Abstinence
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Não consegui mais ver a Regina naquele período e estava na minha hora de ir embora, graças a Deus. Não que eu não goste do meu trabalho, pelo contrário, amo ensinar psicologia, mas aquela tensão com a morena estava me enlouquecendo.
Eu queria descobrir mais sobre ela e logo que sai da faculdade fui procurar uma das pessoas que saberia me informar.
– Loira!! Fico surpreso em ver você no meu humilde local de trabalho novamente. – August disse se referindo ao lugar que ele escondia as drogas. – Veio comprar o que?
– Nada, no momento preciso de informações. – Revirei os olhos, nunca usei droga na minha vida.
– Não vou te falar com quem a Victória está envolvida, nem adianta pressionar. – Disse se sentando na cadeira que tinha em seu escritório. Sim, ele tinha um escritório dentro do local onde as drogas eram escondidas e se sustentava com aquilo.
Não consigo me conformar, ele ganha dinheiro acabando com a vida das pessoas e ainda fala que é feliz.
O dinheiro que ele ganha dá para sustentar minhas três próximas reencarnações, sempre viaja para fora do país e ainda por cima é solteiro e consegue a mulher que quer, porém não tem a consciência do problema e das destruições que causa nas famílias de seus clientes.
– Cala a boca, não quero saber da Vic.. – Cai na gargalhada. – Preciso de algumas informações sobre a Regina. – Falei fazendo gesto de extremo segredo.
– Sua próxima vítima? – Gargalhou também.
– Jamais, só estou curiosa mesmo. Consigo traçar a personalidade dela, mas quero mais que isso.. – Fingi que estava pensando. – Preciso saber de onde ela vem e porque caiu nesse mundo. Me ajuda? – Sentei na cadeira que ficava em frente sua mesa.
– Não gosto de falar sobre meus clientes fixos. – Disse sério. – Porque tanto interesse nela?
– Porque sim, por favor.. – Fechei os olhos e respirei fundo. – Eu preciso mesmo..
– Tudo bem. Mas preciso de sigilo absoluto, entendeu? – Esperei que ele terminasse de falar e apenas assenti. – A Regina é filha de um empresário que tem bem mais dinheiro que eu, é filha única e um fantoche nas mão da própria mãe. É totalmente manipuladora, daria uma ótima funcionaria para mim. Geralmente é obrigada a posar de boa filha e ir em todos os eventos da familia, é como se ela fosse uma princesa.
Boatos que ela se envolveu com uma professora da mesma faculdade que você trabalha.. Não chegaram a comentar isso com você na faculdade?. – Neguei.
– Ou seja, ela é do tipo de filha rebelde que veio procurar as drogas para tentar esquecer da realidade, certo? – Perguntei e ele sorriu.
– Exatamente, vejo que você aprendeu certinho a descrever meus clientes. Sinto saudade da época que você namorou com a Vic e me ajudava a conseguir mais pessoas para a minha comunidade. – Gargalhou. – Você daria uma ótima sócia, nunca vou cansar de te falar isso.
– Não sou do seu mundo, Gust. Apesar que não seria uma má idéia ganhar dinheiro fácil, porém ainda tenho dignidade. Vamos continuar, como ela veio parar aqui?
– Ela conheceu uma amiga minha em uma balada e elas começaram a sair. Em um belo dia ensolarado.. – Interrompi a palhaçada.
– Conta direito e sem graça. Você não está contando histórias infantis para ficar acrescentando mínimos detalhes. – Revirei os olhos. – Estou falando sério.
– Tudo bem. Vamos tentar de novo.. – Sorriu da minha irritação. – Ela começou a sair com uma amiga minha e obviamente me conheceu. Estava muito mal por causa da pressão familiar, queria de qualquer forma uma maneira de se livrar daquele sentimento horrível que estava sentindo e eu como um excelente amigo apresentei o ecstasy, logo depois ela veio me pedindo algo mais forte e acabou experimentando a cocaína. Por alguns meses ela se contentou com só com essas duas, vivia feliz por todos os cantos e começou a frequentar as nossas festinhas particulares.
