Academia De Fadas

42 Capítulo 42 — Primeiro dia do último ano


Notas iniciais
Boa tarde meus amores *000* Como vocês estão? Festaram muito o fim de semana? Sentiram minha falta? KKKKKKKK Gente, muito obrigada pelas reviews, fiquei imensamente feliz *000* Vocês são demais sério, sempre me incentivam tanto *---* Bom, espero que gostem das voltas as aulas haha *-* ♥ ♦ Capítulo reeditado

Capitulo 42 — Primeiro dia do último ano

Lucy

As férias acabaram sem eu ter feito nada de grandioso e o primeiro dia de aula chama novamente por mim. Faz um ano que estudo na Fairy Tail e minha vida parece ter tomado um rumo completamente diferente do que imaginei. Esse seria o último ano, e estou disposta a aproveitá-lo imensamente ao lado de meus amigos.

Desligo o despertador irritante e vou me arrumar.

Estamos em fevereiro e não me lembro de ter feito algo em janeiro. Eu trabalhei normal, o que fazia com que o tempo passasse mais rápido. Saí com as meninas, e fui até jantar com meu pai. Ele disse que era as desculpas pelo Natal, eu estranhei, mas foi... agradável. Na verdade, ele só ficou perguntando sobre meu futuro e que precisava de alguém para herdar os negócios que iam bem, ou seja, não estava atrás de mim, mas de sua herdeira.

Em todo caso, foi bom saber que ele se importa com algo em relação a mim.

Pego meu material recém comprado e olho pela janela mais uma vez. Ele não vai aparecer e nem tem motivos para isso. Eu não mencionei nada da carta, e só respondi sua mensagem de ano novo de forma normal. Natsu não apareceu mais dos bueiros para me ver, e realmente não insistiu. Esse tempo me ajudou a voltar ao meu estado de espirito saudável.

Kami-sama, me conceda um ótimo primeiro dia de aula, por favor!

Saio do apartamento e vou para a escola, sentindo que até o vento parece diferente do ano passado. Quando vou me aproximando, vejo que a escola está toda enfeitada, com cartazes sendo preparados e pinturas espalhadas. Parece que haveria algum evento, para variar. Caminho até Reedus, o pintor que Makarov sempre contrata para os elaborar os painéis dos eventos.

Ele está pintando um retrato da escola e vejo muitos outros painéis em linha, todos maravilhosos.

— Bom Dia Ree... — começo a falar até ser empurrada bruscamente em direção ao painel.

Solto um grito, assustada, sentindo meu corpo bater contra algo e ouvindo muitas outras caindo, inclusive eu. Abro os olhos, passando a mão pela cabeça que doía e no braço onde senti o impacto maior. O que diabos aconteceu?

— Meus painéis — Reedus choramingou.

Olho na mesma direção que o pintor e vejo meu primeiro estrago do ano. Todos os painéis caídos no chão e destruídos. Um em cima do outro, como um lindo e desastroso strike. O que foi que eu fiz?

— Gray, seu maldito! — uma voz soa ao meu lado, quase em cima de mim.

Lógico que seria ele. Se ele não aparece nos bueiros por tanto tempo, tinha que brotar no meio do nada e me empurrar contra todos os painéis prontos. Olho para ele, e ele para mim. Pensei em gritar, mas faz tanto tempo que não o vejo que fiquei sem fala. Por que a droga do meu coração está acelerado?

— Oi Lucy — disse normalmente após um tempo de silêncio e se levantou — Desculpe por isso.

— Tudo bem — digo, até me lembrar do estrago que fizemos.

Natsu olha para a cena boquiaberto, acho que ouvi um “Fudeu” deixar seus lábios. Sim, meu caro. Efeito dominó.

— Vocês — uma voz irritada aparece imediatamente atrás de nós e fecho os olhos por reconhecê-la — Diretoria, AGORA! — Makarov grita, apontando para nós dois.

Não pode ser verdade. Eu pedi um ótimo primeiro dia de aula! Por que meus pedidos são atendidos sempre do contrário? É o primeiro, nem para dar um desconto? Diretoria? Fala sério! E com... ele? Quero me matar.

Levantei do chão e segui o diretor com Natsu ao lado. Nem ousei olhar para o lado, caso contrário pularia no pescoço dele. Depois digo que ele quer acabar com a minha vida e sou exagerada. Penso em diversas maneiras de mata-lo a caminho da diretoria. Quando finalmente passamos pelo portal do inferno e Makarov apontou para as cadeiras em frente à mesa. Ele se sentou e suspirou.

