Abrindo os Olhos
3 S3: Primeiro Beijo?
Notas iniciais
–Ah, Iruka-sensei... essa aula tá muito chata...
–Para de reclamar Naruto. Você é o pior aluno da sala e ainda fica reclamando da aula! –Ele disse ríspido me encarando. Não senti vontade de matar o Iruka-sensei, mas tive raiva dele. Porque me tratava daquele jeito? Pensei um pouco e tomei uma decisão.
–Ei, Iruka-sensei... –Chamei a atenção dele, mas nem por isso ele parava de escrever no quadro.
–Oi!? –Sussurrou ainda de costas pra mim.
–Por que você me trata assim? Você e todos?
Vi o Iruka-sensei parar de escrever e quebrar o giz que segurava. Ele não me respondeu. Pegou outro giz e voltou a escrever.
–Não faça mais perguntas idiotas. –Ele sussurrou.
Não sabia por que todos me tratavam daquele jeito. Talvez eu fosse feio, não sei. Mas acho que não sairia por aí perguntando. Pensando bem, até que poderia. Se fosse pra descobrir porque me tratavam daquele jeito, eu poderia sim passar por essa vergonha. Decidi perguntar isso para alguém da sala, de preferência uma menina. Dei uma olhada geral para decidir a qual garota pergunta. Rodei a sala com os olhos e parei na Sakura-chan. Ela até poderia, mas acho que não seria muito sincera, e ainda me bateria. Tremi e desisti de perguntar a ela. Olhei um pouco mais e parei na... Hinata? Uhn... acho que daria certo. Pelo pouco que eu conhecia a Hinata, ela era honesta e me falaria a verdade. Decidi que perguntaria a ela. Só espero que ela não corra ou desmaie como sempre faz quando... Tava nos meus pensamentos, até ouvir o Iruka-sensei falar.
–Muito bem turma. Amanhã veremos um pouco da história do Yondaime Hokage...
–O herói que salvou a vila da Kyuubi há 8 anos! -Exclamei eufórico. Eu nem sabia o nome dos outros Kages. Nem mesmo do terceiro, se não me engano é Sarutobi alguma coisa. Mas o Quarto Hokage era meu preferido. Eu sabia tudo sobre ele. Pensei até em mudar meu nome para Namikazi Naruto, já que eu não tinha família ou clã, mas desisti da ideia, até porque não seria possível sem ter algum parentesco com ele ou ele me adotar.
–Não pedi sua opinião, Naruto. –Ele disse com ódio na voz. Baixei o olhar e fitei a mesa. -Então é isso. Até amanhã.
A turma toda saiu correndo, mas eu fiquei na sala. Nem percebi quando ela ficou vazia, ou melhor, quase vazia.
Olhei pra frente e me vi sozinho, me levantei sem ânimo e comecei a andar para fora. Parei minha caminhada quando escutei um barulho atrás de mim, me virei e vi uma mancha negro-azulada atrás de uma das mesas, sendo massageada por uma pequena mão.
–Tá com algum problema? -Perguntei vendo que tinha alguém agachado atrás da mesa e que provavelmente tinha batido a cabeça na mesa. Não me responderam. –Vai me ignorar também!? –Indaguei triste.
–NÃO!
Tomei um susto com o grito dela. Agora que eu percebi, era a Hinata. Bem que eu podia ter ligado a cor do cabelo... deixa pra lá.
–H-Hinata... tá fazendo o quê ainda por aqui?
–B-Bem... eu... eu... só.. é que...
–Ah, Hinata , agora que eu lembrei. Eu sou feio? -Vi Hinata ficar vermelha derrepente. Não entendia o que tava acontecendo, por isso me aproximei dela. -Oê... Hinata..!?
–Ãh....
–Se não quiser responder tudo bem... –Disse me virando em direção à porta.
–E-E-Espera... N-Naruto-kun...
–Vai me responder? -Indaguei sorridente.
