Academia De Fadas
12 Capítulo 12 — De volta a normalidade?
Notas iniciais
Capítulo 12 — De volta a normalidade?
Lucy
A beijou? Como assim ele a beijou? Como ele pode... Quero dizer, na verdade ele realmente pode fazer isso. Mas saber disso me deixa... sei lá. Ele beijou ela na mesma noite em que me beijou. Será que achou tão ruim assim que teve procurar outra para tirar meu gosto da boca dele? No que estou pensando? Não me importo. Somos amigos. Ponto final.
— Não acredito! Séério? — Levy disse com os olhos brilhando.
— Aham — disse com um sorriso largo — Eu me declarei e aconteceu! Parece um sonho! — continuou dizendo tão animada quanto se ganhasse na loteria, mas eu ainda fiquei olhando para baixo, pensando em milhões de outras coisas — Lucy?
Virei-me para ela, assustada, como se tivesse sido pega no flagra e que ela já sabia de tudo.
— Oi? — grito mais alto do que deveria — Quero dizer, que bom para você! — digo sorrindo.
Levy arqueia a sobrancelha para mim, perguntando mentalmente se havia algo errado, mas continuei sorrindo para não levantar suspeitas. Depois elas continuaram conversando sobre isso. Não queria ouvir. É estranho ainda pensar em Natsu beijando outra garota... Mas por que? Você quer imaginar ele beijando você, idiota? Balanço a cabeça, e saio da rodinha para me trocar no banheiro.
Coloco uma roupa leve para dormir e passo a arrumar minhas coisas, iriamos embora amanhã após o café, preciso deixar tudo pronto.
— Ele tem uma pegada forte... — escuto Lisanna dizer envergonhada.
Ignoro novamente, separando uma roupa para usar na volta para casa.
Levy e Lisanna continuaram conversando sobre isso. Deixei as garotas conversando e me deitei na cama, pronta para dormir. E atordoada por não conseguir tirar aquele beijo idiota da cabeça.
―×―
Natsu
As luzes já estão apagadas há horas. E posso escutar o ronco desses dois idiotas ao meu lado. Mas o sono resolveu me abandonar hoje. Levei minhas mãos atrás da cabeça, fixando o teto fielmente.
Como foi acontecer tudo isso? Porque eu beijei a Lucy? Ela é só minha amiga desde... sempre? Isso não teria acontecido se eu não tivesse me aproximado dela. Era só levantar e cair fora, otário. Mas ela é culpada também! Fica me olhando daquele jeito, com aquele perfume maldito que me impulsionou a chegar mais perto. Tenho que deixar isso para lá. Vamos acabar nos afastando assim, e essa é a última coisa que quero no momento.
E a confissão da Lis? Porque diabos eu beijei ela também? E não basta beijar, tive a ideia brilhante de dizer que gosto dela também. Não que eu não goste, mas sei que o gostar dela é diferente e não tenho certeza que o meu seja também. Droga de instinto.
Tento responder a todas essas perguntas por horas, e antes que alcançasse alguma solução, o sono me alcançou antes.
―×―
Lucy
Abri os olhos sentindo alguém me cutucar. Levy-chan sorri para mim. Hora de ir embora. Espreguiço-me. Nunca dormi tão mal.
— Voltar pra nossa vida normal, que triste — murmurou Levy fechando sua mala.
— É verdade — confirmo, levantando da cama.
— Ah, mal posso esperar! — Lisanna disse animada.
— Pelo jeito sua vida não vai ficar nada normal, né Lisanna? — Levy sorriu.
Suspirei e fui para o banheiro fazer minha higiene pessoal e trocar de roupa. Fechei minha mala e seguimos para o café da manhã. A última refeição desse acampamento tumultuado.
Há uma mesa com todos nossos colegas já sentados. Vamos até ela para nos juntarmos. Ao me aproximar, Natsu olha para mim, e eu desvio o olhar. Isso realmente não vai dar certo. Não consigo nem encarar ele mais.
Olho para Levy para ver onde ela irá se sentar, mas ela está ocupada trocando olhares de raiva com Gajeel. Vejo Lisanna correr para se sentar ao lado de Natsu, e finjo que não vi. Juvia está agarrada ao braço de Gray, Cana está desmaiada na mesa e Erza com seu novo pedaço de bolo. Nada fora do normal.
— Ohayo minna — digo, sentando-me ao lado de Levy, que finalmente escolheu um lugar na frente de Lisanna.
Alguns responderam, acenaram, outros permanecerão em silêncio. Um clima estranho parecia circular por toda a mesa.
— Ahn... todos já estão com as malas prontas? — Levy tenta quebrar a áurea negativa que cai sobre todos.
