Academia De Fadas

19 Capítulo 19 — Confusões.


Notas iniciais
Oi meus lindos, como passarão o feriado? Trouxe mais um capitulo para vocês, agradeço aos comentários que me incentivam, mas realmente queria que os leitores fantasmas se manifestassem também :/ Então por favor, tentem deixar qualquer tipo de mensagem para eu saber se estão gostando, é pedir muito? *0000* Enfim, espero que gostem! ♦Capítulo reeditado

Capítulo 19 — Confusões

Natsu

— Precisamos conversar — meu pai falou em tom sério.

Respirei fundo. Droga de pirralha maldita. Preciso de outra irmã Kami-sama, agora de preferência. Não é pedir demais. Olhei mais uma vez para meu pai, e depois para minha irmã.

— Então, é que eu tô com um pouco de pressa agora, talvez... — tentei inventar algo e sair pela espreita.

— Senta aqui — Ele apontou para um lugar no sofá.

Acho que não sou bom com mentiras, preciso melhorar isso. Passo a mão pela cara, mostrando meu grande entusiasmo para conversar com meu pai sobre como uma garota foi parar no meu quarto. Andei desanimado em direção ao lugar que meu pai apontou e me sentei. O jeito é ouvir.

— Filho, me contaram que você trouxe uma garota para casa — ele me olhou com expressão dura.

“Me contaram”? Como se não desse para saber exatamente quem contou. Lancei um olhar mortal para minha irmã que continua se escondendo atrás de meu pai. Só por sua expressão sarcástica dava para perceber como ela estava achando tudo isso hilário. Acho bom ela se esconder mesmo.

— Pai... o que aconteceu é que ela... — Comecei a falar lentamente, procurando palavras que não piorassem a situação. Porém quando olho para meu pai, me espanto ao ver que sua expressão se modificou completamente. Ele está... sorrindo?

— Esse é meu garoto! — disse entusiasmado — Fiquei preocupado porque você não arranjava uma namorada. Nunca pareceu estar com uma garota desde Lisanna, mas vocês eram pequenos, e você já tem 16 anos. Você usou preservativo né?

Que porra...?

— O QUE? — eu e minha irmã gritamos juntos inconformados. A diferença é que eu estava aliviado por não levar sermão e em choque por aquela reação, já minha irmã, estava simplesmente inconformada por eu não levar sermão.

— Mas papai... — minha irmã tentou voltar a situação.

— Não é nada disso que você tá pensando! — tentei me defender.

Cara, isso foi inédito.

―×―

Lucy

Após conversar muito com a Levy-chan, finalmente era hora de ir embora, estava exausta. Me despedi de Levy e me apressei para ir ao banco tirar dinheiro para pagar meu aluguel, me sentia mal por usar o dinheiro do papai... queria mostrar que era independente, assim não daria certo. Mas o pagarei de volta quando receber meu salário. Cheguei ao banco, tirei o dinheiro e segui o caminho de casa.

Olhei para o céu, estava lindo, estrelado. Aconteceu tanta coisa desde que me mudei... Vários momentos começam a se passar em meus pensamentos. Incrível como Natsu aparece em muitos deles, foi sempre ele que esteve comigo no final das contas. Suspirei. Amanhã Sting volta e essa confusão na minha cabeça vai parar, com certeza.

Eu espero.

Cheguei em frente ao meu apartamento, entrei e já dei de cara com a sindica. Estendi o envelope com o dinheiro antes que ela me despachasse de novo. Sei bem como essa situação não é nada agradável.

Ela arqueou as sobrancelhas.

— Hã? O que é isso?

Faço a mesma expressão que ela. Como assim? Me cobra, me despacha e agora se faz de desentendida?

— O aluguel? — digo em tom de questionamento, porque não tem outra forma de se falar isso sem ser tão óbvio.

Vai entender, um dia me despacha e no outro nem sabe o que está acontecendo. Ela não deve ter tomado o remedinho de sanidade de hoje.

— Já pagaram — fala como se fosse natural e volta sua atenção para alguns papeis no balcão de recepção.

— Hã?

— Um garoto veio a tarde e pagou.

Garoto? Essa sindica tá ficando louca.

— Acho que deve ter sido um engano...

— Não creio que fosse isso, ele falou “Isso é para pagar o aluguel da Lucy Heartfilia”, só pode ser você.