–P-Primeiro eu quero saber... p-por que e-está me perguntando isso...
–Bem, é que eu acho que é por isso que todo mundo me olhar estranho. E como você é a garota mais confiável da sala... –Falei sinceramente.
–E-Eu... sou? –Ela perguntou surpresa e com um sorriso lindo.
–Claro! Eu nem te conheço direito, mas sei que posso confiar em você! E então, você me acha feio?
–N-N-Na.... –Ela não disse nada, apenas foi desmaiando, novamente...
–H-Hinata! Hey, o que foi? Droga. Desmaiou de novo. O que eu faço!?
–Não chegue perto dela, garoto. –Me virei para a porta e vi um cara, que certamente era parente dela, entrando.
–Q-Quem é você? –Indaguei preocupado.
–Isso não importa, só fique longe dela. –Ele disse. Estranho, não notei ódio na voz dele. Pelo menos não na intensidade que todos usavam. Tava mais pra... medo!?
–M-Mas ela desmaiou, eu tenho que ajudar.
–Não precisa, eu sou o guardião dela.
–G-Guardião!?
–Por favor, não se aproxime mais da Hinata-sama. –Disse aquele cara pegando ela nos braços e saindo. E ela nem teve tempo de me responder.
–Hey, O-chan, ela desmaia muito, isso pode ser alguma coisa. Prometa que vai levá-la ao hospital! –Disse sério.
–Não precisa você pedir.
–Fico feliz por isso...
E ele saiu. Logo depois eu saí também.
Não tinha porque voltar pra casa cedo, por isso fiquei andando por aí. Só para me magoar mais. Ver as crianças sendo levadas para casa nos ombros dos pais não me ajudou muito, devia era ter ido logo pra casa. Mas tudo bem, já tô aqui mesmo, vou comer um ramen! Tomei minha decisão e me dirigi à barraca do Teuchi-Ochan. Não só porque era a única que me atendia, mas também porque é o melhor ramen da vila, apesar de ser o único que eu experimentei, eu tinha certeza disso.
–Oh, Naruto. –Ele disse quando me viu sentar.
–Yo, O-chan!
–O de sempre? –Ele perguntou, mesmo sabendo a resposta.
–Pode apostar! –Respondi animado e ficamos conversando enquanto ele preparava o meu ramen.
–E então, o que tem de novo.
–Hun... acho que nada. Ah, eu acho que descobri porque os moradores me tratam mal!
Vi o tio parar o que estava fazendo e tremer derrepente.
–E-E o que... seria...!?
–Eu acho que é porque me acham feio... –Disse em um tom baixo.
–O-O quê? –Ele sussurrou.
–Você ouviu tio!
–Então... é isso? Você acha que te tratam mal por te acharem feio? HAHAHAHAHAHAHAHAH Garoto, você é mesmo uma figura!
–Tá rindo porque tio? –Perguntei chateado.
–Da sua dedução idiota!
–Não é idiota! Eu não vou ligar pra você, afinal você é homem!
–Não por isso... Ayame!
-Hun... Otou-san.
–Filha, você acha o Naruto feio?
–O Naruto-kun? De onde tiraram isso? Ele é uma gracinha! –Disse a Ayame-neechan dando a volta no balcão e me enchendo de beijos.
–V-Você... também não... vale! –Tentava dizer entre os beijos da Ayame-neechan.
–E porque não? –Ela perguntou me soltando.
–Ah, você... ah, você me conhece a muito tempo! –Tentei inventar uma boa desculpa, que até tinha algum nexo.
–E o que isso tem a ver? –Indagou o tio.
–Sei lá, é só que ela tá acostumada com minha feiúra...
–Ah Naruto, não fica assim. Você não é feio... –Disse a Nee-chan.
–Saber disso não me deixa feliz... –Sussurrei cabisbaixo.
–P-Por que tá dizendo isso, Naruto? –Perguntou a Ayame-neechan.
–É porque ele tava pensando que o motivo de tratarem ele mal é porque o acham feio. –O tio respondeu por mim.
