Notas iniciais
Ola pessoal estou postando um novo capítulo da fanfic, espero que gostem e se possível comentem.

– Por que não responde seu Mario? — questiona Felipe.

– O que aconteceu? Não está escutando a gente seu Mario? — pergunta Fabio.

– Meninos! Parem de aborrecer o seu Mario!Ele deve estar cansado e preocupado com alguma coisa importante. — fala Nanda dando ênfase a palavra IMPORTANTE.

Mario então se desvencilha de seus tristes pensamentos sobre o passado e sem jeito pede desculpas:

– Me perdoem, por favor. Eu estava com o pensamento lá longe, há muitos anos atrás.

Dando um sorriso melancólico olha para os meninos e vê seus rostinhos sérios e preocupados.

– O que foi mesmo que vocês me perguntaram? — fala procurando demonstrar interesse.

– Eu queria saber se sua mãe também era assim como a Nanda. — fala Fabio.

– E eu queria saber se sua mãe falava do mesmo jeito que ela fala com a gente. — emenda Felipe.

Mario se endireita na cadeira, coça a cabeça e diz com a voz o mais sincera possível, pois sabe que Nanda o analisava em tudo o que dizia.

Reconhecia que ela devia ter uma percepção mais apurada, devido a deficiência.

Saberia na certa se estava mentindo ou não.

E também o que mais podia esperar depois das mentiras que participara com seus irmãos?

Nanda tinha toda razão de desconfiar dele.

– Bem meninos, — fala com cuidado, dosando bem as palavras- não me lembro muito de minha mãe. Quase não tive contato com ela. Ela se foi quando eu ainda era muito pequeno.

Felipe e Fabio ficam surpresos!

Dona Edite também!

Mario percebe só pelo olhar que ela lhe deu, que a boa senhora estava compadecida com o seu relato.

Fernanda apertando os lábios procurou não demonstrar os seus sentimentos em palavras. Mas no fundo também ficou compadecida e acreditou na sinceridade daquelas palavras.

– Então a sua mãe morreu também como a nossa seu Mario? — pergunta-lhe Felipe.

Mario não quer mentir novamente, mas também não quer contar a história de sua vida, cuja infância foi repleta de fatos tristes.

Apenas balança a cabeça em confirmação.

– Meninos já aconteceu há muito tempo. E preferia não recordar de fatos que me trazem tristes recordações. — fala demonstrando sinceridade e ao mesmo tempo melancolia.

Dona Edite e Fernanda ficam surpresas com o que ele disse e é dona Edite quem primeiro fala:

– Bem meninos agora vamos tratar de comer, senão a comida vai esfriar. Deixe o seu Mario comer também.

– Isso mesmo! — concorda Nanda- todos comendo e mastigando de boquinha fechada.

Mario suspira aliviado! Salvo pelo gongo, ou melhor, por dona Edite!

Para ele era muito difícil falar de sua vida, ainda mais com pessoas que havia acabado de conhecer.

Dificilmente ele abria seu coração a quem quer que fosse. Não suportava ficar em evidência, em situações como essa. E mais ainda, não gostava nem um pouco da piedade dos outros.

Preferia ser sempre o Mario alto astral, brincalhão que levava a vida de uma maneira tranquila e leve. Sem "grilos" ou qualquer preocupação mais séria.

"Nem o Armando Mendoza, meu amigo de longa data sabia do meu passado. E agora muito menos, pois ele já não é mais um amigo e sim um traíra, que me socou pelo amor de uma mulher. Onde já se viu uma amizade de tantos anos destruída por um amor! Não me conformo!"- pensa com mágoa.

– Coma seu Mario! Não está gostando da comida da Fernanda? — pergunta dona Edite achando-o muito disperso.

Mario pigarreia sem jeito e pede desculpas novamente:

– Não, quer dizer, não é isso, estou gostando muito sim. Ela cozinha muito bem!

E não era mentira, pois estava tudo muito gostoso e bem feito.

Para Mario era uma novidade comer em uma casa com o calor de uma verdadeira família e não em restaurantes chiques, porém frios como fazia sempre.

"Tudo tão simples, mas muito bom, se vê que foi preparado com capricho e carinho. Essa comida lembra-me a da minha avó." — reflete. "Nanda é mesmo muito dedicada, os meninos tem muita sorte em ter uma irmã como ela, pois apesar de sua deficiência cuida deles e da casa como uma verdadeira mãe tem que ser. "

– Parabéns Fernanda está tudo muito gostoso. — fala olhando para ela, procurando agradá-la e se redimir de suas mentiras, repara que Nanda esboça um leve sorriso em agradecimento.

"Ela fica mais linda ainda quando sorri!"- pensa admirando-a.

Todos comem em silêncio saboreando a boa comida.