Fiquei perplexa, sem saber o que falar. Quem faria algo assim? É mesmo verdade ou será que ela só bateu com cabeça? Bom se for isso, terei que bater na cabeça dela todo mês.

— Como era esse garoto?

— Não me recordo muito bem — devolve com seu jeito sério — Era bonitão, com cabelos de cor diferente. Pareciam rosas.

Ai meu Deus. Só conheço um garoto de cabelos rosas. Só pode ser Natsu, porque ele faria algo assim por mim? Não acredito. Amanhã o pagarei de volta. Além de me deixar dormir em sua casa, ainda paga meu aluguel. Começo a sorrir sem pensar. Bobo. Vendo que tudo estava resolvido, subo os degraus até meu apartamento. A porta estava semiaberta, o que me deixou em alerta. Mas depois meus pensamentos mudaram. Será que ele ainda está aqui? Sorri e abri a porta.

— Na... Sting?

―×―

Natsu

Depois de ter que explicar tudo o que aconteceu para o meu pai e ele parar com o papo de “meu filho tá virando homem”, fui finalmente para o meu quarto. Não aguentava mais tudo aquilo e aquele papo de sentimentos, como cansa. Muitas conversas esquisitas e nada casuais para um dia só, meu cérebro não processa tudo de uma vez.

Pego uma roupa qualquer no guarda roupa e me apresso para tomar uma ducha. Tudo o que eu preciso é me acalmar e esquecer de tudo isso. Ligo o chuveiro e relaxo os músculos enquanto a água escorre. Queria que ela limpasse toda essa confusão dentro de mim, mas é lógico que não limpa. Então tudo o que eu faço é deixar minha mente obscura. Não pensar em nada. Na verdade, ao não querer pensar em nada já estou pensando em algo, mas pelo menos não naquilo que não quero. Ah! Eu sei lá!

Desligo o chuveiro, me seco e visto-me lentamente. Saio do banheiro e ando até meu sofá, jogando-me nele. Aliás, agora ele tinha espaço. Daqui consigo enxergar o céu pela janela, e hoje em especial ele está mais estrelado que o normal. As estrelas me fazem lembrar de Lucy e seus olhos grandes e brilhantes. Uma sensação de conforto me invade, como se ela estivesse aqui...

...

Puta merda! Será que tô mesmo gostando dela? Que loucura é essa dela invadir meus pensamentos a cada meio segunda? Quem deu permissão para isso? Antes que eu começasse a pirar de verdade, Happy pula no meu colo, me salvando dessa exaltação mental.

— E aí parceiro, como você tá? — falo fazendo carinho nele — O que eu faço hein? Porque mulher é tão complicada? Chegam dizendo que te ama, como se fosse bom dia. Deveria ter um aviso de segurança para nos deixar preparados. Sabe? Alerta! Declaração se aproximando, corra ou suporte — Continuo meu monólogo — Como vou saber dessas coisas? Não entendi nada do que o Gildarts falou hoje! Essa coisa de sentimentos é... cansativa — suspiro em exaustão.

Happy me olha como se estivesse mesmo me escutando e solta um miado como se me respondesse. Ou apenas esteja pensando “O que esse maluco tá tagarelando? Vou miar para ele calar a boca”. Mas foi falando com ele — comigo mesmo — que pensei em algo.

Vou provar a mim mesmo que não gosto da Lucy.

―×―

Lisanna

Ando pelas ruas de Magnólia, tropeçando em desníveis da calçada e esbarrando em pessoas. Estou em outro mundo. Não consigo deixar de pensar em tudo o que falei para Natsu. Acho que o assustei, ficou explícito vendo sua reação, aliás a sua não reação.

Talvez ele não sinta o mesmo que eu?

Balanço a cabeça já sentindo meus olhos marejarem. No baile ele disse “Também gosto de você” e me beijou! Isso é o bastante para provar que ele sente o mesmo, não é?

Suspiro.

Acho que estou apenas tentando me convencer. Preciso vê-lo, mas tenho medo de parecer desesperada por uma resposta. Que mal teria uma visitinha? Somos amigos desde sempre! E agora... ficantes, talvez. Acho que estou mesmo desesperada. Mas não importa. Bato no rosto e abro um sorriso. Dará tudo certo.