–Ah, era!? Então, você é a gracinha mais feia da vila!
–Sabe que isso não faz sentido, né, Ayame-neechan... –Disse sorrindo de canto pra ela.
–Eu sei, só queria te ver sorrir!
Desta vez eu sorri mais ainda. Podia não ter uma mãe e um pai pra dizerem que eu tinha chegado atrasado ou então que eu estava todo sujo, não tinha isso, mas tinha o Teuchi-Ochan e a Ayame-neechan. Eles foram a minha primeira família. Tudo bem que não me tratavam exatamente como um membro da família, mas só me deixar comer lá era uma prova de carinho.
–Arigatou, Ayame-neechan!
–Aqui tá seu ramen Naruto!
–Valeu Tio! Acho que nem preciso mais perguntar pra Hinata se eu sou feio.
–Você ia perguntar? Ela é alguma coleguinha sua? –Perguntou o Tio.
–Hai e Hai. Na verdade eu cheguei a perguntar, mas ela desmaiou antes de me responder.
–E-Ela desmaiou? –Indagou Ayame preocupada.
–Foi. Na verdade ela quase sempre faz isso, quando eu chego perto dela.
–E me diz uma coisa Naruto, essa garota é muito tímida? –Perguntou o Tio com um estranho sorriso.
–É sim, como sabe?
–E ela também cora quando você chega perto? –Ele nem ligou pra minha pergunta.
–É tio, isso aí. Mas como é que o senhor sabe?
–Bem... é porque eu sou velho, Naruto.
–Velho? Mas isso não tem nada a ver tio...
–É porque você ainda não entende Naruto, mas logo entenderá.
–Não tô entendendo nada...
–Mas foi exatamente o que eu disse! –Ele falou rindo de mim.
–Tá tio, já ouvi... –Disse quase já terminando meu ramen.
–Escuta Naruto, essa garota te trata mal? –Ele perguntou. Eu não tava estranhando as perguntas dele, pra mim era só pra puxar assunto.
–N-Não, ela nunca me ofendeu... mas também nunca falou comigo, bem, algumas poucas vezes.
Ele ficou pensativo.
–Porque você não tenta ser amigo dela? –Ele disse me fazendo sorrir.
–É mesmo! Ela nunca me ofendeu, quem sabe ela queira brincar comigo! Nossa tio, espero ser esperto assim quando for tão velho quanto o senhor!
–Bem, eu ainda tenho muita juventude. Mas realmente, quanto mais velho, mais sábio...
–AHHH!! Tava uma delícia tio! Arigatou. –Disse terminando meu ramen.
–Não há de quê...
–Até amanhã tio! Eu passo aqui antes de ir treinar!
–Nem precisa avisar!
Sai correndo em direção a minha casa. Cheguei rápido, tomei um banho e dormi. Por sorte os vizinhos não fizeram os barulhos que sempre faziam pra impedir que eu dormisse. Não sei por que me deram essa folga, mas mesmo assim, eu já estava tão acostumado que já dormia com aquele barulho. Mas graças a Kami eles me deram um descanso, que eu realmente tava precisando. Precisava de tempo para pensar no que o O-chan disse. Realmente a Hinata podia ser minha amiga, como eu nunca percebi isso antes? Tudo bem que outras pessoas também não me xingavam, mas elas me olhavam com medo. E também se afastavam de mim, coisa que a Hinata não fazia. Decidi que no dia seguinte iria conversar com a Hinata. Dormi tranqüilo com aquele silencio.
Acordei muito bem no dia seguinte. Levantei, fiz minha higiene, tomei um cafezinho e me dirigi ao Ichiraku. Como costumava fazer, saboreei meu ramen matinal e me dirigi ao meu campo de treinamento. Não era exatamente um campo de treinamento, porque nos campos não me deixavam entrar. Eu treinava em uma floresta, dentro da vila. Era até melhor porque ninguém olhava meu treinamento e não sabiam das minhas técnicas. Não que eu tenha algum, mas...
