetizavam perfeitamente os de Lance e a pele clara, mas do avô herdara muito mais do que a mera aparência. Tanto Gale quanto o avô eram homens dissimulados e manipuladores, que não se importavam por cima de quem teriam de passar para alcançar seus objetivos. Ele virara um advogado de sucesso subornando juízes e vítimas, e nunca fizera muita questão de esconder isso de seu irmão – apesar de todo o mundo acreditar e jurar de pé junto que ele era Jesus Cristo reencarnado.

—primeiro, não há nada de muito errado com ser autista. Segundo, eu não sou como você que consegue forjar na cara qualquer emoção só pra enganar os outros. Terceiro, não devo nada a você, nem estou a fim de agradar ninguém. – Lance responde, nem sequer se dando ao trabalho de olhar para o irmão, o tédio e o desinteresse pingando de cada palavra proferida.

—eu não diria isso. – Gale olhou com seus olhos maldosos para George, o pai deles.

Um sorriso malicioso de canto de boca surgiu na boca de Gale ao olhar para a figura paterna. Lance engoliu em seco.

—mamãe não pode te proteger para sempre, bonitinho. Esse seu comportamento desinteressado, que só se importa em se drogar e foder com vadias aleatórias que encontra na rua vão te levar ao fundo do poço. Hora ou outra papai vai perder a cabeça feio com você, e vai ser nessa hora que eu vou estar lá só pra dizer: eu avisei.

Lance observa seu irmão se afastando com receio em seus olhos verdes. Não sabia exatamente o que iria acontecer em seguida, mas a conversa que escutara seu pai tendo ao telefone mais cedo não lhe era nada promissora. Ele não escutara muita coisa – apenas as palavras “escola”, “Inglaterra” e “internato”.

Seus pensamentos voltaram a vagar em volta de sua cabeça, e seu irmão sabia exatamente seu destino, mas esperava a hora certa para contar. Se ele desse sorte, ele não teria de ver seu “amado irmãozinho” por um bom tempo.

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Notas finais
bem, é isso. se gostou, deixe-me saber, e se não gostou me explique o porquê! beijinhos, até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.