Vou em direção à sua casa não tão longe de onde estou. Bolo várias falas, ou desculpas para passar lá, nada parece suficiente. Ao enxergar sua casa, meu coração começa a acelerar. Incrível como essa sensação já se tornou normal para mim. Paro na frente da porta, limpando a garganta e bato na porta.

A porta se abre. Alargo meu sorriso ao ver sua irmãzinha. Tão diferente dele, mas uma graça!

— Oi linda! O Natsu está? — perguntei sorridente.

— Oii! — cumprimentou animada — O Nat... — ela pausou e pareceu pensar — O Natsu deve tá ocupado agarrando a loirinha — falou em tom sarcástico.

Hm?

— C-como? — Indago sem entender sua indireta.

— Não ficou sabendo? Os dois enrolados no lençol hoje...

Não consegui terminar de ouvir aquilo. Fiquei pasma e sentindo meu coração se despedaçar. Queria fingir não entender sobre o que ela estava falando, mas infelizmente sei.

— Ahn, já tenho que ir. Não diga a ele que passei aqui certo? — tento sorrir em vão e sai.

Sabia que tinha algo. No fundo... eu realmente tentei acreditar que não existia. Quando cheguei e os vi tão próximos como eu e Natsu éramos, senti que algo rolava entre eles, mas ambos sempre negaram para mim e para o mundo! Porque isso agora?

Lucy... Como pôde?

―×―

Lucy

— Sting? — digo surpresa ao vê-lo. Principalmente por esperar alguém completamente diferente e que eu não deveria esperar.

— Oi amor — sorriu e se aproximou para me dar um selinho — Que expressão é essa? Até parece que estava esperando outra pessoa — brincou exibindo todos seus dentes.

Um calafrio passa por minha espinha.

— Ah, claro que não — sorri de volta — Não sabia que já tinha voltado.

Deixo minhas coisas sobre a mesa e volto a olhá-lo.

— Queria te fazer essa surpresa — diz suavemente passando as mãos por meus cabelos — Senti sua falta.

Seus olhos encaram os meus. Fecho as mãos ao sentir suas carícias. Acho que era disso que eu precisava. Dele e de seu carinho.

— Eu também senti a sua, como foi a viagem? — pergunto assim que ele para com os carinhos e vou até a cama. Sento-me e repentinamente me lembro de tudo que quase aconteceu da última vez aqui, levanto-me rapidamente e vou até a cozinha — Quer algo para tomar? — disfarço meu nervosismo pegando alguns copos e estendendo um em sua direção.

— Foi tranquila — responde calmamente — E você, o que fez no tempo que fiquei fora? — Pergunta, pegando o copo da minha mão.

Como se um filme passasse por minha mente, lembrei-me em flashes tudo o que eu passei enquanto ele estava fora. “Nada não amor, só fui despachada e acabei dormindo com o Natsu, aquele garoto que você odeia”. Meu corpo estremece só de pensar.

— Nada importante — minto e me sinto a pior pessoa do mundo.

Como pude mentir para ele? Se estou mentindo é porque há algo errado. Porque eu tenho que mentir aliás? Natsu é meu amigo e nada aconteceu, além do susto de manhã. Ou talvez eu esteja me enganando ao querer enganá-lo. Não quero magoar ninguém e sinto que estou perto de fazer isso.

— Lucy? — sua voz me despertou, olho assustada para ele como se pudesse ler meus pensamentos — Você tá estranha, aconteceu algo? Pode me contar qualquer coisa.

Seus olhos preocupados pairam sobre mim e me sinto ainda pior. Mas a realidade é cruel e não posso fazer isso com ele. Mais do que já fiz.

— Hã? Não, não. Vou fazer um chá — Digo desnorteada ainda com a situação.

Enquanto pego os utensílios para fazer o chá, ficamos conversando. Surpreendo-me com a naturalidade que nosso diálogo fluí desta vez. Acho que estou começando a me acostumar. Ele é meu namorado e posso agir como sou. Mentira, ainda não está nesse nível, mas conversar sem gaguejar é um passo gigantesco.

Sting é espontaneamente engraçado. Enquanto sirvo o chá e sentamos lado a lado, conversando sobre sua viagem e coisas da vida, sinto que pude rir naturalmente. Ele segura minha mão, enquanto sua outra mão leva a xícara até a boca. Seu sorriso é encantador, nunca deixarei de pensar assim.

