Academia De Fadas
33 Capítulo 33 — Festival
Notas iniciais
Capítulo 33 — Festival
Assim que todas estavam prontas, olhamos uma para as outras e sorrimos em ar de aprovação. Saímos de meu prédio e tomamos o caminho para a escola. É realmente difícil andar com isso, por sorte a escola é perto. Conversamos alguns assuntos triviais como garotos e isso passou a me incomodar o caminho todo.
— Você e Sting terminaram? — Juvia gritou desacreditada.
— Vocês eram perfeitos juntos! — Erza entrou na conversa, ainda mais animada do que normalmente é.
— Pois é — digo, olhando para o chão — Não deu muito certo — Coço minha cabeça nervosa.
— Mas como a Lu-chan é gatona, logo arranja outro! — Levy disse, passando seu braço por meu ombro.
Todas riram, menos eu ou Lisanna. Tentei não me preocupar com isso. Todas continuaram a conversar normalmente. Erza finalmente contou sobre o garoto misterioso e inacreditavelmente era mesmo Jellal. Vi a forma como ela falou dele com admiração e estava óbvio seus sentimentos ainda marcantes. Será possível amar alguém assim por tanto tempo?
Fomos nos aproximando e logo avistamos toda a escola enfeitada com luzes, flores, bambus, origamis e tyotins. Os garotos estavam reunidos na entrada, todos bem vestidos, menos Gajeel, o contraditório. Mesmo assim, todos estavam incrivelmente charmosos. Olhei para Natsu e ele me devolveu o olhar com um sorriso. Sinto meu rosto corar, mas tento disfarçar.
— Vocês estão lindas — Gray disse ao seu modo galanteador de ser.
Todas sorrimos em resposta, mas Juvia simplesmente passou reto. O que foi isso? Juvia ignorando um elogio do Gray? Só pode estar passando mal.
— Erza! — O rapaz daquele dia se aproximou.
— Jellal — Erza fica sorridente.
— Está linda — ele diz e ela fica radiante.
Nós, garotas e ela trocamos um olhar. Ela sorri com o rosto corado e logo passa a andar entre as barraquinhas com ele. Fico muito feliz por ela, Jellal parece ser a injeção de ânimo que ela necessitava.
Então Levy, pegou no braço de Gajeel e o arrastou para dentro do festival. O que era uma cena diferente de se ver entre duas pessoas que só implicavam uma com a outra. Talvez tenha sido amor o tempo todo?
— Natsu, vamos! Quero ver as barraquinhas também! — Lisanna pegou na mão de Natsu e o arrastou.
Olhei para isso, indignada. Natsu fez uma expressão que parecia dizer “É ela quem está me puxando”. Não que isso fosse aliviar a situação dele depois. Por que ele só não conta de uma vez por todas sobre nós dois? Respiro fundo, e passo a pensar que não deve ser fácil para ele destroçar o coração de alguém também. Natsu é gentil com todos, porque seria diferente justo com ela?
Suspiro e escuto uma risada ao meu lado. Gray ri, provavelmente vendo toda essa cena. Congelo ao ver que talvez eu tenha dado bandeira demais.
— Sinto algo rolando aqui.
— Hã? — Faço-me de desentendida.
Não costumo conversar muito com ele. Normalmente Gray é apenas o melhor amigo do meu melhor amigo, ou mais um que fica me zoando na sala de aula. Acabei me encontrando diversas vezes com ele, porque Natsu sempre chamada a nós dois para sair. Mesmo assim eram papos coletivos, nada muito pessoal, como agora.
— Entre você e o idiota ali — disse apontando para Natsu que estava de costas em alguma barraquinha.
Sinto o sangue subir para a minha cabeça.
— Até parece — digo, virando meu rosto para não mostrar o quão vermelho estava. Se ele soubesse as coisas que já aconteceram entre a gente. Meu Deus.
Ele riu ainda mais.
— Tudo bem, qualquer um poderia prever is... — começou a dizer, mas logo seu olhar se fixou em alguma cena que o petrificou.
Segui seu olhar e vejo Juvia logo a frente, abraçada com Lyon. Volto a olhar para Gray e vejo que sua expressão se fechou completamente. Olho-o intrigada.
— Senti algo rolando aqui — brinco e ele dá de ombros.
