Notas iniciais
Desculpa a demora, mas o Nyah! caiu. XD

Eu tinha perdido a conta de quantas pedrinhas eu joguei contra a parede. Eu não estava mais nem mesmo mirando os vasos, eu apenas as jogava para aliviar a tensão. O almoço já estava quase acabando e nada de Frank. É claro que ele não estava em nenhuma de minhas aulas e não tinha nenhuma garantia de que ele apareceria pela porta da cafeteria. Mas eu esperave que ele aparecesse. Eu me atrevi a pensar o que o tinha acontecido já que ele não veio para a escola.

Minhas suspeitas aumentaram quando, mais tarde, quando eu vi Jason batendo em um aluno no corredor. Aquele aluno teria sido Frank. Tenho quase certeza.

Eu praticamente agarrei o Mikey depois das aulas e, casualmente, perguntei se Frank estivera em uma de suas aulas.

- Ele devia ir na aula de história, mas ele não apareceu, acho que ele está doente ou sei lá – Mikey encolheu os ombros.


Mikey entrou no ônibus e me deixou na porta, olhando para o nada. E se ele tivesse se machucado? E se ele estivesse tão machucado que nem pode vir pra escola? Eu tremi ao pensar na idéia e subi no ônibus atrás de Mikey. Eu decidi não questioná-lo mais para não ter suspeitas de nada.

Quando entramos em casa eu peguei a lista telefônica de baixo da mesa e corri para meu quarto. Eu não sabia o quê eu procurava, Frank só se mudou para cá a um mês, seria impossível seu telefone aparecer na lista do nada. Eu folheei pela sessão ‘I’ de qualquer forma, nunca se sabe. Nem me lembro como eu sabia seu sobrenome, acho que Mikey já deve ter mencionado.

Um desapontamento me preencheu quando eu vi e revi as páginas, sem achar nenhum Iero lá. Eu fechei o livro e joguei embaixo da minha mesa. Eu não sabia o que fazer. Até parece que eu lembraria o caminho da casa dele, e, mesmo se eu lembrasse, eu só o colocaria em mais encrenca. Me sentia um inútil. Eu só queria saber se ele estava bem… Que eu tinha entendido mal e que ele estava em casa feliz, ouvindo música ou qualquer outra coisa normal. Meu estômago me disse que aquilo era impossível, não tinha como ele estar bem, e não tinha nada que eu pudesse fazer sobre isso. Eu devo ter ficado sentado lá por horas, pensando sobre as coisas até minha mãe vir chamar para o jantar.

Eu me arrastei para a cozinha e sentei no balcão. Mikey já estava lá, terminando de comer, quando eu cheguei.

- A quanto tempo, Gerard – Mikey disse, eu soltei o garfo na mesa com um baque, pronto pra bater nele.

- Gerard! – Minha mãe exclamou segurando meu braço, não me permitindo fazer algo que eu pudesse me arrepender depois e se virou para Mikey – Michael, deixe seu irmão em paz.


Mikey bufou e continuou a comer. Eu peguei o garfo e comecei a brincar com as batatas. Meu estômago estava embrulhado e eu não poderia forçar muito.

Mamãe suspirou e começou a tirar os pratos, o meu ainda estava meio cheio. Eu sabia o que ela iria dizer e, em três segundos depois, como se fosse mágica, aquelas seis irritantes palavras saíram de sua boca.

- Você deveria comer seus vegetais, Gerard.


Danem-se os vegetais idiotas.

- Não tô com fome – Eu disse me levantando.

- Eles são saudáveis, te deixariam mais forte! – Ela disse antes que eu saísse.