— Posso saber o que VOCÊS PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO? — ele gritou ao final batendo na mesa e se pondo de pé novamente, fazendo com que eu e Natsu pulemos nas cadeiras.

Podia até mesmo ver uma veia sobressaltada em sua testa. Acho que ele está velho demais para dirigir essa escola. Depois ele voltou a se sentar e começou todo o sermão de integridade, sobre os custos dos painéis, sobre como destruíamos tudo antes mesmo do evento começar, sobre como podíamos deixar ele mais careca. Eu realmente acho que logo ele se tornará um careca integral.

Permanecemos em silêncio, enquanto ele continuava a falar e falar. Então veio a pior parte.

— Terei que puni-los.

Eu estava pronta para levantar da cadeira e protestar, mas Natsu foi mais rápido.

— O que? — indagou, já de pé — Não pode nos punir por isso! Foi o Gray que me empurrou e...

— Não quero saber de quem é a culpa — retrucou rapidamente, com cara de poucos amigos — Fiquem após a aula, limpando o salão de eventos. Agora saiam — concluiu, fazendo massagem em sua própria cabeça.

Limpando... o que?

— Diretor, por favor — suplico — eu trabalho, não posso simplesmente...

— Saiam — repetiu, ainda mais irritado.

Fico indignada por não me deixar ao menos terminar minha súplica.

— Velhote, pega leve, ela nem tem culpa — Natsu fala mais calmo.

Ele está me defendendo? Olho para suas costas e me pergunto o que ele está querendo com isso.

— Eu disse AGORA! — gritou, apontando para a porta — E se eu não ver vocês lá ou enxergar uma poeira sequer, lhes aplicarei uma suspensão.

Pensei em gritar ainda mais inconformada com seu exagero por causa de alguns — trinta — painéis. Nos levantamos para sair, com as cabeças baixas e indignados com essa conversa. Enquanto o diretor ainda resmungava algo como alunos do terceiro ano ainda pareciam crianças. Eu sempre fui a garota exemplar! Onde esse maldito me enfiou? Sai da sala a passos firmes, até fechamos a porta e eu lançar meu olhar fulminante sobre ele.

— Viu o que você fez? — disparei, apontando para ele — Eu vou ser castigada por algo que nem fiz!

Ele respirou fundo como se eu estivesse o entediando. Não pode ser verdade.

— Relaxa Lucy — disse com as mãos nos bolsos — Vai brigar comigo no primeiro dia de aula? Sério?

Sua voz está tão calma que me deixa ainda mais nervosa. Como pode agir tão calmamente depois de quase levar uma suspensão? Bufo irritada.

— Por que insiste em arruinar minha vida? — digo olhando para nada em especial.

— Porque... — começou a responder e olhei para ele — gosto de saber que ainda faço parte dela — termina, sorrindo para mim.

Sinto meu rosto traidor corar. Olho para seu sorriso doce, e de repente sinto falta de seus lábios. Que droga! Como ele pode ter tanto efeito em mim? Tenho que ficar longe desse idiota. Tentei apenas olhá-lo de maneira irritada e fui para a sala. Se eu ficar encarando esse sorriso idiota não sei o que pode acontecer.

Calma, calma, muita calma, Lucy. É só uma tarde com ele, não vai ser nada demais. Aliás, faz praticamente dois meses que vocês não se falam. É só fingir que ele não existe. Vai ser moleza. Se concentre em limpar. Nada vai acontecer. Tento me convencer até chegar finalmente para a aula.

Levy acena para mim, apontando uma carteira ao seu lado.

— Bom dia Levy-chan! — sorri, feliz por revê-la.

— Bom dia Lu-chan! — retribui sorrindo — Quase chegou atrasada no primeiro dia? — brincou.

Dei um tapa em seu ombro e comecei a rir também. Quando Natsu entra na sala, e meu olhar vai diretamente em encontro ao seu. Olho novamente irritada para ele e volto a fixar Levy-chan, que já possui um sorriso malicioso em seus lábios.

— Não me diga que...

— Não! — grito, antes que ela prossiga. Todos presentes me olham, e eu abaixo o tom de voz — Não Levy-chan. Esse idiota conseguiu me arrastar com ele até a diretoria! Dá para acreditar? — conto indignada meu triste primeiro dia.

