Academia De Fadas
34 Capítulo 34 — Conversa importante
Notas iniciais
Capitulo 34 — Problema com garotas
Lucy
A tensão era tanta que sentia meus ombros pesarem. Até mesmo meu coração parecia bater mais forte, juntos com os segundos do relógio. Eles dispararam, segui as balas com o olhar.
Não acredito.
Eles são muito ruins.
Eu sou horrível em mira, mas depois de assistir a toda essa palhaçada e ainda ficar nervosa com tudo isso, estou começando a achar que não sou um caso perdido. Os dois olharam para aquela cena, inconformados com eles mesmo. Depois se olharam.
— Minha bala passou mais perto! — Natsu disse apontando para o alvo ainda de pé.
— Claro que não, a minha chegou a raspar! — Sting entrou na discussão idiota.
Suspirei por ver que eles ainda conseguiam brigar. Deixei que eles ficassem lá discutindo. Pude ouvir eles comprarem mais uma rodada. Eu que não ficaria por perto para ser parte do circo novamente. Desisto de ambos e começo a andar pela feira.
É tão lindo, tudo enfeitado. Sempre vi esses festivais em filmes e doramas, mas nunca achei que realmente estaria em um. Vejo casais apaixonados por todos os lados e lá no fundo desejo estar assim com Natsu. Se aquele idiota não perdesse tempo me apostando, talvez poderíamos escapar por aí. Prefiro nem pensar nisso. Continuo a andar, até encontrar Lisanna e Mirajane. Elas acenam para mim, e como não pude ignorá-las, vou até elas, sorrindo.
— Oi de novo Lucy! E aí quem venceu? — Lisanna perguntou animada por detalhes.
Ela que não queira saber o que eles apostaram.
— Bom, vou deixar vocês conversarem — Mira diz se levantando do banco em que está — Vou procurar o mestre para ver se precisa de ajuda.
Observamos a albina se afastar. Então meu alarme de perigo grita. Ficar sozinha com Lisanna além de me deixar mal, ainda pode trazer consequências desastrosas.
— Ahm... Eles ainda estão por lá — respondo sem graça.
— Natsu com certeza ganhará — diz convicta.
Apenas tentei sorrir. Falar de Natsu com ela é terrível. Sempre foi, e agora se tornou ainda pior, me sinto desprezível. Aposto que ela sempre me viu como a substituta dela. Ao mesmo tempo que me sinto mal, queria poder dizer “Sou eu quem ele ama”, então vejo o quão horrível eu sou.
— Vamos nos sentar? — propõe apontando para o banco em que Mira se encontrava — Meus pés estão doendo.
Não, tenho que sair daqui.
— Vamos sim — contrario meus pensamentos com um sorriso.
Sentamos e ficamos em silêncio por alguns instantes. Estávamos um pouco afastadas, mas conseguíamos enxergar boa parte das barracas. Por exemplo, ver Natsu e Sting no tiro ao alvo. Olho para o lado e vejo o olhar vidrado de Lisanna. Não preciso me virar para ter certeza que está olhando para Natsu, seu olhar apaixonado. Volto a olhá-los e fixo nas costas de Natsu. Ele é incrível, até mesmo seu jeito teimoso tem seu ponto positivo, ele nunca desiste do que quer. Nunca o vi desistindo das coisas facilmente. Começo a pensar se ele não irá desistir de nós também. Isso me anima um pouco.
— Lucy? — A voz de Lisanna me desperta — Para de ficar olhando assim para o Sting, tem que se fazer de difícil! — brincou.
Olhar para o Sting? Hein? Assim percebo que fiquei paralisada olhando para Natsu, e bom, Sting estava do lado. Claro que é para o Sting.
— Ah sim... — falo em voz baixa.
— É engraçado amar alguém né? — Lisanna começa a falar olhando para Natsu — Você quer chamar a atenção dele de todo jeito, e se ele te ignora você sente que é o fim do mundo — Ela pausa e olha para o chão — Sabe Lucy... — de repente fixou seus olhos nos meus — Eu amo o Natsu, nunca tive tanta certeza de um sentimento tão forte — disse e sorriu, me encarando.
Seu olhar era estranho. Algo nele me dizia que no fundo, ela realmente sabia de nós. Isso fez meu coração se apertar e me senti mal. Há tanta sinceridade em seus olhos que parecem ser socos contra meu estômago embrulhado. Sinto que estou sendo injusta, devo ser sincera também! Antes era fácil, continuar amiga de Natsu e fingir não existir nada além disso. Mas não consigo vê-lo apenas como um amigo agora, não consigo abrir mão dele também. Talvez dizendo meus sentimentos à ela, possamos lutar justamente. Justamente Lucy? Você fez coisas que nunca imaginaria com ele, escondida dela.
