Abrindo os Olhos
12 S8: Revenge or Love? - Segunda Parte (Final)
Notas iniciais
—Hn, eu vi. –Ele me olhou com um sorriso confiante. –Bem, assim como você, não temos tempo a perder. Sei que não usa jutsus elementares, e mesmo que usasse, precisaria ser extremamente forte pra parar essa técnica. –Ele tava estranho, fiquei alerta. Ainda mais quanto ele fez um selo que eu reconheci na hora. –MOKUTON: JIKAI KOUTAN! (Estilo Madeira: Gênesis do Mar de Árvores!).
Eu não sabia o que tava acontecendo, só sabia que tava em uma enrascada. O jutsu dele tinha um alcance enorme, acho que nem mesmo se usasse o Hiraishin conseguiria escapar. Aquelas árvores vinham cada vez mais pra perto de mim, e eu não tinha muito mais tempo, precisava agir. Era a única que poderia derrotá-lo, agora que ele mostrou realmente o que pode fazer.
—Hn, copiando meus jutsus, Uchiha? –Sussurrei e pude notar uma feição de surpresa. Levantei minha mão esquerda à altura do nariz e fiz o selo de “Kai”. –HYOUTON: JIKAI KAIHYOU! (Estilo Gelo: Gênesis do Mar de Gelo!).
Um mar de estalagmites de gelo nasceu do chão. Elas eram enormes e super afiadas. Consegui cortar a floresta dele com meu gelo.
—O... O que é... isso... –Ele sussurrou boquiaberto.
—Está começando a ficar com medo, Uchiha? –Falei diabolicamente. Estava quase fora de mim. Ter ele ali na minha frente, com medo do meu poder era uma das melhores sensações que eu já senti. HAHAHAA!! Estava quase tendo um orgasmo só em imaginar ele rastejando sob meus pés!
—Droga... nunca pensei que teria algo assim... –Ele olhou nos olhos da cadela, que tava completamente estarrecida, nem mesmo mexia. –N-Não se meta... deixe que eu cuido disso...
—Hn, é mesmo arrogante. –O campo de batalha se tornou completamente caótico, tomado por árvores cortadas e pontas perfurantes de gelo. Nossos olhos se encontraram e eu descobri o porquê de ele usar o Mokuton. –Rin’negan. Eu já desconfiava. Não sei como conseguiu as células Senju, mas aquele velhote do Orochimaru tem algo a ver com isso... hun, chega até mesmo a ser irônico eu falar isso. Ele realmente merece uma morte lenta, não é nada legal ter seu corpo explorado como ele faz com muitos inocentes.
—Estou realmente surpreso, nunca pensei que evoluiria seu Byakugan, nem sabia que isso era possível. –Ele disse arrogante, de cima de uma das árvores caídas.
—Bem, eu não sei exatamente se isso é uma evolução, mas em todo caso, graças a ele eu posso fazer isso. –Uni minhas mãos formando o sinal do cavalo. –HYOUTON: AMEHYOU SENBON! (Estilo Gelo: Chuva de Agulhas de Gelo!).
Da minha boca saíram milhares de agulhas de gelo, todas foram em direção ao Uchiha.
—ISSO NÃO PASSA DE GELO! –Ele gritou fazendo o mesmo selo que eu. –KATON: GOUKA MEKKAYAKU! (Estilo Fogo: Destruidor do Inferno!).
Ele lançou uma quantidade surreal de fogo na minha direção.
—“Desgraçado. Mesmo meu gelo sendo 100 vezes mais forte que o gelo normal, essa técnica ainda vai derretê-lo. Sem contar que passará brincando por minhas senbons, e virá com toda a força na minha direção.” -Fiz uma sequência rápida de selos e acabei com as mãos esticadas em frente ao corpo. -HYOUTON: HYOUJIHEKI! (Estilo Gelo: Parede de Gelo!).
Uma espessa parede de gelo se formou na minha frente, evitando que eu tomasse aquele devastador ataque.
O choque entre a minha parede de gelo e aquela devastadora técnica de fogo causou o derretimento e evaporação do gelo, formando uma densa nuvem de vapor d’água.
—“Imbecis, com meu Byakugan eu consigo ver vocês. E consigo te ver, Cadela!”. HAKKE: SHITEN KUSHOU! (Oito Trigramas: Super Palma Aérea!).
A cadela tava vindo por trás de mim, mas graças ao Byakugan eu consegui ver. Ela era rápida, eu sabia disso, então não podia usar meu gelo, ela conseguiria desviar. Então usei uma técnica rápida, pra não dar chance de ela se esquivar. E como o esperado, ela recebeu meu golpe, sendo atirada dezenas de metros de distância.
Mesmo com a interrupção, eu ainda estava em vantagem. Tinha o Byakugan e podia ver mesmo com todo aquele vapor. Sem pensar duas vezes, apareci atrás do Uchiha.
—HANA! (Flor!).
Meu braço direito foi envolto pelo gelo, sendo que a ponta era mais fina que um alfinete.Direcionei meu ataque nas costas dele, mas ele o impediu do jeito que eu esperava que ele fizesse.
—SHINRA TENSEI! (Punição Divina!).
Eu já sabia o que ele ia fazer, então consegui escapar antes de ser repelida. Me teleportei pra longe dele, a névoa já tinha se esvaído.
—Previsível... –Sussurrei desfazendo minha Hana.
