Notas iniciais
Boa leitura!!

Terminei de tomar banho e escutei o toque do meu celular avisando que tinha chego mensagem, andei até a cama e gargalhei ao ler o conteúdo.

‘’ Não estamos indo para uma festa no qual você iria de roupas sociais, vamos para um bar! Roupas simples, senhorita Swan. Em quarenta minutos passo na sua casa! ‘’

Vesti uma regata preta e uma calça jeans, deixei meu cabelo solto e passei apenas um lápis de olho como maquiagem. Provavelmente eu acabaria encerraria a noite nua com Regina na minha cama, então não poderia deixar minhas roupas jogadas pelo quarto.

Ouvi alguém tocar a campainha e desci correndo. Ao abrir a porta me deparo com uma das cenas mais bonitas que já vi na minha vida, Regina estava na porta com um buquê de rosas vermelhas nas mãos.

— Espero não estar sendo apressada demais, é apenas um simples gesto de carinho.. – Sorriu e me entregou o buquê.

— São maravilhosas!! – Eu disse ainda impressionada com aquele ato. – Muito obrigada, Regina! – Sorriu e abri espaço para que ela entrasse em minha casa. – Fica á vontade, só preciso pegar meu celular que está no meu quarto.

— Vou poder conhecer seu quarto? – Sorriu maliciosamente e corou logo em seguida.

— Claro! – Pisquei para ela e segurei em sua mão á puxando em direção as escadas.

Subimos em silêncio e ouvi a respiração de minha aluna se acelerando, abri a porta do meu quarto. Ela me prensou na parede e colocou um braço de cada lado do meu corpo, coloquei minhas duas mãos em sua cintura e coloquei seu corpo ao meu, mas ela não me beijou.

— Com pressa, Swan? – Arqueou a sobrancelha.

— Nem um pouco, senhorita Mills.. – Mordi seu lábio inferior e senti seu corpo se arrepiar.

— Viemos fazer o que mesmo? – Falou rapidamente, focando seu olhar em meus lábios.

— Pegar meu celular, mas acredito que mais tarde faremos outras coisas.. – Sussurrei perto do ouvido dela e a respiração da morena falhou.

— Pega logo, Emma.. Antes que eu faça uma besteira.. – Sussurrou e se distanciou.

Peguei o aparelho ainda um pouco atordoada e descemos as escadas do mesmo jeito que subimos, totalmente em silêncio.

— Falta só uma coisa.. – Sorri e ela não entendeu. Andei até a cozinha, peguei um vaso com água e coloquei as rosas. – Pronto, agora podemos ir.. – Ela mordeu o lábio inferior e sorriu.

— Vamos, não aguento mais esperar para saber se você ainda vai me querer depois que eu te contar as coisas que eu já fiz.. – Abaixou a cabeça e eu levantei a mesma com o meu dedo indicador.

— Ninguém é inocente aqui, Regina.. Eu também já fiz coisas que não me orgulho. – Dei um beijo em sua bochecha.

Fomos para o tal bar que a morena adorava, chegando lá pedimos duas bebidas e lanches. Sim, comíamos igual duas crianças e isso era super legal entre a gente.

— Eu uso drogas, Emma. – Ela disse olhando para a janela enquanto esperávamos os pedidos.

— Olha para mim, odeio quando desvia o olhar.. Não precisa sentir vergonha de falar comigo. – Sorri e percebi o quando ela estava tensa. – Está tudo bem, não estou aqui para te julgar.. – Fiz carinho na sua mão que estava em cima da mesa.

— Sou filha de um empresário rico. Desde de pequena sou obrigada a ser um exemplo, entende? Quando comecei a gostar da primeira garota me senti a pior pessoa do mundo, foi um longo caminho até entender que eu sou uma pessoa normal. Meus pais julgam isso como aberração ou algo do tipo.. – Seus olhos ficaram marejados. – Fui em uma festa com os meus amigos e voltei bêbada para casa, minha mãe surtou. Por longos meses ela me trancou em casa, eu tinha que ir para a escola e depois ficar do lado dela o tempo inteiro, ela controlava até quantas vezes eu ia no banheiro.. – Fomos interrompidas pelo garçom trazendo os pedidos.

