Abrindo os Olhos de Mário Calderón
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Chegou finalmente o sábado tão esperado!
Nanda está em casa com os nervos à flor da pele! Aliás será a sua primeira apresentação como primeira bailarina da companhia.
Ela será a bailarina principal, a que ficará na frente de todas as colegas no palco, a frente de todo o público.
Nem os inúmeros ensaios e a constatação de sua professora que ela estava ótima e dançando divinamente lhe davam segurança e lhe tiravam sua ansiedade.
Estaria até agora andando de um lado para o outro e gastando o chão da sala, como se diz habitualmente, se não fosse a visita de Dona Edite logo de manhã cedo.
Dona Edite tinha vindo ali como sempre para ajudar a jovem.
A boa senhora estava empolgadíssima! Tinha acordado muito cedo e estava neste momento ajudando a jovem, a se arrumar, para ficar bem bonita para a apresentação de logo mais a noite.
Dona Edite tinha trabalhado há anos atrás em um salão de beleza e se achando uma "expert" no assunto, se encarregou de fazer os pés e as mãos da jovem.
–Dona Edite, não precisava tanto trabalho — fala Nanda enquanto a boa senhora está dando o toque final nas unhas das suas mãos passando cuidadosamente o óleo secante.
Quando termina, Dona Edite observa minuciosamente as unhas das mãos e dos pés da jovem e se dá por satisfeita.
No íntimo fica orgulhosa de seu trabalho, pois as unhas ficaram lindas com aquele tom de esmalte rosa bem clarinho. Deixando os pés e mãos da jovem mais delicados ainda.
As duas estão entretidas conversando quando de repente escutam Fabio e Felipe fazendo a maior algazarra no quarto.
–Esses meninos! Sabe-se lá o que estão aprontando desta vez. — diz Nanda preocupada, já fazendo menção de se levantar do sofá.
–Para! Fica quietinha aí, senão vai borrar tudo! — fala dona Edite apavorada e ao mesmo tempo toda cuidadosa com as unhas da amiga — Pode deixar que eu mesma vou lá no quarto dar uma bronca naqueles garotos. Fique aqui quietinha enquanto suas unhas secam. – ordena-lhe a senhora enquanto se levanta.
Dona Edite segue em silencio até o quarto dos garotos e bem devagarzinho abre a porta e ainda pode escutar o final da conversa:
–Eu tenho certeza que ele virá. Mal posso esperar para vê-lo novamente. — fala Felipe todo esperançoso conversando com o irmão.
–Mas ele não deu certeza. Disse que se pudesse viria. — acrescenta Fabio meio desanimado.
–Posso saber de quem vocês estão falando? – pergunta dona Edite abrindo de repente a porta do quarto e surpreendendo os dois garotos.
Felipe e Fabio olham assustados para a senhora que vai entrando no quarto intempestivamente.
–Psiu! Fala baixo dona Edite! – repreende Felipe.
–Isso mesmo dona Edite, é um segredo e a Nanda não pode ficar sabendo. — acrescenta Fabio.
Dona Edite fica muito curiosa em saber qual é esse segredo e fecha a porta devagarzinho, procurando não fazer nenhum barulho.
–Meninos me contem vá, que segredo é esse que a Nanda não pode ficar sabendo? – pergunta ansiosa a boa senhora.
Felipe e Fabio trocam olhares, haviam sido pegos de calça curta e tinham certeza que a dona Edite não ia deixá-los em paz até saber do tal segredo e além do mais se não lhe contassem ela iria direto encher os ouvidos da Nanda e estragaria toda a surpresa. O jeito era contar tudo mesmo a ela.
Felipe faz um sinal de assentimento ao irmão e ambos concordam em revelar o tal segredo. Felipe como sempre o mais atirado, começa a falar:
–Olha dona Edite o que nós vamos lhe contar é um segredo e a Nanda não pode saber de jeito nenhum.
–Se contarmos a senhora promete não falar nada para a Nanda? – pergunta Fabio preocupado.
Os olhos de Dona Edite brilham de curiosidade e mais que depressa ela concorda:
–Está bem meninos, eu prometo não falar nada a irmã de vocês. Eu juro. — confirma colocando a mão esquerda no peito e levantando a mão direita bem aberta, como se fosse uma testemunha no júri de um tribunal.