—Esse seu gelo, é perigoso. Se eu não fosse seu adversário, talvez você tivesse chance.
—Eu sei até onde chegam os poderes do Rin’negan, Uchiha, diferente de você que não sabe nada sobre meu Hyakugan.
—Nome sugestivo. –Ele sussurrou. –E é realmente estranho que ainda possa usar os poderes do Byakugan.
Fiquei realmente surpresa, só então percebi o que ele tinha feito.
—Você... usou a Cadela pra tirar sua dúvida. Isso é desumano, mas temo que ela mereça o que levou. Creio que disse a ela pra me atacar através de genjutsu, quando olhou pra ela.
—Hn, realmente. Mas eu não a usei só pra tirar essa dúvida, ela também me fez perceber que não está lutando pela vila, está tentando realmente concluir essa sua vingança.
—Antes eu concordaria com isso, mas agora que sou a Hokage, estou lutando pela minha vila! E se lutar pela minha vila significa passar por cima de vocês, eu não posso reclamar disso.
—Bem, creio que não será tão fácil assim te derrotar, mas o resultado ainda será o mesmo. –Ele disse me olhando com aquele Rin’negan. Aquilo me trouxe lembranças, de quando eu enfrentei o Pein e me declarei pro Naruto-kun.
—Acredite ou não, eu gostei de ver esse doujutsu mais uma vez, apesar de saber as atrocidades que fez para consegui-lo.
—Do que está falando? –Ele perguntou intrigado.
—Nada que seja importante pra você, ou melhor, diretamente. Esse doujutu me lembrou qual é meu objetivo aqui, de duas formas diferentes. –Ele ficou ainda mais confuso.
—Hn, está começando a falar besteiras.
—Ela... tá se referindo ao ataque do Pein. –A Cadela se aproximou. Estava ofegante e suja, mas não estava ferida.
—Então é isso... bom, não era minha intenção te dar um pouco de felicidade, mas não dá pra voltar atrás. E apesar da explicação da Sakura, eu ainda não consigo entender como a destruição da vila te traz boas lembranças...
Dei um sorriso de lado, olhando nos olhos dele.
—Foi quando eu me declarei pro Naruto-kun. –Uma leve ventania atingiu o local, igual àquela vez. Eu podia jurar que senti o Naruto-kun do meu lado.
—Ahh, entendi. Não consigo ver porque isso é uma lembrança boa. –Ele disse debochando do meu sentimento.
—Pra você não é mesmo. Receber uma declaração de uma mulher deve ser horrível, né?
Não enteia porque ele se irritava quando eu o chamava de gay, ele era mesmo!
—Sasuke-kun, me deixe cuidar dela. –Sério, eu ri do que a Cadela disse. Ri literalmente.
—Olha só Sakura, acha mesmo que pode lutar contra ela?–Ele disse quase rindo comigo.
—Me dê essa chance, Sasuke-kun. Eu quero te provar que posso estar ao seu lado!
—Cadela. –Parei de ri e a fitei mortalmente. –Você não sabe o que está dizendo.
Minha aura assassina tomou conta do lugar. Pude ver que o verme do Sasuke se espantou.
—Sakura, cuide dela pra mim. –Ele disse cruzando as pernas e sentando na árvore caída.
—É sério, Sasuke-kun? –Ela perguntou animada. Ela é a pessoa mais burra que eu conheço! Festejando a morte!
—Hai, você tem 10 minutos.
Ela pulou da árvore, ficando bem a minha frente.
—Acha mesmo que pode me derrotar, Cadela? –Perguntei sentindo a raiva tomar conta de mim.
—H-hai! O Sasuke-kun acredita que sim!
—Eu realmente tenho pena de você. E acredite, dizer isso é muito difícil pra mim.
—Não fale tanto, sua fraca! –Ela partiu pra cima de mim, iria tentar me socar com aquela força monstruosa.
Eu simplesmente segurei a mão dela, como se fosse uma criança que estivesse me atacando.
—C-Como...
—Minha vila precisa de mim, não posso demorar. Eu não iria te matar, mas mudei de ideia. –Estava segurando o punho direito dela com minha mão esquerda e minha mão direita ficou livre. –HANA!
Novamente criei uma “furadeira” de gelo, a direcionando diretamente ao coração dela. Ela sorriu, e socou minha Hana com a mão livre, a destruindo.
Ela se soltou e pulou pra longe de mim.
—Estou impressionada. Tem, que ter muita força pra quebrar meu gelo simplesmente com as mãos. –Disse concentrada no Uchiha. A circulação de chakra dele tava muito estável, parecia que ele tava meditando. Realmente tinha deixado com a Cadela, mas eu sabia que o motivo não era que ele confiava nela, ele queria era me cansar. Sabia que eu a mataria mais cedo ou mais tarde.
—Hn, não pense que eu só tenho isso. –Ela disse estupidamente confiante.
—Deixa eu te explicar algumas regras básicas do clã Hyuuga. –Ela ficou desconfiada. Eu iria acabar logo com aquilo, não podia deixar a luta demorar muito. -1: Usamos nosso doujutsu pra usar o chakra em seu potencial máximo. 2: Nosso taijutsu é considerado o mais efetivo justamente por usarmos o chakra. –Ela tava realmente atenta no que eu dizia. –3:Temos um jutsu que basicamente classifica nossa habilidade, o Hakke. 4: O Hakke possui quatro níveis, que vão de 32 à 361 golpes. Nossa habilidade é classificada de acordo com o tanto de golpes que podemos executa. 5: Cada nível tem um raio de ação, quanto maior o nível, maior é o raio de ação. 6 e último: Se seu inimigo estiver no raio de ação, ele só conseguirá fugir do golpe se for 4 vezes mais rápido que o Hyuuga que está aplicando o golpe.