Não importa! Tenho que contar, e acabar com esse sentimento de culpa latejante. Viro-me para ela, determinada.
— Lucy, me ajude a conquistá-lo.
Nem tive tempo de abrir a boca ao ouvir seu pedido. Seus olhos brilham na maior determinação que jamais tive. Meus pensamentos se misturam em uma confusa onda de como tudo isso foi acontecer. Ajudar a conquistar? O garoto que eu amo?
— Por favor, Lucy! Vocês são bem amigos, e você sabe que no fundo ele me ama não é?
Não! Meus pensamentos agem mais rápido que o normal.
— Olha Lisanna...
Respiro fundo, escolhendo bem cada palavra que vou dizer. Não tem escapatória, não posso dar esperanças para ela. Será melhor para todos, as mentiras só trazem coisas ruins. A verdade é que não consigo imaginá-lo com qualquer outra pessoa que não seja eu! Sou apaixonada por ele, e contive muitos sentimentos por Lisanna. Ela tem que entender meu lado. Ela tem que aceitar!
Sinto suas mãos nas minhas, e então ela sorriu.
— Sabia que podia contar com você!
Hã? Não me lembro de ter dito nada!
— Lisanna, eu realmente... — começo a dizer desesperada.
— Oi garotas! — Natsu e Sting se aproximam, emburrados.
Não! Não apareçam quando estou criando coragem de falar! Ela vai achar que concordei, mas não é verdade. Esqueça a frase “Quem cala, consente”, isso não existe. Quem cala, não sabe como negar!
— Do que estavam conversando? — Natsu pergunta, curioso. Sinto seu olhar sobre mim, mas consigo apenas olhar para o chão e pensar no desastre que sou.
— Segredinho nosso, né Lucy? — Lisanna respondeu com um sorriso.
Olho para ela, com uma expressão confusa. Pergunto-me o que ela está tentando fazer. Estou me sentindo culpada, como se a estivesse enganando. E na verdade estou mesmo fazendo isso. Meu Deus.
— Lucy, você está bem? — Sting chega perto de mim, vendo minha desilusão.
— Ah sim — levando a cabeça, sorrindo — E aí, finalmente desistiram? — pergunto, fingindo que nada está acontecendo.
Eles se olharam e viraram os rostos, zangados.
— O cara da barraca expulsou a gente — Natsu murmurou, olhando para os pés.
Começamos a rir. Eles contaram que o dono ficou bravo por eles atirarem em alguns prêmios, derrubarem algumas estantes, entre outros desastres como quase acertar inocentes e o próprio dono. Foi divertido conversar, fingir que está tudo normal. Olho para Natsu, mas quando ele me olha, desvio o olhar. O que eu faço?
―×―
O festival finalmente acabou, as barracas estavam sendo desmontadas e os enfeites retirados. A gente se despediu de todos, as garotas disseram que buscariam suas roupas em casa no outro dia. Lisanna não largou de Natsu e ainda piscava quando olhava para mim. Fiquei sem reação, eu devia estimular? Ou pular no pescoço dela? Suspiro desanimada. Falo um último tchau coletivo e dou de costas.
— Espera Lucy! Vou com você — Natsu diz, desviando-se de Lisanna e vindo em minha direção.
Seria mentira dizer que não fiquei feliz por isso, e por me sentir assim, fico ainda pior. Não digo nada, e não paro de andar. Deixo que ele me alcance. Estou finalmente sozinha com ele. Não pudemos aproveitar nada do festival juntos. Um sentimento egoísta dentro de mim queria que ele desse sua atenção apenas à mim, mas sei que não é bem assim. Aquela conversa com a Lisanna me abalou. Eu sempre soube que ela o amava, e desde o instante que nos tornamos amigas, me esforcei ao máximo para me afastar de Natsu. Então como deixei tudo isso acontecer?
Ele não disse com todas as palavras, mas sei que a amou também. Às vezes me pergunto se o que ele sente por mim, supera o que ele sentiu ou sente por ela. Não queria levar isso como uma competição, mas estou com medo. Lisanna o viu novamente e isso bastou para todos seus sentimentos florescerem como antes. E se foi o mesmo com ele?
— Lucy? Está me ouvindo? — Natsu entrou na minha frente repentinamente, me fazendo parar. Sinto que estou suando, eu estava correndo? — Você está bem? — perguntou, segurando meus ombros.
Desvio o olhar para o chão, mas sei que minha expressão confusa me entregava.