–Sabe dona Edite — começa Felipe com a voz bem baixinha — nós convidamos o seu Mario pra vir hoje assistir a apresentação da Nanda. – revela de uma vez o segredo.
–E ele disse que talvez viesse, mas que não era para falarmos nada para a Nanda, pois queria lhe fazer uma surpresa. — complementa Fabio.
Dona Edite custa a digerir o que ouviu.
Os meninos ficam olhando-a ansiosos com o suspense que ela estava fazendo. Não entendiam porque a velha senhora havia ficado muda de repente.
“Ele quer fazer uma surpresa para ela! – pensa dona Edite já com a cabeça nas nuvens — Aí que romântico! Que lindo! Ele é mesmo um verdadeiro cavalheiro! Tenho certeza que gosta da minha Nanda!” — a boa senhora continua refletindo e ao mesmo tempo dando longos suspiros.
Felipe e Fabio se entreolham achando aquele comportamento dela meio esquisito e ficam meditando se fizeram um bom negócio em revelar o segredo para ela.
De repente dona Edite puxa os dois garotos para perto de si e lhes dá um abraço bem apertado e super carinhoso.
–Vocês hein? São muito espertinhos! — fala a boa senhora com os dois braços gordinhos envolvendo os dois garotos.
Os gêmeos ficam assustados, sem nada entender o porquê deste comportamento da velha senhora.
Estão quase sufocando com o abraço dela!
–Dona Edite o que foi? – pergunta Felipe quase sem conseguir falar, tamanho o aperto dos braços da boa senhora.
–É dona Edite por que a senhora está tão feliz nos abraçando desse jeito?- quer saber Fabio também, igualmente sufocado.
Dona Edite afrouxa os braços, mas continua com eles agora apoiados nos ombros de cada menino e lhes fala em tom conspiratório:
–Meus amores fiquei muito feliz por terem convidado o seu Mario para a apresentação da Nanda. E mais ainda de não dizerem nada a ela, pois do jeito que ela está nervosa, se soubesse que o seu Mario viria, seria até capaz de errar todos os passos da dança.
–Quer dizer então que a senhora não vai contar nada a ela? – pergunta Fabio com os olhinhos brilhando de contentamento.
–Claro que não meus amores! – fala dona Edite olhando para os pequenos – O segredo é a alma do negócio. – termina a frase dando uma beijoca na bochecha de cada um e saindo do quarto toda esfuziante, feliz e dando vários suspiros.
Só não dançou no corredor porque sentia muitas dores nas juntas.
Os meninos olham um para o outro sem nada entender.
–O que será que deu nela? – pergunta Fabio ao irmão.
–Eu sei lá. Talvez ela esteja com dor de barriga de tanto comer os chocolates que o seu Mario nos trouxe. – fala Felipe rindo e achando aquela ser uma boa explicação para os suspiros de Dona Edite.
Fabio ri também e concorda com o irmão e ambos se dão por satisfeitos por ela concordar em guardar o segredo.
Dona Edite, toda contente, chega a sala e fica observando Nanda sentada no sofá.
“Como minha menina é linda! Mas faltava o homem certo em sua vida para que ela fosse completamente feliz! E esse homem — se não falha a minha intuição, e ela nunca falha — pensa a boa senhora sorrindo — é o seu Mario Calderón! Tenho certeza! Ele vai fazer a minha Nanda feliz e aos meninos também. Dá pra perceber o quanto eles se gostam. O seu Mario e os meus meninos se deram muito bem, desde o primeiro momento.”
Nanda logo percebe que dona Edite chegou na sala e estranha o seu silêncio e lhe pergunta preocupada:
–E então dona Edite, o que os meninos estavam aprontando dessa vez?
Dona Edite pega de surpresa, sente-se como se caísse das nuvens, pois em seus pensamentos já estava vendo a Nanda de véu e grinalda, de braço dado com o seu Mario, na porta da igrejinha do bairro, recebendo os cumprimentos dos convidados e partindo para uma maravilhosa lua de mel.
Com o susto a boa senhora fica muda, pois não havia escutado o que a jovem havia lhe perguntado.
–Ah! O que foi Nanda? Você disse alguma coisa? – diz dona Edite toda atrapalhada.
–Ah! Dona Edite! Parece até que a senhora está com a cabeça nas nuvens! – fala Nanda sorrindo- Eu perguntei como estavam os meninos, o porquê daquela algazarra no quarto.