—Dá pra parar de falar besteira!
—Sakura, escute o que ela tem pra dizer.
—Hai Sasuke-kun!
—Hn, realmente uma Cadela, mas voltando ao assunto. Somente os mais fortes do clã alcançam os 361 golpes.
—Deixa eu adivinhar, você é forte a ponto de executar os 361 golpes.
—Quase isso. Eu sou sim forte o suficiente para executar o SanbyakurokujuuichiShou, mas não é só isso. –Senti que o chakra dos dois se alterou, estavam preocupados com o que viria. –Sabe porque eu estou te explicando sobre os Hyuuga e sobre o Hakke?
—Porque tá com medo de morrer logo?
—Não, não é isso. Eu só te expliquei sobre o meu Hakke porque... –Fiz uma posição nunca antes feita na história do clã Hyuuga. Estava formando o símbolo de Yin e Yang com os braços, mas minhas mãos estavam curvadas para cima. –Você está no alcance do meu HyakunanakujuuniShou... –Sussurrei olhando pra ela.
Ela pensou em correr, mas já era tarde. Ela tinha que ser 4 vezes mais rápida que eu pra fugir, e eu era umas 50 vezes mais rápida que ela.
Ela estava a uns 10 metros de mim, e o HyakunanakujuuniShou tem um raio de ação de 50 metros, ou seja:Era Game Over.
—NI SHOU! (Dois Golpes.) – YON SHOU! (Quatro Golpes.) – HACHI SHOU! (Oito Golpes.) – JUUROKU SHOU! (Dezesseis Golpes.) – SANJUUNI SHOU! (Trinta e Dois Golpes.) – ROKUJUUYON SHOU! (Sessenta e Quatro Golpes.) – HYAKUNIJUUHACHI SHOU! (Cento e Vinte e Oito Golpes.) – SANBYAKUROKUJUUICHI SHOU! (Trezentos e Sessenta e Um Golpes.) – HAKKE: HYAKUNANAKUJUUNI SHOU! (Oito Trigramas: Setecentos e Vinte de Dois golpes!).
O intervalo entre o começo e o fim dos golpes não durou mais do que 10 segundos. 722 golpes desferidos em 9,5 segundos. Em uma média de 76 golpes por segundo. Era o fim da Cadela.
Ao finalizar do meu golpe, um impulso enorme de chakra a jogou contra as árvores caídas, fazendo um forte estrondo tomar conta do local.
A repulsão foi tão forte que levantou a poeira, novamente encobrindo a visão dos dois, ou melhor, dela, porque o Verme tinha aquele doujutsu.
—Que golpe... –Eu já sabia que ela tinha escapado. Eu só consegui ver a silhueta dela no meio da poeira, tinha desativado meu Byakugan porque o HyakuNanajuuNiShou exige muito de mim.
—Teria mesmo sido fatal, se ainda fosse a Sakura de três anos atrás... –Ela se aproximava cada vez mais. Eu iria ativar meu Hyakugan pra ver o estado em que ela ficou, mas ela saiu da poeira antes disso. –Mas eu não sou mais aquela Sakura...
A voz dela estava demoníaca, mas nada comparado à aparência dela.
—O... selo amaldiçoado... –Sussurrei novamente ativando meu Hyakugan.
—hunhunhun HAHAHAAHA!!! VOCÊ NÃO É A ÚNICA QUE TEM ALGO ESPECIAL! –Ela gritou completamente fora de si.
—Kami, o que vocês fizeram. Isso é coisa de idiota! Ninguém se submete a um experimento desse!
—TÁ COM MEDO, HINATA? TÁ COM MEDO DO MEU PODER?
—Esse poder não é seu, Haruno, e não importa o quanto mais feia você fique... –A fitei com um olhar tão sério que ela tremeu, mesmo estando monstruosa. –Eu nunca perderia pra você.
—Hn.
—Sakura, acabe logo com isso. –O Uchiha miserável ordenou, e ela logicamente atendeu.
Ela voou pra cima de mim, com um dos socos poderosos dela.
A transformação a deixou com a pele cinza. As unhas cresceram drasticamente, ficando quase com 10 centímetros de comprimento. Os cabelos deixaram de serem róseos para se tornarem escuros, quase negros. Os olhos eram apenas esferas negras, sem pupila e nem retina, apenas esferas negras. Das costas dela saiam dois fios estranho, de comprimento aproximado de 2 metros, eles pareciam ter vida própria e ficavam se movimentando freneticamente.
A velocidade dela deve ter quadruplicado, no mínimo, mas eu ainda era bem mais rápida que ela. Eu pulei pro lado e o soco dela acertou o chão, o transformando em pó.
—“Que força. Está muito mais forte do que eu. Não posso levar um desses socos, ou já era!” -Pensei me posicionando um pouco afastada dela.
—HAHAHA!! AGORA É A SUA HORA DE CORRER HYUUGA METIDA A HOKAGE!!
O parte que ela socou tinha virado pó, sem sinal de que aquilo havia sido algo sólido.
