Notas iniciais
Ola pessoal, desculpem a demora. Mas agora estou postando o capítulo 34 da fanfic. Espero que gostem e se possível comentem.

Betty e Armando estavam tão felizes! Voltavam neste momento para a casa de Betty e durante todo o trajeto faziam planos para o casamento.

Onde iriam morar?

Fariam festa para celebrar o grande acontecimento?

E a lua de mel onde seria?

Quem ficaria na empresa enquanto estivessem viajando? Isto é, se viajassem.

E por fim o mais importante: Como falariam ao seu Hermes, já que ele sempre se mostrara um pai tão protetor e autoritário? Será que ele seria contra o casamento?

Tantos planos e tantas dúvidas!

Tinham muito ainda o que decidir!

Exatamente neste momento, quando falavam sobre a dúvida de seu Hermes aceitar ou não que sua filha se casasse, Armando estaciona o carro em frente à casa de sua amada.

A intenção de ambos era a de ficarem mais um pouco a sós no veículo conversando e namorando.

E ao fim de tudo se despedirem com muitos beijos apaixonados.

Mas este plano foi logo por água abaixo, pois avistaram em frente à casa de Betty, dona Julia com cara de preocupada, mexendo as mãos nervosamente e ao que tudo indicava parecia que os estava esperando.

Betty observa a mãe e conhecendo-a muito bem sabe que algo de muito grave deve ter acontecido, pois ela não estaria lá em frente à sua casa e ainda por cima sozinha àquela hora da noite.

“Sozinha...! Meu Deus! Meu pai! – pensa a jovem imediatamente sentindo um aperto no coração – O que será que aconteceu com ele?”

Assim que Armando desliga o motor, ela desce rapidamente do carro e vai até a sua mãe, Armando, vendo a preocupação de Betty, faz o mesmo.

–Mamãe o que aconteceu? – pergunta Betty aflita – E o papai? Onde ele está? Ele está bem?

Armando segura nos ombros de sua namorada tentando lhe passar um pouco de tranquilidade, mas em seu íntimo, também está inquieto com toda aquela situação e indaga:

–Dona Julia o que foi? O que aconteceu? Por que a senhora está aqui fora a essa hora da noite e parecendo muito preocupada? Aconteceu algo com o seu Hermes?

Dona Julia respira fundo. Em seu íntimo fica feliz ao perceber que o doutor Armando se preocupa com seu marido, assim como Betty.

Sabe que nasceu entre eles um laço de carinho e confiança. E esse interesse verdadeiro a fez sentir-se um pouco mais aliviada.

Dona Julia tinha certeza que sua filha estava em boas mãos.

Nas mãos de um homem que a amava verdadeiramente e que se interessava pelo bem estar de sua família.

Nas mãos de Armando Mendoza!

Um homem que no decorrer daqueles meses, provou ser merecedor do amor de sua querida filha.

–Não... — fala dona Julia -Não foi nada com ele, fiquem tranquilos. O Hermes está bem.

–Mas o que foi então? Onde está o meu pai? – pergunta Betty se sentindo ao mesmo tempo aliviada ao saber que ele estava bem, mas curiosa em saber o porquê de sua mãe a estar esperando na porta de casa e de um jeito tão aflito.

Dona Julia dá um suspiro e tentando se acalmar e dominando sua respiração ofegante, fala a filha:

–Betty, sua colega de trabalho, a Mariana, ligou de um hospital querendo falar com você. Parece que é urgente!

– De um hospital, dona Julia! – quer saber Armando arqueando a sobrancelha, todo preocupado — Ela está bem?

– Fala mamãe! Aconteceu algo com ela? –pergunta Betty muito aflita.

– Não minha filha, com a Mariana não aconteceu nada. Mas parece que um amigo, que estava com ela foi vítima de um assalto e o ladrão o atingiu com um tiro.

Armando e Betty ficam horrorizados!

–Nossa mamãe! Que amigo é esse?– pergunta Betty apavorada – Ela te disse quem era?

–Não minha filha. Mas ao que parece é alguém de quem ela tem muita estima, pois a pobrezinha estava aos prantos no telefone. – fala dona Julia condoída com a situação recordando-se do telefonema de Marina há pouco tempo atrás.

–Dona Julia – quer saber Armando – a Mariana disse em que hospital esse amigo foi levado?

Dona Julia franzindo a testa puxa pela memória e tenta se lembrar do nome do hospital que a jovem havia falado.

–Se não me engano... ele está no Hospital Central. Ela ligou de lá e disse que vai ficar por ali até saber o diagnóstico dos médicos. E me pediu que a avisasse, Betty – continua dona Julia nesse momento pegando nas mãos de sua filha -pois como não tem nenhum parente a considera como uma irmã. — termina dona Julia se emocionando.

