Academia De Fadas

15 Capítulo 15 — Visitas inesperadas.


Notas iniciais
Olá leitores maravilhosos! Fiquei muito feliz com todos os comentários e sugestões! Muito obrigada! Agradeço a Thales Jean, animescarolevity por aparecerem e começarem a deixar seus comentários! *-* E espero que todos os leitores fantasmas apareçam também! *000* Trouxe o novo capitulo, espero que gostem! ♦Capítulo reeditado

Lucy

Ok. Fui despejada de meu próprio apartamento. Essa chuva não para nem com reza. Provavelmente acordarei com uma pneumonia. Isso se eu dormir. Inspira. Expira.

O QUE EU FAÇO?

Tentei me manter calma, mas a situação não ajuda em nada. Não quero dormir na rua. Ai meu Deus, eu realmente não quero dormir na rua! Antes que o pânico me alcançasse por completo, pensei em algo. Levy-chan! Pego meu celular na minha mochila ensopada, pedindo mentalmente para que ele esteja funcionando neste caos. A tela acende e me sinto um pouco mais aliviada. Teclo o número de Levy. Como é bom ter amigos nessas horas. Ela nunca me abandonaria nessa situação.

Tu tu tu tu

Comemorei cedo demais. Amizade uma ova.

Liguei para Erza. Nada. Juvia. Nada. Meu desespero é crescente. Nenhuma amiga, NENHUMA, me atendeu. Para que diabos elas têm celular?

Guardo meu aparelho de volta na mochila. Encolho-me em uma cobertura, como se a chuva fosse reta e não fosse chegar até mim com seus pingos. Pingos que por acaso estão se tornando cada vez maiores e mais frequentes. Droga. Porque essas coisas têm que acontecer comigo? Espirro mais uma, três, várias vezes. Olho na direção oposta. Tem uma pessoa que mora nessa direção... Mas nem pensar que eu vou lá. Não mesmo.

Alguns minutos depois...

Capítulo 15 ― Visitas Inesperadas

— O que você está fazendo aqui? — Natsu perguntou ao abrir a porta de sua casa.

Poderia pensar em milhões de coisas como minha capacidade de aparecer na casa do meu ex-melhor amigo para pedir abrigo, ou como ele me tratou nesses dias anteriores, mas não. Eu só preciso de um lugar quente, onde haja água aquecida e coberta. Estou ensopada, imunda e humilhada. Mas preciso de abrigo.

— N-Natsu, m-me deixa entrar p-por favor, e-eu voltei pro meu apartamento, d-daí fui despejada, não tenho lugar para ir, essa chuva não para e... — ia terminar de dizer como tudo estava dando errado e como minha vida era uma droga, mas minha boca parou de pronunciar palavras cansadas quando vejo ele abrir a porta e dar passagem para mim. Meus olhos brilham com sua ação — O-obrigada.

Entro envergonhada e passo por ele, sem conseguir encará-lo mais.

— Tudo bem — diz calmamente — Depois você me explica isso tudo. Meu quarto fica lá em cima à direita, não faça muito barulho, porque se minha irmã descobrir que tem uma garota aqui, vai correndo contar pro meu pai.

Sua expressão parece serena, e não me julga como imaginei que faria. As pessoas realmente podem surpreender.

— Você tem uma irmã? — pergunto, curiosa. Sempre fomos amigos e eu nem sabia que ele tinha uma irmã. Devo ser uma péssima amiga mesmo.

Natsu arqueou a sobrancelha para minha pergunta, sua boca se abriu para responder.

— ONII-CHAN! QUEM ERA NA PORTA? — gritou uma voz fina e feminina vinda de um dos cômodos ali perto.

— Droga! Corre — Natsu exclama e passa a me empurrar escada acima — ERA UM VENDEDOR DE VASSOURAS! — gritou de volta para a irmã.

Vendedor de vassouras? Sério? Ele é um péssimo mentiroso.

É claro que não questiono. Não estou em uma situação adequada para isso. Fiz o que ele pediu e subi as escadas correndo e entrei no primeiro quarto a direita, para onde ele me empurrou.

— VENDEDOR DE VASSOURAS? MAS TÁ DE NOITE E CHOVENDO!

— POIS É, ESSES CARAS NÃO PERDEM A CHANCE NÃO É? — Responde um minuto antes de fechar a porta.