Felizmente, deu certo. Todos começaram a conversar normalmente de como tudo passo rápido e como foi difícil guardar tudo novamente na mala. É incrível como as roupas parecem ter inchado de tamanho para não caber novamente. Tento participar com entusiasmo. É bom estar com eles.
— Atenção pessoal! — Emi apareceu — Queria agradecer a presença de todos aqui. Espero que tenham gostado e se divertido o suficiente para guardar boas memórias de nosso estabelecimento. Desejo uma ótima viagem para todos vocês. — sorriu e foi nossa deixa.
―×―
Os ônibus já estavam a nossa espera. Alunos vinham de todos os lados com suas malas, deixando os chalés que com certeza ficarão com boas lembranças. Alguns poucos colocavam suas malas no bagageiro do ônibus. E eu estava na frente de meu ônibus pronta para entrar.
— Você vai em outro ônibus né? — perguntei a Sting, olhando para o ônibus ao lado do meu.
— Sim — responde sossegado — Mas quando chegarmos lá, não ficaremos mais longe, certo? — sorriu e me deu um selinho.
Devolvo seu sorriso com o pensamento. Agora poderei vê-lo sempre, e melhor, ele vai me beijar em todas elas. Sting é muito carinhoso e tenho sorte de tê-lo ao meu lado. Meu primeiro namorado. É estranho ainda pensar nele nesse sentido.
Continuo conversando com ele, sem tanta enrolação e um pouco mais à vontade. Mas confesso que ainda fico corada durante todo dialogo e que gaguejo na maioria das frases.
Vejo Natsu passar ao meu lado. Seu olhar nem ao menos se direciona para mim. E nem deveria. Não sei porque isso me perturba. Olhar para ele ainda me deixa constrangida. Foi tão errado. Acompanho-o com o olhar, deixando sua mala no bagageiro e entrando no ônibus logo após.
— Bom, já vou indo gatinha — Sting se despede, selando meus lábios outra vez e se direcionando para seu ônibus.
Suspiro, tomando coragem e entro no ônibus também. Passo por Natsu sem olhá-lo e sento no banco de trás com Levy-chan, minha parceira de bus. Conversamos sobre como nossa vida voltaria ao normal, até Lisanna entrar no ônibus e Natsu acenar para que ela se sentasse ao seu lado.
Sabe, isso não deveria me deixar pasma. Não mesmo. Mas me deixou.
As coisas não voltarão tão ao normal assim, afinal. Ajeito-me no banco, pronta para dormir tudo o que não dormi anoite. A viagem seria longa, e ao contrário da ida, foi totalmente silenciosa. Todos estavam exaustos e pelo jeito dormiram. Fiz o mesmo. E acredito que se jogassem um travesseiro em mim, eu o pegaria e voltaria a dormir.
[...]
Após algum tempo, sinto o ônibus parar. Meus olhos ainda ardem pela quantidade de tempo que dormi. Mira passa de banco em banco, acordando a todos e avisando que havíamos chego. No fim, a viagem foi bem curta no meu ponto de vista. Os zumbis — quero dizer, alunos — foram pegando suas coisas e descendo do ônibus, um de cada vez e se dirigindo ao bagageiro. Tristemente, foram se despedindo de seus colegas e indo para casa. Desci do ônibus, peguei minhas coisas, me despedi das garotas e fui andando até meu apartamento.
É estranho ir embora sozinha, mas Natsu simplesmente desapareceu depois de pegar sua mala. Nem ao menos pensou se iriamos voltar juntos ou não. Como ele me deixa para trás dessa maneira? Respiro fundo, reprimindo minha raiva. Acho que está certo. As coisas serão assim agora, não é? Aliás, eu estou com Sting e ele com Lisanna, não seria legal continuarmos tão próximos...
Mas... é realmente triste pensar nisso. Eu gostava de tê-lo por perto, apesar dele invadir minha casa o tempo todo, me irritar, rir da minha cara e fazer o maior esforço possível para me deixar zangada. Sabe... Nunca me senti sozinha por causa da presença dele.
Chego ao meu apartamento com esses pensamentos. Tudo estava devidamente no lugar onde os deixei. Joguei minha mala no chão e sentei na minha cama, olhando pela janela. Já está anoitecendo, é melhor eu tomar um banho e guardar minhas coisas. Levanto-me preguiçosamente e pego minhas roupas. Encho a banheira e entro.
Aconteceram tantas coisas nessa viagem... Minha vida não ficará tão normal assim afinal.
―×―
Meu despertador toca e eu bato com força nele. Deve ser a primeira vez que acordo com ele. Normalmente é Natsu quem o desliga para mim. Abro os olhos. Uma nova semana se inicia. Um novo dia. Um dia normal. Que chato.
