Absolute

1 Absolute


Notas iniciais
Oneshot .
Priemira Fanfic

Ele estava ajoelhado, seus olhos passeavam pelo lugar. Era uma tarde escura sem nenhum raio de sol. Por um momento, um resquício de medo passou pelo seu subconsciente, mas Elliot Stabler nunca deixaria seu consciente saber disso.

Elliot tentou estudar o local, precisava saber onde estava, mas a visão embaçada e a falta de claridade deixavam essa missão quase impossível. Podia perceber que um gramado verde e extenso era praticamente toda a base do lugar, mas tinha algo que o confundia... pareciam sombras, mas passavam a idéia de solidez. Talvez fossem lápides. Eram lápides. Várias delas, cobrindo quase todo o gramado.

Seu estômago revirava, e essa reação exagerada do corpo o deixou bastante incomodado. Inconscientemente levou sua mão direita até a barriga, numa tentativa de quem sabe diminuir o incômodo, mas foi inútil.

Havia flores em sua mão, o que o deixou ainda mais confuso. Flores.

Elliot estava de joelhos, em um cemitério, com flores nas mãos, diante de um túmulo.

Tentou ler a inscrição da lápide, mas a maldita visão lhe negava ajuda. Se esforçou um pouco mais e quando conseguiu juntar as letras embaralhadas, um nome se formou. Sua dor aumentou, sentia agora ânsia de vomito. Agora se lembrava de tudo, podia entender tudo. Toda a dor, confusão e mal estar que o acompanharam até aquele momento.

Quando leu o nome “Olívia Benson” gravado naquela lápide pôde entender e sentir tudo de novo, mais forte.

Tentou chorar — tentou. Realmente tentou, mas não teve forças. Tentou gritar, mas sua voz ficou presa na garganta. Tudo o que conseguiu, com muito esforço, foi balbuciar o nome dela, debilmente.

Não pôde medir o tempo que ficou ali, imóvel, tentando com todas as suas forças sair correndo dali, e ao mesmo tempo se sentindo preso.

“Elliot”

Ele ouviu.

“Elliot”

Ouviu novamente seu nome, menos de um segundo depois.

Um timbre feminino, abafado e distante.

“Elliot”

Seria Olívia? Teriam a enterrado viva??

Não, aquela não era a voz doce que o confortava todos os dias. Todos os dias até ali.
Contudo, sob sete palmos de terra, qual voz seria doce?

“Elliot”

A força que ele fez quase estourou seus pulmões. Tinha que cavar, tirar Olívia de lá. Precisava agir. Mesmo causando um efeito devastador em seu corpo a força de Elliot não foi suficiente para ele conseguir se mexer.
Ele estava sendo sacudido, talvez fosse o esforço.

“Elliot, acorde”.

Foi sacudido com mais força. O toque de Kathy, a voz de Kathy.
A voz de Kathy o trouxe para realidade.

Um pesadelo? Fora um pesadelo? Mesmo não estando totalmente consciente e livre do sonho, Elliot dava graças a Deus por isso.

Ainda tonto e confuso, tentou se sentar na cama. Precisava acordar de vez, definitivamente.
Já vinha sonhando com aquilo fazia quase um mês. Cada vez ficava pior. Começou com ela inconsciente no hospital e foi piorando gradualmente, dia após dia.

Dessa vez ele não conseguiria esperar até o dia seguinte para se assegurar que ela estava bem. Precisava saber agora, com urgência.

Ele olhou o radio relógio, que ficava ao lado da sua cama.

Eram três da manhã. Madrugada alta e ainda sim, sentiu que precisava vê-la naquele momento.

Ele levantou rápido, quase perdendo o equilíbrio. Pegou as primeiras blusa e calça que viu pela frente e vestiu.

Kathy o olhava confusa.

“Aonde você vai, querido?”

“Eu preciso fazer uma coisa”.

Ele ouviu algum tipo de resposta ou protesto enquanto descia as escadas. Não tinha tempo para explicar ou se justificar. E como explicaria isso para Kathy? “Vou ver Olívia” soaria estranho àquela hora da manhã.
Dentro do carro deu partida e acelerou mesmo antes de ter tempo para fechar a porta. Ele poderia ligar, mas não seria o suficiente. Precisava vê-la, senti-la, ouvi-la.

Chegou ao prédio dela mais rápido do que se lembrava jamais ter feito.