Cheguei a minha floresta de treinamento pensando no tanto que eu ia ficar forte. A tarde eu iria pra academia e conversaria com Hinata, aproveitaria para ter a minha resposta, apesar de que já não importava mais. Estava me aproximando do local que geralmente treinava quando escuto uns barulhinhos muito estranhos, pareciam umas chupadelas acompanhadas de murmuros indecifráveis.
–Ña...rutõ-kun...
“T-Tá vindo do meu campo de treinamento!? E sabe meu nome!? E-Espera, essa voz...”
Me aproximei mais de onde vinha o som e arregalei os olhos com o que vi.
–Eu... te ãmo..ñaruto-kuñ....
Não acreditei no que tava presenciando. A Hinata estava beijando uma árvore e dizendo que me ama! Não consegui me mover, estava hipnotizado. Graças a Kami eu estava atrás de uns arbustos, porque se ela me visse, com certeza iria desmaiar.
–HINATA-SAMA!!!!
Um grito me vez despertar, e ela também. Ela virou paralisada, com os olhos enormes.
–T-T-Tô a-aqui... Ko-niisan! –Ela respondeu e logo um cara, o mesmo eu a levou da academia ontem, apareceu.
–O que está fazendo aqui Hinata-sama? –O cara perguntou.
–É que... e-eu... é que este lugar é especial pra mim... –Ela respondeu sussurrando. Estranho, não sabia que outras pessoas conheciam minha floresta de treinamento.
–E por quê? –Ele perguntou interessado.
–N-Nada não...
–Bem, se não quer dizer, não diz. Mas agora temos que ir, seu pai quer lhe passar algumas lições antes da academia.
–Mas eu não gosto de treinar com o papai... –Ela disse tristonha enquanto fazia a carinha mais fofa que eu já tinha visto.
–Mas Hinata-sama, você tem a oportunidade de ser treinada pelo membro mais forte do clã, não devia desperdiçar essa oportunidade.
–Eu sei... é que...
–Você quer desistir de ser forte?
–NUNCA! Eu não volto atrás com minha palavra, esse é meu nindo!
Aquelas palavras da Hinata me chocaram. Senti alguma coisa dentro de mim. Estava quente, feliz, senti pela primeira vez na minha vida... Paz! Era incrível, sentia que os anos que fui humilhado nunca existiram. Sentia que sempre havia sido feliz, que eu era a pessoa mais feliz do mundo. Me sentia flutuando, era incrível!
–Nindo!? –O cara perguntou.
–H-Hai... eu nuca desisto e nunca volto atrás com a minha palavra.
–Interessante, onde aprendeu isso?
–Eh... c-com um amigo...
–Amigo?
–H-Hai. Ele ainda não é forte, pra falar a verdade, ele é o pior aluno da sala, mas eu sinto que ele será o ninja mais importante do mundo.
–Hinata-sama, por acaso esse “amigo” é aquele garoto loiro? –Ele perguntou preocupado.
–H-Hai. Mas como sabe?
–Hinata-sama, eu já disse que não pode se envolver com aquele garoto.
–Mas porque não? Ele é tão legal! –Ela assumiu uma postura que eu jamais havia visto nela. Estava concentrada, decidida. Dei um enorme sorriso quando ela disse isso.
O cara a olhava espantado. Com certeza não esperava essa reação dela.
–Bem, eu não posso explicar, só não quero que se envolva com ele!
–Se não me der um motivo, eu não posso obedecer! –Ela disse séria. Foi muito legal ver a Hinata mostrar aquele comportamento. Notei que ela era forte, decidida, só precisava do motivo certo.
–H-Hinata-sama, porque tá falando assim?
–Porque você tá sendo injusto! Não pode julgar uma pessoa que você nem conhece. Não sei o porquê de você querer que eu não me aproxime dele, mas sei que não posso fazer isso.
–Hinata-sama...