– Sexo? – Arqueei uma das minha sobrancelhas, eu estava realmente inconformada com o que eu estava ouvindo.
– Aham, ela chegou a se envolver com quase todas as meninas daqui. Inclusive as que gostam de alguns tapas – Sorriu maliciosamente por causa do meu desconforto ao ouvir a afirmação.
– Você está brincando, né? — Perguntei e ele negou. — Quanto tempo ela é sua cliente?
– Um pouco mais de um ano, para ser mais exato, alguns dias depois que você terminou com a Vic. Inclusive ela me ligou que estava vindo aqui pegar mais alguns brinquedinhos. — Gargalhou e fez o gesto de dinheiro na conta.
– Você está acabando com a vida dela, Gust. Para, por favor.. — Choraminguei.
– Emms, eu não obrigo as pessoas ficarem nesse mundo. Todos os meus clientes entram porque querem e a Regina é uma dessas pessoas que estão felizes consumindo as drogas. — Disse fingindo ser compreensivo.
– Sem truques de manipulação comigo, me formei em psicologia, esqueceu? — Revirei os olhos. — Não sei nem como você consegue dormir a noite sabendo que matou indiretamente milhares de pessoas.. — Balancei a cabeça negativamente.
– Como eu disse, querida, não obrigo ninguem a entrar para esse mundo. Eu apresento e eles gostam.
– Desisto de falar com você, Gust! Boa sorte e obrigada pelas informações! — Levantei e dei um beijo em seu rosto.
– Um dia ainda vou conseguir trazer você para o meu mundo.. — Murmurou e levantou para me abraçar.
– Jamais, meu amor. — Gargalhei e sai do local.
Ao sair encontrei Regina estacionando o carro dela, juro que não sei o que deu em mim, mas fui até ela.
– Acho que vamos nos encontrar mais do que imaginamos. — Abracei ela por trás e sorri próximo ao seu pescoço.
A morena se arrepiou e mordeu o lábio inferior.
– É, Emma.. O destino está tentando nos dizer alguma coisa. — Sorriu e virou de frente para mim.
– Estou gostando do que ele quer nos mostrar.. — Sorri maliciosamente e encostei minha aluna no carro.
Os olhos dela estavam vermelhos e pequenos, o que indicava que ela tinha fumado maconha, uma droga bem mais leve do que as que ela está acostumada a usar.
– Quando você vai parar de me provocar e realmente fazer algo interessante comigo? — Perguntou com a voz rouca e mordeu o lóbulo da minha orelha.
Senti minhas pernas fraquejarem, com uma mão ela apertou a minha cintura e colocou a outra dentro da minha blusa começando a arranhar minha barriga.
– O dia que você merecer.. — Sussurrei e olhei para os lados com medo de alguem ver o que estava acontecendo ali.
– Sabe o que é engraçado? Eu não sou do tipo de mulher que se comporta para ganhar a recompensa.. — Subiu a mão e apertou levemente um dos meus seios.
– Regina.. — Respirei fundo. — Eu preciso ir e estamos no meio da rua.. — Falei e ela gargalhou.
– Vamos para um lugar mais reservado? — Que convite tentador, meu corpo implorava para que eu aceitasse.
– Hoje não, quem sabe outro dia.. — Me afastei e arrumei minha blusa. — Até mais, Regina.. — Sussurrei e beijei o canto de seus lábios.
– Espero que esse dia aconteça logo.. — Gargalhou e piscou.
Fui em direção ao meu carro e totalmente pensativa. Eu não sei o que estava me intrigando mais, se era o fato que ela realmente estava usando drogas bem pesadas ou se era ela estar envolvida sexualmente com várias mulheres daquele mundo.
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