Betty fica também muito sensibilizada.

Mariana, assim como todas as meninas do quartel eram para ela mais que amigas, irmãs mesmo.

Amigas para toda hora e dificuldades.

Sabia que podia contar com elas para tudo e assim como elas sabiam que podiam contar com a Betty.

–E o papai? Onde ele está? – pergunta Betty estranhando o fato de seu pai não estar ali acompanhando a mãe.

–Ele foi se trocar. Pensou em ir com você ao hospital. — informa sua mãe.

–Dona Julia — fala Armando — não precisa se preocupar, diga ao seu Hermes que eu levarei a Betty até lá e quando soubermos alguma notícia ligaremos em seguida. Está bem?

Dona Julia concorda imediatamente, pois não lhe agradava que seu marido dirigisse tarde da noite e sabendo o quanto ele era nervoso e ansioso, temia por sua segurança.

–Tudo bem doutor Armando eu falo para ele. Mas liguem, por favor, sabem como o Hermes é preocupado e eu também estou muito ansiosa em saber como está o amigo da Mariana.

–Está bem, mamãe — concorda Betty beijando-a e já entrando no carro de Armando, que faz o mesmo.

–Até logo dona Julia – fala o empresário – Nós ligaremos do hospital.

Armando liga o motor e os dois partem para o Hospital Central, ansiosos e muito preocupados.

–Meu amor – fala Armando olhando sua Betty enquanto dirige – você sabe se a Mariana tinha algum namorado?

Betty franze a testa tentando se lembrar de alguma conversa que tivera com a recepcionista ou com uma das meninas do quartel.

–Não meu amor. — Betty lhe responde- Que eu saiba, ela não tem nenhum namorado. Betty fica ainda mais preocupada e conclui:

–Ela me diria ou então o quartel, que sempre está sempre antenado em tudo o que acontece nas dependências da empresa e fora dela. Elas me informariam.

Os dois ficam curiosos em saber quem seria o tal amigo de Mariana que se ferira com um tiro em um assalto.

Será que ela estaria com ele no momento do assalto?

Senão por que ligaria para a casa de Betty e não para os familiares deste tal amigo?

Quantas dúvidas!

Será que o tal sujeito era mais que um amigo e Mariana não tinha contado a ninguém, nem mesmo ao quartel?

Betty recorda-se do quanto sua amiga havia ficado mexida naquele dia ao conhecer o Tito. Nunca a vira daquele jeito!

Mariana sempre tão serena e alegre havia ficado diferente ao se deparar com o lindo moreno de olhos verdes esmeralda.

E agora Betty também se recordava de que Tito havia ficado da mesma maneira, impressionado com a bela recepcionista.

“Será que é o Tito o tal amigo? –reflete Betty – Será que os dois saíram naquela noite? Mas e o quartel? As meninas saberiam e a informariam... Mas... espere um pouco... — algo em sua mente desperta sua atenção — A Mariana havia ficado na empresa sozinha... as meninas do quartel estranharam que ela não quisesse acompanhá-las como fazia todos os dias. Será que... neste ínterim o Tito veio buscá-la para saírem?”- continua pensando com seus botões.

Armando percebe a inquietude de sua amada e lhe pergunta:

–Meu amor, aconteceu algo? Você se lembrou de alguma coisa sobre a Mariana?

–Não tenho certeza ainda, meu amor – fala ela indecisa – Mas tenho comigo algumas dúvidas... estava pensando no tal de Tito. Será que não é ele o tal amigo da Mariana?- confessa a Armando suas suspeitas.

Armando fica pensativo. Começa a recordar da visita do tal sujeito naquele dia à empresa. Não lhe passou despercebido o interesse do rapaz pela bela recepcionista. Ainda mais para Armando, que é sempre tão desligado em relação ao quartel. Mas agora se lembrava de como o tal sujeito olhava para a Mariana e de como pegou em sua mão e a beijou como um cavalheiro das antigas.

“Será? Será que eles haviam combinado algo para aquela noite? – reflete Armando ainda duvidando- Ao mesmo tempo o Tito me pareceu um homem orgulhoso e tão cheio de si. Será que ele sairia com uma simples recepcionista? – continua pensativo, de repente sorri para si mesmo- Mas e eu? Não sai tantas vezes com a Betty, na época minha assistente? Se bem que meu interesse era a empresa e sem querer acabei me apaixonando pela Betty. Mesmo assim eu não me arrependo, pois foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido...”- neste momento Armando pega na mão de sua amada e a leva aos seus lábios e lhe dá um beijo carinhoso.