–Ah! Não foi nada! — fala meio sem jeito a boa senhora — Eles só estavam brincando de lutinha, como as que veem nos desenhos animados- mente ela.
–Ah! Esses garotos! Eu já falei para eles que não gosto que brinquem assim, pois podem se machucar. — fala Nanda um pouco alterada.
–Pode ficar tranquila Nanda que eu já me encarreguei de dar uma grande bronca naqueles dois. — fala dona Edite e para desviar as preocupações da cabeça da jovem lhe faz o seguinte proposta:
–Nanda que tal um bom banho de creme em seus cabelos. Tenho certeza que ficarão lindos!
–Mas dona Edite, eu os lavei ontem mesmo quando voltei do trabalho! E além do mais porque se preocupar se eu vou usá-los presos num coque com redinhas, como todas as bailarinas usam? – diz Nanda.
–Ah! Mas minha filha eles tem que ficar macios e com brilho! Brilho, para você brilhar no palco. – diz dona Edite toda sonhadora, já segurando o braço da jovem, ajudando-a a se levantar e a encaminhando até o banheiro para lavar seus cabelos no chuveiro e fazer o tal banho de creme.
Nanda não tem como recusar, percebe que a amiga está tão entusiasmada e não querendo ser uma desmancha prazeres vai deixando-se levar por ela sem reclamar mais.
–Está bem dona Edite. A senhora venceu. Vamos fazer o banho de creme como a senhora quer. – fala Nanda conformada.
Enquanto isso em outro ponto da cidade, mais precisamente na zona sul, Mario Calderón também havia acordado cedo naquele sábado. Estava muito animado! Tinha mil ideias e planos na cabeça!
“Preciso providenciar um traje bem elegante para o evento de hoje à noite — pensa- talvez um terno novo! Hum! Acho que não! O evento será em um lugar mais simples e um traje esporte social será o mais adequado — continua refletindo- Só vou então comprar uma camisa nova. Talvez uma azul ...para variar – continua pensando e sorri, pois o azul é e será sempre a sua cor favorita – Depois tenho que comprar um presente bem legal para o Dinho e ainda um lindo buque e cartão para a Nanda.” – pensa com carinho.
Mas ao mesmo tempo bate uma repentina insegurança.
“E se ela não gostar de saber que fui ver a sua apresentação? E se ela recusar se a receber o meu cartão e as flores?”
Mas ao mesmo tempo surge em sua mente a voz de Geraldo lhe dando tantos bons conselhos. Não pode negar a força que este amigo lhe deu escutando os seus desabafos e seria muita ingratidão de sua parte se não os acatasse.
“Se eu der para trás agora, vou ser um ingrato e um covarde. E isso eu nunca fui na vida. – reflete Mario — Posso até ter sido um homem orgulhoso e cheio de preconceitos bobos e inúteis. E muitas vezes até cruel em meus comentários” – detém-se pensando em como a tempos atrás havia menosprezado com palavras rudes, a pobre Betty juntamente com Armando, e também se referindo de maneira vexatória às meninas do quartel, só por fugirem aos padrões de beleza a que ele e seu ex- amigo estavam acostumados. Sente uma imensa vergonha ao se lembrar disso.
“Se a Nanda soubesse como fui um imbecil acho que me expulsaria da sua vida e da vida de seus irmãos para sempre.”- reflete com tristeza.
Mas ao mesmo tempo recorda-se do carinho e ternura daqueles meninos para com ele e se anima novamente.
“Vou procurar me acercar de pessoas que gostem de mim, como me aconselhou o Geraldo. E tenho certeza que eles me veem com bons olhos e por isso me fazem um bem enorme.”
Mais confiante e determinado Mario se apronta rapidamente, pega as chaves de seu automóvel que estavam sobre a mesa da sala e sai de seu apartamento assobiando, todo feliz e esperançoso.
Ao chegar a portaria cumprimenta Wagner o porteiro e sem se dar conta continua assobiando.
–Bom dia seu Mario! – responde o porteiro ao seu cumprimento. Viu um passarinho verde hoje? – pergunta-lhe o bisbilhoteiro.
Mario imediatamente para de assobiar e responde ao intrometido:
–Não, seu Wagner,eu não vi nenhum passarinho verde, mas agora estou vendo na minha frente um urubu bem grandão com a língua comprida.
O porteiro arregala bem os olhos, olhando para trás e não se dando por satisfeito quer saber:
–Verdade seu Mario? Onde é que ele está que eu não estou vendo?