—Quando vai entender que eu sou mais forte do que você Sakura, sempre fui. –Disse de olhos fechados, completamente concentrada.
—QUERO QUE ME MOSTRE ISSO AGORA HINATA! MOSTRE QUE É MAIS FORTE DO QUE EU!! –Ela fez uma sequência de selos, e pude ver com o Hyakugan que a circulação de chakra dela estava completamente alterada e instável. Ela terminou os selos, e gritou o jutsu. –KATON: KARYUU ENDAN! (Estilo Fogo: Jutsu Fogo do Dragão)
Ela tinha aprendido jutsus elementares, e isso era algo ruim pra mim. Não sou soberba, tinha que admitir que ela estava bem mais forte do que antes. Nada que eu não pudesse dar conta, mas não seria tão fácil quanto eu havia calculado.
Me distanciei mais de onde ela estava, saindo do alcance daquela técnica de nível B, mas que devido à transformação escabrosa dela estava extremamente letal. Se me atingisse eu teria sérios problemas.
Pulei me afastando e ao mesmo tempo executando selos. Eu sabia alguns jutsus elementares, mas anda que pudesse parar aquela técnica dela. Esperei o fogo que ela lançou se esvair, e lancei meu jutsu em direção a ela. Era um jutsu forte, precisei de algum tempo para moldar o chakra necessário, e bem, ela mesmo providenciou minha distração.
—Hyouton: HYOUHYUU ENDAN! (Estilo Gelo: Jutsu do Dragão de Gelo).
Lancei uma variação do próprio jutsu que ela havia lançado anteriormente, mas dessa vez de gelo, e bem mais forte que o dela.
O meu Hyakugan não só me dava poder de controlar o gelo, como também aumentou os meus níveis de chakra. Podia lançar jutsus fortes sem me preocupar tanto com minhas reservas de chakra. Basicamente, quanto mais se lança jutsus, mais o Hyakugan molda chakra. Logo, ele era tão poderoso quanto mortal, já que eu deveria sempre estar de olho na quantidade de chakra que ele acumulava, para não sobrecarregar meu corpo e ter um colapso.
—COMO QUER ME DERROTAR COM TÃO POUCO, HINATA?? COMO ALGUEM TÃO FRACA FOI CAPAZ DE TOMAR O LUGAR DO MAIOR NINJA QUE JÁ EXISTIU?
Eu simplesmente a olhei com uma expressão de espanto. Pude até notar um certo incomodo por parte do Uchiha ao ouvir aquelas palavras saindo da boca da Cadela Rosa, mas afinal, ele mesmo havia mencionado que ganhou do Naruto-kun por inteligência, e não por força.
A Cadela havia esquivado facilmente do meu dragão de gelo, coisa que me deixou de certa forma impressionada. Fiquei imaginando o tanto de força ela havia adquirido com aquela transformação.
—A gente só tá começando, seu lixo. Te parabenizo por ter desviado do meu dragão, foi algo notável, mas... você morre agora. –meu sussurro foi precedido por uma onda maciça de chakra que tomou o lugar, fazendo a Cadela dar dois passos para trás.
Eu já estava cansada de tudo aquilo, queria brincar mais, mas a vila estava em perigo, sem contar que ela não era meu alvo principal, brincar com ela não tinha tanta graça, e, particularmente, eu não tinha o menor interesse em arrancar o coração dela e ver ele parando aos poucos de bater na minha mão. Não. Esse desejo estava reservado exclusivamente ao coração daquele Uchiha desgraçado.
Concentrei todo o chakra que o Hyakugan já tinha acumulado até aquele momento. Meu estilo de luta se baseava no seguinte designer: Utilizava meu chakra normal para lançar jutsus derivados do Hyakugan, a cada jutsus lançado o meu doujutsu acumulava chakra para os próximos jutsu, ou seja, basicamente o meu chakra era a faísca que acendia o Hyakugan, e em todos os jutsus que eu lançasse, e ele estivesse ativado, gastava apenas o chakra acumulado por ele, preservando o meu próprio, para que novamente eu pudesse “acender” o Hyakugan.
Dessa forma, concentrei todo o chakra que meu poderosos doujutsu havia acumulado até então, para lançar um jutsu indesviável: Iria acabar com a cadela no próximo movimento.
A pressão do ar subia cada vez mais, a Cadela tentava andar, mas estava difícil. O Verme pressentiu o perigo e levantou, me encarando com terror na face. Estranhei. Era sim um jutsu supremo, extremamente poderoso, mas eu achei que ele teria como deter, além de nem ser o meu jutsu mais forte.
O ar esquentou, as pedras começaram a dançar ao nosso redor, levitando e partindo-se em centenas de estilhaços, e esses estilhaços transformando-se em pó. O Hyakugan havia acumulado mais chakra do que eu imaginei, a Cadela seria pulverizada com aquilo.
—SAKURA, CORRA!
O grito dele fez a cadela acordar do transe que a pressão gerada por meu chakra havia criado. Eu achei que ele iria salvá-la, mas ele simplesmente a mandou correr.
—Corra pra lua, se conseguir... –sussurrei com meu cabelo encobrindo minha visão. A pressão também me afetava de certa forma, e os ventos que todo aquele acumulo de chakra geravam fazia meu enorme cabelo voar. –nem Sheeva te salva agora, sua vaca...
Ela me olhou aterrorizada. Tinha me impressionado com a força que tinha, mas comparada a mim, Sakura era apenas uma recém-formada da academia.
