Abrindo os Olhos de Mário Calderón
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Mario fica por um tempo calado e pensativo.
Geraldo estranha e lhe pergunta:
–O que aconteceu meu amigo? Por que ficou mudo de repente?
Mario escuta a voz de Geraldo e volta a realidade. Suspira profundamente e resignado lhe conta o restante de sua história.
–Pois bem Geraldo, nesta história toda há mais um capítulo que creio ser o mais sofrido em toda a minha vida.
–Mais sofrimento ainda? Como isso é possível? – quer saber o amigo mostrando ansiedade em sua voz.
–É Geraldo foi o mais sofrido sim. E você vai saber o porquê e me dar razão. — diz Mario ao amigo — Quando entrei na faculdade — inicia o relato — eu era um rapaz ingênuo, no que diz respeito ao amor. Nunca tinha me apaixonado realmente por nenhuma garota. Nunca tinha sentido o amor na essência da palavra. Mas quando aconteceu, me pegou de jeito meu caro — fala com um sorriso triste nos lábios.
–Como assim? – pergunta Geraldo se interessando por mais esse novo capítulo da vida dele.
–Já no primeiro ano da faculdade – continua Mario – conheci uma moça muito bonita e simpática. Ela fazia o mesmo curso que o meu, Administração e Marketing, estudava na minha sala.
Desde a primeira vez que a vi, senti um negócio estranho aqui no peito, é como se aliens invadissem o meu corpo. Comecei a agir como um idiota, um completo idiota. Vivia babando quando a via pelos corredores da faculdade e ainda mais quando certo dia ela sentou-se do meu lado e puxou conversa comigo.
Fiquei super feliz e lhe dei toda a atenção possível. Acreditei que ela havia gostado de mim também e que nutria o mesmo sentimento que eu.
E assim nos tornamos inseparáveis. Até deixei o meu amigo Armando Mendoza um pouco de lado, reconheço. Mas estava encantado pela Natalia, esse era o nome dela.
Certo dia querendo impressioná-la, caí na besteira de levá-la até a casa de meu pai, durante as férias de verão.
–E o seu pai? O que achou ao vê-lo com uma namorada? – questiona Geraldo.
–Ele a recebeu educadamente, conversou com ela normalmente, agiu como um bom anfitrião. Mas eu sabia que no fundo ele o fazia sem um mínimo de amor e sim por obrigação.
–Certo dia em que Natalia ainda dormia num dos quartos da mansão ele me chamou para uma conversa muito séria, eu até fiquei surpreso, pois ele quase nunca conversava comigo.
–Nossa, estranho mesmo? E o que ele queria? – pergunta Geraldo curioso em saber.
–Ele me contou toda a história de minha mãe. E disse que eu não devia confiar em mulher nenhuma, que o amor era pura ilusão e que sempre havia um interesse por parte das mulheres. Resumindo disse que todas as mulheres eram falsas e que eu devia só me aproveitar delas, e nunca ter um relacionamento sério, pois cedo ou tarde teria uma decepção.
–Nossa, Mario! O seu pai dizendo isso? – diz Geraldo surpreso.
–E disse mais – continua Mario- que eu deveria sempre procurar as garotas mais lindas e namorá-las, mas sempre sem me envolver. Pois tudo em um relacionamento tinha que ser superficial. E que a maior besteira que eu estava fazendo era namorar esta garota, ficar com uma só, se havia tantas outras mulheres no mundo. – conta-lhe Mario.
–Deve ser por causa do que ele passou com sua mãe. – comenta o deficiente.
–Também achei meu amigo. Mas estava tão feliz e tão apaixonado pela Natalia que fiquei furioso com ele, na mesma hora arrumei minhas malas e acordei a garota e saímos daquela mansão fria e gelada.
–Você fez muito bem meu amigo. – fala Geraldo.
–Eu também pensei o mesmo. Mas com o decorrer do tempo aprendi a duras penas que meu pai estava coberto de razão.
–Como assim? – pergunta o amigo.
–Um mês depois- continua Mario com a voz muito triste- Entrou na faculdade um professor que veio nos dar aulas de Economia, ele era muito simpático e amigo dos alunos. Conversava com todos depois das aulas, como se fosse um colega da turma.
–Natalia se encantou por ele. Só falava neste professor. E foi ficando cada vez mais indiferente comigo. Sempre que eu a convidava para estudarmos juntos ou sair ela inventava uma desculpa.
–Depois de algum tempo os vi de mãos dadas e se beijando num parque próximo a Faculdade.
–Nossa, Mario! Que pena! – fala Geraldo com dó do amigo.
–No dia seguinte fui conversar com ela e disse-lhe o que tinha presenciado. Sabe o que ela me disse?
–Não amigo. O quê? – pergunta Geraldo interessado.
–Ela me falou assim sem rodeios: O que o fez pensar que eu te amava? –relata Mario tristemente.
–Geraldo, ela disse na minha cara que achava muito bonito de minha parte ser assim tão sensível, mas ela não tinha levado tão a sério o nosso relacionamento. Desejou-me boa sorte e foi embora.
–E como você ficou meu amigo? – pergunta o deficiente.
–O meu mundo desmoronou. Eu vi tudo caindo como pedras rolando por um abismo. Fui um completo idiota. Acreditei que era amado. Eu amado? Percebi que meu pai é quem tinha razão. O amor não existe. Decidi nunca mais me envolver com ninguém, nunca mais me apaixonar.
Geraldo fica um instante em silencio. Eram tantas as revelações que ficou até atordoado.
Mas ao mesmo tempo viu algo de positivo na atitude do amigo.
“Ele pela primeira vez na vida abriu seu coração a alguém. E não sei por que eu fui o escolhido. Só Deus sabe o que ele deve ter visto em mim.”- pensa Geraldo com humildade.
“Eu tenho que ajudá-lo. Ele já sofreu muito na vida. Senhor me dê uma luz! Um caminho para tocar o coração do Mario.” – Geraldo faz silenciosamente um pedido a Deus.
Enquanto isso Mario está de cabeça baixa, remoendo tantas e tão tristes lembranças. No fundo sabe sim que o amor existe. Pôde comprovar isso presenciado o amor de Armando Mendoza pela Betty, mesmo antes da transformação que a tornou bonita , o seu ex- amigo a amava de todo o seu coração. O que dizer do amor de Simone por Geraldo, apesar dele ser cego isso não foi empecilho para eles e como resultado deste amor o pequeno Dinho, que era tão alegre e esperto.
“Creio que eu é que não mereço ser amado. Não o fui desde que nasci. Por que seria agora?”- pensa com tristeza.
De repente Geraldo forma um sorriso nos lábios. Recorda-se do que Mario havia falado, no dia em que se conheceram, com muito carinho de uma moça cega que tinha dois irmãos pequenos.
“Isso mesmo! Aí está o caminho. Eles serão a salvação do meu amigo. Obrigado meu Deus!”- pensa confiante.
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