— Obrigada – Sorri para o homem e o mesmo saiu. – Pode continuar..

— Quando fiz dezoito anos não aguentava mais essa pressão, sabe? Minha mãe vivia pegando homens para tentar me seduzir, meu pai olhava para mim como se eu fosse um mostro, mas na frente dos amigos e nas festas que eles fazem me tratavam como se eu fosse a melhor filha do mundo. – Deixou uma lágrima escorrer e um levei minha mão direita até seu rosto para acariciar. – Nessa época eu comecei a fumar cigarro e me envolver com qualquer mulher, foi uma época bem tensa.. – Respirou fundo. – Quando fiz dezenove anos conheci uma amiga do August, foi em uma balada também. E eu sentia que faltava alguma coisa, sabe? Eu apenas estava vendo a minha vida passar e não poderia fazer nada.. Nós começamos a sair e ela me apresentou esse mundo infeliz, mas que quando eu entrei foi preenchendo todo o vazio que tinha no meu peito, quando estou sob efeito de alguma droga não preciso de mais nada. Ela me dá a felicidade e a coragem que me falta para viver.. Logo depois disso me envolvi com a Ingrid, amiga da Zelena e na época professora da faculdade. Ela sabia que eu usava e tudo mais, um belo dia estávamos em um dos intervalos de aula e ela me pediu maconha, disse que queria experimentar e eu dei. Ficamos bem loucas no estacionamento, porém o reitor nos viu e estávamos de mãos dadas. Ao chegar perto ele pôde constatar que estávamos drogas e a despediu por justa causa. – Tomou um gole de suco. – Depois dessa época eu desandei totalmente, comecei a me envolver com as meninas que moram perto do galpão do August, fui em todas as festas que ele fazia e me envolvi totalmente nesse mundo. Hoje eu uso todos os tipos de drogas que você possa imaginar, só consigo ficar lúcida na faculdade.. E nesse momento. Não sei como tive coragem para te contar tudo isso.. Não sou uma boa companhia para você, Emma..

— Posso falar agora? – Perguntei séria e ela assentiu. — Eu vou te ajudar a sair disso, você não está mais sozinha. Eu fui adotada ainda criança, fui muito amada por meus pais adotivos e nunca soube nada dos meus pais biológicos, nunca soube porque eu não quis. Não consigo aceitar o fato de um casal abandonar uma criança.. Sobre drogas? Nunca usei.. Mas por ter namorado a Victória eu aprendi muita coisa sobre esse mundo. August vive dizendo que eu seria uma ótima sócia para ele, mas eu jamais faria o que ele faz. Jamais viveria destruindo vida de jovens por ai.. Regina, me deixa te ajudar.. Por favor..

— Eu sou uma pessoa confusa, Emma.. Não sei explicar o que eu sinto, na verdade.. Eu não sei demonstrar o que eu sinto. As vezes acho que eu não sei o que é o amor.. Sim, o amor em geral.. Acho que não conheço esse sentimento. — As lágrimas escorriam dos olhos dela.

— Shh.. Eu vou cuidar de você! — Beijei sua mão e enxuguei as lágrimas.

Regina é o tipo de mulher que não sabe lidar com os próprios sentimentos e os próprios instintos. E eu? Bom, não sei explicar. Na verdade, acho que sou confusa igual a ela.. Dariamos um ótimo casal, não acha?

Terminamos de comer, paguei a conta e fomos para a minha casa. Regina ainda estava tensa depois daquela conversa, parecia que estava com medo de mim.

— Quer entrar? — Perguntei quando chegamos em frente a minha casa.

— Você ainda me quer? — Um sorriso emocionado brotou em seus lábios.

— É claro que quero.. — Disse lhe dando um selinho. — Dorme aqui hoje? Amanhã vamos para a faculdade juntas.. — Colei nossas testas e ela fechou os olhos ainda sorrindo.

— Você é louca.. — Sussurrou. E acho que ela estava certa.. Aquele foi o meu primeiro passo para perder a sanidade.

Notas finais
Comenteeem!!