―×―

Escuto o baque da porta. Ando pelo quarto um pouco envergonhada, mas passo a observar os detalhes. O lugar é espaçoso... Se ele soubesse usar o espaço! Tem roupa para todo lado, livros no chão, vejo até meias perdidas em lugares inimagináveis. Para completar, há um sofá no canto que nem espaço para se sentar tem.

— Caramba, que bagunça! — profiro indignada e depois espirro, como se estivesse pagando por minha fala.

— Acho que você não tá em condições de reclamar — replicou, sentando-se em sua cama. Espirrei de novo, e seu olhar se fixou em mim — Melhor você tomar um banho e se trocar, senão vai passar esses seus vírus para mim. Tirando que você tá encharcando meu quarto — indicou, olhando para o chão ao meu redor.

Continuei parada, encarando-o. Sabe, não é como se eu tivesse roupa, ou como tivesse dado tempo de dizer “Hei, não me despache ainda, só preciso pegar uma toalha!”. Mas também não gosto de incomodar. Na verdade, eu nem deveria estar aqui se não fosse por minhas amigas traíras.

Natsu pareceu analisar minha situação, então suspirou. Levantou-se em um pulo da cama e foi até seu guarda-roupa. Ficou olhando por alguns minutos para a frente, depois tirou uma camiseta vermelha e uma toalha de lá e arremessou em minha direção.

— O banheiro fica naquela porta ali — disse apontando para uma porta ao meu lado esquerdo.

Pego suas doações no ar.

— Obrigada.

Virei-me e fui para o banheiro. Fechei a porta atrás de mim, e fui seco tentando trancá-la. Não há chave. Não pode ser. Olho para a fechadura livre por mais alguns minutos. Abri uma fresta da porta.

Natsu está deitado em sua cama, olhando para o teto, mas desvia o olhar ao ouvir o som da porta.

— O que foi? Falta algo?

Sinto meu rosto corar fracamente.

— Não pense em espiar — murmuro.

— Você acha que eu faria isso? — um sorriso idiota escapa de seus lábios.

— Acho — respondo diretamente e ele faz uma expressão de ofendido.

— Não sou nenhum pervertido — defende-se.

— Mas é homem — alego um tanto irritada e fecho a porta novamente.

Pude escutar do outro lado da porta “Que bom que sabe”. Meu rosto esquenta. Hentai maldito. Tento ignorar as chances dele realmente abrir a porta para espiar. Natsu não parece o tipo de garoto que faria algo pervertido assim. Ele é tão... inocente? Não. Sei lá.

Entro embaixo do chuveiro e a água que cai parece renovar minha alma. As gotas quentes escorrem por meu corpo. Esse deve ser o melhor banho da minha vida. Passo as mãos por meus cabelos e alcanço o shampoo em cima de um apoio na parede. Como, de tantos lugares, vim parar aqui? Sinto-me estranha... Mas feliz por não estar lá fora na chuva. E também por parecer que eu e Natsu não estamos tão brigados quanto imaginei. Lavo meu cabelo, meu corpo e desligo o chuveiro.

Pego a toalha que deixei pendurada no box e me seco. Passo os braços pela camiseta que Natsu me entregou. Assim que o tecido desliza por meu rosto, posso sentir fortemente seu cheiro. Fecho os olhos por um momento, sentindo sua fragrância marcante...

O quê? No que estou pensando?

Sacudo a cabeça, indignada por meus próprios pensamentos e saio do banheiro.

Encontro seu olhar assim que saio. Vejo seus olhos me analisando de cima a baixo em sua camiseta que em mim parece um vestido.

— Pode parar de olhar já — Repreendo-o, não conseguindo deixar de ficar um pouco corada com essa situação constrangedora.

— Hm, desculpe — murmura — Não ficou tão ruim assim — completa em um tom despreocupado.

— Tão ruim assim? O que quer dizer com isso? — finjo-me ofendida. Na verdade, não é fingimento, estou realmente ofendida.

Ele ri com minha crise, e parece pensar em algo para responder ao meu “fingimento”.

— ONII-CHAN TEM UM GAROTA AQUI EMBAIXO QUERENDO VER VOCÊ!

Assusto-me com o grito. Olho para Natsu, que me devolve o mesmo olhar. Quem viria nessa chuva? Ele se levanta da cama e vai em direção a saída de seu quarto. Mas me olha da porta.

— Não saia daqui de jeito nenhum! — avisou e virou-se.

