Absence
48 Flashback 10
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E acabaram dormindo daquele jeito. Cada um deitado de um lado da cama, com um lençol dividindo a cama. Lucy mal conseguiu dormir, ela continuou pensando em Gajeel e em como ele se aproximou dela. Como poderia ele? Como ela não o empurrou? Porque que, parando para pensar agora, seu coração estava tão acelerado assim?
Acordou com sono. O sol bateu em seu rosto e por mais que ela tentasse voltar aos braços de Morfeu, foi quase impossível. Perdera o sono, embora tivesse mais que vontade para continuar a dormir. Então desistiu. E levantou-se, espreguiçando-se. Olhou para o outro lado do lençol. Gajeel já tinha levantado-se.
E, do quarto, pôde ouvir gargalhadas de uma voz grossa bem conhecida. Estranhou, nunca conseguiu se lembrar de um momento em que ele não tenha rido de outra maneira a não ser Gihihihi.
Ao entrar na cozinha, encontrou Gajeel rindo e Spetto-san contando-lhe histórias de uma menina que entrou no teatro com meio metro de papel higiênico grudado no sapato. Ela achou aquela história muito conhecida.
Quando Gajeel viu Lucy parada ali na porta, confusa sobre tudo o que estava acontecendo, ele a cumprimentou de uma maneira estranha, denunciando o que Spetto-san estava falando.
- Aqui está a atriz mirim. — Ele disse, com um sorrisinho no rosto. Quantas histórias constrangedoras Spetto-san já contou para ele?
- Você contou para ele? — Lucy se viu um tanto assustada. Porque? Porque ela contaria essas histórias?
- Você era tão fofa naquela época. É uma pena que seu pai nunca chegou a assistir aquela peça. — Spetto-san disse com um sorriso, terminando com um olhar triste. Então, Lucy percebeu. Ela tinha um álbum de fotos na mão. E Gajeel estava folheando-o.
- O que você está olhando? — Lucy disse, ainda mais assustada. Porque? Porque ela o mostraria aquilo?
- Fotos. — Gajeel disse, encostando-se na mão apoiada na mesa enquanto que a outra estava folheando o álbum. — Você era bonitinha quando criança. — Lucy puxou o álbum da mão dele violentamente enquanto o abraçava, protegendo.
- Lucy, você pode fazer um favor para mim? — Spetto-san disse. Lucy acenou com a cabeça. Lógico, ela poderia pedir o que quisesse. — Preciso que você vá à cidade para mim pegar umas encomendas para mim.
- Claro. — Lucy disse, pronta para se arrumar para sair.
- Mas não faça isso sozinha. Você tem o Gajeel aqui para isso. É um pouco pesada então o faça carregar para você. — Spetto-san disse, encostando no ombro de Gajeel. Ele levantou o olhar para ela de forma um tanto assustada. Então, olhou para Lucy. Lucy demonstrava um sorriso, só imaginando em usá-lo como burro de carga.
- Pode deixar.
Dito isso, não demorou muito para que os dois estivessem a caminho da cidade. O caminho não era muito longo, mas era mais fácil na ida. Da cidade para a vila, era como descer um barranco. Da vila para a cidade, era como subir uma montanha íngreme.
No meio do caminho, Lucy perguntou a si mesma, mas viu as palavras saindo de sua boca inconscientemente.
— Você acha que o Natsu vai demorar muito para chegar?
Gajeel com certeza não gostaria de responder à essa pergunta. Ele olhou para ela, os olhos virados para baixo num tom de melancolia. Ele realmente não queria responder essa questão, ambos sabiam a resposta.
Mas Gajeel não ia mentir.
— Espero que não. — Mas também não ia ser tão duro. Ele não estava conseguindo entender porque sentia-se tão para baixo quando via os olhos tristes dela. Ele tinha outra resposta em mente, mas a única coisa que saiu foi essa. Uma frase sincera, não muito dura. Empática, até.