—Eu não quero morrer... –foram as últimas palavras dela. Logo uma esfera negra de 200 metros de diâmetro tomou conta do campo de batalha. Eu pretendia pegar os dois, mas o Sasuke acabou fugindo. Ele simplesmente correu 200 metros em 0.5 segundos. O desgraçado estava tão rápido quanto eu.
—NINPO NO HYAKUGAN: DAI AKUMAGAN!!! (Arte Ninja do Hyakugan: Grande Esfera Demoníaca)
Fim.
Minha personalidade havia modificado bastante minha forma de lutar. A Esfera Demoníaca simplesmente leva seu espírito para o inferno, ou melhor, para o Limbo. O Limbo era o lugar onde iam as almas dos mortos que desrespeitaram alguma divindade em vida. Desde criança nunca acreditei em divindades, mas foi um espanto pra mim descobrir que elas existem, que existe um “paraíso” e um “inferno”.
A esfera negra sumiu tão subitamente quanto apareceu. Mostrando uma casca sem vida. Um corpo jovem de uma mulher sem alma. Ela havia voltado ao seu estado normal. Cabelo rosa, pele clara e olhos verdes. Ela era bonita, pena que se perdeu.
Enfim, eu havia derrotado ela. Não, pior do que derrotado. Ela estava presa em um Limbo eterno. As pessoas no Limbo conseguem transitar pelo nosso mundo, mas são intangíveis, inaudíveis e não podem se comunicar. Basicamente ela agora era uma lembrança, mas estava viva. Ela estava só, por mais que chamasse, ninguém a ouviria ou a veria. É crueldade, eu sei, mas passei a não me importar.
—O que aconteceu aqui... –ele sussurrou voltado ao campo de batalha. Em menos de um piscar de olhos. Eu estava apreensiva, a velocidade dele estava começando a me preocupar.
—Eu simplesmente a aterrorizei pelo resto da eternidade. Vai vagar sozinha, sendo ignorada, assim como ela ignorou o Naruto-kun por tanto tempo.
—Isso é assustador. Você está de uma forma que o Naruto teria medo de você... –eu gelei. Ele tinha razão, e falava com uma sinceridade assustadora. Era como se ele estivesse me dando um conselho, e eu estranhei isso.
Ele notou o balançar das minhas emoções, mas simplesmente não se mexeu. Poderia ter tentado um golpe, talvez, com a atenção voltada às palavras dele, eu não conseguiria esquivar, mas não, ele simplesmente me encarou com aquele olhar indecifrável. Me olhando com se eu fosse um monstro, o que na verdade eu era, e não me importava.
—Eu preciso te matar, você é agora a única coisa que me impede de refazer o mundo, Hyuuga Hinata. –ele comentou ainda me encarando, aumentando o brilho do seu novo doujutsu. –Eu sou o rei do mundo, é meu dever me livrar de monstros como você.
Eu estava de certa forma adorando aquilo. Meu coração lutava entre a parte que o Naruto-kun aprendeu a amar, e a parte que ele simplesmente correria de medo. As duas partes eram eu! As duas me faziam feliz. E as duas eram essenciais pra mim. Mas eu sabia, não podia concilia-las...
—Monstro? Como eu deveria me sentir...? –sussurrei.
—Talvez mais por isso você é um monstro... não saber como se sentir depois de ter feito o que fez. Tudo o que eu fiz ou irei fazer é para mudar o mundo, o Naruto? O matei para criar um mundo de paz. Onde apenas eu mandarei, apenas eu jugarei o que é certo e errado, mas eu quero ordem. Quero a paz, mesmo que a busque através da guerra. Já você... –ele suspirou. Depois que aniquilei a Sakura ele pareceu mudar de atitude. Estava mais calmo, mais expressivo e diria até mais humano.
—Eu mato por diversão? –Contra argumentei. –Está errado, Uchiha. Eu não mato por diversão. Apenas me divirto matando HAHAHAHAH
Um vento forte soprou naquele campo de batalha assolado pelas preliminares de uma batalha épica. As duas figuras mais fortes daquela era iriam combater.
Sentia que cada vez mais meu lado perverso tomava conta. Meu lado assassina, aquele lado que passou a gostar do cheiro de sangue.
Eu tinha prometido a Baa-chan não matar o Uchiha, e eu estava realmente disposta a isso, mas encontrar ele cara a cara me fez lembrar de tudo o que ele fez ao Naruto-kun.
—ESSE PAPINHO DE PAZ NÃO COLA COMIGO, SEU MERDA! –ele ficou em alerta quando eu comecei a executar alguns selos. –HYOUTON: AMEHYOU SENBON!! (Estilo Gelo: Chuva de Senbons)
Lancei uma intensa chuva de senbons de gelo em direção a ele, que simplesmente ativou seu susanoo, impedindo que as senbons o perfurassem.
—“D-Desgraçada!”-sorri macabro após ele constatar que minhas senbons não eram simples senbons. Todas elas tinham marcações de Hiraishin, além de terem algo de muito especial, que eu estava guardando exclusivamente pra ele, que no final nem precisei usar.
—Aqui atrás, Verme imprestável... –sussurrei fazendo ele virar levemente o rosto carregando uma expressão de pânico para me encarar. –Juhou... RonYubi. (Dedo Gentil do Leão Solitário).