Mario então lhe responde na lata:
–Olha ali naquele espelho que o verá com certeza. – fala apontando para um espelho próximo ao balcão.
E sai rapidamente, deixando o porteiro olhando-se no espelho com cara abobalhada e confusa.
Mario entra rapidamente no carro rindo do porteiro bisbilhoteiro.
“Esse seu Wagner não tem jeito mesmo! Se mete na vida de todo mundo!”
Liga o carro e sai dirigindo-se até o centro comercial de Bogotá.
Quando chega ao seu destino, resolve deixar o carro em um estacionamento e segue caminhando olhando as várias lojas do centro.
“Hum, acho que vou dar uma olhada nesta uma loja de brinquedos infantis — pensa entrando em uma bem a sua frente – Nossa, estou perdido, quantos brinquedos! Como vou saber escolher um que agrade ao Dinho?”- segue andando pela imensa loja cheia de brinquedos coloridos.
Logo em seguida vem um vendedor lhe atender.
–Bom dia! – fala o homem educadamente a Mario. O senhor deseja algo específico?
–Bom dia! – responde Mario- Eu estou procurando um presente para um garoto de 7 anos. O que você poderia me indicar?
O vendedor responde:
–Olha nós temos vários tipos de carrinhos, bolas, vídeo games, com os jogos mais atuais, temos também jogos educativos como quebra-cabeças, dominó, jogo da memória. Ah! – continua o homem — Ontem recebemos vários destes bonequinhos de super- heróis que os meninos tanto gostam.- fala mostrando a Mario uma enorme quantidade de super-homens, homens aranhas, homem de ferro, etc.
Mario fica meio perdido! Não sabe realmente o que escolher! Nunca teve contato com crianças em sua vida. A não ser a poucos dias quando conheceu os gêmeos.
“Isso! Os gêmeos me falaram sobre um joguinho que estavam loucos para ganhar. Qual era mesmo...- puxa pelos pensamentos, tentando se lembrar da última conversa que tiveram.- Ah! Já sei eles me falaram de um jogo que se cama Toy Story Aventura, alguma coisa mais ou menos assim. – recorda-se Mario.
–Tem o jogo Toy Story Aventura... – diz Mario ao vendedor.
– Aventura no Quintal – completa o vendedor. Tem sim.
–Então deixe- me ver como é. – Fala Mario.
O vendedor sai e em alguns instantes chega com uma caixa, toda decorada com os personagens do filme Toy Story.
–Me explique como se joga. – fala Mario ao vendedor.
–É muito simples – começa o homem explicando-lhe- Aqui tem um tabuleiro, com os bonecos e os dados, os jogadores vão jogando e passando por estes caminhos, cheios de obstáculos, até chegarem ao seu destino.
Mario examina muito bem, observa que é um jogo interessante e que com certeza vai prender a imaginação de um garoto de 7 anos.
–Eu vou levar. – fala ao vendedor. Me embrulha pra presente.
Nem se passa um minuto, Mario diz ao vendedor:
–Ou melhor eu vou levar dois destes jogos. Embrulha os dois para presente, por favor.
“Vou levar um também para os gêmeos!”- pensa com um sorriso maroto nos lábios, “Tenho certeza que eles vão adorar.”
–Pois não. Espere um só momento que vou fazer o pedido para que o senhor pague no caixa.- explica o vendedor satisfeito por ter feito a venda dos dois jogos.
Depois que pega o papel das mãos do vendedor, Mario se dirige ao caixa e fica observando os vários tipos de brinquedos que vendem por ali.
De repente para pois algo desviou a sua atenção.
Na parte de brinquedos para meninas, vê uma caixinha de música, tocando uma linda melodia e sobre ela vê uma linda bonequinha vestida de bailarina, rodopiando em uma perna só. Logo vem a sua mente dois pensamentos:
A bailarina do livro “O soldadinho de Chumbo” e a imagem de Fernanda.
Mario fica algum tempo observando a pequena bailarina rodopiar sobre um círculo e nota que a tampa da caixinha, na parte interna é toda espelhada, dando um efeito muito lindo.
“Tenho certeza que seria um lindo presente para a Nanda. Apesar dela não poder ver, ela poderá ouvir a melodia e imaginar a bailarina como ela rodopiando. E depois que ler o livro para os garotos tenho certeza que todos gostarão muitíssimo.”- reflete olhando o delicado brinquedo.