— Cada um com seus problemas.
Começo a rir, então sinto uma mão em minha cintura. Viro-me rapidamente.
— Sting! — grito surpreendida.
— Oi Lucy, quanto tempo — sorri, me dando um beijo na bochecha.
— É verdade — concordo — Como você está?
Gray olhou para nós dois e suspirou.
— É, tô sobrando, vou andar por aí — falou se retirando arrastando os pés.
Vejo Gray se afastar e peço mentalmente para que ele volte. Prevejo problemas em ficar sozinha com Sting. Ele me olha, enquanto tento disfarçar meu nervosismo. Não o vejo desde que terminamos, não faz muito tempo, mas mesmo assim me sinto com certa culpa ao me aproximar dele.
— Quer explorar o local? — me estende a mão, sorrindo.
Olho para sua mão, pensativa. Qual o mal nisso?
— Tudo bem — sorri.
Começamos a andar lado a lado entre as tantas barracas. Havia várias comidas típicas à venda, roupas e muitas brincadeiras como pesca, jogar argola ou acertar o alvo. Tudo enfeitado e animado. Para qualquer direção que se olhe há pessoas sorrindo e felizes, e só por isso já me sinto bem disposta. Mesmo estando com meu ex-namorado e o garoto que estou apaixonada com sua ex-paixonite. Vida confusa.
Tento me esquecer disso tudo e me divertir. Sting me puxa para o jogo de argolas. Não sei se já falei alguma vez que sou horrível de mira, pois bem, ainda bem que ele é muito bom. Errei todas, todas. Porém Sting acertou exatamente onde ganhava um urso maravilhoso.
— Pra você — estendeu o urso em minha direção.
— E-eu... não posso aceitar — falei olhando para baixo e me sentindo muito constrangida. Apesar de eu não ter correspondido seus sentimentos, ele ainda me deixa sem graça.
— Claro que pode — disse convicto, mas continuei parada, olhando-o — Olha, não se sinta mal pelo que aconteceu entre a gente, certo? Me deixa tentar pelo menos — continuou sério.
Suas frases foram ditas tão firmemente, que me senti petrificada. Tudo bem, acho que não terá problema....
Aceito o urso e sorrio.
— Obrigada, ele é lindo.
―×―
Natsu
Chego na escola usando aquela roupa incomodante. Foi terrível vir até aqui e nem pude passar na Lucy, pois as garotas iriam para lá. E mesmo que ninguém saiba de nada, nossa consciência de sabermos que estamos juntos não nos deixa ficar muito junto na frente de todos. Então fui obrigado a esperar na entrada do colégio. Mas logo tive companhia, pois Gray e Gajeel apareceram.
— Vocês estão parecendo umas mulherzinhas com essas roupas — Gajeel tirou sarro, vai que ele estava com sua roupa normal.
— Torça para o velhote não te encontrar sem estar vestido — falei, ignorando seu comentário.
Na verdade, eu pensei “Esse cara é um gênio, essa roupa é um saco”, então torci mentalmente para que o velhote realmente aparecesse.
— E a Levy vai te matar — Gray complementou.
Gajeel deu de ombros, mas tenho certeza que tinha esquecido de sua baixinha invocada.
Ficamos em silêncio na entrada. De certo modo senti que todos estavam ansiosos com algo. Eu não conseguia parar de pensar em Lucy, e também que não poderia ficar com ela sem parecer discrepante que estamos juntos. Como estar perto dela sem querer dar algum perdido por aí? O que ela fez comigo?
Enquanto cada um esconde seus pensamentos, as garotas apareceram, acenando ao longe. Então me foquei naquilo que mais espero todos os dias, vê-la. Fiquei totalmente enfeitiçado olhando para Lucy naquela roupa que agora não parece tão ridícula assim. Sorri involuntariamente. Ouço algum murmúrio de Gray e Juvia saindo a passos firmes. Mas não me importei, continuei olhando para ela, com seu sorriso amigável. Meu Deus, ela é linda!
Espanto-me ao sentir meu braço sendo puxado. E um grande ponto de interrogação se formou, pois Lucy estava na minha frente, eu estou olhando para ela. Não faz sentido.
— Natsu, vamos! Quero ver as barraquinhas também — Olho para o lado e vejo que é Lis que me arrasta.
