Notas iniciais
Ola pessoal, estou postando mais um capítulo da fanfic. Espero que gostem e se possível comentem.

Dona Edite sentada no sofá com seu Alfredo não perde um lance do que se passa no portão.

Não sabe o porquê de Nanda estar sendo tão atenciosa com o Tito.

“Aí se fosse eu! Pois sim! Jamais ficaria assim dando trela para aquele “manequim ambulante”! Ainda mais depois do que aprontou há três anos atrás! Será que ela não percebe que esse inconsequente só quer se divertir às custas dela?”- reflete preocupada a boa senhora.

De tanto dona Edite torcer as mãos de nervosa, e de não desviar os olhos da janela, seu marido que já a conhecia muito bem, há mais de quarenta anos, diga-se de passagem, fica impaciente e comenta:

–Minha querida, não seria mais fácil, chamá-la, dando uma daquelas desculpas que só você consegue dar?

Dona Edite para imediatamente de torcer as mãos, coça a cabeça, por fim dá um sorriso de agradecimento ao seu querido marido e levanta-se do sofá repentinamente.

Mario jogando com os garotos, mas de antenas ligadas em tudo o que se passava, fica com os olhos e ouvidos bem atentos.

A boa senhora, decidida, abre a porta da sala e numa voz muito meiga, como se tivesse entornado goela abaixo um grande pote de mel, fala a sua menina:

–Nanda, está esfriando minha filha, você está sem agasalho. Despeça-se do Tito e entre queridinha.

Tito e Nanda estranham o comentário da boa senhora, pois estavam em pleno verão e as noites eram bem quentes.

Mas enfim! Tito parece que entendeu o espírito da coisa e se despede logo de Nanda.

Nanda percebe logo que dona Edite não está nada satisfeita com ela e não espera um segundo pedido e imediatamente faz o que a boa senhora pediu.

Despede-se também de Tito com uma rapidez, como se fosse o The Flash e retorna imediatamente para a casa de dona Edite.

Mario fica todo feliz, com o que presencia que teve até ímpetos de levantar-se, abraçar a dona Edite e rodopiar com ela pela sala. Mas felizmente conseguiu se segurar, pois ninguém teria entendido nada se o vissem dançando com a dona Edite na sala, muito menos o seu Alfredo que com certeza não gostaria nada, nada de sua atitude.

Assim que Fernanda entra, Mario olha para ela e nota que está sem jeito e que seu lindo rosto está levemente corado.

A jovem senta-se no sofá e permanece calada.

“O que teria provocado esse seu comportamento?- reflete Mario — Seria o pedido de dona Edite para que entrasse imediatamente ou seria algo que o careta do Tito teria lhe falado?”

–Ganhei de novo! – fala Felipe todo satisfeito e tirando Mario de seus pensamentos.

–E eu ganhei em segundo lugar!- diz Fabio não querendo ficar por baixo.

–E o seu Mario? Como é que foi no jogo? – pergunta seu Alfredo interessado.

–Ah! Ele não foi muito bem não! – comenta Felipe.

–É verdade — diz Fabio — Parecia que ele estava no mundo da Lua!

Todos riem achando muito engraçado a maneira como Fabio falara.

–Tem razão. – justifica-se Mario rindo também – Eu estava mesmo no mundo da Lua. — concorda ainda pensando na expressão de Nanda ainda a pouco.

Dona Edite observa Mario curiosa, mas ao mesmo tempo com um sorriso no rosto.

"Será que o Seu Mario também estava preocupado com a minha Nanda?" — perguntava-se a boa senhora.

–Bem acho que já está na hora de eu ir também – fala Mario se levantando da cadeira.

–Ah! Não vá não! Ainda é cedo! – reclama Felipe.

–É verdade! É cedo ainda! O galo nem cantou!- complementa Fabio com os olhinhos suplicantes.

Todos riem novamente e Nanda fala ao irmão:

–Mas Fabio o galo só canta de manhãzinha, quando está amanhecendo e não agora de noite.

Fabio não se dá por vencido e acrescenta:

–Não importa se ele não cantou. Eu queria que o senhor ficasse mais um pouco.

–Isso mesmo seu Mario! Joga mais uma partida com a gente? Quem sabe o senhor ganha agora. — fala Felipe com os olhinhos suplicantes.

Para Mario é também muito difícil ficar longe daqueles garotos. Sentia que os amava cada vez mais.

Em sua vida sempre solitária, aqueles dois meninos, vieram preenchê-la com carinho e atenção que nunca tivera.

Eles eram tão autênticos! Mostravam-lhe a cada dia como uma amizade pode ser tão pura, bonita e sincera.