“Quando o amor surge, a gente fica sem saber o que fazer, só quer estar ao lado da pessoa amada.” – reflete o empresário com um sorriso nos lábios.

–Pode ser que sim. — finalmente Armando responde a Betty, depois de muito refletir com a voz rouca de paixão – O amor tem o poder de transformar as pessoas. – termina a frase beijando novamente a mão de Betty com imenso carinho.

Betty fica tocada com essa demonstração de amor sincero. Estaria nas nuvens se não fosse o problema com a Mariana.

Neste momento chegam ao Hospital Central.

O pátio está cheio de carros estacionados.

Armando só encontra uma vaga um pouco afastada da entrada do hospital, sem alternativa, estaciona ali mesmo.

Os dois descem do carro e de mãos dadas atravessam o pátio que os leva à portaria de entrada.

Caminham em silêncio. Ambos muito preocupados com o que iriam se deparar naquele hospital.

Pela porta de vidro, Betty avista Mariana sentada em uma das cadeiras da recepção. Nota que ela está chorando muito.

–Meu amor, olha a Mariana ali. — fala Betty indicando com o dedo onde está a sua amiga.

Armando acompanha com os olhos a direção indicada por ela e vê com pesar a jovem recepcionista, com a cabeça baixa sentada em uma das muitas cadeiras da recepção. Nota que ela, com um lenço, enxuga as lágrimas que teimam em escorrer pelo rosto.

Fica também condoído pela cena que presencia.

“Foi tudo tão rápido!”- reflete Mariana com os olhos vermelhos, procurando entender o que havia acontecido.

Flashes daquela noite repassam em sua mente.

O jantar maravilhoso no restaurante Almirante Padilha.

O local fino e sofisticado.

A comida francesa.

A surpresa ao notar o interesse de Tito por tudo o que havia lhe contado sobre a sua vida.

A música ao mesmo tempo tão romântica e triste que parecia embalar a conversa dos dois.

Em alguns momentos Mariana sentiu uma cumplicidade entre eles. Seria fruto de sua imaginação, às vezes tão romântica?

E por fim a volta para a pensão, sua casa.

Neste momento Mariana estremece ao se recordar do ladrão, o assalto e a imagem de Tito querendo protegê-la, e a seguir o barulho de um tiro e a triste constatação que ele havia sido ferido.

Seu corpo caindo.

Logo a seguir o som de seu próprio grito, as vozes de alguns transeuntes que ao ouvi-la gritando haviam se aproximado dela rapidamente, querendo saber o que se passara e por fim ajudá-la.

O som de uma ambulância que chega e enfermeiros que rapidamente examinam Tito e o colocam cuidadosamente em uma maca.

A polícia com as sirenes ligadas, provocando um barulho ensurdecedor em sua cabeça.

As perguntas.

Seu pedido para acompanhar Tito ao hospital.

No hospital a correria e Tito sendo encaminhado com urgência para a UTI.

E por fim, ela ali sozinha, andando nos corredores frios daquele hospital.

Sentindo-se tão triste, preocupada e desamparada.

Tivera então a ideia de ligar para a casa de Betty, pois sabia que podia contar com a amiga.

Infelizmente ela não estava e fora dona Julia quem a atendera, deixara o recado e tinha certeza que quando voltasse Betty ficaria sabendo de seu problema e logo iria ter com ela no hospital.

Naquele momento se achava sentada em uma das cadeiras da recepção.

Estava cansada de tanto andar pelos corredores do hospital esperando notícias sobre Tito.

Assim que senta, grossas lágrimas inundam seus olhos, com as mãos tremulas revira sua bolsa a procura de um lenço, ao fazer este movimento nota em meio aos seus pertences a carteira e o relógio de Tito, que alguém em meio a confusão daquela noite, havia lhe entregue.

Só de olhar para aqueles objetos de Tito, uma nova torrente de lágrimas inundam seus olhos.

E como se escutasse a música “Que hago yo?”, Mariana se sentia solitária e sem saber o que fazer.

–Mariana! Mariana!

Escuta de repente aquela voz conhecida e levanta os olhos.

Depara-se então com Betty que aflita corre ao seu encontro, acompanhada de Armando Mendoza!

Sem forças para se levantar fica olhando-a como se tivesse acordado de um pesadelo.

–Mariana, você está bem? — pergunta Betty preocupada se sentando na cadeira ao seu lado e abraçando a amiga.

–O que aconteceu? – quer também saber Armando.

Sem conseguir se conter, Mariana abraça forte a jovem empresária e cai em prantos.

Betty e Armando se entreolham e esperam pacientemente que ela se acalme.

Minutos depois Betty sente que a respiração de Mariana, antes tão ofegante, pelo choro convulsivo, vai se acalmando aos poucos. Afrouxa os braços ao redor do corpo da amiga e procura lhe dar espaço para que respire melhor.