—Estou... eu só... estou cansada — respondo superficialmente, sem saber o que pensar.
— Está magoada comigo? — pergunta com os olhos ainda fixos em mim, tento olhá-lo de volta — Desculpe por ter deixado a Lis me arrastar. Sei que não deve ter sido... legal. Mas eu não sabia como contornar a situação.
Suspiro fundo.
— Eu sei, tudo bem — concordo ainda desanimada.
— Sabe, mas continua com essa cara — disse com as sobrancelhas arqueadas — Eu também queria ficar mais com você. Me arrependi por te deixar sozinha quando te vi com o Sting, e não devia ter aceitado aquela aposta idiota também. Sou um cara arrependido, mereço perdão? — olhou para mim em um misto de tristeza e divertimento.
Mesmo assim, meu coração inútil acelerou. Um sorriso se formou em meus lábios por ele saber sempre o que dizer para me deixar melhor.
— Tudo bem — digo, passando meus braços por ele e o abraçando no meio da rua — sempre soube que você era mesmo idiota — sorri em seu peitoral.
Ele me envolve também, após se assustar com meu ato. Encosto minha cabeça nele, e logo sinto seu cheiro e seu calor eminente. É tudo o que eu preciso agora para esquecer o desastre desse festival.
— Não me chame de idiota — resmungou e me deu um beijo na testa.
— Você é.
— Não sou.
— Você me apostou! — falei irritada.
— Eu estava com ciúmes — disse baixinho, mas o suficiente para eu escutar e levantar meu olhar para vê-lo.
Pude ver seu rosto meio corado, olhando para os lados para não me encarar de volta.
— Ciúmes? — pergunto apenas para confirmar, enquanto um sorriso bobo não deixava meus lábios.
— É — falou ainda corado — Você ficava andando com seu ex de um lado para o outro, isso me irritou — finalmente me olhou. Seu olhar era tão profundo e sincero que até meu sorriso se foi.
Então apenas segui meus instintos, me inclinei e o beijei. Eu apenas queria senti-lo novamente. Sentir que nada ia mudar isso entre a gente. Ele me apertou mais, enquanto sua língua se unia com a minha. Eu adoro seu gosto, e adoro saber que ele adora o meu também. Afastamos nossos lábios depois de algum tempo, e antes de lembrarmos que estávamos em um local público, nos olhamos. Aquele olhar que só nós temos, que dizem tudo, sem precisar que as palavras estraguem tudo.
— Acho que preciso de você e mais quatro paredes — sorriu maliciosamente.
— Pervertido — murmuro, envergonhada.
Não entendo como ainda sinto vergonha depois de tudo.
— Na verdade — disse, erguendo meu queixo — Eu ia dizer te amo, mas achei melhor fazer uma piadinha para você não chorar.
— Eu não ia chorar! — digo indignada.
Ok, talvez eu estivesse prestes a chorar.
— Pois bem — sorriu e me apertou — Eu te amo.
Há tanto calor em suas palavras que meus olhos começaram a marejar. Essa é a melhor parte da noite, onde todos aqueles sentimentos confusos e indefiníveis são correspondidos. Onde não existia mais nada além de nós.
— Eu também te amo — digo, deixando minhas lágrimas caírem em desespero. Até minha voz falhou ao pronunciar a frase. A frase que demonstra tantos sentimentos que ele me causa.
— Eu disse que você ia chorar, teimosa — Disse, apoiando a cabeça sobre a minha.
Tentei respirar fundo para não parecer tão patética.
— Talvez a ideia das quatro paredes seja boa — tento dizer, rindo baixinho.
Ele riu alto e me afastou um pouco para me beijar. Mesmo com o mundo existindo, com os problemas e confusões, eu não queria ligar. Não queria me importar, porque eu sei que quando as coisas são para acontecer, elas vão acontecer. Não importa. Então peguei a mão dele e o arrastei para meu apartamento. Essa noite, mesmo com toda sua desordem, se tornou perfeita.
―×―
Natsu
Amanheceu, e meu corpo esbanja preguiça. Isso que dá passar a noite inteira com a namorada e ainda ter que voltar para a casa de madrugada. Não que haja arrependimentos. Na verdade, meu corpo também está dolorido de ficar atirando inutilmente naquele alvo ontem. Estava tão tenso que meus ombros doem, apesar de Lucy ter dado um jeito ontem. Não sei o que houve, sou ótimo de mira. Atirar sabendo que se eu errar teria que ver minha garota beijando o ex dela na minha frente me deixou nervoso. Acho que ela tem razão, sou mesmo um idiota.
Suspiro e me levanto. Espreguiço, sentindo a dor se espalhar.