Volto meu olhar para Lucy e vejo que ela me olha intrigada. Tentei expressar que a culpa não era minha, não sei se fui bem sucedido, porque ela continuou me olhando como se não me restasse muitas horas de vida. O que posso fazer se quando dei por mim já tinha sido arrastado?
Começamos a andar entre as barracas, e Lis não soltou meu braço. Sei que devia ter respondido sobre meus sentimentos antes. Sei que não deveria ter deixado essas coisas se acumularem, mas como magoar a garota que foi sua melhor amiga por tanto tempo? É quase como magoar Lucy, em algum futuro. Espero que isso nunca venha a acontecer.
— Ei Natsu, vamos na pescaria! Vamos, vamos! — pediu com os olhos brilhando como se eu fosse capaz de impedir alguma coisa.
— Tudo bem — concordo com um sorriso e andamos até lá.
Fiquei apenas observando enquanto ela tentava. E olha que foram muitas vezes e em todas elas, a peneirinha rasgava e o peixe escapava. Tentei me conter, mas comecei a rir.
— Nossa Lis, você é muito ruim — brinquei e ela fez bico.
Como uma boa orgulhosa, ela continuou tentando. E como um bom filho da mãe, continuei rindo. É divertido ver isso. Esse ano parece que o vovô realmente estava inspirado. Até as pessoas parecem mais animadas. Olho para as barracas ao lado para ver o que mais temos por aqui. Mas então vi a última coisa que eu queria ver, algo que não deveria existir. Lucy e Sting juntos. Encarei-os indignado. Tenho certeza que caso eles olhem para cá vejam fogo saindo de meus olhos. Sinto meu sangue ferver.
Eles estão em uma barraca do outro lado. Lucy tem um urso em suas mãos que tenho pelo menos 99% de certeza que não foi ela quem conseguiu. Ela sorri docemente como não deveria fazer por aí com ex-namorados que provavelmente a quer de volta. Cerro os punhos.
O que ele pensa que está fazendo perto dela? Será que ela ainda sente algo por esse cara? Que droga. Eu não posso fazer nada? Essa história de namorarmos escondidos não está dando certo. Será que posso simplesmente agarrá-la no meio de todos e dizer que ela é minha?
— Nat-kun?
Paro de encará-los e olho para Lis ao meu lado. Tinha me esquecido disso. Viajei por um bom tempo.
— Oi? — respondo sem esconder a raiva na minha voz.
— Está tudo bem? Você parece... irritado?
— Tudo ótimo — respondo meio seco — Minha vez — pego uma das peneirinhas para pescar.
Tento esquecer aquela cena por hora. Está tudo bem. Lucy não te trairia. Ela, com certeza, não faria isso. Você confia nela certo? Você não ia esquecer isso?
Miro em algum peixe qualquer. Avanço firmemente a peneira sobre ele e facilmente o pego. Caramba, ainda sou bom nisso?
— Nossa, você é bom — Lis diz sorrindo, batendo as mãos.
O cara me entregou um panda de pelúcia, e eu entreguei diretamente para Lis.
— Pra mim, sério? — disse sorridente e com os olhos brilhando.
— Por suas tentativas falhadas — falo dando risada.
Foco-me novamente em direção a Lucy. Vejo eles seguindo para o tiro ao alvo e sinto meu corpo se movimentar por vontade própria. Puxo Lis para vir comigo, e ando a passos firmes até estar ao lado deles. Chego como se não quisesse nada e sinto Lucy me lançar um olhar interrogativo. Apenas sorrio.
— Natsu — Sting me cumprimenta com um olhar hostil.
— Sting — respondo da mesma maneira, apenas acenando com a cabeça.
— Quer ver quem tem a melhor pontaria? — Sting me desafia, apontando para a barraca em nossa frente.
Dou uma risada interna. Coitado, quer mesmo se humilhar.
— Hm... não acho que seja uma boa ideia... — Lucy murmura entre a gente.
— Acho que vai ser legal — Lis diz animada.
— É um desafio? — encaro Sting com raiva e presunção.
— Bom, se é contra você, acho que não pode ser considerado um desafio — sorri amargamente.
Sinto uma veia se estourar em meu pescoço. Meu instinto grita “Pule nesse imbecil”.