Cada qual tem as suas próprias expectativas e os seus próprios desejos, mas procuram deixá-los só pra si e mastigam o alimento enquanto pensam neles.

Dona Edite nota que Mario come com gosto, apesar do ferimento nos lábios e repete o prato.

Seria cisma sua? Mas acreditava que não. Na verdade percebera várias vezes Mario olhando com interesse para a sua amiga Nanda.

Seria por causa da curiosidade, em ver uma moça cega se saindo tão bem em seus afazeres de dona de casa? Ou seria com outro interesse? “Bem não vou comentar nada com ela, pois a pobrezinha já tem tanto com o que se preocupar e seria desastroso colocar em sua cabecinha falsas ilusões. É melhor assim!"- reflete a boa senhora- "Mas dos meninos, está tão evidente que gostou muito deles e vice- versa. Como Fabio e Felipe são carentes de uma presença masculina! Pobrezinhos! Merecem ter um bom amigo! E esse seu Mario parece ser uma excelente pessoa."

Depois de pensar e ensaiar muito, dona Edite faz aquela pergunta que tinha comentado com a Nanda:

– Seu Mario desculpa lhe perguntar, mas o senhor é casado?

Nanda sente na pele uma quentura, tem certeza que seu rosto ficou vermelho de vergonha.

"Como a dona Edite teve coragem! Ela é mesmo impossível, quando quer saber alguma coisa. Que vergonha!"- pensa Nanda enquanto abaixa a cabeça, mas seus ouvidos estão ligados esperando a resposta dele.

Mario quase se engasga com o bife que estava mastigando. Engole rapidamente e procura as palavras certas, tem certeza que está sendo analisado por todos ali.

– Não, dona Edite eu não sou casado.- responde procurando "não encher linguiça" como se costuma dizer.

A velha senhora não se dá por satisfeita e lança-lhe outra pergunta indiscreta:

– E filhos? O senhor tem filhos?

Os olhinhos de Fabio e Felipe quase não piscam, vão de dona Edite ao Mario, e vice-versa, atentos para não perder nenhuma informação sobre o novo amigo.

Mario estava bebendo o suco de laranja do seu copo e quase engasga novamente.

Engoliu rapidamente e olhando para ela, não se conformando com tanta indiscrição, responde, procurando ser o mais educado possível:

– Também não dona Edite.

Fernanda só falta se enfiar debaixo da mesa de tanta vergonha.

"Mas essa Dona Edite não tem mesmo jeito! Que vergonha meu Deus!"

Mal Nanda se engrenava nestes pensamentos quando ouve dona Edite falar novamente:

– Nossa! Por que não se casou? O senhor é tão atraente! Qualquer moça adoraria ser a sua esposa!

Mario tenta se controlar, não sabe se ri ou se dá uma resposta atravessada àquela senhora que pelo visto gostava de saber de tudo vida alheia. Mas não pode de maneira alguma decepcionar os garotos, seria muito feio responder de forma mal criada à velha senhora, ainda mais na presença de Nanda que procurava ensinar e dar uma boa educação aos irmãos.

Então ele se prepara para responder, da maneira mais educada possível.

Quando Fernanda não conseguindo mais se segurar e fala de sopetão, já se levantando da mesa:

– Dona Edite acho que o seu Mario já está cansado de tantas perguntas. Venha me ajudar a tirar a mesa e a limpar a cozinha, por favor.

Mario suspira:

"Ufa salvo pelo gongo, novamente! Não gosto de ficar me expondo assim. Ainda bem que a Fernanda interviu."

Dona Edite não fica sem graça. A boa senhora não tem muita noção de etiqueta e foi despejando as perguntas sem pensar, para ela era tudo muito normal e natural.

Fabio e Felipe que estavam atentos à conversa, isto é, ao interrogatório que dona Edite estava fazendo, aproveitam que as duas mulheres se dirigem à cozinha e resolvem fazer o seu também.

– Seu Mario o senhor mora por aqui? — pergunta Felipe curioso.

Mario acha natural a pergunta e responde com simpatia:

– Eu moro bem longe, na zona sul.

– O senhor vem nos visitar, algum dia? — fala Fabio com os olhinhos esperançosos.

Mario fica supreso com o carinho do menino e olha também para Felipe e vê esperança nos olhinhos dele também.

Não sabe por que, mas aquilo tocou o seu coração, mexeu de alguma maneira com seu íntimo.

Sabe por experiência própria o quanto é duro ser criado sem mãe.

E de alguma maneira se sentia solidário com aqueles dois, pois sabia mais do que nunca o que sentiam.

Procura não decepcionar os garotos sendo o mais sincero possível ao responder:

–Não sei garotos, pois sou um homem com muitos compromissos e não tenho muito tempo livre.

Assim que termina a frase, Mario nota que eles ficaram tristes e cabisbaixos e não suportando vê-los daquela maneira complementa:

– Mas prometo que venho algum dia desses.

