Academia De Fadas
21 Capítulo 21 — Confissão...fail
Notas iniciais
Capítulo 21 — Confissão... fail
Lucy
Entro em meu apartamento após o longo dia na livraria. Não foi um bom dia para se trabalhar, minha mente não conseguia tirar a imagem daqueles dois idiotas se batendo e acabei misturando livros, derrubando e fazendo tudo o que eu não deveria fazer. Mas enfim, estou em casa e tenho que me arrumar para ir ao colégio daqui a pouco.
Estou um pouco curiosa para as tais misteriosas atividades. Na verdade, ainda estou preocupada com o que aconteceu hoje. Não consigo parar de pensar nisso nem por um segundo e também não consegui falar nem com Sting, nem com Natsu, após a aula.
Fazer o que... tenho que esperar até encontra-los daqui a pouco. Espero que não briguem novamente.
Estico meus braços para cima, estralando meu pescoço para os dois lados, como se estivesse recuperando as energias. Escolho uma roupa e vou para o banheiro tomar um longo e saudoso banho. Seco meus cabelos, e vou até a gaveta da minha escrivaninha caçar minhas fitas. Onde as deixei? Enquanto procuro, sinto uma presença atrás de mim e me viro automaticamente.
— Natsu! — exclamo ao vê-lo sentado na minha janela. Não vou mais brigar, ele nunca me escutará. Suspiro mentalmente.
— Yo Lucy! — me cumprimenta com um sorriso torto, aliás ainda vejo alguns hematomas por seu rosto, me fazendo lembrar do que eu havia me esquecido por meio segundo — Vamos?
Fico parada olhando para ele. Vamos? Como assim? Ele veio até aqui detonado desse jeito só para ir comigo até o colégio? “Acho que ele gosta de você”. Coro com o pensamento. Estou ficando louca.
— Achei que você não iria passar aqui — disfarço, arqueando as sobrancelhas e logo após pegando uma fita vermelha da gaveta.
— Está me expulsando? — diz um pouco sério, mas com certa mágoa ao fundo. Seu olhar ainda está fixado em mim.
— Não — respondo simplesmente, amarrando meu cabelo.
Ele sorri.
— Então vamos logo.
— Tá, tá — rendo-me.
Pego minha bolsa no gancho perto da porta e saímos. Ele me acompanha pela escada, o que torna tudo bem esquisito. Os corredores são estreitos, e bom, o clima fica um tanto quanto... desagradável. Tento não pensar nisso e ando normalmente sentindo sua presença atrás de mim. Constrangedor.
Sinto meu pé torcer em um dos degraus e quase desabo escada abaixo até sentir a mão de Natsu me segurar. Olho para ele com os olhos estalados de susto.
— Ei, você está bem? Acha que consegue descer uma escada sozinha? — brinca com um sorriso sarcástico.
Tiro sua mão de mim, me equilibrando novamente.
— Obrigada, eu acho — replico seu sarcasmo e continuo andando.
Ao sairmos do prédio, passamos a andar lado a lado. Estou impulsionada a perguntar sobre hoje de manhã, mas não sei o que dizer. Queria entender de uma vez por todas o que aconteceu. Não quero ver meu namorado e meu melhor amigo brigados, mas não sei se essa é uma escolha minha. Na verdade, tenho certeza de que não é.
Está bom assim... Apesar de tudo, Natsu sempre foi uma boa companhia.
— Natsu... — murmuro para quebrar o silêncio.
— Hm? — me olha de lado.
Abaixo a cabeça, olhando para meus próprios pés.
— Desculpa ter te expulsado mais cedo de casa.
Minha voz soa fraca e quase inaudível. Estou envergonhada, mas sinto que deveria falar isso. Não foi legal da minha parte, acabei ficando perdida e não pensei nas consequências. Não se faz essas coisas com alguém que te deu abrigo no pior dia de sua vida.
— Tudo bem — suspira, me fazendo olhar para ele — Deveria saber que não era para passar lá, mas não sabia que você estava ocupada — disse em tom irônico.
Meu rosto ferve ao lembrar da cena que Natsu presenciou. Kami-sama, o que será que ele deve ter pensado de mim?
— N-não é isso que você está pensando — tento concertar, envergonhada.
— Não precisa explicar — me cortou com uma postura séria.
— T-tudo bem então.
Um silêncio constrangedor se formou entre nós. Essa situação não é nada legal. Natsu está sério, o que torna tudo pior. Ele não é sério, poxa. Quero muito mesmo descobrir o que aconteceu, mas acho que ele não está afim de tocar neste assunto. Melhor deixar deste jeito e tentar entender mais tarde quando a poeira abaixar. Talvez eu morra por curiosidade aguda, mas quem se importa?