— Hum — resmunga simplesmente.

— Além disso, vamos ser punidos! — continuo a contar sem me deixar levar por sua cara de quem não acredita em nada — Vou ter que ficar após a aula, limpando o salão de eventos com o Natsu — digo, sentindo minha pulsação arder em raiva — Avise o patrão, por favor?

— Aquele salão é enorme! — fala tão indignada quanto eu. Assinto com a cabeça, tentando não pensar nisso — Só vocês dois, Lu? Que romântico — brinca com uma risadinha idiota.

— Cala a boca — digo, me jogando na cadeira.

Levy se apoia para me olhar.

— Até quando vai se fazer de difícil?

— Não estou me fazendo de difícil! — respondo como se ela estivesse me insultando. Espera. Isso é mesmo um insulto!

— Você quer acreditar em mim também, mas não deixa ele te mostrar a verdade! — continua a falar aos sussurros comigo — Por que ser tão orgulhosa?

— Eu acredito no que eu vejo, Levy — defendo firmemente — E eu não sou orgulhosa! — digo com a voz ainda mais forte.

Depois virei para a frente para não discutirmos isso de novo. Ela praticamente me encheu com isso as férias inteiras. E ainda brigamos depois que ela convidou Natsu para me azucrinar no ano novo. Apesar dele não ter feito isso. Eu sei que... no fundo quero mesmo acreditar, mas estou quase conseguindo esquecê-lo. Vai ser melhor assim.

―×―

Natsu

Vejo Lucy sair irritada com seus passos firmes e tenho vontade de rir. Ela não pode me culpar. Eu saí de casa com o pensamento de ficar longe dela. Consegui fazer isso por tanto tempo que pensei em prolongar. Eu realmente não a entendo. Ela teima, briga e discuti comigo sobre qualquer coisa. Não deixa eu explicar nada. Sinceramente, não sei o que fazer. Então vou esperar pacientemente que ela venha até mim. Respiro fundo e começo a andar.

Sinto uma mão me parar sobre meu ombro e me viro para saber quem é.

— Velhote? — pergunto desconfiado.

— Olá Nats... Pare de me chamar assim, pirralho — diz irritado e tosse para voltar ao normal — Como vão as coisas com a Lucy?

Hã?

— Gaegksgsdv — comecei a engasgar e gaguejar palavras nada a ver — C-como é? — finalmente digo algo com sentido.

— Não precisa me enrolar — sorri como se estivesse rindo da minha cara. Será que o Gray me drogou? — Senti algo entre vocês desde o ano passado, e Gildats me contou também.

Velho maldito.

— Você gosta dela? — perguntou sério.

Sinto que estou perdendo a habilidade da fala. Fico ali parado, pensando se estou mesmo drogado. Ele sorri com meu silêncio.

— Só quero te deseja boa sorte hoje — fala casualmente, virando-se de costas novamente — Não desperdice as oportunidades.

Fiquei ali, boquiaberto, vendo o velhote desaparecer no corredor. Foi quase como uma assombração. Não estou entendendo nada. Estava aqui na minha, dizendo que não iria fazer mais nada e uma bomba dessa aparece. Fala sério.

Ela nem falou comigo o restante das férias! Não respondeu minha carta, isso se não queimou antes de ler. Devo ser muito idiota mesmo. Eu disse que daria um tempo a ela, mas eu queria mesmo um tempo para mim. Não importa o que digam. É só não olhá-la, nem tocá-la ou ficar perto dela. Vai ser completamente fácil.

―×―

Lucy

As aulas terminaram ao som do último sinal. Isso significava que era hora de ficar com o idiota. Tentei me preparar psicologicamente para isso em todas as aulas, mas não tive sucesso. Na verdade, às vezes eu arriscava um olhar para Natsu, mas ele também me olhava, então desviávamos o olhar como se fosse veneno. E estou começando a imaginar que talvez seja.

Todos pegaram seus materiais e saíram. Levy-chan piscou para mim antes de sair. E Lisanna sussurrou algo para Natsu antes de deixar a sala. Então quando restava só nós dois e as paredes sufocantes, o silêncio veio para nos assombrar. Não arrisquei nem olhar para ele, e posso estar enganada, mas percebi que ele também não. Talvez ele esteja me evitando também?