Brilhos de esperança se acendem naqueles olhinhos infantis.

– Por que não vem no sábado! Vai ser a apresentação da Nanda! — fala Felipe entusiasmado.

– É verdade! — lembra-se Fabio.

– Apresentação de quê? — pergunta Mario curioso.

– Ah! O senhor ainda não sabe! Mas a Nanda dança balé e dança muito bem. — diz Felipe orgulhoso da irmã.

– E ela sabe ficar num pé só e fazer piruetas. — complementa Fabio.

Mario fica admirado. Nunca ouvira falar de uma cega dançando balé. Fica interessado. E sabe que tem que sanar essa curiosidade.

Sempre foi assim enquanto não matasse a curiosidade que sentia, não tirava aquilo da cabeça.

"Creio que minha nova visita a esta família será em breve."- pensa cá com seus botões.

– Me falem onde vai ser a apresentação? Eu prometo, vir se der tudo certo. — pergunta aos garotos e depois complementa em voz baixa — Mas não comentem com a sua irmã, pois quero lhe fazer uma surpresa.

Na verdade ele sabia que Nanda talvez não gostasse que ele fosse vê-la dançando. Ela era arredia e ainda tinha desconfiança em relação a ele.

Os garotos ficam animados com esperança de ver de novo o amigo e lhe falam onde será a apresentação:

– Vai ser no Teatro Municipal, fica perto daquela pracinha onde o senhor nos encontrou. — fala Felipe.

– E a apresentação começa às sete horas da noite. — continua Fabio.

Os meninos e Mario continuam conversando animadamente.

Enquanto isso Fernanda e dona Edite estão na cozinha.

Fernanda lavando as panelas, os pratos, os copos e talheres e dona Edite enxugando-os enquanto espera ferver a água que colocou no fogo para fazer o café.

Nanda não se contém e fala à amiga:

– Dona Edite me perdoa. Mas a senhora foi muito indiscreta fazendo todas aquelas perguntas ao seu Mario.

A boa senhora não se dá por vencida e fala:

– Você não fala que ele é um estranho? Que não gosta que os meninos falem com estranhos? Pois então? Se eu fico sabendo de tudo sobre ele, ele não será mais um estranho. Não concorda, Nanda? — dona Edite abraça a jovem e sorrindo continua:

– Nanda você está sendo muito dura com o seu Mario. Ele se mostrou muito gentil e educado e parece gostar muito de seus irmãos e eles o adoram.

Nanda que não consegue ficar muito tempo brava sorri também. Sabe que dona Edite é muito mais que uma vizinha, além de uma amiga ela é como se fosse uma mãe para ela e seus irmãos.

"E não é que no fundo ela tem razão! Como saber da vida de alguém estranho se não conversar com ele. Essa dona Edite!" segue pensando sorrindo enquanto lava as panelas.

– Nanda, Nanda- chama Felipe — o seu Mario disse que já vai embora.

– Espera um minutinho que a dona Edite vai levar o cafezinho que acabou de coar. — fala ao irmão.

Mario que já estava em pé se senta novamente.

Alguns minutos depois aparece na sala dona Edite trazendo uma bandeja com três xícaras de café que põe sobre a mesa, Nanda segue logo atrás enxugando as mãos num avental que vestia, decorado com florzinhas azuis.

Mario fica mais uma vez impressionado com a beleza e desenvoltura da jovem.

Tem muita curiosidade em saber se ela nasceu com a deficiência ou ficou cega devido a alguma doença.

Mas nem em pensamento se atreve a perguntar, pois sabe que Nanda ainda está com um pé atrás em relação a ele e poderia se incomodar com a pergunta.

Espera educadamente as duas mulheres se servirem e pega a sua xícara por último.

Dona Edite o observa encantada com aqueles modos de cavalheiro.

– Meninos — fala Nanda- se despeçam do seu Mario que amanhã vocês têm aula logo cedo, já são mais de onze horas da noite, passou da hora de vocês dormirem.

Os gêmeos fazem cara de decepcionados, mas sabem como a irmã é rigorosa em relação aos horários e não tem outra alternativa senão obedecer.

– Boa noite seu Mario eu gostei muito de conhecer o senhor. — fala Felipe.

– E eu também! — completa Fabio.

Felipe e Fabio despedem de Mario com um abraço carinhoso.

Aquele homem alto parece um gigante perto dos meninos tão pequenos.

Mas o carinho que recebeu deles comoveu o seu coração.

E só Deus sabe como andava o seu coração naquele dia.

Aqueles dois garotinhos, como num passe de mágica conseguiram com seu carinho transformar um dia de amargura em um dia de esperança.

Definitivamente algo muito importante começava na vida de Mario naquele dia.

Notas finais
Aguardem os próximos capítulos.