Preferiu usar as escadas. Não conseguiria ficar parado no elevador, esperando. Elliot não podia esperar.

Chegou ao andar dela. Bateu na porta...

Ninguém.

Tocou a campainha...

Silêncio.

Bateu e tocou novamente, sem obter resposta. A loucura estava quase o possuindo.
Pensou em arrombar a porta. Era urgente, caso de vida ou morte.

Elliot estava se preparando para chutar a porta quando ouviu passos.

Seria ela? Ela estava abrindo a porta?

Quando a porta se abriu, Elliot não conseguiu esperar, a abraçou com toda força, urgência e dor que sentia. Queria com aquele abraço esquecer tudo aquilo.

Percebeu que a reação dela foi de insegurança e confusão no começo, percebeu também quando ela o recebeu e se abriu para aquele abraço.

Aquilo tinha tantos significados para ele. Queria segurá-la para sempre, dizer o quanto a amava e se preocupava com ela. Queria beijá-la e amá-la, de todas as formas.

Ele tentava suprir todos aqueles desejos com aquele único abraço.
Não queria soltá-la nunca. Ficaria lá e a protegeria para sempre.

Não sabia há quanto tempo estava a abraçando, mas sabia que precisava soltá-la, afinal, tinha que dar algum tipo de explicação para tudo aquilo. Bater em sua porta àquela hora e tomá-la em seus braços com tanto desespero.

Quando a soltou, Olívia hesitou. Elliot teve a impressão de que ela cairia, então segurou seus braços.

Ela o encarava confusa e maravilhada ao mesmo tempo, tentou disfarçar, mas foi impossível.

Elliot percebeu que ela não conseguiria falar tão cedo, ainda havia algum resquício de sono nela, seus cabelos despenteados, seu rosto amassado, o moletom. Mesmo assim, incrivelmente linda. Isso o fez perder a concentração por um momento.
Ele ficou parado, provavelmente com cara de idiota, a admirando. Enquanto isso, Olívia o olhava, agora assustada.

“Ell? Você está bem?”.
“Você esta?”.

Lembrou-se agora do que o tinha levado até lá.

“Eu acho que sim” -ela respondeu, com um sorriso confuso no rosto.

“Então estou” – ele respondeu, tomando-a em seus braços para mais um abraço.

Olívia estava bem, isso era tudo o que importava.

Olívia estava bem. Elliot poderia prosseguir agora.

oOoOoOoOo

Agora, na parte interna do apartamento de Olívia, sentado no sofá, Elliot se sentia um pouco mais descansando.

Sua parceira estava acomodada preguiçosamente ao lado esquerdo de Elliot. Ela o estudava, curiosa.

Sentiu parte de suas defesas baixarem diante daquele exame minucioso e amaldiçoou o poder que Olívia tinha. Poder esse que ia além do que ela poderia imaginar.

Elliot decidiu que se aproveitaria da situação para se garantir de que Olívia estava realmente bem.

Sentia-se um babaca por isso, mas realmente, ainda acreditava no sonho. Mesmo depois dos abraços, mesmo depois de sentir o corpo quente e macio de Olívia grudado ao seu. Mesmo que a respiração pequena e agitada de sua parceira tivesse brincado em seu pescoço. O cheiro tentador de Olívia, que Elliot não estava acostumado a sentir tão de perto. Suas curvas. Seus seios.

Mesmo com todas as fortes e reais evidencias de que ela estava bem e viva, Elliot ainda se sentia preso ao sonho. Seus pulmões ainda doíam um pouco, pelo forte esforço que fizera na tentativa de cavar, e o estomago ainda doía, após o crescente mal-estar.

Fora tão real. Tão vivo.

Ainda parecia estar lá, no cemitério, diante de uma lápide, lendo o nome dela.

“OLÍVIA BENSON”

Teve vontade de abraçá-la de novo e o faria, se o olhar de Olívia não estivesse ansioso por respostas.

- Então, você está realmente bem?

- Elliot, pela ultima vez, eu estou bem. O que está acontecendo?

Sua voz soava manhosa e levemente irritada, talvez fosse o sono.

Aquele dia fora agitado na delegacia, provavelmente estava cansada.

- Nada, eu só precisava me certificar.

- Se certificar do que?

- Nada, você... Você... Você parecia um pouco estranha hoje à tarde, na hora de vir embora, só isso. Eu fiquei... Preocupado.