Peguei minha mochila e comecei a andar em direção ao salão. Logo senti Natsu fazer o mesmo, andando atrás de mim. Só sua presença já me fazia ter medo do que poderia acontecer. Mas nada vai acontecer. Vai ser rápido, vamos limpar e nunca mais nos veremos. Perfeito assim. Por que esse salão não chega logo?

Alguns alunos passaram correndo por nós para ir embora, quando finalmente estávamos na frente do portão que dava para o salão. Respirei fundo, e abri uma das portas, enquanto Natsu abria a outra. O cheiro de pó me causou uma crise de espirros. Kami-sama, isso não é bom sinal. Natsu foi para o lado, acender a luz. E quando todas as luzes iluminaram o local. Eu queria morrer.

— Não acredito — digo perplexa.

— Fala sério — queixou-se, igualmente inconformado.

Olhar aquela cena, parecia ver um cenário de guerra. Estava tudo bagunçado, TUDO. Havia cadeiras para todos os lados, tecidos pendurados, faixas caídas, teias de aranha e ainda por cima, estava tudo imundo. Era um pesadelo, um grande pesadelo. Levaria décadas para terminarmos de limpar tudo aquilo, e o salão é enorme! O diretor só pode estar de palhaçada. Não tem como duas pessoas limparem esse lugar sozinhas!

Escuto Natsu suspirar ao meu lado.

— É... — murmurou — Melhor a gente começar — disse indiferente e adentrando ao salão.

Olho para ele inconformada por já aceitar nosso trabalho escravo e impossível.

— Vamos demorar a tarde inteira — resmungo, tentando leva-lo para o meu lado.

— Sim — concordou sem qualquer indício de graça — Então é melhor começarmos logo, não é? — recomendou com um sorriso nos lábios.

Isso não pode estar acontecendo.

— Você está se divertindo — repreendi seu sorriso, abismada.

Ele começou a rir, e então se virou para olhar para mim.

— É sempre divertido estar em sua companhia — afirmou com um sorriso e completou: — Por incrível que pareça.

Senti uma pontada em meu peito, enquanto minhas bochechas esquentavam. Então passei a repetir: Ficar longe, ficar longe, não olhar, não tocar, não falar. Pensei em questionar sua última frase, mas apenas dei de ombros.

Cada um foi um lado e começamos primeiro a organizar tudo. Isso vai demorar uma eternidade.

―×―

Ficamos horas apenas para arrumar o local e ainda não estava limpo. Empilhamos as cadeiras e os móveis no palco depois de passar pano no chão de lá, e enfiamos todas as faixas e panos em um saco. Pelo que pude reparar, ali era realizado o baile de formatura da escola e pelo jeito, estava fechado desde o ano passado. Enquanto arrumava, pensei em como seria esse baile. É como se sentir em um filme? Então olho para o lugar como ele realmente se encontra e paro de sonhar. Ainda tínhamos que limpar verdadeiramente.

Olho para Natsu de lado para que ele não veja que estou fazendo isso. Vejo ele enfiando a última faixa do seu lado do salão. Sim, dividimos em partes. Então não trocamos muitas palavras, apenas alguns gritos para atravessar o salão sobre o que fazer com cada coisa. Fui para o lado do salão dele, que ficava com a parte do portão e olhei para o espaço. Nós nunca vamos acabar.

— Não aguento mais — Natsu manifestou-se, deixando um saco de lado e se jogando no chão.

— O chão está sujo — informo, tentando não me importar.

— Eu sei — replicou rapidamente, passando a mão sobre a testa para limpar o suor — Estou começando a minha parte, limpando o chão com a minha roupa.

Tentei não rir, não sei se fui bem sucedida. E novamente com o silêncio, olhei para as horas em meu celular.

— SEIS HORAS DA TARDE? — gritei, pasma — A gente só vai terminar isso amanhã! Não dá — falei determinada a dar um fim nessa história — Vou lá reclamar com o diretor, isso é palhaçada!

Dou passos firmes até o portão, quando reparo algo. Não me lembro de fechar o portão. Tento me acalmar, pensando que talvez o vento tenha feito elas se fecharem. Com o coração na mão, continuo andando até virar a maçaneta e a maldita porta não abrir.

— Não pode ser — murmuro, inconformada.

— O que aconteceu? — Natsu pergunta, me fazendo olhar para ele com uma expressão apavorada, deixando-o perplexo também.