Alguns minutos de silêncio e constrangimento depois, chegamos na frente dos portões da escola. Meu corpo paralisa e meus olhos nem piscam ao ver o quanto a escola estava enfeitada. Enfeitada de coisas assustadoras. Deixaram-na parecendo uma mansão mal assombrada. Tenho um mau pressentimento sobre isso.
— Me-do — digo pausadamente sem tirar os olhos deste lugar, que era um colégio. Natsu olha para mim e ri de minha reação.
— Isso parece divertido.
Dessa vez sou eu quem olha para ele como se fosse louco. “Como se fosse”. Que piada.
— Sabe... acho melhor eu ir — começo a andar vagarosamente para o lado em direção à minha casa.
— Nem pensar — ele segura meu braço — Vamos nos divertir hoje — Natsu espreme os olhos, lançando-me um sorriso assustador. Kami-sama, me tira daqui!
Tarde demais para súplicas, Natsu começa a me arrastar para dentro do colégio. O portão range enquanto passamos, seguro a camiseta de Natsu como se minha vida dependesse disso. As luzes estão todas apagadas e é quase impossível enxergar alguma coisa além dos andares superiores apavorantes. Rezo mentalmente para que algo me tire daqui.
Mais alguns passos.
Uma luz se acende com um rosto.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH — grito soltando todo o ar existente em meus pulmões e dou um pulo para trás de Natsu, usando-o de escudo.
— Tá louca Lucy? Quer me deixar surdo? — queixa-se passando a mão pela orelha — É só o diretor fazendo palhaçada.
Olho novamente para frente, deixando apenas meus olhos à mostra. Então vejo a figura que se forma acima da lanterna. Fala sério. Velho miserável, quer me matar do coração.
O diretor olhou para mim e começou a rir. Junto com Natsu. Maravilha!
— Bem vindos a nossa noite de terror — ele disse sorridente — Como podem ver a escola foi redecorada, vocês têm que entrar lá e tentar achar a saída até as piscinas da escola. Simples assim.
— E o que ganhamos fazendo isso? — Perguntei ainda agarrada nas costas de Natsu.
— Na verdade... se vocês não conseguirem, não vão sair de lá — ele disse e apontou para o portão atrás de nós que se fechou.
Como é que é? Isso é a maior mentira que já ouvi na minha vida. Aliás, temos que ter aula algum dia, e quando o dia clarear, é claro que vamos enxergar tudo novamente. Isso é o que eu penso, enquanto meu corpo continua tremendo.
— Certo, estou animado! — Natsu agitou-se. Ele está mesmo empolgado em fazer isso, quanto a mim, quero correr para mais longe possível.
―×―
Estamos dentro da escola. Aqui está tudo ainda pior do que lá fora. Não conseguimos enxergar nada e temos que nos locomover apenas apoiados em paredes. Seria fácil sair daqui sabendo décor todos os corredores do colégio, porém esta escuridão parece ter engolido meu mapa mental. Todas as janelas estão tampadas e pelo que notamos algumas paredes parecem ter sido cobertas para dificultar a localização. Seja lá o que tenha acontecido, quero ir embora.
— Não devia ter vindo — sussurro. Natsu parece ignorar porque não respondeu nada, só continuou me puxando pela escola — Não devia acreditar nos seus instintos da última vez ficamos perdidos em uma floresta.
— Nada a ver — pronuncia-se dessa vez — Eu não estava perdido, estava apenas... aproveitando a paisagem.
E que paisagem.
— Claro — concordo ironicamente.
— Fica quieta, só me segue.
Pretendo retrucá-lo por sua maneira grossa e rude de falar comigo, mas minha motivação desaparece ao começar ouvir vozes. Isso mesmo, vozes. E se eu não estou falando e Natsu não está reclamando. Sim, estou tremendo de medo. O diretor realmente não bate bem da cabeça.
— Ai Lucy, assim você arranca meu braço fora — reclama pousando sua mão sobre meus braços que o apertam.
— Estou com medo.
— Relaxa um pouco — murmura — Pensa bem, você poderia estar aqui so-zi-nha.
Era mesmo verdade, imagina... sozinha aqui. Mentira. Não quero imaginar.
— Imagina só. Ainda mais porque ouvi histórias de pessoas que morreram aqui e procuram vingança... ANOITE! — ele falou em tom de suspense.
— AAAAAAAAAAAAH — gritei e bati com toda minha força nele — Idiota, para de me assustar!
Tudo o que passo a escutar é sua risada que vai cessando aos poucos.
— Desculpa não aguentei — diz suavemente. Então ele toca novamente meu braço e desliza por ele até encontrar minha mão e a segurar — Só não saia do meu lado, certo?