Foi nesse momento que percebi. Está tudo bem. Eu e meu namorado, felizes, tomando um chá. Assim que tem que ser.

— Ei gatinha... posso dormir aqui com você?

Olho para ele de lado enquanto o calor do chá preenche todo meu corpo e quase o cuspo. O quê? Tusso com o chá engasgado. Porque ele sempre faz essas coisas inesperadas? Nem estávamos conversando de algo do tipo! Dormir comigo? Isso não parece uma boa ideia levando-se em conta os acontecimentos passados. Se eu não o tivesse expulsado... O que teria acontecido?

O que eu faço?

Continuo a olhá-lo enquanto espera minha resposta, quando como um clarão a resposta surge em minha cabeça. Qual o problema? Eu dormi com Natsu! E somos apenas amigos. Sting é meu namorado! É normal dormirmos juntos.

— A-acho que sim — respondo hesitante.

Ele sorri docemente e aperta minha mão. Abro um sorriso tentando mascarar meu nervosismo. Agora não tem mais volta. Você precisa ficar calma Lucy.

Limpamos a louça, conversando como se nada tivesse acontecido. Escovamos os dentes. Coloquei minha blusinha de alcinha soltinha e um short de pijama. Fiquei um pouco envergonhada de ir deitar assim, mas quero estar confortável depois da noite turbulenta de ontem. Saio do banheiro e vejo Sting já deitado em minha cama, olhando para o teto. Seu olhar vira-se para mim, e seu sorriso se abre novamente.

— Se você for dormir bonita assim toda vez, será um problema — mais uma de suas cantadas que me derrete.

Ando até a cama e me deito ao seu lado.

— Porque será um problema? — murmuro, aconchegando-me em seu ombro.

Me sinto estranhamente desconfortável nessa situação. Deve ser falta de costume, ou talvez seja porque meu corpo ainda está tremendo. Xô nervosismo.

— Porque fica difícil de resistir à essa tentação — sussurra de volta, aproximando-se e selando nossos lábios.

Então o que previ começa a acontecer. O beijo se intensifica, sua mão começa a passear por meu corpo. Gemidos, mordidas. Por um momento deixo-me levar por todas essas sensações. Deixo que ele me guie. Levo minhas mãos até seus cabelos macios, enquanto sinto sua mão me puxar cada vez mais para perto de si. Um formigamento inicia-se em partes que nunca imaginei sentir algo. Isso tudo é... excitante. E sei que ele pensa o mesmo, pelo volume que sinto tocar meu corpo.

Pergunto-me qual é o problema de me entregar. Meu maior sonho é que minha primeira vez seja com alguém que eu realmente amo.

...

Amor? É isso que sinto por Sting? Parece ser um sentimento tão forte esse tal de amor. Não sei posso definir minhas emoções desta forma. Gosto dele, mas mal começamos. É melhor ir com calma. Não estou pronta.

Afasto-me dele, usando minha mão.

— Será que podemos só dormir? — falei sem graça.

Ele me olhou um pouco em dúvida, mas assentiu. Sinto que ficou desapontado. Mas se é para ser com ele, será. Assim espero.

Porque não consigo?

―×―

Esfrego meu rosto com as mãos, não querendo acordar. Abro os olhos irritados com a claridade da manhã. Olho para o lado e tenho um mini infarto ao ver Sting ali, até me lembrar vagamente do dia anterior. Verdade, eu o deixei dormir aqui. Espreguiço-me e volto a olhá-lo. Cutuco seu braço de leve.

— Acorde Sting, temos que ir para a aula!

Em um ato repentino, seu braço passa por mim e ele me abraça.

— Preciso de algo para conseguir levantar — sorri de forma maliciosa para mim.

— O que seria? — respondo inocentemente.

Sting se sobrepõe à mim e começa a beijar meu pescoço. O que está acontecendo aqui logo tão cedo?

— S-sting o que você tá fazendo? — pergunto envergonhada com nossa situação.

— É, Sting, o que você tá fazendo? — Uma voz surge.

O que foi isso? Sting olha para a porta e eu sigo teu olhar. Meus olhos se estalam no mesmo segundo que o vejo encostado em minha porta.

— N-natsu?

Notas finais
Só eu fiquei com dó da Lis? Tadinha. O que acharam? O que vai acontecer? Quero comentários! *00000* Kissus :*