Como se eu tivesse para onde ir, idiota.

Acompanho com o olhar ele saindo do quarto e fechando a porta. Me lanço contra a cama dele. É realmente confortável e... tem o cheiro dele também. Será que ele vai demorar? Olho para toda a bagunça à minha volta. Acho que vou dar um jeito nisso. Ele me deixou ficar assim, sem me julgar ou criticar. O mínimo que posso fazer é retribuir. Certo! Levanto-me determinada.

Começo pelas roupas jogadas pelo chão e por cima dos objetos. Dobro uma por uma, colocando-as de volta ao guarda roupa. E outras amassadas e — pelo cheiro — bem usadas, jogo no cesto que tem no banheiro. Tiro os livros do chão e os coloco em algumas estantes, acredito que seja aqui que deveriam estar. Arrumo tudo, e rápido. Criei essa agilidade com a correria do dia a dia, tendo que arrumar meu apartamento. Limpei o sofá, organizei os objetos, coloquei tudo em seu devido lugar. Paro por um instante e vejo meu feito. Parece outro quarto. Me esparramo novamente pela cama.

Quem será que era? Ele está demorando.

Aconchego meu corpo em sua cama. Estava tranquila... até ouvir alguns passos e vozes se aproximando, cada vez mais perto do quarto.

— Ah Natsu, quero conhecer teu quarto!

— Não, não, não entra ai não!

Ouço a porta se abrindo. E agora, o que faço?

―×―

Natsu

Saí do quarto pensando em quem mais poderia aparecer do nada no meio de uma noite chuvosa. Ainda mais quando se tem uma loira perdida dentro do meu quarto. Desço as escadas e me surpreendo com quem encontro.

— Lis? O que faz aqui? — perguntei surpreso.

Isso não é nada bom.

— Oi Nat-kun — Seu sorriso se alarga ao me ver, e seus braços se abrem em minha direção para me abraçar — Estava voltando do mercado quando passei aqui perto, pensei em te dar um oi, enquanto espero a chuva passar.

Tudo bem, já deu, pode ir embora.

Não quero ser rude, só estou desesperado.

— Sério? Que bom, entre mais — falo com um sorriso nervoso, ainda preocupado com o que poderia acontecer. Aponto para a sala, tentando mantê-la o mais longe possível do meu quarto.

Se a Lisanna descobrir, me mata. E mata uma certa loira junto. Na verdade, não sei exatamente nossa situação atual. Não estamos namorando. Nem ficando. Mas nos declaramos um ao outro, cara a cara. Então acho que tenho certo tipo de vínculo com ela que não me permite ter amigas escondidas em meu quarto.

Fomos em direção a sala, nos sentamos no sofá, um ao lado do outro. Apesar de tudo o que aconteceu, ela ainda continua agindo estranha comigo, como se não ficasse à vontade. Puxo um assunto qualquer para entretê-la. E dá certo.

— Porque foi ao mercado com essa chuva? — pergunto, curioso, ou em pânico.

— Quando saí de casa ainda não estava chovendo — explica envergonhada — Só percebi a tempestade quando saí do mercado. Sorte que sempre levo uma sombrinha comigo — sorri docemente.

— Que garota prevenida — devolvo o sorriso e pisco para ela.

Seu rosto ruboriza. Ela é mesmo fofa. Do mesmo jeito que era antes de ir embora. Seria mentira dizer que não senti a falta dela quando ela se foi. Passava horas com ela, era impossível não sentir. Mas... algo mudou. Posso sentir.

Alguns minutos se passaram, conversa vai, conversa vem, quando DO NADA, ela levantou.

— Onde fica seu quarto? — perguntou, já saindo da sala e procurando.

WTF? Um desespero anormal começa a me assombrar. Estou pronto para dar uma desculpa qualquer.

— Fica lá em cima — minha irmã aparece. Fofoqueira.

Olho mortalmente para ela, mas não é como se ela ligasse, ou entendesse. Lis sorri e começa a subir as escadas. Agora já era. Cada passo, meu coração martela em meu peito. Qual o problema? Lucy é minha amiga e amiga dela também... Caramba, se não fosse tão errado, eu não estaria em pânico agora. Tentei impedir sua investida, mas ela continuou. Estávamos na frente da porta do meu quarto. Eu tentei segurá-la.

— Ah Natsu, quero conhecer teu quarto!