Então, Lucy perguntou-se a mesma coisa que ele e dessa vez, parou para olhá-lo, o vento soprando em seu cabelo loiro balançando-o na frente de seu rosto.
— Por quê você se importa? — Gajeel andou mais um pouquinho, parando para virar-se para ela. Encarar seus olhos castanhos. — Por quê você veio, Gajeel?
Gajeel não soube responder. Agora que parara para pensar, nem ele mesmo sabia. Agira por impulso, e por impulso estava ali.
Mas mais importante:
— Por quê você foi o único que se deu por conta de vir me buscar?
A pergunta manteve-se sem resposta.
Naquele momento, objetos negros em forma humana os atacaram. Mais precisamente, atacaram Gajeel, tentaram nocautear Lucy.
Eram vários, e quando Lucy pegou suas chaves para invocar Loki, a curta distância entre ela e os seus adversários fez ficar fácil para que ela se descuidasse com um, fazendo outro chutar suas chaves de sua mão, deixando-a indefesa, com uma mão machucada.
Gajeel também estava sendo atacado, com mais força até do que com Lucy. Após o terceiro golpe, Gajeel pode percber que estavam tentando matá-lo. Mas não deixou de se preocupar com Lucy, quando percebeu a grande dificuldade que ela teve de manter os inimigos longe, apenas para buscar suas chaves caídas.
Eram tantos que Lucy não teve tempo de buscar suas chaves. Enquanto um a atacava por trás, outro a atacava pela frente, enquanto um terceiro tentava nocauteá-la e um quarto pisava em sua mão para impedí-la de encostar nas chaves.
O toque deles parecia macio, como se eles fossem feitos de borracha.
"Se apenas Natsu estivesse aqui..." Lucy pegou pensando, interrompendo seus pensamentos, ficando distraída suficiente para fazer um deles acertar sua nuca, enquanto estava deitada no chão, ainda buscando por suas chaves. Então, no último momento, percebeu a situação em que estava e girou-se na grama, levando sua mão para as chaves, porém outro pisou em sua mão, enquanto outros dois pisavam em seus pés e mãos.
Enquanto isso, Gajeel conseguia lutar quase de igual para igual com eles. A facilidade que eles tinham para desviar de seus golpes era tonteante, quase como se eles fossem programados para fazer isso. E depois do terceiro golpe atingido em seu queixo, Gajeel percebeu o padrão de seus ataques. Eram apenas marionetes sendo controladas por alguém.
Então, achou que elas não se importariam se ele mudasse o padrão de seus ataques, transformando sua mão em um grande martelo de ferro, socando-os de um lado para o outro, conseguindo tirar todos de cima de Lucy. E, no momento, em que o torso de cada um foi rasgado como papel, eles desapareceram.
Gajeel foi até Lucy, para socorrê-la. Então, só então, ela conseguiu pegar suas chaves, mas era tarde demais.
— Você está bem? — Gajeel perguntou. Não, ela não estava bem. Lucy sentia que sua voz havia lhe fugido, enquanto encostava sua mão direita em sua garganta. Ela fugiu da morte por pouco, sentiu a pressão do vento que o golpe causara em seu pescoço, mesmo sendo leve. Havia um pequeno corte, daqueles que não saem nem sangue. Mas havia.
Lucy estava assustada. Eles vieram do nada. E atacaram sem piedade, num padrão de socos e chutes facilmente entendível por qualquer um. No entanto, Lucy não tivera nem ao menos a chance de se defender. Como acontecia quase sempre, em quase todas as batalhas que ela já tivera. Sem suas chaves, sem poder usar suas chaves, ela não conseguia nem se defender de uma sequência de golpes fáceis como aquela.
Não. E se ela tivesse que passar por isso novamente? E se ela acabar passando por uma situação parecida sozinha? Ela não poderia ficar sempre dependendo de Natsu para poder usar suas chaves.
Não. Era o suficiente.
— Amanhã... — Gajeel começou, ajudando Lucy a se recompor e levantar-se. — Eu vou te ensinar a lutar.
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