Me levantado vagarosamente e me arrumo para ir a aula. Pego minha mochila e olho para a janela.
Será que ele vai passar aqui hoje? Levando em conta a reação dele no final da viagem... Não, ele não passará. É melhor eu me apressar.
Saio do apartamento e sigo para a escola. Chegarei adiantada hoje, um ótimo recomeço! Penso, orgulhosa de mim mesma. O caminho parece um pouco mais longe sem alguém para conversar, mas fico feliz em saber como a escola é perto. Logo avisto Levy me esperando como sempre.
— Levy-chan! Ohayo! — grito, acenando e me aproximando.
— Lu-chan! — sorriu ao me ver — Chegou cedo, está passando bem? — disse pondo uma de suas mãos em minha cabeça.
Dei uma risada falsa.
— Estou ótima! — respondi com um sorriso.
— Ué Lu-chan, veio sozinha hoje? — perguntou, olhando atrás de mim e para os lados.
— É-é, Natsu não vai mais passar em casa — digo, forçando um sorriso. Digo forçando porque não é algo que me deixe assim tão feliz, mas é algo que não deveria me incomodar.
— Hm... vamos pra sala esperar? — propõe, deixando o assunto de lado.
— Vamos!
Andamos até a sala, conversando normalmente sobre as coisas que aconteceram no acampamento e como queríamos estar lá ainda aproveitando. Chegamos na sala e as garotas já estão aqui, formando uma rodinha em volta da minha carteira. Cumprimento a todas e me sento.
Fofocas, fofocas e mais fofocas. Os minutos se passam com facilidade quando o assunto flui tão bem, e isso sempre acontece quando estou com elas.
— Que estranho, o Natsu não chegou ainda — Lisanna observa, olhando para a porta preocupada.
Olho para a carteira atrás de mim, pensando se algo poderia ter acontecido. Será que ele está bem? Natsu sempre foi mais pontual do que eu. Minhas preocupações são sanadas com a chegada do professor, dispersando todas as garotas para suas carteiras.
A aula começou, e se passaram o que pareceram horas e Natsu não chegou. Estou ficando intrigada com isso.
A porta se abre. E finalmente ele aparece. Só porque eu pensei.
— Isso é hora de chegar Dragneel? — O professor bronqueou.
— Desculpe — Pediu enquanto ia para seu lugar.
Fiquei olhando-o passar por mim, e tudo o que ele fez foi lançar um olhar aterrorizante para mim. Um arrepio passa por todo meu corpo no mesmo instante. O que foi isso?
Escuto o som dele se sentar.
— Você me paga! — escutei sua voz dizer atrás de mim.
Virei-me para ele no mesmo momento, vendo-o inclinado para frente.
— O que eu te fiz? — pergunto assustada.
— O que você fez? — diz indignado — Fiquei meia hora na frente do seu apartamento, achando que você estava passando mal e trancou a janela para eu não entrar, até a sua síndica idiota aparecer e dizer que você já tinha saído faz tempo — sussurrou irritado.
Não acredito. Ele realmente foi em casa. Continuo encarando-o sem palavras. Sinto-me nervosa. Nunca o vi tão bravo. Não comigo.
— D-desculpa — peço, realmente arrependida.
— Tanto faz — bufa, jogando seu corpo para trás novamente e me ignorando.
Volto a olhar para frente e tento prestar atenção na aula, e não em como sou uma péssima amiga. Queria poder fazer algo por ele. Mas acho melhor deixa-lo sozinho no momento, ele está muito bravo. Por minha causa.
O intervalo soa com destreza, os alunos se levantam no mesmo instante como se tivessem cronometrado cada segundo que os levaria até o intervalo. Alguns minutinhos após, Sting aparece na porta e sorri para mim.
— Sting! — digo surpresa, e claro sorrindo imensamente.
Quando imaginei que meu namorado me buscaria no intervalo?
— Oi gatinha, pensei em passarmos o intervalo juntos, o que acha? — diz entrando na sala ao mesmo tempo em que me levanto para ir até ele.
— A-acho que seria ótimo.
—x—
Narradora
Assim que ambos saíram da sala, deixaram garotas suspirando para trás, apenas observando a cena deste casal.
— Que fofo são esses dois, né? Deram mesmo certo — Levy comenta sorridente, feliz por sua amiga ter encontrado um namorado bom.
Na verdade não o conhecia tão bem para dizer que era um bom partido, mas vendo-a feliz, era um passo gigantesco.
— É verdade, eles combinam muito — Lisanna completa e direciona seu olhar para Natsu.
Respira fundo, tentando apenas se lembrar das palavras “Eu também gosto de você” e anda até sua carteira.
— Bom dia Natsu — cumprimenta com um sorriso.
Ele se vira para a albina e sorri de volta.