— Não, não, não entra ai não! — imploro com todo temor possível, mas era tarde. Ela abriu a porta.

―×―

Já estava angustiado. Levei uma mão até a testa, para pensar no que dizer.

— Olha, não fique brava com ela tá bom? Eu posso explic... — comecei a desenrolar palavras descontroladas.

— Do que você tá falando Natsu? — Olhou-me confusa.

Só aí percebi que não havia ninguém ali. Nenhuma loira perdida. Quê? Aonde ela foi se meter? E porque diabos meu quarto tá arrumado? Vasculho meu quarto todo com os olhos. Ela não pularia da janela e eu pedi para que ela não saísse daqui, não é possível que ela tenha...

Vejo seus cabelos embaixo da cama. Meu coração para e entro em pânico novamente.

Ouço algum tipo de pergunta vindo da pirralha fofoqueira, que aparece na porta, observando nós dois. E espero que só nós dois. Imagina se ela descobre? Meu pai saberia em dois segundos. Isso iria querer dizer horas de conversas e sermões sobre como devo me prevenir e blá, blá, blá.

Vejo minha irmã e Lis olhando para minha cara, esperando a resposta da pergunta que nem escutei.

— É — respondi no impulso, perdido em pensamentos.

— Sou? — Lis pergunta com o rosto avermelhado e com os olhos brilhando.

Hm?

— Sério? — Minha irmã questiona animada.

— É o que? — pergunto, voltando para a realidade.

As duas me olharam confusas e com as sobrancelhas arqueadas. Como se eu fosse um monstro que responde qualquer coisa só para se livrar de perguntas feitas em horas erradas.

— Não tô entendendo nada — Wendy diz desorientada — E quando foi que você arrumou seu quarto?

Boa pergunta. Nunca.

— Ahn... hoje?

— Você tá com dúvida? — indaga com suspeita.

Garota persistente da peste. Ambas continuam me encarando, quando sou salvo pela entrada do meu gato azul.

— HAPPY! — Lis grita ao vê-lo e o pega imediatamente no colo — Como ele cresceu e está fofo! — Sentou-se na cama com Happy, acariciando seu pelo.

Tenho um ataque cardíaco ao pensar que Lucy está abaixo deles, mas tento agir tranquilamente. Acho que quanto mais tento agir normalmente, pior as coisas ficam.

— Claro, eu cuido muito bem dele — digo com certo orgulho, porque é a verdade — Agora que tal voltarmos para sala?

— Quero conversar com você primeiro — Lis afirma, soltando o gato e olhando para mim.

— Conversar? É tão ruim assim conversar na sala? — choramingo, apontando para a porta.

Sou ignorado.

— Pode nos dar licença, fofinha? — pede para Wendy com delizadeza.

Minha irmã me lança seu olhar “altas tretas” para mim e sai do quarto, carregando Happy no colo. Ótimo. Agora somos só nós dois... e uma loira escondida. Respiro fundo para não pirar e sento ao seu lado na cama.

— Pois não? — digo, encarando-a.

Sua expressão é séria, mas logo é substituída por uma divertida e sorridente.

— Nada, estou com saudades — sorri com seu jeito meigo e passa os braços ao redor do meu pescoço.

Devolvo o sorriso.

Não sou aquele cara que fica sozinho com garotas em seu quarto. Neste caso “sozinho”. Mas é realmente interessante estar.

— Saudade de quê? — pergunto da maneira mais maliciosa possível. Se eu der abertura, sei que ela se abrirá mais para mim também.

Não se abrir... abrir. Mas pelo menos não ficar tão paralisada à minha presença. Tento relaxar um pouco também, apesar de estar nervoso pelas circunstâncias.

Lis não responde, apenas me beija. Passo os braços por sua cintura e correspondo. Por um momento não me importo com mais nada e quando percebo estou em cima dela, sem descolar minha boca da sua. Fico pensando se Lucy se incomoda com isso.

Desço com os lábios até seu pescoço, prenso seu corpo com o meu, e um gemido escapa de seus lábios. Nunca imaginei o que um simples som pudesse causar. E caralho, como causa.

Continuei a beijá-la, então seu rosto virou para o lado e sua expressão mudou.

— De quem é aquela mochila?

Notas finais
Hahaha *-*, ja já trago o próximo! E a votação continua, primeiro hentai, natsu x sting? E por favor, alguma indicação de música pra mim! Espero que tenham gostado. Reviews? *0*