— Oi, vão querer entrar? 15 tiros 5 reais — um rapaz se aproxima com duas armas.
Respiro fundo para não deixar que minha raiva me atrapalhe. Pagamos, jogando o dinheiro em cima da mesa e pegamos as armas. Olho para o loiro idiota.
— Cuidado para não atirar no próprio pé — falo sorrindo.
— Digo o mesmo.
Olhamos para as prateleiras à nossa frente, buscando algum alvo digno desse desafio.
— Lisanna! — Mira aparece acenando para a irmã.
— Ai queria tanto ver isso! — resmunga — Depois nos falamos, gente — despede-se, se afastando de nós.
Não que eu tenha algo contra Lis, mas tê-la longe me deixa mais à vontade para ficar perto de Lucy. E também para brigar por ela.
Sting me encara.
— Quem ganhar aquele urso — aponta para o maior — vence.
— O que ganho com isso? — indago, arqueando as sobrancelhas.
Continuamos a nos encarar. Os dois pensando em um prêmio que valesse a pena, algo que fosse maior que nosso orgulho e dignidade. Olhamos para trás e vemos Lucy segurando o urso, encolhida. Seu olhar demonstra medo de nossos próximos atos.
— Um beijo dela. — Sting diz com um sorriso no rosto.
Minha expressão de dúvida se transforma em inquietude.
— Quê? De jeito nenhum — retruco imediatamente.
Ele acha mesmo que eu toparia algo assim? Dar a minha garota de bandeja por aí? Nem pensar.
— Tem medo de perder? — disse rindo.
Cerro meus punhos. Olho para Lucy outra vez. Ela parece implorar para que paremos com tudo isso.
— Nem pensar — repliquei e me virei para o alvo.
— Q-que? Estão loucos? Como vocês saem apostan... — Lucy começou a reclamar, mas eu tinha que me concentrar.
Olhei para frente, o alvo onde ganhava aquele urso. Nem pensar que vou deixar ele beijá-la. Essa cena nem ao menos entra em minha mente. Começamos a atirar que nem loucos na mesma direção, todos olhavam para a nós, assustados. O cara da barraca até se afastou. Éramos rápidos, atirávamos uma bala atrás da outra, Lucy quase chorava ao nosso lado.
Respirei fundo. Estou desesperado demais, e atirando sem pensar. Apalpo a mesa em busca de minhas balas quando percebo que só resta uma. Olho para o lado e vejo que Sting também está na mesma situação. Nos encaramos. Última chance. Não vou errar.
―×―
Levy
— Porque você veio vestido assim? — perguntei com um olhar de reprovação para Gajeel.
— Odeio essas roupas de mulher — falou do seu jeito grosso de sempre.
Suspirei. Rude como sempre, acho que tenho que me acostumar. Pelo menos ele veio, foi difícil convencê-lo, ele ficou dizendo que era um festival para idiotas e coisas assim. Mas ele veio... por mim. Sorri.
— Que foi baixinha? Tá sorrindo sozinha agora?
— Nada — falei com um sorriso — Quero um peixinho — pedi olhando para ele.
Tenho certeza que ele deve ter pensando algo como “Essas brincadeiras são para babacas”, porque ele ficou me olhando contrariado.
— Tá, vou pegar um para você — falou dando de ombros e me puxando até a barraquinha.
Sorri e me deixei ser arrastada.
Sinto que ele achou que era fácil, porque quando chegamos lá, ele só olhou para aquelas peneirinhas e para os peixes, deu um sorriso convencido e disse algo como “Vai ser moleza!”. Porém não foi bem assim. Como ele é meio grosso com as coisas, as peneirinhas rasgavam uma atrás da outra. Ele começou a ficar irritado, as pessoas até se assustaram e saíram de perto, enquanto ele ficava jogando água para todos os lados.
Que desastre.
— Maldito, vem aqui agora! — começou a gritar consigo mesmo ou com os peixinhos. Gota.
— Hm... moço me dá uma também, vou tentar — peço para o tio que nos olhava irritado. Lógico, esse brutamontes espantou a clientela.
— Nem pensar baixinha, sou eu quem vai... — ele começou a reclamar.
— CONSEGUI! — gritei, mostrando o peixinho na peneira.
— O QUE?
