Absence
8 Capítulo 8
—O que aconteceu? — Gajeel perguntou alguns segundos depois de sentar-se ao lado de Lucy. Ele conhecia apenas metade da história, o resto era segredo. Ele estava curioso. Lucy abaixou o olhar, entristecido, sem brilho. Aquelas imagens com as quais tivera pesadelos voltaram à sua memória. Ela não queria se lembrar daquilo.
—Eu não quero falar sobre isso. — As mãos inquietas de Lucy não paravam de se mexer, amassavam e puxavam o lençol. Ela estava nervosa. E ela não conseguia dizer o porquê.
—Tudo bem. Vamos falar sobre outra coisa. Quando eu encontrei você, — Disse Gajeel, cruzando as pernas. Ele estava disposto a fazê-la contar a história. — Você estava coberta de sangue que não era seu, desmaiada num bosque longe da vila. Como você...
—Eu já disse que não quero falar sobre isso! — Lucy virou a cara, irritada. Porque ele continuava insistindo? Ela não queria falar sobre isso, já dissera. Que perguntasse outra hora, outro dia. Ela estava cansada, exausta. Acabara de acordar de uma soneca de semanas. Sua memória estava bagunçada. Não adiantava perguntar.
Eles se mantiveram em silêncio por um tempo. Então, Gajeel perguntara novamente.
—Porque você foi nessa missão?
—Mudei de ideia. Pode ir embora. — Lucy disse, contrariada. Ela não queria ficar sozinha, mas não queria falar sobre aquilo. E algo dizia que ele não seria o único a perguntar sobre essa tal missão. Mais tarde, Natsu, Erza e até Gray passariam ali, talvez não todos de uma vez só, mas eles passariam, só para perguntar se ela estava bem. "Não graças à vocês", ela respondeu rebelde para suas fantasias.
—Mas você que pediu para eu ficar!
Antes que Lucy pudesse dizer qualquer coisa, um barulho alto substitui o silêncio do quarto. Não precisava fazer piadas, estava claro. Aquele "rugido" era o ronco do estômago de Lucy.
—Quando foi a última vez que você comeu?
—Não interessa. — Disse Lucy, áspera, rude. Ele estava começando a ficar intrometido. Como se aquilo fosse o suficiente para fazê-lo sair dali.
—Vou fazer algo para você comer.
—Não precisa. — Disse Lucy, tentando parar Gajeel que já estava de pé. Ela sentou-se na cama, colocando as pernas para fora. — Eu mesma sei me virar. — Ela disse, tentando ficar de pé. Porém, suas pernas machucadas não a permitiram.
Pela primeira vez desde que voltara, ela tentara ficar de pé. E ela nunca sentiu uma dor tão forte em toda sua vida. Seu tendão parecia que ia arrebentar de tanto que parecia esticar, suas coxas queimaram por dentro e suas panturrilhas tremeram violentamente, não conseguindo suportar o próprio peso, como se ela nunca tivesse andado em sua vida.
Ela estava acabada.
Ao flexionar o joelho para levantar da cama e tentar alongar a perna, o nervo de sua coxa esticou de forma que parecia que ia arrebentar. Ela não conseguiu estender a perna e, assim, com os joelhos flexionados, ela inclinou-se para frente. Por causa do choque da dor lacinante, seus reflexos foram muito lentos. Ela não tinha percebido ainda que estava caindo. Se Gajeel não tivesse a segurado, ela teria caído de cara no chão, quase sem tempo de levantar os braços para evitar machucar o rosto.
—Viu, não consegue nem ficar de pé. — Ele disse colocando-a de volta na cama. Lucy estava se sentindo muito envergonhada. Ela nem sabia que sua perna estava machucada. Tão machucada a ponto de nem conseguir se levantar. Depois dessa cena, ela não teve mais coragem de discutir, mordendo seu lábio inferior. Gajeel a colocou de volta na cama. — Vou preparar algo para você comer.
Deixando-a na cama, vermelha de vergonha, Gajeel vai em direção à cozinha de Lucy. Ao abrir a porta da geladeira para procurar algo para fazer para ela, fica surpreso como que vê. Então, volta ao quarto de Lucy e, com apenas metade do tronco para dentro do quarto, ele diz:
—Só tem uma maçã e um iogurte fora do prazo de validade na geladeira. — Disse Gajeel indignado. Como que ela conseguiu sobreviver até agora? — Vou ter que ir ao mercado. Tem alguma coisa em especial que você quer que eu faça?
Ela sorriu, achando graça.
—E tem alguma coisa que você sabe fazer?
Ela não se lembrava?
Lucy não se lembrava?
Gajeel não acreditava nisso. Do que, exatamente, ela não se lembrava? Ela não se lembrava da primeira vez que ela perguntara isso para ele? Não se lembrava daquelas semanas que passaram juntos?
Gajeel lembrava. Lembrava de tudo tão bem, que respondera à ela da mesma forma como respondera da primeira vez, fazendo-a sentir o déjavu.
—Não pense que só por que eu como ferro, eu não sei fazer mais nada na cozinha.
Lucy sorriu sem falar mais nada. Parecia que ela estava desafiando-o. Ela realmente não lembrava.
—Então, tá. — Gajeel disse suspirando, se preparando para sair. Ele faria uma surpresa para ela. Lucy chamou-o antes de pular a janela. Ele percebeu o medo na voz dela ao dizer:
—Vai me deixar sozinha?
—Vai ser só por alguns minutos, eu já volto. — Ele disse, saindo com um sorriso no rosto, soltando seu clássico "Gihihi".
Notas finais
O próximo capítulo sairá dia 22. Aguardem ansiosamente ^^
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