Falando em amizade, Mario imediatamente se lembra do aniversário de Dinho e da festinha na casa de Geraldo, no dia seguinte.

–Olha, meninos eu tenho que ir mesmo — Mario torna a falar olhando para os gêmeos – Mas tenho um convite para todos vocês – fala olhando dos meninos, para dona Edite, seu Alfredo e para Nanda sentada no sofá ao lado da boa senhora. – Amanhã será o aniversário do filho de um amigo meu. O filho dele se chama Dinho e ele faz sete anos, como vocês garotos, e ele e seu pai me pediram que eu convidasse a todos vocês para que fossem a sua festa de aniversário.

–Oba! Que legal! — gritam os garotos felizes, por poderem mais uma vez desfrutar da companhia do amigo tão querido.

–Nós podemos ir? – pergunta Felipe todo esperançoso, para a irmã.

–É mesmo podemos? – Fabio reforça a pergunta, olhando-a.

Os olhinhos pidões dos meninos passam de Nanda para a dona Edite e depois por fim para seu Alfredo.

–Mas onde é seu Mario? – pergunta dona Edite interessada.

– A casa do meu amigo fica na zona sul, perto do centro de Bogotá. — explica-lhe Mario.

–Mas seu amigo sabe quantos nós somos? – questiona-lhe seu Alfredo, não querendo incomodar ninguém.

–Claro que sabe, seu Alfredo! — fala Mario — Ele pediu que convidasse a todos vocês.

Os gêmeos quase nem conseguem respirar, tal a expectativa em que se encontram. Nem piscam esperando a resposta dos adultos da casa. Sabem por experiência própria que todos eles deveriam estar de acordo, senão ninguém iria.

–Não se preocupem com a condução. — comenta Mario, tentando interceder a favor dos gêmeos- Eu levo todos vocês e trago de volta.

–Não vai ser um incômodo para o senhor? – questiona Nanda- Nós somos em muitas pessoas, e além do mais seu amigo nem nos conhece.

–Que nada! – fala Mario- O meu amigo insistiu que eu os convidasse e ele ficaria triste se eu aparecesse amanhã lá sozinho, sem vocês. E além do mais tenho um carro grande que caberão todos vocês, não se preocupem.

Dona Edite olha para o seu marido este lhe acena com a cabeça concordando e ainda ela fala a Nanda:

–Vamos Nanda, vai ser bom para os meninos e para todos nós. Assim saímos um pouco da zona norte e damos um passeio pela zona sul, além é claro de conhecermos os amigos do seu Mario. O que acha minha querida?

Nanda fica um instante calada, refletindo em tudo o que foi dito. Pensa nos irmãos e em como seria bom que eles brincassem e fizessem amizade com um garoto da sua idade e finalmente concorda:

–Tudo bem. Nós vamos.

Felipe e Fabio ficam eufóricos e correm a abraçar a irmã.

Mario sorri só de ver o contentamento dos garotos.

“Ufa valeu a pena tantos argumentos! Mas creio o que mais pesou na decisão de Nanda foi o imenso amor que tem pelos seus irmãos.” — reflete Mario enquanto observa mais uma vez aquela cena que sempre o faz ficar com um o coração aquecido.

Mario combina de vir buscá-los às 17 horas, pois a festa começaria às 18 horas e o caminho da zona norte à zona sul seria longo.

Depois de tudo acertado se despede do seu Alfredo e de dona Edite, agradecendo muito por o terem convidado para ir até lá comer os salgadinhos e o bolo em comemoração ao sucesso da Nanda.

Ao se despedir do meninos é mais uma vez rodeado por aqueles bracinhos tão calorosos que fazem com que ele fique uma vez mais emocionado com tanto carinho.

Por fim ao se despedir de Nanda e apertar sua mão delicada, novamente sente como se uma corrente elétrica invadisse todo o seu corpo. Olhando para a jovem tem certeza que ela sentiu o mesmo que ele, pois sua mão estava tremula depois que a soltou.

Foi tão rápido, questão de segundos, mas só eles mesmo é que puderam perceber o que o contato daquelas mãos havia provocado nos dois.

Agora Mario tinha certeza que um não era tão indiferente ao outro.

O rostinho de Nanda levemente corado disse-lhe tudo. Ela sentia o mesmo que ele! Tinha quase que completa certeza! Mas o que seria isso que ambos sentiam? Essa pergunta não queria calar em seu coração.

Mario foi dirigindo até o seu apartamento com essa pergunta martelando em sua mente. O que ele sentia por essa jovem?

Enquanto isso Nanda já em sua casa teve que fazer um esforço tremendo para que os gêmeos concordassem em ir se deitar, tal a alegria que eles estavam sentindo e a expectativa de irem ao aniversário no dia seguinte.