Não, não, não, não. Pensei repetidas vezes como se isso fosse fazer aquela porta se abrir. Forcei a maçaneta com toda minha força. De novo não. Por que gostam tanto de me prender com esse cara? Ou será que...

— O que você fez? — gritei, apontando para ele.

Natsu se levantou e começou a andar em minha direção. Suas sobrancelhas arqueadas e sua expressão de mau humor.

— O que quer dizer com isso? — retrucou, chegando ao meu lado e olhando para a porta fechada.

— Foi você que nos trancou aqui, não é? — incriminei, levando minhas mãos aos meus cabelos.

Natsu forçou novamente a tranca, puxando de todas as formas possíveis, assim como aquele dia no churrasco. Maldita nostalgia que nos impõe.

— Fala sério, de novo não — resmungou, ainda forçando a maçaneta.

— Eu que deveria dizer isso — reclamo, cruzando meus braços e olhando friamente para ele.

— Espera aí — diz, voltando-se para mim — Acha mesmo que fui eu? — põe a mão sobre o peito, parecendo inconformado.

— Por que não? Você vive me perseguindo! — digo irritada.

Ele me olha completamente perplexo e começa a rir. Sim, rir. E não é mais uma de suas risadas idiotas e bobas que ele dá quando ri de uma piada. Sua risada transborda em sarcasmo, e odiei imaginar que na verdade, ele esteja rindo de mim.

— Dá para parar de se sentir o centro das atenções?

Como é que é? Eu não posso ter escutado isso. Uma sensação explosiva começa a subir até a minha cabeça. Cerro os punhos ainda mais irritada.

— Você... você é um completo idiota — bufo, indo em direção a uma vassoura.

— E você é uma garota chata e mimada — retrucou.

Olhei para trás só para ter certeza que ele disse isso mesmo. Ele também me olhou como se estivesse me desafiando a continuar a discussão. Mas apenas nos olhamos, irritados. Então viramos nossos rostos e fomos novamente cada um para seu lado.

Peguei a vassoura e passei a varrer como se cada pó daquele lugar pudesse me irritar mais. Meu nível de estresse ultrapassou as barreiras do possível. Vejo que ele faz o mesmo do seu lado do salão e no que pareceu segundos, varremos todo o são. Acho que nossa raiva impulsionou o serviço. Empilhei todos os sacos com faixas perto do portão e reparo em Natsu arrastando uma mangueira e a conectando em uma torneira ali perto.

Acho que ele nunca ligou uma mangueira na vida.

— Como é que liga essa porc... — começou a falar até apertar o guincho e espirrar água para todo lado.

E quando digo para todo lado, inclui eu.

Soltei um grito de frustração, quando senti a água me atingir por completo, enquanto ele ainda tenta controlar a fúria da mangueira. Ele finalmente consegue desligar aquilo que parecia uma cobra venenosa e depois me olha.

— Opa... — faz cara de inocente — Desculpa? — pergunta parecendo arrependido e com medo, mas vejo os cantos de seus lábios erguidos.

Começo a andar em sua direção com a expressão de poucos amigos. Ele afasta alguns passos com medo de minha reação.

— Vingança é uma coisa muito feia — falou ainda segurando a mangueira e sem tirar os olhos de mim.

Então corri em sua direção, e pulei sobre ele. Brigamos pela posse da mangueira. Devo ter acertado umas cinco cotoveladas em seu rosto neste processo. Tentei não me importar com seu corpo perto do meu. Foi aí que a mangueira escorregou de sua mão, eu praticamente subi em cima dele para alcança-la, mas ela simplesmente ficou louca e ligou sozinha.

— Ai meu Deus — expresso ao vê-la se agitar de um lado para o outro.

Saio de cima de Natsu, que corre para controlar aquela porcaria. Parecia uma cobra gigante se contorcendo e espalhando veneno por todos os lados. Parei de tentar desviar dos esguichos, enquanto via Natsu segurando com toda força, enquanto a mangueira o molhava por inteiro. Finalmente, Natsu fechou a torneira e parecia arfar.

Olho para ele, contendo uma risada.

— Desculpas aceitas? — digo com um sorriso, enquanto vejo ele se jogar no chão novamente, cansado por seu feito.

Ele sorri, olhando para baixo e depois olha para mim.

— Qual delas? — pergunta diretamente, e eu não entendo.