–Não posso ficar longe dele por dois motivos. Um: Não sei o motivo de me querer longe dele, e Dois: Nada, absolutamente nada pode me fazer ficar longe dele, por que... eu o amo!
Fiquei mais chocado do que quando a vi beijando a árvore enquanto dizia que me amava. Escutar ela dizer aquilo tão séria e com outra pessoa ouvindo foi muito bom, fiquei muito feliz.
–H-Hinata-sama... –Já tinha perdido as contas de quantas vezes ele falou o nome dela. Com certeza estava impressionado com a Hinata.
–Ko-niisan, eu era uma fraca, que sempre desistia das coisas. Até minha irmã mais nova era melhor do que eu, mas isso mudou quando eu o conheci. E depois... naquele dia, naquele dia que ele me salvou daqueles meninos eu me apaixonei por ele.
–Mas Hinata-sama, você é só uma criança, como uma criança de 8 anos pode dizer que tá amando alguém?
–Posso não ter maturidade pra saber o que é amor, mas sei que o que sinto por ele não é passageiro. Eu não sei o que se sente quando se está apaixonado, mas sei que não quero ficar longe dele nem por um minuto. Dói bem aqui quando ele passa por mim e nem me nota. –Ela disse pondo a mãzinha no peito. Nessa hora eu senti vontade de chorar. Me sentia o monstro que os aldeões diziam que eu era. Pensei em correr até ela e lhe abraçar, mas acho que se fizesse isso iria trazer problemas pra ela, já que aquele cara não me queria perto dela.
–Você é uma menininha muito especial sabia? –O cara disse surpreendendo a mim e principalmente a ela.
–P-Por quê?
–Bem, primeiro você é a princesa do clã mais poderoso de Konoha, mas isso não é o que te faz mais especial.
–N-Não?
–Não. O que realmente lhe faz especial é esse seu jeito de ver tudo. Nunca pensei em escutar essas palavras saindo da boca de uma criança.
–E como isso me faz especial?
–Hinata-sama, a maioria das crianças da sua idade só se importa em brincar, correr e fazer coisas de criança, o que é a lei natural da vida. Mas você... sinto que já é uma mocinha. Se seu pai soubesse a filha responsável que tem, com certeza sentiria ainda mais orgulho de você.
–Você acha? –Ela perguntou com um sorriso mais lindo que o anterior.
–Claro. Sei que uma criança que cresce rápido demais é muito triste, mas você é uma garotinha esperta, sabe conciliar as duas coisas.
–Então, porque o papai não me nota? Nem o Naruto-kun?
–Hinata-sama, a vida é assim mesmo. Você vai ver que tudo vai acontecer no momento certo.
–Será? Eu tô com medo... e se isso nunca acontecer?
–Tá vendo!? Eu disse que você é especial. É natural uma criança sentir esse tipo de medo, mas tenho certeza que se nesse exato momento o Naruto-kun estivesse em perigo você não hesitaria em ajudá-lo.
–NÃO MESMO!
–Não acredito que já cresceu tanto... daqui a pouco não vai mais precisar de mim e vai me abandonar. –Ele disse triste. Era clara a veracidade nas palavras dele.
–Não pense assim, Ko-niisan, eu nunca o deixaria! Você fez mais o papel de pai do que meu próprio pai!
–Não fale isso Hinata-sama, seu pai lhe pressiona tanto porque ele sabe do seu potencial.
–É.... mesmo?
–Claro. Olha, não diga pra ninguém, mas ele me disse que te deixou na minha proteção enquanto ele ficava na proteção da Hanabi-sama porque sabe que ela precisa mais dele do que você.
–Ele disse isso? –Vi Hinata mostrar um sorriso enorme.
–Disse sim. Só não diz que eu te disse.
–Pode deixar!
–E então, vamos treinar?
–Hai! Quero ficar forte que nem o papai. Ainda falta impressionar uma pessoa!