Não queriam dormir de jeito nenhum!

Para irem para cama, Nanda teve que prometer que leria para eles o livrinho que o seu Mario havia lhes dado, “O soldadinho de Chumbo”.

Nanda pensou que logo que começasse a ler eles dormiriam, mas que nada ela contou toda a história, e eles ainda fizeram questão que ela desse corda na caixinha de música e a colocasse à vista deles para que vissem a bailarina dançando e ao mesmo tempo serviria de fundo musical para a história.

E não é que ficou lindo!

Assim que terminou de contar a história para os irmãos. Nanda percebeu pela respiração dos pequenos, que eles dormiam, esticou a colcha cobrindo os corpinhos deles, deu um beijinho em cada e saiu devagarzinho do quarto, procurando não fazer nenhum barulho para não acordá-los.

Assim que ela sai, Felipe dá um pulo para fora da cama e vai cutucar o irmão.

–Fabio! Fabio! Acorda seu preguiçoso! – diz ao irmão baixinho, para que Nanda não o escute.

–O que é? O que você quer agora? – pergunta Fabio com voz sonolenta e esfregando os olhinhos de sono que teimavam em fechar.

–Fabio você entendeu a história que Nanda acabou de nos contar? – pergunta-lhe Felipe.

–Claro que entendi! Eu não sou burro! – diz o outro indignado.

–Pois bem – continua Felipe- Na história a bailarina fica com o seu grande amor o soldadinho de chumbo, não é?

–É sim e daí? – quer saber Fabio não entendendo onde o irmão queria chegar.

–E ela não se importou nem um pouco que ele não tivesse uma perna, não é mesmo?- pergunta-lhe novamente Felipe.

–É sim. E daí? –pergunta Fabio bocejando, sem ainda nada entender.

–Pois eu tive uma ideia. –diz Felipe todo alegre — Essa história se parece com a da Nanda, ela é também uma bailarina.

–Ela é e daí? – questiona Fabio, já ficando impaciente com o irmão.

–Daí que o seu Mario poderia ser como o soldadinho de chumbo da história, o seu grande amor. Ele não ligaria que Nanda não enxerga e se casaria com ela. O que você acha?- explica Felipe ao irmão.

Fabio pensa no que o irmão lhe disse e capta a mensagem.

–Seria maravilhoso! Ele casaria com a Nanda e ficaria morando aqui com a gente. Que ideia legal Felipe. Mas como podemos fazer um gostar do outro? – pergunta Fabio.

–A gente não pode, mas o Papai do Céu pode. A dona Edite sempre fala que se a gente pedir com fé Ele sempre cumpre o desejo do nosso coração. Vamos pedir a Ele? – fala Felipe ao irmão.

Fabio fica todo esperançoso e feliz e concorda com ele:

–Vamos!

Os dois irmãozinhos se ajoelham aos pés da cama e começa a orar.

–Papai do céu nós somos dois irmãos muito sapecas — começa Felipe — fazemos nossas bagunças, é verdade, mas te prometemos sermos bem comportados se Você fizer com que a Nanda e o seu Mario se gostem e se casem.

–Isso mesmo Papai do Céu. – continua Fabio — Assim como a bailarina da história foi feliz com o seu soldadinho de chumbo, nós te pedimos que a Nanda seja feliz com o nosso amigo o seu Mario. Pedimos que ele goste da Manda do jeito que nós gostamos, sem ver nenhum defeito. Não importa que ela não enxerga, o que importa é que ela é uma boa pessoa, que sabe fazer de tudo aqui em casa, ela lava, passa cozinha e cuida de nós como uma verdadeira mãe. Ela merece ser muito feliz.

– E prometemos ser os meninos mais estudiosos e comportados da escola. — acrescenta Felipe

–Obrigado por tudo e abençoe todos nós aqui de casa, abençoe também a dona Edite, o seu Alfredo e o seu Mario. Amém! – termina a oração Fabio.

Felipe sela a oração com um Amém também, em sinal que concordava com tudo o que eles falaram ao Papai do Céu.

Os dois irmãos se abraçam satisfeitos por terem a plena certeza de que seriam atendidos e se deitam em suas camas, com os coraçõezinhos repletos de esperança.

Nem repararam que Nanda estava atrás da porta entreaberta.

Certa que os irmãos dormiam ela havia voltado ao quarto para pegar a caixinha de música que havia esquecido lá e sem querer escutou a oração que eles fizeram.

Aquela oração tocou tão fundo em sua alma que deixou-a muito comovida, tão comovida que agora lágrimas teimavam em escorrer pelo seu belo rosto.

Notas finais
Aguardem os próximos capítulos.