―×―
Juvia
— Você está linda Juvia — Lyon-sama aparece perto das barraquinhas que estou.
— Juvia fica feliz com isso — sorri — Lyon-sama também está bonito.
Ele também sorriu com meu comentário, não foi por cortejo, ele é mesmo um garoto muito bonito.
— Está com fome?
— Uhum — respondi sorridente e um pouco corada.
Lyon me estendeu o braço e eu aceitei. Passeamos entre as pessoas à procura de alguma comida que nos chamasse atenção. Quando vi uma barraquinha de lámen e apontei. Ele aceitou de bom grado. Sentamos em alguns banquinhos encostados na bancada de pedidos.
Peguei o cardápio para dar uma olhada, então senti alguém se sentar ao meu lado. Abaixo o cardápio e olho.
— Gray-sama? — digo espantada.
— Yo — acena para nós dois, naturalmente.
— Gray, o que faz aqui? — Lyon o encara.
— É um festival do colégio, e eu estudo nesse colégio — replicou com desdém.
Então um clima ruim se formou com os dois se encarando. Juvia no meio da batalha mortal entre olhares. Juvia se recorda de algo assim...
―×―
Erza
— Que bom que você veio Jellal — cumprimento com um leve sorriso, já sentindo meu rosto corar.
— Adoro festivais, no meu colégio não tem tantos — disse sorrindo.
— Onde você está estudando? — perguntei curiosa.
Começamos a andar vagarosamente. Tentei fingir estar prestando atenção em alguma coisa à nossa volta. Mas é bem complicado quando você encontra seu melhor amigo de anos atrás.
— Na Crime Sorciére.
— Nome estranho para uma escola — brinco, rindo fracamente.
— Concordo — ele fala e ri — Queria poder estudar aqui, mas esse ano já me formo.
— Verdade... — olho para baixo — Você já vai para a universidade, o tempo passa rápido.
Suspiro ao pensar na quantidade de anos que se foram em um piscar de olhos. Primeiro estávamos naquele lugar horrível, escapamos, encontramos nossas famílias, seguimos em frente e então, a vida passou.
— Sim, não é incrível termos nos encontrado mesmo assim? — sorriu, e não consegui segurar o sorriso que se formava em meus lábios.
— Aham, fato curioso. Coincidência? — pergunto retoricamente.
— Destino — disse com um largo sorriso.
Tentei não fraquejar. Não fraquejo para ninguém, muito menos para garotos. O que está acontecendo com as minhas pernas ultimamente? Paro de olhá-lo e viro para frente, tentando inutilmente controlar o rubor em minhas bochechas.
— Já sabe o que vai fazer? — mudo de assunto.
Ele ri.
— O que foi? — indago, sem entender.
— Nada — balança a cabeça — Estou estudando para conseguir uma bolsa em direito — responde com um olhar agora distante.
— Nossa, direito? É um curso difícil.
— Nenhum é fácil — fala com um sorriso — Mas... minha motivação para acabar com as injustiças me orienta — continuou, olhando para o céu — Não quero que ninguém passe pelo que passamos. E se passarem, quero que os causadores sejam punidos, como os nossos não foram.
Jellal voltou seu olhar para mim e sorriu. Minhas tentativas de não fraquejar se foram rapidamente. Como não ficar totalmente admirada por alguém como ele?
―×―
Lucy
Sabia que aquilo não era uma boa ideia. Eles estavam realmente doentios, saíram disparando um monte de balas, nem pareciam mirar. Não pode dar esse tipo de brincadeira para crianças. Mas confesso que meu coração se apertava ao pensar em qualquer um ganhando. Primeiro porque Sting é meu ex e seria muito estranho beijá-lo, ainda mais na frente de Natsu, e se eu beijar Natsu, vou começar a ter todas aquelas sensações que ele me provoca, e isso não ia dar muito certo na frente dessa gente toda. E por último, COMO ELES SAEM ME APOSTANDO ASSIM? NA MINHA FRENTE? Fala sério.
Fiquei ali com o coração na mão vendo os dois determinados a ganhar, quando finalmente chegaram na última bala. Se olharam e voltaram seus olhares para o alvo, dessa vez estavam mirando, para valer, havia plateia envolta torcendo. Uma tensão se formou no ar e eles dispararam.
Não acredito.
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