O atingi com meu leão solitário nas costas. Foi tão rápido que ele não teve tempo de ativar o Shinra Tensei, e pelo que pude notar, o Rin’negan dele não consegui absorver chakra, talvez por algum erro do Orochimaru.
Ele voou a mais de 15 metros, batendo em uma rocha. Podia ver com o Byakugan que seu Susanno havia sido destruído, e filetes de sangue escorriam de sua boca e testa.
—Tá com medo? –sussurrei simplesmente novamente atrás dele, olhando pro horizonte. A expressão que ele fazia, o medo em seu semblante. Era como se ele gritasse que não queria morrer, assim como a Cadela fez. Estava fácil de mais, e aquilo não me satisfazia.
Mandei o lado amoroso pra puta que pariu e conscientemente abracei meu lado vingativo: Vou matar o Uchiha.
—M-Merd... –ele não terminou, acertei outro Ronyubi em suas costas, dessa vez sem a proteção do Susanoo.
Estava chato. Ele tava apanhando que nem um bebê. Senti algo em mim dizer pra parar, que espancar bebês era errado, mas meu estado atual não permitia ter um conceito complexo do que seria certo e errado. Simplesmente continuaria, arrancando um membro dele de cada vez.
Dessa vez ele voou mais longe ainda, se machucando gravemente. Andei vagarosamente em direção a ele, começaria arrancando seu braço.
—JÁ MORREU?? QUE MERDA!! Como vou arrancar teu coração agora? –o ergui pelo colarinho, notando que ele já não respirava mais.
—Na verdade... –senti um gosto de metal na minha garganta, e pude notar a ponta de uma espada saindo da minha boca. –ele não morreu, só não aguenta mais lutar...
Senti minha garganta encher de sangue e meus sentidos me abandonarem aos poucos. A voz daquele desgraçado me fez tremer. Ele não estava ali na minha frente? Praticamente morto?
—kykKAAAAHHHH –ele rotacionou a espada na minha garganta, me fazendo sentir uma dor estridente. Estava difícil até mesmo para gritar, ele perfurou em um local estratégico. Me manteria viva, mas acabou com o movimento do meu corpo.
—Ainda consegue gritar? Você se tornou um monstro perigoso, igual ao Naruto. –ele rotacionava lentamente a katana na minha garganta, apenas pra me fazer sentir mais dor. –não tente... –ele sentiu que eu tentei mover o braço, talvez estava interceptando os pulsos elétricos que eram emitidos por meu sistema nervoso. –eu cortei a sua medula espinhal, seu cérebro não está mais ligado com o resto do seu corpo. –ele tirou a espada de uma vez, causando mais estrago ainda. Depois, me chutou com força, eu não podia amortecer a queda, já que estava sem o movimento dos braços e pernas. –basicamente agora você é uma tetraplégica. Não consegue falar, não consegue mexer os membros. Está incapacidade de me impedir agora.
Ele me olhava de cima, com uma expressão de superioridade. Minha garganta estava fechada com o acumulo de sangue, eu sei que estava, mesmo sem sentir. Meus olhos começaram a fechar, não sei se morreria, mas em todo caso, eles foram forçados a abrir depois de um chute forte que ele me deu no rosto.
—Nem sei se está ouvindo, mas talvez esteja curiosa quanto aquele clone ali, né? Aquele teu namorado era mais talentoso do que ele mesmo acreditava. Ele quem criou aquele clone. Hoton Bushin... –ele se aproximou e começou a me dar golpe de espada, por todo o corpo. Golpes rápidos, fortes, me fatiando, cruelmente me mutilando com a espada, meu corpo estava em frangalhos. Tiras de carne banhadas em sangue. Os poucos farrapos que sobraram da minha roupa estavam sendo mantidos em meu corpo apenas pela viscosidade do sangue. –um clone real. Quem imaginaria que isso fosse possível. Sem clonagem genética, instantâneo. Um segundo de você. Sem falhas, sem restrições. –eu ouvia tudo o que ele falava, e não sentia ele fatia meu corpo, o que só mostrava o quanto ele era sádico. O quanto nós dois éramos de certa forma, parecidos. –pesquisei sobre e descobri que o segundo tsuchikage, Muu, conseguia fazer isso. Se duplicar. Mas como era uma habilidade exclusiva dele, não podia ser replicada. Observava o Naruto de perto, e quem diria, ele evoluiu o Kage Bushin... Copiar essa técnica dele não foi difícil.
Eu ouvia com dificuldade o que ele estava dizendo, só via borrões, e em raros momentos, imagens um pouco mais nítidas. Nitidez que me permitiu observar os olhos sem expressão que ele possuía. Estranhei aquilo, novamente. Ele estava me dilacerando, mas parecia não se divertir com isso. Talvez ele não fosse tão parecido comigo, afinal.
Poucas coisas me passavam pela cabeça naqueles instantes. Pensava que não poderia voltar para o Naruto-kun. O Limbo era um lugar destinado apenas aos que desrespeitaram os deuses, então basicamente dificilmente alguém “iria pro inferno”, mesmo que tivesse sido um serial killer. Então, eu iria para o mesmo lugar que o Naruto-kun, mas... eu não podia encarar ele. Fiz minha escolha. Escolhi a escuridão, afoguei meu lado humano e abracei meu monstro.