–Já até sei quem é. Olha Hinata-sama, eu ainda não aprovo o seu convívio com aquele garoto, mas eu prometo que não o julgarei ainda.
–Sério!?
–Sim. Apesar de que a primeira impressão não está sendo muito boa. –Ele disse olhando na minha direção. Eu gelei, tenho certeza que ele sabia que eu estava lá. Mas a culpa não é minha, aquele é meu campo de treinamento. Eles é que tão invadindo.
–C-Como assim? –Ela perguntou.
–Deixa pra lá. Vamos logo que daqui a pouco você vai pra academia.
–Eu posso falar com o Naruto-kun?
–Hai, hai... –Ele disse.
Os dois saíram e eu caminhei até onde eles estavam. Olhei ao redor procurando alguma coisa que eu nem sabia o que era, talvez a Hinata? Foi pensado nisso que eu me virei para a árvore que ela estava beijando.
–Hinata....
Caminhei lentamente em direção à árvore e parei bem em frente a ela. Meu corpo mexeu sozinho e quando percebi, já estava com os lábios colados na árvore, exatamente onde estavam os da Hinata. Foi estranho, eu senti um gostinho doce e muito gostoso. Pensei que seria seiva da árvore, mas aquele tipo de árvore não liberava seiva, o tronco era parecido com eucalipto. Fiquei um tempinho com os lábios colados na árvore pesando no que tinha presenciado. Minha mente de 8 anos era muito imatura, mas eu sabia que estava gostando das palavras que a Hinata disse, e principalmente, de sentir o gostinho doce que ela deixou na árvore.
“Então, ela me ama.... E eu querendo só a amizade dela. Nem quero pensar no sofrimento que ela passaria quando eu dissesse que queria ser amigo dela... Kami, o que eu ia fazer! Iria fazer uma menininha linda sofrer... ou melhor, sofrer mais. Não posso permitir que ela sofra mais, e principalmente por minha culpa! Hoje vou conversar com ela. Dizer que ela é linda, que ela é forte, que tem os olhos mais lindos que eu já vi... e que...”
–Devia ter aparecido, ela iria gostar muito.
Ouvi a voz daquele cara atrás de mim. Tomei o maior susto da minha vida! Acabei batendo minha testa do tronco da árvore, o que deixou uma grande mancha vermelha.
–QUAL É TIO? QUER ME MATAR? Vociferei levantando.
–Não faria isso com a Hinata-sama. –Ele disse rindo de mim.
–O-O que você viu? –Perguntei sem jeito.
–Tá perguntando a respeito de estar com a boca no mesmo lugar que a da Hinata-sama estava?
–Eh... é isso...
–Não precisa ficar sem jeito, eu já sabia que você tava escondido desde o começo.
–Eu percebi... –Disse emburrado.
–Bom, eu não vim aqui só pra rir de você. Eu vim tratar de um assunto muito sério. –Ele disse com seriedade.
–Pode falar, estou ouvindo. –Respondei quase na mesma seriedade que ele.
–Presumindo que você ouviu tudo, você sabe o que a Hinata-sama sente por você.
–Hai, eu ouvi....
–E então, o que sente por ela?
Essa pergunta me pegou desprevenido. Era lógico pra mim que eu amava a Sakura-chan, não era? Sei lá... A cena que presenciei mexeu muito com minha cabeça. Decidi falar o que tava passando depois do que vi e ouvi.
–Eh... eu costumava dizer que amava uma garota da nossa classe. Se tivessem me perguntado se eu ainda a amo antes desse acontecimento, minha resposta seria um sim muito claro, mas agora... não sei o que dizer. Nunca tinha percebido a Hinata, ela é tão doce e feroz, lidinha, carinhosa...
–Bem, vou dizer a mesma coisa que disse à Hinata. Você é só uma criança! Não pode dizer que está amando alguém.
–Mas eu não disse que a amo.
–Mas você disse que amava a outra garota.
