Absence

36 Capítulo 36


Notas iniciais
Quem acreditou que eu demoraria quatro dias para postar levanta a mão. o/
A história dos quatro dias foi só um truque para assustar. Para falar a verdade, depois do quarto comentário "chorando" eu resolvi acabar com a tristeza de vocês e não demorar muito.

Enjoy!

— Eu não confio em você. — O homem de costas começou assim que ouviu a porta fechar, presumindo que fosse aquele quem ele chamou. É lógico que seria, ninguém tinha a permissão de entrar a não ser que fosse chamado. Por hora, vamos chamá-lo de o mago.

Era a primeira vez de Yoshiaki naquele cômodo. Parecia tão diferente do que ele imaginava. Sempre imaginava algo digno de filme de bruxas. Ele sabia que sua imaginação era exagerada, mas conhecendo o homem, poderia muito bem ter um caldeirão no meio do quarto, mesmo sem ter utilidade.

Yoshiaki deu uma rápida olhada no cômodo tão chamado de escritório. Tinha enormes janelas de vidro, as folhas verdes do outro lado poderiam muito bem serem confundidas com decoração, mas ambos sabiam que não era o caso. As cortinas pesadas era a parte mais chamativa do quarto. O resto era monótono. A parede decorada com desenhos abstratos em cinza e branco, os pôsteres que não tinham nada a ver com o resto da sala e um quadro de Jesus encima da porta. A cortina era a única coisa do quarto que realmente pertencia ao mago.

O mago virou o canto de seus olhos para conferir se aquele que estava petrificado na porta era realmente Yoshiaki. Confirmado, virou seus olhos para a janela novamente, as mãos ainda enroladas uma na outra atrás das costas.

— Você me disse que me avisaria quando ela chegasse na cidade. — O mago disse e fez uma pausa, esperando que Yoshiaki dissesse alguma coisa. Quando ouviu o silêncio, ele continuou — Você me prometeu que assim que ela colocasse os pés em Hargeon, você a traria para mim. — Havia um certo cuidado na pronúncia de cada palavra, como se ele se segurasse para não gritar. Quem o conhecia, sabia. Ele se irritava com qualquer coisa.

— Sim, eu realmente disse isso. — Yoshiaki disse, com uma voz estranha para si mesmo. Ele ficou com medo no momento em que foi chamado. Ele ficou com medo no momento em que abriu a porta. Não que ele fosse extremamente covarde, mas aquele mago... Bom, todos tinham medo dele.

— Então, porque ela não está aqui ainda? — O mago disse, sua boca cuspindo de raiva enquanto socava a parede, metade do rosto virado para espiar a expressão amedrontada de seu convidado. Yoshiaki engoliu em seco.

— É porque ela ainda não chegou, senhor. — Disse, fechando os olhos, recriminando a si mesmo. Alguns hábitos são difíceis de largar. Ele estava se recriminando por ter dito senhor, não era necessário, o mago ficava ainda mais irritado ainda. Mas o mago não se irritou por isso, naquele momento.

Aquilo foi a gota d'água para ele.

— Porque ainda mente para mim?! — O mago disse, batendo mais forte ainda na parede, rachaduras surgiram de sua mão. Yoshiaki olhou para as linhas pretas. Ele sabia que na próxima pancada a parede ia quebrar. O mago virou-se completamente, olhando diretamente nos olhos de Yoshiaki, deixando-o com mais medo ainda. — Como é que você espera que eu confie em você, Yoshiaki?

— Ela... — Gaguejou.

— Ela está nessa cidade, nesse instante! — Ele disse, voltando-se à janela, seus olhos presos, fixos num só ponto. Yoshiaki finalmente entendeu porque ele tanto olhava para a janela. — Posso senti-la. E você... — Ele virou-se novamente, apontando o dedo para Yoshiaki. — Não está fazendo o trabalho que eu mandei você fazer.

— E... Eu não fui notificado, senhor. — Yoshiaki gaguejou, deixando seu mau hábito escapar. Sua postura de soldado não se desfez.

— Mas é claro que não! — O mago gargalhou para a tristeza de Yoshiaki. — Isso é porque você é um inútil que não sabe fazer as coisas direito! Sabe, eu sempre desconfiei de seus métodos, Yoshiaki, mas isso já é demais! Não saber procurar uma simples garota? Você sabe muito das consequências se essa menina não chegar às minha mãos à tempo.

Sim, ele sabia. Não havia um momento em que aquilo não lhe passava à mente.

— Ela morrerá. — O mago disse, com um tom de aviso.

Não era preciso lembrar.

— É como dizem naquele ditado. Quando as coisas não vão como você quer, você tem que levantar e fazer você mesmo. — O mago disse, caminhando lentamente até Yoshiaki, fazendo a volta na mesa. O tom dele estava estranhamente calmo, o que significava coisas ainda piores para Yoshiaki. — Mas eu não gosto de sujar minhas mãos.

Dito isso, contrariando suas próprias palavras, perfurou o olho esquerdo de Yoshiaki com seu indicador direito e o peito com seu indicador esquerdo. Yoshiaki gritou de dor, pulando para trás, suas duas mãos cobrindo o olho. Um risco vermelho desceu pela sua bochecha. Os dedos vermelhos do mago se puseram um em cima do outro. Uma gota caiu do dedo e inchou, tornando-se cada vez maior, parando no ar. Tornou-se numa esfera de cristal com um fundo avermelhado.

— Isso é... — Yoshiaki tremeu pela sua vida. Ele conhecia aquela magia. Nunca tinha visto ele usar essa magia em ninguém, só ouvira boatos. Ele entrou em negação.

— É. — O mago disse com um tom de orgulho. — Agora, — Ele disse, um sorriso maquiavélico surgiu em seu rosto. — eu verei o que você vê e você terá de fazer como eu mandar senão... — Para a própria satisfação, o mago apertou a bola de cristal com força, o vidro espremeu-se como se fosse de borracha. Yoshiaki retorceu-se, sentindo parte de seu corpo formigar com a falta de sangue. Seu coração espremeu-se. Ele não conseguia respirar. O mago sorriu novamente e então soltou o cristal, readquirindo seu formato redondo novamente, depois de um tempo. O sangue voltou a circular no corpo de Yoshiaki. — Você sabe muito bem o que vai acontecer. Agora, vá buscar Lucy Heartphilia.

Notas finais
Para quem lê essas notas finais, uma pergunta:
Quem está curioso para saber o que aconteceu com Lucy de uma vez por todas?