Como eu amava o Naruto-kun. Como eu queria ter como pedir perdão. Ele me perdoaria sim, mas eu não me perdoaria. Eu não estava voltando atrás da minha escolha. Não estava renegando o meu monstro, agora que fiz as pazes com ele. Só... que agora que estava morrendo, queria mais uma vez a chance de, estranhamente, estar com o Naruto-kun quase se beijando e ser interrompida por qualquer coisa com a probabilidade quase nula de acontecer.
Todos os meus pensamentos. A vila, que provavelmente, sem mim, seria destruída. Minha vingança, minha impossibilidade de sentir o coração do Uchiha ainda quente batendo na minha mão, tudo isso rodeava meus pensamentos e esbarravam no rosto sem expressão daquela pessoa que cortava meus dedos dos pés, um por um.
—Não me divirto fazendo isso... –ele sussurrou enquanto decepava o ultimo dedo do meu pé esquerdo. Eu notei que ele falava a verdade. Ele não estava se divertindo com aquilo. –Eu só preciso exterminar de vez o mal do mundo. Você é um demônio, e vai ser meu exemplo para que todos saibam o quão terrível é tentar destruir a paz. Você, Hyuuga Hinata, é o modelo de justiça que irei implantar. Ninguém irá querer terminar como você, então todos viverão em paz. Simples, eficaz. –ele me levantou pelos cabelos, me levou até uma rocha próxima e cravou a espada entre meus seios, me grudando à rocha. Eu estava completamente nua agora, as roupas já haviam virado farrapos, mas o sangue era tanto que cobria completamente o meu corpo.
—Vê? Estou gravando tudo isso. –ele apontou pra uma câmera flutuando em um balão. –mostrarei isso a todos. Todos saberão que a lei é severa. Mas, bem... –ele se distanciou alguns metros, se colocando novamente a minha frente. –eu pretendia te estuprar, mas você está coberta de sangue. Vou finalizar isso agora mesmo. Te executar com um jutsu tão devastador que não sobrará uma única molécula inteira.
Provavelmente ele nem precisaria disso, em mais alguns segundos eu morreria. Perdi quase todo o sangue do meu corpo, respirava pelos furos que ele havia feito no meu pescoço, estava quase morta mesmo, então decidi me entregar de vez. Meu monstro rosnava. Me pedia pra lutar e entregar o coração do Uchiha em uma bandeja, mas como fazer isso? Não foi um descuido, foi uma estratégia engenhosa daquele verme, assim como ele fez contra o Naruto-kun, e no fim eu estava assim, inválida. Impossibilitada de executar minha vingança, de salvar minha vila. Apenas observando o clarão que se formava na mão dele.
—Raiton... KAMIHAKAI! (Estilo Raio: Destruição Celestial!)
O clarão aumentou. Ele lançou um ataque de eletricidade com um comprimento de nada menos que 50 metros. Fugir estava fora de qualquer possibilidade. O clarão aumentava à medida que a descarga devastadora de eletricidade se aproximava em câmera lenta.
Agora, perto da morte tudo estava lento, os pássaros, o golpe mortal daquele bastardo, os pingos do meu sangue que já começava a formar coágulos. Só algo esperneava bravamente em meio àquele mundo lento. Só algo se mostrava hiperativo, incansável, elétrico!
Meu demônio, meu monstro estava gritando por uma oportunidade de me vingar. Agora, não só pelo que ele havia feito ao Naruto-kun. Eu fui humilhada, dilacerada, e ele merecia sofrer por isso. Mas o que faria? Sem poder mover as mãos ou os pés, eu estava sem saída.
—Shine... –uma potente onda sonora provida da descarga elétrica descomunal veio logo depois do sussurro dele. Um trovão. Que agora eu escutava claramente.
O impacto do golpe parecia algo de outro planeta. O verme estava certo. Aquilo com certeza teria poder para evaporar qualquer molécula do meu corpo, mas... ele não contava com a determinação do meu lado demoníaco em ver sangue jorrando.
—NINPO... SOZOU SAISEI!!!! –meu grito foi rapidamente seguido de um estalo opaco, seco. Algumas costelas dele foram quebradas, poucas, pra falar a verdade. Devido a potência do meu soco, no mínimo um pulmão dele deveria ter sido expelido pela boca.
Fechei meus olhos respirando fundo. Com meu próprio poder. Da forma mais certa possível. Com o ar entrando graciosamente pelas narinas, sendo guiado pela faringe ao diafragma e chegando aos pulmões. Sorri levemente sentindo o ar frio bater na minha pele, que por estar completamente exposta, arrepiou-se.
Caminhei descalça, lenta e cuidadosamente até onde ele havia caído, pisando em uma das costelas expostas que ele tinha quebrado, a partindo por completo.
O grito agonizante me fez perceber duas coisas: Aquilo era bom de mais, e... aquele era o verdadeiro.
—im-i...impossível... –ele já botava sangue pela boca.
—O que? Eu estar de pé? Eu tenho que agradecer a você por isso. –me agachei em frente a ele. Ele ainda era perigoso, tinha o Rin’negan, mas naquele momento, eu não estava para brincadeiras. Ele simplesmente não conseguiria mais me machucar. Nem Kami me pararia agora. –sabe como funciona o sistema nervoso, bakayarou? –sorri meigo pra ele enquanto perfurava um dos seus pulmões com meu dedo indicador. Era quente, melequento. Exatamente como eu queria que fosse.
—já entendi... –os sussurros dele eram cheios de dor, e eu me orgulhava disso.