Pela primeira vez da noite agradeci a escuridão. Tenho certeza que meu rosto deve estar muito avermelhado. Meu coração dispara com sua frase e me sinto totalmente sem graça. E o que foi esse toque? Meu Deus, preciso sair daqui.
Continuamos a andar, e claro, eu realmente não sai do lado dele, nem sou louca de fazer isso. Vejo que fiz a escolha certa após passar por vozes estranhas, barulhos de correntes, aranhas vindas do além, esqueletos se levantando, rostos aparecendo e sumindo, entre outras maravilhas. Finalmente, após engatinharmos em algumas áreas estranhas, enxergamos a última porta. ALELUIA! Viva!
Passamos pela porta correndo só para prevenir de ficarmos presos. Olhamos ao redor e vemos quantas pessoas já se encontram lá. Muitas. Um som toca suavemente no fundo, enquanto alguns alunos conversam em grupinhos e outros pulam na piscina. É como se fosse uma festa por levar tantos sustos. Só para constar, eu estou rouca de tanto gritar. Pelo menos agora me sinto aliviada.
Encontro muitos de nossos colegas na piscina, enquanto outros conversam perto da fogueira.
— Até que enfim. Estou viva — dramatizo e Natsu me olha, rindo.
Nos olhamos por algum tempo até percebermos que ainda estamos de mãos entrelaçadas. Coramos no mesmo instante e nos separamos. Espero que ninguém tenha visto algo tão embaraçoso. Tusso levemente e vou em direção ao pessoal perto da piscina. Cumprimento a todos, e eles passam a conversar normalmente comigo.
As garotas começam a contar como foi suas aventuras dentro da escola. Erza disse que passou sozinha. Claro que sim, os esqueletos a temem e não o contrário. Começo a rir de tudo isso, quando todos olham para minhas costas e começam a segurar o riso. Mal sinal.
Meu corpo se levanta em um ato brusco. O QUE TÁ ACONTECENDO? Olho para o lado e Natsu pisca para mim, enquanto me segura no colo. Vejo sua expressão sádica, e não encontro a camiseta em seu corpo. Ele está de calção.
...
Não.
— NÃO NATSU, NEM-PENSE-NISSO! — digo em tom de aviso, batendo em seu peito.
— Tarde demais, já pensei.
Um minuto seca e no outro ensopada.
Maldito! Troca de roupa e as minhas roupas que se danem né? Volto a superfície com meu corpo tremendo. Todos começaram a rir. Principalmente Natsu. Penso em brigar e ficar emburrada, mas acho que não tem jeito, começo a rir também, jogando água na cara de Natsu. Ali estavam Erza, Gray, Juvia e Cana, começamos a conversar dentro da piscina, vai que já tinha me molhado, tanto faz.
Nem reparei enquanto as horas se passavam tão rápidas quanto o vento. É engraçado como o tempo voa quando nos divertimos. No final, todos estavam na piscina, conversando, brincando e bagunçando, como sempre.
Olhei ao redor muitas vezes à procura de Sting, mas não o encontrei. Já faz algum tempo que o evento começou, então acredito que ele não venha mesmo. E nem ao menos me falou algo, isso meio que me chateia no começo, mas está tudo bem, está mesmo divertido aqui. Enquanto procurava por Sting, acabei vendo Levy e Gajeel em um canto conversando. Achei bem suspeito mas não disse nada a ninguém, no fundo, torço por eles.
Saio da piscina e vou para perto da fogueira à procura de algum calor. Há alguns troncos para sentamos ao redor das chamas. Estou morrendo de frio, então aqui é o lugar perfeito para ficar. Encolho-me, esfregando a palma das mãos em meus braços para me aquecer, quando sinto algo em minhas costas. Olho para trás e vejo que é Natsu colocando sua blusa envolta dos meus ombros.
— O-obrigada — agradeço sentindo meus dentes se baterem.
Ele sorri e senta-se ao meu lado.
— A culpa é minha no final das contas não é? — diz olhando para mim e me estende um copo que contém algo vaporoso.
— O que é isso? — aponto para o objeto.
— Chá quente, peguei pra você.
Sua expressão serena me hipnotiza por alguns instantes. Por que ele está sendo tão gentil e bondoso comigo? Não que eu não goste, na verdade gosto tanto que chego a ficar sem graça. Mas é tão... estranho. Estou tão acostumada a vê-lo me irritando, mas sendo solidário? Nunca. Meu rosto esquenta um pouco.
— Não quer? — ele arqueia as sobrancelhas, me fazendo voltar a realidade.
— Quero sim, obrigada — digo, tomando o copo de sua mão e assoprando um pouco a bebida para não queimar minha língua.