Ontem, no apartamento de Lucy, ficamos “conversando” e conversando de verdade. Ela me pareceu diferente, como se algo a estivesse perturbando. Tentei acalmá-la, fazer ela esquecer os problemas que não queria me contar. Seus olhos me contavam sua indecisão e confusão com algo. Acho que está na hora de falar com Lisanna. Isso também tem me atormentado.
Tomo uma ducha, coloco o uniforme, pego o material e desço as escadas para roubar alguma maçã na geladeira. Mas me espanto ao encontrar meu pai sentado, e tomando café tranquilamente.
— Pai? — pergunto confuso, normalmente ele fica em outra cidade, perto da filial da empresa.
— Bom dia filhão! — fala animado, erguendo sua xícara como se fosse um brinde.
— Bom dia... o que faz aqui?
Ele arqueia as sobrancelhas.
— Eu moro aqui — diz com um sorriso, nada ofendido — Sossegaram as coisas por lá, então vim passar um tempo por aqui para ver como meus filhos estão.
— Ah... que bom — digo, pegando uma maçã e me virando para sair.
Não que eu não goste do meu pai aqui, mas ele quase não aparece. Sempre cuidei de Wendy, e essa casa parecia ser até minha. Sei que não é culpa dele, eu até o incentivo. Apesar de tudo, ele é meu velho.
— Espere Natsu — disse sério antes que eu pudesse sair. Respirei fundo e me virei novamente em sua direção.
— Oi?
— Wendy... tem me contado que você tem saído bastante de noite. Aliás, você nem tem voltado para cá. Posso saber o que tem feito? — expressa com um olhar um pouco repreensivo e aponta para a cadeira à sua frente para que eu sente.
Revirei os olhos, batendo na minha própria cara para ter que explicar isso. Por que foi que eu queria uma maçã?
— O que tem, pai? — sento desleixado na cadeira.
— O que tem? — grita e depois se recupera — O que você tem feito? Está se drogando por aí e nem consegue mais achar o caminho de casa? Porque se for isso Natsu, temos que ter uma conversinha.
Drogas? O que?
— Para com isso — digo quase rindo — Não estou me drogando — falo como se fosse óbvio, e é.
Ele respira fundo, vejo sua mão tremendo enquanto segura a xícara. Ele está mesmo preocupado com isso?
— Então seja sincero, onde você tem ficado a noite? Tem ido para aqueles barzinhos se embebedar? Está se tornando um adolescente rebelde? — disse do seu jeito exagerado. Fala sério.
— Não pai, não estou me embriagando também.
— Meu Deus — exclamou como se tivesse adivinhado tudo e aposto que não — Você está indo... para aquelas casas? — perguntou com uma ênfase em “aquelas” que eu não entendi.
— Hã? Do que você está falando?
Ele tossiu, constrangido. Então entendi.
— Não! — grito em negação — Por que eu faria isso? — digo indignado.
— Bom filho, homens sentem certas necessidades e às vezes por falta, procuram maneiras mais fáceis de conseguir saciá-las — tenta explicar, mexendo os dedos sobre a mesa.
Não acredito no que estou ouvindo.
— Sério, não vamos falar sobre isso.
Depois disso ele chutou diversas outras teorias bizarras como prostituição, grupo de motoqueiros, ladrão e até mesmo estuprador. Olhei para ele pasmo apenas por meu pai conseguir pensar essas coisas de mim. Minha expressão chegou a ser de sono. Neguei tudo, e cansado de tudo isso, resolvi falar.
— Pai, estou saindo com uma garota. Só isso.
Ele engasga com o próprio café.
— Saindo?
— Sim — digo esgotado, apoiando o cotovelo na mesa.
— Hã... — murmura. Não entendo, parece que ele preferia que eu me drogasse. Meu pai olha para os lados e depois volta para mim — E você não tem voltado para casa?
Ah. É aí que ele quer chegar.
— Hm — minha vez de murmurar qualquer coisa — Já falei para não falarmos sobre isso.
— Hm — respondeu balançando a cabeça como se concordasse com algo — Os pais dela não se importam?
— Ela mora sozinha — respondo baixinho, sabendo que não é lá uma boa frase para o rumo dessa conversa.
— Gosta dela? — muda de assunto, o que eu agradeço imensamente.
— Sim, pai. Pra valer — respondo sinceramente. Seu sorriso se alarga como se estivesse... orgulhoso? — Por Kami-sama, não conta para a pirralha, ela vai fazer o inferno na minha vida — suplico.
— Tudo bem — consente — Mas me diga, quem é ela? — perguntou curioso, mas logo parece que uma luz se acendeu em seu cérebro — Ah! É a garota que passou a noite aqui né? — soltou um risinho malicioso.