–Mariana – fala Betty delicadamente – você está mais tranquila? Agora pode me falar o que aconteceu?

–Quem era o amigo que estava com você? — quer saber Armando.

A recepcionista fica meio sem jeito em revelar a verdade para os dois. Temia que a julgassem mal por ter concordado em sair com um desconhecido, ainda mais depois de ter revelado que ele trazia uma energia ruim.

Mas ao mesmo tempo a frase que martelava em sua cabeça a fazia acreditar que o que fizera fora certo.

“Cuidado com a atitude que você tomar, pois poderá por tudo a perder se não souber usar de sabedoria. Afastá-lo não é a solução, mas sim aproximá-lo.”

Confiante de que tinha tomado a atitude certa, Mariana olha nos olhos de Betty e depois nos de Armando Mendoza e lhes revela:

–O amigo que estava comigo e foi baleado em um assalto foi o Tito.

Betty e Armando se entreolham novamente, só que agora surpresos com tal revelação.

–Mas você saiu com ele? — Betty lhe pergunta, ansiosa por saber os motivos que a levaram a ter tal atitude.

Armando ainda surpreso se mantém calado, quer escutar os motivos que a levaram a sair com um sujeito tão orgulhoso e presunçoso como esse tal de Timóteo Rodriguez de Castilho, ou vulgarmente chamado de Tito.

Mariana se endireita na cadeira, respira fundo e começa a se explicar:

–Vocês devem mesmo estar curiosos em saber o porquê de eu ter aceito sair como Tito, mas como boa sensitiva que sou, achei que deveria usar de sabedoria para lidar com ele, já que se mostrou muito solícito e simpático comigo. Achei que o conhecendo melhor poderia obter alguma informação sobre as suas pretensões em relação à empresa.

Mariana tenta convencer os amigos de suas intenções, mas lá no fundo de seu coração havia mais que isso.

–Como ele está? – quer saber Armando.

Uma onda de tristeza invade o coração de Mariana.

–Não sei! Desde que chegamos ao hospital, levaram o Tito lá para dentro e aqui me encontro sem saber de nada. — diz a jovem voz preocupada.

–Vou procurar alguém para dar informações sobre ele – diz Armando impaciente – Não consigo ficar aqui parado — fala por fim.

Betty concorda e diz a Armando:

–Quando souber de algo venha nos avisar, vou ficar aqui com a Mariana.

Armando assente com a cabeça em sinal de que concordava com a sua Betty e sai andando apressado até o balcão de recepção do hospital, onde estão duas atendentes.

–Mariana- diz Betty segurando as mãos da amiga para lhe dar conforto – Me conte tudo o que aconteceu nesta noite.

Mariana se sentindo mais confortada começa a lhe relatar tudo, desde o momento em que saiu da Ecomoda, até o momento de seu encontro com o Tito e a ida de ambos ao Restaurante Almirante Padilha.

Betty escuta muito atenta ao relato da amiga, e várias vezes se surpreende quando ela lhe conta algumas das atitudes de Tito.

Quando Mariana está lhe contando sobre o assalto, e como Tito a defendera, Armando chega.

Betty e Mariana olham ansiosas para ele.

–Consegui conversar com alguns médicos de plantão que atenderam ao Tito e eles me disseram que o estado dele é muito grave. — fala Armando Mendoza com a voz muito preocupada.

Betty e Mariana ficam ainda mais aflitas.

–O ferimento foi muito grave? – Betty consegue perguntar.

–Graças a Deus, não atingiu o coração, mas faltou poucos milímetros, porém o problema é que ele perdeu muito sangue e precisa de uma transfusão com urgência. – tenta explicar – Mas o que mais preocupa os médicos é que o tipo de sangue do Tito é difícil de se conseguir algum doador. É o tipo AB Negativo. E aqui no hospital não tem esse sangue no estoque, nem tampouco o O Negativo, conhecido como doador universal, que é o mais raro que existe. Vão ter que procurar nos arquivos do hospital, mas eles sabem que é muito difícil achar um doador compatível. Levaria muito tempo. Os médicos receiam que não haja tempo hábil de acharem tal doador e, portanto, Tito poderá vir a óbito.- Armando termina o relato com pesar.

Mariana se levanta de repente e um imenso sorriso inunda seu rosto.

Betty e Armando se entreolham sem nada entender. Pensam que ao escutar as notícias e por tanto sofrimento talvez ela tenha enlouquecido.

–O meu sangue... — ela começa a falar — eu também tenho esse tipo de sangue... o meu sangue é AB Negativo! – consegue terminar a frase.

Notas finais
Aguardem os próximos capítulos.