Abstinence
31 Capitulo 31
Notas iniciais
DOIS MESES DEPOIS
A vida passa rápido, não tão rápido quanto dizem. Mas, sim ela passa! O importante é saber viver os segundos que temos de vida e entender que as oportunidades não podem ser perdidas. Saber que a vida foi criada simplesmente para ser vivida.
Devemos viver, intensamente, incansavelmente e agradecer constantemente por essa oportunidade. Acorde arrependido, mas não morra na vontade, a vida passa muito rápido demais para você se privar, estamos aqui para aprender e experimentar gostos e sensações novas, aproveite enquanto você tem energia, porque não adiantará de nada você mais tarde ter a mesma vontade e não puder mais realizá-la.
Quando adolescentes, as horas, dias, meses e anos praticamente param, pois queremos viver novas aventuras e experiências. O tempo vai passando e é interessante como a gente pensa que aquelas horas, dias, meses e anos não demoraram tanto a passar como imaginávamos, pelo contrário, passou tão depressa que nem tudo o que a gente queria ou deveria ter feito, foi feito. Então, adquirimos a “famosa” experiência de vida, que nem sempre vem acompanhada da maturidade. Sempre nos consideramos sábios, espertos e inteligentes, as vezes somos tão egoístas ao ponto de subestimar a sabedoria dos outros, mas no fim morremos todos “iguais”, sem saber nem ao menos 1/3 do que vida pode nos proporcionar.
A vida deveria ser um rascunho, para que possamos corrigir os erros ao passar a limpo. Deveria, mas não é! O futuro é incerto e o “daqui a pouco” se torna passado em instantes... Ama quem te quer bem e seja sincero acima de qualquer coisa, o amor é isso, não é? Sinceridade, compreensão, companheirismo, confiança e mais um monte de coisas. Mas, o importante é que você ame acima de qualquer coisa no mundo, porque o amor pode curar suas maiores dores.
— Em, você vai se atrasar para o trabalho. – Regina me tirou de meus pensamentos. Eu estava deitada na sala enquanto ela tomava banho.
— Desculpa, amor. – Sorri. – Nem percebi que você já tinha terminado.
— Mil beijos por seus pensamentos. – Ela sussurrou deitando sobre mim.
— Mil beijos, é? – Eu amo provoca-la.
— Aham... – Regina mordeu meu lábio inferior e sorriu maldosa.
— Eu estava pensando na vida. Passa tão rápido.... Já faz dois meses que encontrei minha mãe, um mês que eu consegui outro emprego e sete meses que estamos juntas. – Sorri lindamente. – Tem noção do quanto minha vida mudou desde que nos conhecemos?
— Sim. E eu tenho medo disso, medo de não ser o suficiente para você.... Olha quantos danos eu já causei, Em. – Escondeu a cabeça no vão do meu pescoço e eu beijei seus cabelos.
— Não fala isso.... Nós passamos por muita coisa nesses sete meses. Aprendemos a lidar com o nosso medo, nosso passado.... Nos consertamos. – Suspirei. – Nos redimimos.
— Eu fico muito feliz e agradecida de ter você, de ter encontrado você. Acho que sem Emma Swan nesses sete meses eu não teria lutado tanto. Eu teria me acabado e provavelmente morrido naquela parada cardíaca, porque eu não tinha por quem lutar. – Senti as lágrimas escorrendo e a apertei em meus braços.
— Eu não consigo mais ver a minha vida sem você. E não quero pensar na possibilidade e um dia me separar de você, nunca mais fale em morrer.... Nunca mais, por favor. – Sussurrei com a voz fraca, meu coração se quebrava em milhões de pedaços ao imaginar uma coisa dessa.
— Eu nunca vou te deixar e se eu morrer.... Venho puxar seu pé. – Riu. Ah, como eu amo essa gargalhada. É o que me traz alegria até hoje...
— Isso, vem puxar meu pé! Aí vamos ficar juntinhas no céu ou no inferno. E se eu morrer primeiro faço a mesma coisa.... Nunca vou te deixar também.
Ficamos mais alguns minutos naquela brincadeira e declarações, mas como tudo que é bom tem que acabar por um tempo.... Eu tive que ir tomar banho, um novo emprego me esperava e a noite tínhamos um jantar com Mary.
Sim, nesses dois meses tivemos contato todos os dias. Ela estava realmente tentando correr atrás do tempo perdido, estava realmente querendo que eu a considerasse uma mãe e eu não posso mentir.... Meu coração já estava se acostumando com a ideia, já estava aceitando um pouco daquela história toda.
Sem a ajuda da Regina da família dela isso não teria sido possível, conversaram muito comigo. Conversas que duraram horas, até algumas brigas quando Cora insistia em se referir a Mary como minha mãe.... Eu achava e ainda acho um pouco injusto, sabe? Eu cresci sozinha em um orfanato, graças a Deus fui adotada com dez anos e dali para frente eu soube o que era ter amor de mãe, soube o que era realmente o amor verdadeiro quando Regina entrou na minha vida. Mas, e o lado dela?
Pensem em como a vida dela foi difícil também, ela se sacrificou por mim, pela minha vida.... Foi para a cadeia, existe algo pior do que ir para a cadeia? E ainda mais... Saber que seu marido tinha se matado e deixado sua filha na porta de um orfanato? Eu não consigo entender a dor dela. E é um mal da humanidade julgar as pessoas, nunca deveríamos fazer uma coisa dessas, pois não sabemos o que o outro passou até chegar em tal ponto da vida em que toma consciência das besteiras que fez.
Tomei um banho, deixei Regina na faculdade.... Sim, ela tinha voltado as aulas e aquilo me deixou extremamente aliviada e feliz. Não existe nada mais gratificante do que vê-la voltando a sua rotina. Killian e Ruby foram vieram diversas vezes aqui em casa, sempre brincando e brigando conosco... Os amigos dela acabaram virando minha família também. Enfim, fui trabalhar. Arrumei emprego em uma faculdade ali perto do meu antigo trabalho, assim conseguiria passar e pegar a Regina na hora da saída.
A tarde passou voando, várias coisas para assimilar da nova turma, várias apresentações do local e logo eu estava parada no portão do meu antigo serviço esperando minha namorada sair das aulas. Incrível, não é? O ser humano tem uma capacidade surpreendente de se curar e seguir em frente.... Isso sempre vai ser uma coisa fascinante para mim.
— Está nervosa para o jantar com a sua mãe? – Sussurrou contra meu ouvido, estava tão distraída que nem a percebi se aproximando por trás.
— Um pouco... – Acariciei seus braços que estavam em volta da minha cintura. – Promete que não vai me deixar fugir?
— Prometo, mas se caso você realmente quiser fugir.... Eu fujo com você, professora. – Brincou distribuindo beijos em meu pescoço.
— Vamos, mocinha. Se não vou acabar te agarrando aqui na frente dos seus amigos. — Gargalhei.
— Como se isso nunca estivesse acontecido... – Killian se aproximou e me deu um beijo na testa,
— Talvez tenha... – Sorri maldosa e todos nós rimos.
Eu estava ali com a minha família, sim.... Nós escolhemos a nossa família, nunca se esqueça disso.
Fale com o autor