Abusada ll - Sequestrada

9 Futuro do pretérito...


Notas iniciais
esse capitulo é mais um conjunto d perguntar do q tudo rsrs espero q gostem o proximo sera contado por charlie :D

Estava sentada abraçando meus joelhos dentro do boxe do meu banheiro. A água batia nas minhas costas e cabeça e escorria pelos meus cabelos e braços. Deixei a temperatura o mais alta possível, então ela ia queimando tudo no caminho. Estava a um tempão assim, apenas aproveitando a água e encarando os ladrilhos do banheiro.

Depois daquela vez em que Charlie me estuprou eu percebi que não fazia muito sentido ficar sem usar o banheiro já que ele já havia me visto nua em todas as posições possíveis.

Apesar do barulho da água ser alto, consegui ouvir a porta da frente abrindo e o barulho de passos pelo quarto. Obviamente era Charlie, mas eu não estava nem um pouco a fim de ir lá recebê-lo. Não fazia nem um dia em que ele veio aqui fazer aquelas coisas horríveis comigo...

Não se passou muito tempo quando os passos tornaram-se distantes e a porta fechou-se mais uma vez... Isso era estranho. Por que Charlie entraria no quarto e não viria me ver?

Levantei com dificuldade, pois estava meio dolorida e o chão do banheiro era escorregadio. Fechei o registro e puxei a toalha que deixei pendurada no boxe. Sequei-me o mais rápido possível, enrolei-me na toalha e fui para o quarto.

Na cama havia mais um conjunto de lingerie, uma bandeja com um prato de comida envolto em papel plástico, outro benegripe e um bilhete parecido com o primeiro que havia achado. Minha barriga roncou enquanto eu olhava para o prato.

Rapidamente coloquei a lingerie, única peça de roupa que tinha. Ainda era uma babydool, porém era mais longa que a outra e ia até o meio dos joelhos (em compensação era bem mais transparente). O tecido era leve da cor azul claro com babados em rosa pink no busto e na bainha, as alças eram finas e se não fosse tão transparente, até que podia se passar por um vestido normal (link nas notas finais).

Ignorei o bilhete. Peguei o prato, enchi o copo de plástico que havia aqui na torneira e sentei-me na única mesa que havia e tirei o plástico de cima. Era frango assado, purê de batata embebido em molho, ervilhas e cenouras... Eu odiava ervilhas. Mas isso não era muito importante. A fome era tanta que devorei a comida inteira em uns dez minutos sem nem sentir o gosto de nada e sem uma gota de água.

Respirei fundo, passando um pouco mal por ter comido tudo tão depressa. Bebi o copo d’água juntamente com o comprimido e fiquei parada na cadeira durante um tempo, apenas olhando para a parede da frente e tamborilando os dedos na madeira da mesa.

Uma coisa estava me assombrando desde que Charlie havia dito que data era hoje. Vinte e cinco de Dezembro...

— Parabéns para mim..,

Cantarolei baixinho... Meu aniversário fora dia dezoito de Dezembro... Agora, eu tinha quinze anos... Percebi que meus olhos estavam molhados, então passei a mão neles para afastar as lágrimas.

Resolvi ir para a cama. Sentei com as costas apoiadas na parede e separei meu cabelo molhado em duas partes, começando a desembaraça-lo usando os dedos. Não havia nenhum produto no banheiro. Gostaria que Charlie tivesse me dado pelo menos uma barra de sabão, escova e pasta de dente e uma escova de cabelo... Mas, claro, seria bom demais para ser verdade.

Apenas depois do meu cabelo estar totalmente desembaraçado que resolvi pegar o bilhete e ler. Sorri internamente. Conhecendo Charlie do jeito que eu conheço, provavelmente ele estaria me vigiando o tempo todo pelas câmeras e devia estar morrendo de agonia por eu estar demorando tanto para ler o que ele havia escrito.

Decidi fazer um pouco mais de hora, apenas observando o lado de fora do papel como se fosse uma coisa muito interessante. Quando cansei do jogo (e quando eu também já estava bem curiosa) abri o papel e li o que estava escrito.