— Bom dia Lis — corresponde — Recuperada da viagem?
— Aham e você? — responde animada por conversar naturalmente com ele.
— 100% Recuperado — mostra-se empolgado, como sempre — Quer ir comer algo?
— Quero! — seu sorriso agora atravessa as medidas possíveis.
Natsu se levanta, e ambos caminham juntos para fora da sala.
— Que bom pra ela né? — Erza observa com um sorriso.
— Juvia está com inveja — Juvia diz olhando melancolicamente para Gray.
— Não me olhe assim — Gray se defende, devolvendo um olhar de repulsa. Se levanta e sai da sala para proteção própria.
— É parece que estão todas se acertando né? — Levy comenta animada.
— Temos que comemorar! — Os olhos de Erza se iluminam. A garota adorava uma festa.
— Com muito saquê — agitou Cana.
Todas riram, animadas. Começaram a realmente discutir algum evento para juntar todos seus amigos. Levy teve a ideia principal.
— Que tal um churrasco lá no nosso dormitório no fim de semana? — propôs entusiasmada.
— Juvia pode ir? — Perguntou a garota tímida
— Vamos chamar a sala toda! Sábado agora? — Combinou, olhando para todas.
— Pode ser! Vai ser divertido! — concordaram.
— Só precisamos chamar todo mundo — Erza diz, muito, empolgada.
— Todo mundo da sala, Erza — Levy a corrige, sorrindo.
— Está combinado!
O intervalo acabou, fazendo com que todos voltem rapidamente, e alguns nem tão rapidamente para a sala. Levy chamou a atenção de todos para divulgar o churrasco. Muitos se animaram, os murmúrios sobre o churrasco foram crescendo. Apenas foi impedido com a entrada do professor. E mais duas aulas se passaram.
—x—
Lucy
Arrumei minha bolsa e andei com as garotas até o portão, conversando sobre esse tal churrasco. Voltamos de um acampamento ontem e já querem fazer churrasco. Pessoal mais animado, impossível. Dizem elas que a ideia veio para comemorar os novos casais que se formaram, incluindo eu e Sting. Mas fiquei pensando, Sting não é da nossa sala. Enfim... Olhei à frente e avistei Natsu indo embora.
— Tchau gente — digo apressadamente e corro para alcançá-lo.
Devo dizer que ele anda muito rápido, pois peno para conseguir chegar até ele.
— Ei, não vai me esperar? — digo irritada ao chegar ao seu lado.
Ele me olha com desdém.
— Já te esperei demais, não acha? — retruca ignorante.
Sinto como se ele estivesse enfiando uma faca no meu peito e a enfiando para dentro a cada frase que troca comigo.
— E eu já pedi desculpas! — digo angustiada. Ou melhor, suplico.
Continuamos andando enquanto falamos. Ele não responde nada imediatamente, apenas olhando para frente. Finalmente olhou novamente para mim.
— E posso saber porque foi sem mim pra aula? — indaga com raiva e para de andar, virando-se completamente para mim.
Eu paro também e passamos a nos encarar com raiva. Porque ele tem que ser tão teimoso por algo tão pequeno? Eu errei, me desculpei. O que mais ele quer que eu faça? Não tenho uma máquina do tempo para refazer o que já fiz.
— Eu só achei que seria melhor assim, aliás estamos compromissados e as pessoas poderiam inventar coisas sobre nós! — explico, praticamente gritando.
— Inventar coisas sobre nós? — grita de volta — As pessoas inventam coisas sobre nós desde que nos conhecemos! Mas somos só amigos, não é?
— É!
O silêncio toma conta da situação após minha confirmação berrada. Continuamos a nos olhar com ódio por mais alguns instantes, depois voltamos a andar até meu apartamento. Ambos emburrados. Paramos na frente do meu prédio, e sinto que se eu olhar para ele, irei estrangulá-lo. Sem motivo, só vontade.
— Então é melhor eu não passar mais aqui, certo? — perguntou em um tom irritadíssimo.
Começo a pensar em como seria ir todo dia para a aula sozinha... Aliás, esse não é o maior problema. O pior é ir para a aula sem ele. Poxa, ele é meu companheiro de todos os dias.
— Não é bem assim Natsu... — Digo mais calma, tentando explicar alguma coisa de meus pensamentos sem dizer que gosto da companhia dele.
— Então como é? — replicou.
Seu tom de voz elevado, explode algo em mim.
— Quer saber? — digo estressada — É exatamente assim. Tchau Natsu!
Simplesmente, viro de costas e entro no meu apartamento, marchando por entre os degraus da escada. Talvez um pouco arrependida por ter me deixado levar pelo calor do momento. Mas o que eu poderia fazer?
Então vai ser assim...
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