Droga

Elliot sentia que estava indo bem até pronunciar a palavra. Preocupado.

Olívia não podia saber que ele se preocupava com ela em cada segundo de sua vida.

- E você veio tão rápido!

O tom de Olívia era de afirmação e pergunta ao mesmo tempo. Sua expressão estava divertida, mas irritada. Uma sobrancelha estava arqueada.

- É que eu tive que resolver umas coisas antes.

- Até agora. Claro. Diz logo, por favor, Ell.

- Eu te amo.

- O que?

Ela quase gritou. Seu tom saiu alto e descontrolado.

Elliot percebeu a reação dela diante do que ele dissera.

Percebeu o que dissera.

Foi impulsivo, falou sem pensar. Naquela noite Elliot estava definitivamente irreconhecível, se sentiu um tolo, tudo o que fizera até ali foi guiado por emoções, cada gesto, cada palavra. Não só as emoções do maldito pesadelo, mas também emoções, sentimentos e desejos a muito guardados.

Saber que a simples possibilidade de perder Olívia existia, o enlouquecia, no pior e mais literal sentido da palavra.

Agora estava dito.

Não poderia voltar atrás. Não tinha mais concerto e não queria. Elliot estava cansado de lutar contra o que sentia. Não era forte o bastante.

Pensando nisso, teve vontade de sair correndo dali enquanto ainda desse tempo, fingir que nada acontecera. Talvez no outro dia dissesse a ela que estivera bêbado durante a noite passada.

Mas aquelas palavras estavam guardadas com ele há tempo demais. No momento, por exemplo, sentia que amava Olívia muito antes de cogitar conhecê-la. Tinha certeza que a amaria para sempre.

- Eu te amo.

Dessa vez seu tom foi forte e Elliot teve a firmeza de olhá-la nos olhos.

Olívia o encarava, em seu rosto ele via ondas de choque e fascinação misturadas. Olívia estava realmente se esforçando para dizer alguma coisa, ela balançava a cabeça desordenadamente e mexia os lábios. Alguns murmúrios incompreensíveis foi tudo o que ele pode ouvir por um bom tempo.

Elliot podia sentir o teto desabando sobre sua cabeça, percebendo mais uma vez todos os desatinos que cometera naquela noite.

Colocou tudo a perder, uma parceria, uma amizade. Dissera a Olívia que a amava e ela não conseguia lhe dizer nada. Obviamente porque não sentia o mesmo.

Fora tolo e infantil de sua parte, estava sentindo ódio crescente por si mesmo.

Olívia o abraçou, repousando a cabeça sobre seu peito.

Agora ela diria que sentia muito. Estava acabado.

- Eu também. Eu te amo muito Ell.

Elliot agora era a pessoa sem reação ali. Teve vontade de perguntar, mas medo de ouvir a resposta que ela daria. Certamente o amava de outras maneiras.

- Eu te amo muito Ell.

Seus rostos estavam muito próximos agora, e os olhos marejados de Olívia não mentiam ou ocultavam nada. Ela o amava da mesma maneira que ele a amava.

Teve vontade de perguntar desde quando, mas isso podia esperar.

Elliot não podia se concentrar em mais nada além de dos lábios tão próximos um do outro.

Um beijo aconteceu, seguido por vários outros, que os levaram até o quarto. Beijos esses hora calmos, hora urgentes e quase violentos.

oOoOoOo

Elliot estava deitado, seus olhos encaravam o teto, seu peito arfava, ainda sentia ondas de prazer por seu corpo.

O quarto de Olívia parecia não ter relógio, não à vista. Por esse motivo Elliot não podia medir a quanto tempo estava ali, podiam ser horas ou dias.

Quanto tempo passara conhecendo Olívia, seu corpo, seu gosto, seu jeito. Não sabia quanto prazer tinham proporcionado um ao outro. Estava perdido no tempo.

Se perder no corpo de Olívia era realmente alucinante. Tudo nela fazia Elliot se descontrolar e se excitar de maneiras diferentes. Desejos há muito guardados, agora foram externados.

Não podia deixar de se excitar cada vez mais. E amá-la cada vez mais.

Foi então que decidiu que Olívia seria sempre sua. E ele sempre dela.

Com ela deitada sobre seu peito Elliot se sentia completo. Pleno.

Finalmente.

Olívia em seus braços.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!