Tomo um gole e sinto o liquido quente espalhar seu calor por todo meu corpo, é saboroso e delicioso. Aos poucos enquanto esfria, continuo tomando vagarosamente. Ficamos em silêncio, apenas apreciando a fogueira a nossa frente. Às vezes sinto que ele vai dizer algo, mas nada deixa seus lábios. Então tudo o que eu faço é também ficar quieta.
— Ainda está com frio? — pronuncia-se após um tempo.
Olho para ele e depois volto a olhar para frente, juntando minhas mãos na frente do meu rosto.
— Um pou... — e antes que eu terminasse a frase, ele me abraçou.
Fiquei em choque nos primeiros minutos. Mas seu abraço é tão bom e caloroso que passo a não me importar. Encosto minha cabeça em seu ombro e relaxo o corpo. Não sei o que estou fazendo, mas não quero parar. O calor que emana dele é tão confortável. Fecho os olhos, me deixando levar pelas sensações do momento.
Mas logo me lembro o quanto isso é errado e me afasto no mesmo segundo. O que diabos estou fazendo? Pergunto a mim mesma, olhando para o lado oposto dele. Acorda Lucy! Por Kami! Onde você está com a cabeça, desmiolada?
— Está ruim? — sua voz questiona após meu movimento repentino.
Olho de lado para ele procurando alguma resposta. Não Natsu. Na verdade estava ótimo e esse é o problema. Não posso achar ótimo um abraço que não seja do meu namorado. Ainda mais de um garoto, cujo meu namorado odeia.
E o que eu respondo?
— Ah, é que me deu calor — Não acho que tenha sido uma boa resposta, mas foi tudo o que consegui processar com minha manivela.
Ele sorri de lado.
— Então eu te dou calor?
Meu rosto ferve novamente. Okay. Isso tá mais estranho que o normal. Confesso que esse sorriso idiota me derreteu por dentro de um jeito que não deveria derreter.
— Para de sonhar — respondo, empurrando seu ombro de leve. Ele ri.
Depois disso tudo voltou ao normal. Ficamos jogando conversa fora como nos velhos tempos. Falamos sobre coisas bobas, mas que me fazia uma falta imensa de poder compartilhar com ele. Era bom estar ali, não me arrependo mais por ter vindo. Faz tanto tempo que não conversamos assim tranquilamente. Ainda estou curiosa para saber o que aconteceu, mas não quero quebrar esse clima bom que se formou entre nós. Perguntarei ao Sting depois.
―×―
Natsu
A vida é realmente feita de voltas e reviravoltas. É engraçado como comecei o dia sendo expulso da casa dela e termino sentado ao seu lado conversando como se nada tivesse acontecido. Sua voz é tão doce e serena que me enfeitiça, tudo que saí de seus lábios me atrai e assim, a conversa vai fluindo de uma maneira que há eras não acontece.
Quando em um desses intervalos que acontecem entre assuntos, ficamos um pouco em silêncio para pensar. Não aquele tipo de silêncio constrangedor, mas sim acolhedor. Me pego olhando para ela e seu olhar sonhador ao observar o céu. O vento bagunça seus cabelos, seus olhos brilham. É claro que não sou cego para nunca ter percebido, mas cara. Ela é linda. Chego a ficar pasmo com sua beleza. E mais pasmo ainda ao perceber o quanto estou iludido por ela.
Olho para o chão. Que droga. Estou mesmo gostando dela assim?
— Natsu, você está bem? Parece pensativo — Lucy chama minha atenção novamente. Volto meu olhar para ela e encontro seus grandes e brilhantes olhos chocolates me encarando de volta.
Isso não é nada bom. Esses olhos... eu meio que... sou apaixonado por eles. Presto atenção em sua expressão de preocupação. Meu coração acelera repentinamente. E começo ter todas aquelas sensações esquisitas que acontecem quando olho para ela. Essas sensações... indecifráveis. É quando noto, que não são seus olhos. Estou mesmo é... apaixonado por ela inteira.
Ela espera por uma resposta, olhando fundo nos meus olhos. Procuro alguma solução para essa confusão em minha mente, mas não encontro. Talvez... eu devesse falar.
— Lucy... — sussurro, pousando minha mão sobre a dela — E-eu...
Ao começar minha frase e sentir meu toque, seus olhos ganham um brilho diferente que saltam entre a ansiedade e o medo. Abro a boca para continuar a frase, sentindo meu coração pular para fora.
— Lucy, eu...
Alguns braços pulam para cima de mim, e sinto-me abraçado. Levo um susto na hora por tirar completamente minha concentração. Então reparo que o abraço não é de Lucy.
— Natsu, estava te procurando.
— Oi Lis...
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