O vendedor repara que Mario parou em frente a caixinha de música que estava exposta e lhe pergunta:
–O senhor gostaria de levar uma dessas?
Mario para um pouco pensativo e depois se decide:
–Vou levar sim. Pode embrulhar para presente também.
Assim que paga tudo e pega os pacotes, Mario sai da loja com um imenso sorriso de satisfação nos lábios.
Sente-se feliz em poder dar um pouco de alegria as pessoas que tanto estima. Pessoas que lhe fazem bem.
“Agora só falta ver uma camisa para mim.”- pensa enquanto segue pelo centro comercial.
Logo avista uma loja com roupas masculinas muito fina.
Entra e logo é recebido por uma vendedora.
A moça é muito bonita e atraente e logo fica olhando com interesse para ele.
–Olá! Bom dia! Como vai o senhor? – fala a jovem com a voz toda melosa.
Mario estava meio distraído segurando os pacotes e se atrapalha todo.
–Ah! Bom dia! Tudo bem obrigado! – fala ele sem perceber o interesse da moça, pois estava preocupado em achar uma camisa adequada ao evento que iria.
–O senhor deseja que eu lhe mostre algo. – fala a jovem açucarando mais a voz ainda.
–Ah! Eu desejo sim- fala Mario inocentemente, sem perceber o jeito da moça- Eu estou precisando de uma camisa azul.
–Ah! Tem umas bem elegantes aqui. Por favor me acompanhe. – diz a vendedora toda delicada.
E segue para uma prateleira onde estão expostas várias camisas, de todas as cores que se possa imaginar.
Mario as observa com atenção, não reparando nos olhares gulosos da vendedora.
Está tão mudado! Com pensamentos mais importantes na cabeça, nem se dá conta que está sendo paquerado abertamente.
Decide-se por uma camisa de mangas longas azul clara com listras bem fininhas no tom azul marinho.
“Irá combinar direitinho com uma calça social azul marinho que tenho e nunca usei.”- segue refletindo.
–Vou levar essa fala à vendedora.
–O senhor não vai provar? – pergunta-lhe a moça olhando bem direto em seus olhos, com segundas e até terceiras intenções.
–Não, não é necessário. Este é o número que eu uso. – fala educadamente.
–Que pena! – suspira a vendedora.
Mario acha graça e se dá conta que aquela jovem é atraente, bonita sem dúvida, mas não era o que realmente queria. Seus pensamentos agora voavam para longe, para pessoas que realmente valiam a pena relacionar-se.
Paga a camisa, e quando vai pegar o pacote das mãos da vendedora a ouve ainda dando a última cartada.
–Não quer estrear esta camisa hoje a noite comigo? – fala a moça com voz sedutora.
Mario acha engraçado, o jeito dela e pensa:
“Como tem pessoas que não se valorizam! Vão se atirando assim sobre o primeiro homem que aparece!Eu fui muito bobo em me relacionar com mulheres assim, que como eu queriam viver só o momento. Graças a Deus esta fase já passou! Almejo algo melhor para a minha vida.”
–Não obrigado. –diz à vendedora. Esta camisa eu vou estrear hoje num evento muito importante, com pessoas que são importantes para mim.
Pega o pacote e sai da loja, deixando a vendedora pensativa e desapontada.
“Esse aí deve ser casado! E ser daqueles maridos que adoram a esposa! Que pena ele era tão divino!”
Mario fica surpreso com ele mesmo. Com a reação que tivera. Jamais na vida pensava que iria se abster de uma paquera tão declarada daquela.
“Agora entendo o meu ex- amigo Armando Mendoza – pensa enquanto caminha até o estacionamento — Quando surge alguém que toca realmente o nosso coração tudo muda. Só essa pessoa passa a existir no mundo. Só ela nos interessa. E eu que brincava com ele que deveria se internar num monastério. Agora te entendo Armando Mendoza!”- segue refletindo com um imenso sorriso nos lábios.
“Agora vou passar numa floricultura e encomendar um buquê e escreverei um lindo cartão para a Nanda e pedirei que o entreguem a ela no Teatro Municipal. Assim ela pensará que fiquei sabendo da apresentação e que não irei. Será uma dupla surpresa! “- pensa com mais um imenso sorriso no lábios, evidenciando suas covinhas tão cativantes.
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