—O seu ataque de eletricidade funcionou como uma ponte entre meu cerebelo e o restante do corpo. Você cortou a conexão, foi até legal, mas depois burramente me deu a chave pra vitória. –eu o olhava com uma expressa de dúvida enquanto amassava seu saco com o pé. Ele se contorcia de dor, mas não fazia menção de se libertar, apesar de eu saber que ele poderia, ou talvez o estivesse superestimando desde o começo. –com essa ponte eu pude mexer novamente os braços, fiz o selo para liberar meu Sozou Saisei e pronto, Hinatinha nova em folha. Bom, tô pelada, mas não corro risco aqui, né? –sorri pressionando mais o saco dele com meu pé.
Levantei e o deixei agonizando por mais um tempo. Queria fazer ele sofrer, mas também queria fazer o que tanto disse que ia fazer.
—eu não sou tão fraco quanto pensa...
—Na verdade você não é fraco, foi mais um golpe de sorte que me fez vencer essa batalha. –sussurrei de costas pra ele, ouvindo ele levantar vagarosamente.
—A minha determinação... o meu desejo de um mundo melhor, eu não vou permitir que você jogue tudo isso no lixo, seu demônio!
Eu sabia que ele ainda tinha força, mas estava tão chato. Não iria matar ele agora. Ele estava destruído, com um buraco na lateral do corpo, por onde eu tinha arrancado uma de suas costelas. Com o saco estourado. Devia estar sentindo mais dor do que eu poderia ter sentido.
—Me mostre ao menos que merece que eu te odeie, Sasuke... –sussurrei sentindo a pressão do chakra dele. Para aquelas condições, era algo incrível.
Alguns segundos depois eu senti um enorme tremor no solo. Sabia o que aquilo significava.
—Lembro que o motivo pra você me odiar tanto –disse respirando fundo novamente. –foi eu ter destruído esse teu Susanoo... –me virei para encará-lo e dei de cara com aquele monstro de quase 20 metros
—Você é a coisa mais absurda que eu já vi. É uma anomalia, uma aberração. Eu vou morrer aqui, Hinata. O mundo vai cair nas suas mãos, nas mãos do demônio. Minha justiça, por mais cruel que parecesse, era uma saída para encontrarmos a paz. –ele tentou me atingir com uma daquelas enormes espadas, mas eu simplesmente desviei para o lado.
—Sasuke, Sasuke. Quando vai entender? Não vê que, mesmo sendo um demônio eu quero a paz? Não vê que mesmo querendo sangue, eu quero proteger minha aldeia?
O ar pesou, e meu Hyakugan brilhou. O brilho do meu doujutsu envolveu completamente meu corpo, expandiu e quando se dissipou mostrou que um demônio de gelo havia tomado meu lugar.
Era enorme, tinha o dobro da altura do Susanoo do Verme. Chifres de 4 metros, garras de gelos super afiadas. Duas asas enormes e pontiagudas e um rugido amedrontador.
Iniciamos uma luta ridícula, que tanto eu quanto ele sabíamos como acabaria.
[...]
—M-Meu deus... –não liguei muito para o sussurro dela. Continuei caminhando no meio daquele monte de ninja da folha.
—H-Ho... Hokage-sama... ele... ele está...
—Morto? Não, não. Prometi à Tsunade-sama que não o mataria. –disse sorridente ao meu ninja enquanto caminhava lentamente pelas ruas em direção à prisão.
Caminhava e olhava ao redor, vendo que a situação estava sob controle. Todos os invasores foram derrotados, incluindo Orochimaru.
—BAKAYAROU!!! –a palito de fósforo correu na minha direção, me deu um cascudo e me cobriu com aquela enorme jaqueta que a Baa-chan usa. –COMO... c-como pode andar... pelada pelo meio da vila???? –ela parecia transtornada.
—Ah, sei lá. Ele acabou destruindo minhas roupas. O que queria que eu fizesse??
Só então ela deu atenção ao que eu carregava. Em uma estaca de gelo amparada em meu ombro que atravessava sua garganta, justamente da forma que ele fez comigo, eu carregava aquele verme pendurado.
—S-Sasuke-kun...
—Ele ainda tá vivo. Bom, não sei por quanto tempo, mas enfim. To indo resolver isso, VOCES, LIMPEM A BAGUNÇA QUE ESSES MERDAS FIZERAM.
—HAI! –a maioria parou de babar pela Hokage pelada e começou a arrumar tudo.
Cheguei à prisão, e estava quase vazia. Fui a uma cela e sem qualquer piedade o joguei como um saco de lixo.
—Quero brincar... hihihihi –não sei o que mais assustou ele, o bisturi de gelo que eu fiz ou o sorriso macabro que se formou, meio que instintivamente, no meu rosto. Eu tinha decidido torturar ele por algum tempo, antes de finalizar da forma que eu tanto idealizei, que de tanto eu repetir, já deve ter se tornado clichê.
Não sei se ainda serei Hokage. Eu me entreguei à escuridão. Amo, e sempre vou amar o Naruto-kun, mas ele era humano. Falho. Ele não era perfeito. E por isso eu digo, Naruto-kun, você estava errado. Muitas coisas no mundo não têm salvação. Nem tudo pode ser resolvido com força de vontade e um lindo sorriso.
Eu me transformei num monstro quase sem sentimentos. E você, se quiser me ter, vai ter que aprender a apreciar a arte que existe em enfiar um bisturi no olho de alguém
Fale com o autor