Eu ignorei e fui para o meu quarto. Caí na cama, coloquei o rosto nos cobertores e coloquei as mãos sobre a cabeça, estressado. Eu me sentia tão estranho que mal sabia o que fazer. Como eu pude parar de ser um anti-social para começar a ser amigo de um garoto qualquer de um dia pro outro? E ainda beijar tal garoto enquanto ele estava completamente vulnerável. Eu xinguei e rolei na cama. Beijar, eiu nunca tinha beijado ninguém em toda a minha vida até aquele momento. Mikey sempre gostou de me provocar, já que ele sempre tinha uma namorada e eu sempre tentava me convencer de que isso não significava que eu não gostasse de garotas, e sim que eu não havia encontrado a garota certa. Eu acreditei nisso por um bom tempo, mas, graças aos eventos de ontem, eu estava começando a seriamente duvidando de mim mesmo. Talvez ontem tenha sido apenas uma exceção, eu só senti a necessidade de fazer alguma coisa... Me empolguei com o calor do momento. Não foi nada, apenas foi conveniente na situação.

Quando reparei, estava revendo todo o momento vezes e vezes em minha cabeça, o jeito em que seus lábios foram contra os meus, o jeito em que nós dois estávamos nervosas, o gosto dele de chiclete…

Agh, meu coração apertou. Eu me sentei descuidadosamente e sem vontade, decidi que iria dormir. Ao menos eu pararia de pensar e me preocupar se Frank estava bem. Eu tirei minhas roupas, joguei minhas boxers em cima de uma blusa, descarregando todas as outras roupas em uma pilha no chão. Mesmo isso me lembrou de Frank, eventualmente eu tive que me levanter pra jogá-las no cesto.


Em algum momento eu caí no sono, um sono sem Frank, devo acressentar, permitindo minha mente se esvaziar por algumas horas.

De qualquer forma o sono fora curto e eu acordei de repente poucas horas depois, sentindo mais acordado do que eu esperava. Eu olhei para o meu relógio ao meu lado e os números vermelhos piscavam em 11:35 pm. Eu grunhi e me levantei relutante, tremendo com o frio do quarto comparado com o calor da cama. Eu silenciosamentefui para o andar de cima, no escuro, sabendo perfeitamente que mamãe e Mikey já deviam estar dormindo.


Eu tinha toda intenção de ir para a cozinha para esquentar um pouco de leite, qualquer coisa que me faça dormir, mas eu não cheguei lá.Eu quase abandonei meu corpo quando ouvi uma batida na porta da frente. O fato das luzes estarem apagadas só deixou tudo mais assustador.

Eu fui tremendo até a porta, imaginando o que diabos estaria batendo quase a meia noite. Quando cheguei a porta, agarrei um livro qualquer e preparei para usar como arma se fosse preciso. Eu sei o que você está pensando, um livro não é uma boa arma. Mas estava escuro e eu honestamente pensei que pudesse ter um assassino procurado batendo na porra da porta.

Eu destranquei apressado e abri com um baque, olhando pela rua mal iluminada. Um vento frio passou pela porta e eu de repente reparei que estava semi nu e abrindo a porta para um estranho. O hall estava muito escuro para ver quem era, mas mal tinha a silhueta de alguém. Eu coloquei a cabeça pra fora.

- Oi? – Eu chamei.

Não tinha nenhum movimento na entrada e eu olhei para baixo e vi alguém sentado me encarando, assim como uma voz baixa me chamou.

- Gee?

Meu coração foi para o teto quando reconheci a voz e olhei novamente para a figura a minha frente. O livro que eu segurava caiu no meu pé.


- Bosta – Eu gritei, pulando com um pé só, sem meias.

Parei com minha breve demonstração de dor, olhei para Frank, que estava tremendo, e o abracei. Ele cambaleou para frente e eu o abracei mais forte, tão feliz de vê-lo. Ele enterrou a cabeça no meu peito e seus braços deram à volta em minha cintura... E foi só então que eu reparei que ele estava chorando.

Notas finais
Me desculpem se esse capítulo ficou meio confuso pra vocês, mas a autora também tem seus erros, eu então, nem imagine.

*save the unicorns*