Pai, é você?
— Eu queria mesmo ter um neto ainda jovem para...
— Pai, ela não está grávida — digo entediado.
— Como pode saber? — perguntou, tirando sarro de mim. Só pode ser por isso.
— Não quero mesmo falar sobre isso — repito.
— Tudo bem, tudo bem — diz convencido — Qual é o nome dela?
— Lucy Heartfilia — respondo seco.
Sua cabeça tomba em curiosidade.
— Heartfilia?
— É, que tem? — arqueio as sobrancelhas, tentando entender.
— Temos um sócio de negócios com esse nome. Um grande magnata. Foi de grande ajuda quando mais precisamos. Será o pai dela?
Magnata? Não pode ser, a Lucy mora naquele ovo. Será que ela fica naquele apartamento por ser mais perto da escola igual a mim? Estranho, talvez eu deva a conhecer melhor ainda. Tudo bem, temos tempo para isso.
— Não sei, posso ir para a aula agora?
— Ah, verdade! Pegue algo para comer.
Vim aqui para isso.
―×―
Finalmente chego à escola. Estava atrasado por causa do interrogatório sem sentido do meu pai. Enviei uma mensagem para Lucy no caminho para não me matar mais tarde. Bati na porta com esperança que o professor me deixe entrar. Após muitas desculpas, fui para meu lugar. Lucy me olhou e sorriu. Então isso já melhorou meu dia em 100%.
Sentei e me inclinei.
— Bom dia chatinha — sussurrei, e ela se virou sorrindo.
— Bom dia.
As aulas passaram devagar, no tédio. Por sorte posso ficar mexendo no cabelo de Lucy. Então ela jogou um bilhete na minha carteira, como não fazemos a muito tempo.
“Deixe eu prestar atenção na aula!”
Dou risada e devolvo.
“Só estou mexendo no seu cabelo, acho que o problema está em você”
Logo o papel dobrado volta.
“Sabe que não é SÓ mexer no meu cabelo”
Tento me controlar para não rir ainda mais alto. E também para não agarrá-la aqui no meio da aula.
“Está excitada, amor?”
Devolvo o papel e o sinal toca. Ela abre e me olha vermelha. Pisco para ela e saiu da sala com Gray, que por acaso parece bem irritado.
— O que foi stripper?
— Me deixa em paz — respondeu, bufando. Ele não está mesmo legal. A gente costuma só brigar, mas ele é meu melhor amigo, então a ideia de vê-lo irritado, me intriga.
— Fala logo — digo entediado. Ele suspirou e se jogou em alguns bancos na cantina.
— Garotas... — murmurou.
Não precisa dizer mais nada. Comecei a dar risada alto.
— Está apaixonadinho, Gray? — brinco entre minhas gargalhadas, quando sinto seu punho contra meu rosto.
Logicamente, revidei com outro soco. Está maluco? Começamos a brigar no corredor, sem nenhum motivo aparente, quando senti algo em meu ombro e olhei para o lado. Droga.
— Oi Erza — sorri falsamente.
— Vocês vão parar de brigar? — perguntou com sua aura assassina.
— Hai — respondemos juntos.
Depois com o olho vermelho e ele com a boca sangrando, pegamos algo para comer e sentamos como se nada tivesse acontecido. Por isso nos damos bem, nossas brigas são demonstração de afeto masculino. É bom saber que não sou o único que tem problemas com garotas. E por falar em problemas, preciso resolver algumas coisas.
Assim que a última aula acabou, de trocar mais alguns bilhetes com Lucy, e ela berrar para a sala inteira que era para mim parar, procurei por Lis. Preciso resolver logo isso. Vejo ela parada perto do portão e vou até lá.
— Oi Lis — digo me aproximando.
— Nat-kun! — disse jogando seus braços para cima de mim, fico parado — Não conseguimos conversar direito desde o festival né? — sorriu e eu sorri de volta um pouco incomodado.
— Verdade... Olha Lis — começo a falar e ela me encara séria, o que me desequilibra por um instante — Preciso conversar com você, tudo bem? Talvez possamos nos encontrar depois do seu trabalho ou algo do tipo — termino a frase, com coragem.
— Isso é um encontro? — grita com os olhos brilhando, tendo revidar, mas ela me corta — Claro que posso! Onde? Sabe tem um lugar incrível perto da praça, o que acha? Pode ser? — fala tudo sem pausa, e sem me deixar falar nada para interromper.
Só consigo dizer:
— Tudo bem... Até lá então.
E rezar para que tudo dê certo.
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