— Como assim... qual delas? — pergunto pausadamente, me aproximando aos poucos, até estar a alguns metros dele e me sentar.

— Bom — começa a falar, parecendo um pouco nervoso — Já te pedi desculpas por diversas coisas, mas você nunca parece ouvir nenhuma delas — fala claramente, voltando a me focar.

Sinto meu coração acelerar. Não acredito que vamos partir para esse lado da conversa. Não estou preparada para enfrentar isso. E ainda pior, não tenho para onde correr. Talvez eu realmente não tenha dado oportunidades dele se explicar. Mas... eu sempre tive medo de ouvir o que ele tem a dizer. Talvez eu tenha feito as escolhas erradas. Ou talvez eu tenha medo dele realmente... ter me usado.

— Desculpe — peço silenciosamente, contrariando meus próprios pensamentos.

Ele sorriu calmamente, me fazendo estremecer.

— Posso pensar no assunto — brinca — Se me escutar agora.

Olho para ele, apreensiva por sua frase. Seu olhar parece penetrar minha alma enquanto espera por uma reação. Acho que preciso ouvir a Levy-chan e escutar os dois lados. Então respiro fundo e assinto com a cabeça, temendo o que estava por vir. Me senti ainda mais ofegante, quando Natsu se levantou e se aproximou de mim, então ele se sentou na minha frente e me olhou.

— Você leu minha carta? — perguntou de forma objetiva e direta.

— Li — murmuro com medo dessa resposta.

Ele apenas balançou a cabeça para mostrar que me ouviu. Provavelmente decepcionado pela falta de retorno.

— Foi a primeira vez que escrevi uma carta para uma garota — disse, olhando para os lados — Dói um pouco saber que ela nem respondeu — ele tem um sorriso em seus lábios, mas não parece feliz.

— Eu não sabia o que responder — explico, um pouco sem graça, me lembrando da sensação de ler suas palavras.

— Talvez você tenha que ser mais sincera comigo — fala, apoiando em sua mão — Não sei o que pensa de mim, Lucy. Não sou fraco a ponto de não aguentar suas palavras e você sabe disso porque já aguentei muita ofensa — continua a falar, e fico paralisada por sua sinceridade — Você sempre disse tudo na minha cara quando éramos amigos, e não era para ser diferente agora. Nunca quis que deixasse de ser você. Eu te disse meus sentimentos, e o que sinto é pela Lucy verdadeira.

Não sei se fico perplexa pela forma como ele fala, ou se me sinto muito mal. Sinto como se estivesse levando um sermão, do meu melhor amigo. Por um momento, peço para que voltemos ao assunto principal. Natsu suspira.

— Deixa aquela carta para lá — sussurra, olhando para os pés, e volta a me olhar — Posso dizer tudo de novo para você agora, e você vai ter que responder.

Continuo a olhá-lo, como se faltasse ar em meus pulmões. Conversar com Natsu dessa forma é como ser posta contra a parede e responder a um interrogatório que não quero responder.

— Não entendo porque teve que ser daquele jeito — fala, levando uma mão até meu rosto, e eu fecho os olhos — Eu sinto muito a sua falta. Sinto falta de tudo em você — abro meus olhos apenas para encontrar seus olhos profundos que eu amava. Eu sabia que não aguentaria ouvir o que estava escrito naquela carta por sua voz — Eu não queria te perder, mas talvez eu tenha merecido. Eu realmente não tive culpa, foi assustador para mim te ver daquele jeito.

Foi com os olhos fechados, que senti seus braços em volta de mim. Abri os olhos novamente, assustada. Mas não me importei mais. Senti falta de seu calor.

— Se você puder me desculpar — sussurrou perto de mim — Não vou deixar seu sorriso se apagar de novo. Não acho que será difícil, aliás... quando duas pessoas se amam, a felicidade não seria só a consequência?

Senti um arrepio passar por todo meu corpo. Virei-me para ele, e ele me olhou também. Estava do meu lado, e nossos rostos estavam perto. Queria que essa agonia acabasse. Será que devo me desculpar? Nem ao menos conseguimos voltar a ser amigos, como voltaríamos a ser namorados? Eu sinceramente não sei. Ele não mentiria, mentiria?

Notas finais
Hohoho, e aí o que acontece? *000*Amor e mais amor, ou briga e mais briga?Espero comentários,amo vocês ♥