Querida Emily

Devo dizer que a nossa manhã foi uma das melhores. Bom, pelo menos para mim. Você, como sempre, não me decepcionou... Exceto, talvez, pela parte em que você me mordeu, mas creio que resolvemos aquilo.

Não faz ideia do quanto estava esperando para fazer aquilo com você. Desde que os homens quem paguei a deixaram na minha sala, na verdade... Você estava desmaiada, parecia até que estava dormindo. Aquele rosto tão sereno e lindo... Porém decidi adiar um pouco esse nosso “encontro íntimo”.

Li uma vez que é bom sentir saudades às vezes, pois assim, no momento do reencontro, a atração será ainda maior... E quanto a você, meu amor, sentiu saudades de mim? Obvio que sim.

Como está vendo, trouxe outra roupa para você. Recolhi a que você estava usando e levei-a para a lavanderia. Achei que azul combinaria com o seu cabelo. Terei a chance de ver mais tarde, através da câmera.

Eu, realmente, gostaria de visitá-la mais uma vez ainda hoje. Acontece que você fica estonteante em lingerie. Apesar de ter alguns assuntos para resolver hoje, algo me diz que não poderei me controlar vendo você com seu novo “vestuário”, então pode me esperar.

Mais uma coisa. Você não merecia a comida que deixei ai, vendo o modo como tratou o seu café da manha e até a mim mesmo. Mas, quero mostrar a você as reações que suas ações têm. E, sejamos sinceros, a transa que tivemos foi maravilhosa. Por isso essa recompensa. Aproveite-a.

Com amor, Charlie.

Não sabia muito bem o que sentir com aquilo. Medo ou raiva... Ou um sentimento de conformação... Porque, afinal de contas, aquela seria a minha vida a partir dali. Olhei para meu pé acorrentado e balancei-o levemente apenas para ouvir o tilintar da corente... A realidade me atingiu como uma pedra... Eu fui sequestrada... Isso estava mesmo acontecendo?

No mundo atual, na minha realidade, não era incomum eu ver notícias ou até ler livros sobre isso... Eu sabia dos perigos do mundo. Sabia que havia pessoas que sequestravam bebês para adoção, jovens e adultos para o trabalho forçado, crianças e mulheres para prostituição forçada. Sabia que havia tráfico humano pelo mundo afora. Sabia que pessoas sumiam de repente, sem deixar vestígios e nunca mais eram encontradas. Sabia que havia malucos psicopatas que sequestravam pessoas e as mantinham em porões em péssimas condições durante toda a eternidade...

Mas mesmo assim... Tudo isso me parecia tão distante... Algo que aconteceria na China, Índia ou países pequenos da Europa... Não aqui... Não comigo... Quer dizer, por que justo eu? Por que aquela escola? Por que aquele Diretor? De tantos alunos, de tantas meninas, por que logo eu?

Comecei a pensar no que poderia ter feito para evitar isso. Poderia não ter fugido... Poderia ter contado para minha mãe... Poderia não ter tirado uma nota tão grande na prova, assim não teria que ir até a sua sala... Poderia não ter estudado naquela escola... Poderia não ter morado naquela cidade... Poderia não ter nascido mulher... Poderia não ter nascido...

Poderia... Futuro do pretérito... Um fato incerto, uma hipótese, uma suposição... Uma coisa que não aconteceu...

Deitei na cama e fiquei olhando para o teto.

Será que algo como o destino existia? E se existia, esse era o meu destino? Viver a mercê dele? E o destino de Charlie, qual era? Torturar-me até a morte?

Por que Charlie fazia isso? O que o motivava? Sim, todos nós temos fetiches e desejos proibidos... Mas a que ponto ele iria para satisfazer os dele? Mesmo sabendo que era contra lei? Mesmo sabendo que era contra o meu desejo?

Virei na cama e passei a olhar para a parede ao lado.

Será que existia algo como um deus? Talvez o tal Deus que minha mãe falava? Talvez outro? Talvez nenhum? Será que ele ou ela ou eles ou elas contralavam nossas ações? Será que eles escreviam nossa história? Quem escreveu minha história?

E, principalmente...

Ela terá um final feliz?

Notas finais
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