–T-Tem razão. Eu não sei mais o que eu sinto. Estou estranho, não pensaria duas vezes antes de dar minha vida pra salvar a Hinata.
–Tem certeza que pensa assim? –Ele perguntou.
–Absoluta!
–Bem, Naruto-kun, eu não aprovo a sua interação com a Hinata-sama, mas prometi a ela que lhe conheceria melhor antes de julgar.
–Eu ouvi essa parte...
–Eu sei garoto! Bom, que tal irmos buscar a Hinata-sama pra levá-la pra academia?
–S-Sério?
–Hai. Se você quiser, claro.
–Não sei, estou com medo do que ela pode dizer. Hoje eu acordei com o pensamento de me tornar amigo dela, mas já não sei o que pensar.
–Com certeza ela irá corar e talvez desmaiar. Eu entendo se não quer ficar perto dela.
–QUEM DISSE ISSO?
–Você! Indiretamente, você disse que não quer estar perto dela.
–EU NUNCA DISSE ISSO!
–T-Tá bom, então quer dizer que você aceita ir buscá-la comigo?
–Aceito! –Falei decidido. Não sei o que faria quando estivesse perto dela. Não conseguia tirar da cabeça a cena de ela beijando a árvore e dizendo que me amava. E depois, eu fiz a mesma coisa! Não sabia o que tava acontecendo, só sabia que estava nervoso, empolgado, confuso, feliz... tudo isso só cogitando encontrá-la.
–Então, vá em casa e se arrume.
–T-Tem razão, eu tinha esquecido que também vou pra academia.
Ele se despediu e foi embora, eu rapidamente me dirigi para casa. Estava eufórico pra rever a Hinata. Tomei um banho e me preparei pra academia. Quão grande foi minha surpresa quando os encontro parados do lado de fora da minha porta.
–K-K-Ko-niisan... o-o que é isso? P-Porque estamos na c-casa do Naruto-kun? –Hinata perguntou. Ela estava completamente corada, em uma tonalidade completamente diferente das que eu já tinha a visto corar.
–Eu disse que um amigo nos acompanharia, não disse?
–S-Sim... mas...
–Você não quer que ele nos acompanhe?
–Quero sim! É só... que...
–C-Como achou m-minha casa? –Perguntei gaguejando devido ao nervosismo. Estava completamente atordoado com a presença da Hinata.
–Não foi difícil, eu te segui... –Ele disse disfarçando.
–Seguiu!? Isso é errado.
–Que seja, vai nos acompanhar ou não?
–C-Claro.... –Disse já saindo de casa.
Estávamos andando quando o guardião dela, Ko eu acho, começou a andar por um caminho diferente.
–K-Ko-niisan... a-aonde está indo? –Ela sussurrou.
–É um atalho. –Ele disse muito sério.
–Atalho? Mas eu conheço essa vila muito bem e sei que não tem atalho por aqui!
–Não pedi sua opinião. –Ele sussurrou ríspido.
–O que aconteceu, Ko? –Hinata perguntou.
–Aconteceu que vocês dois vão morrer agora! –Ele disse puxando uma kunai.
–O-O-O que é i-isso? –Ela sussurrou assustada.
–Eu já disse, vocês vão morrer hoje! –Ele disse sério. Eu estava muito assustado. Sentia que iria morrer, mas quando olhei pro lado e vi que a Hinata estava muito assustada eu não me controlei, fiquei na frente dela com os braços abertos.
–Corre... –Sussurrei olhando pra ela por cima do ombro.
–C-Como!?
–Corre, eu seguro ele até você ter fugido. Ele é muito mais forte do que eu, então você terá pouco tempo. Vou segurá-lo o máximo que puder.
–Não, eu...
–Hinata! Não vou deixar esse cara te fazer mal!
–Então, quer se sacrificar pra salvar a Hinata-sama? –Indagou o cara.
–Hai. Se você deixá-la ir eu não revido.
–Não, Naruto-kun...
–Hinata, não conseguiria viver se esse cara te fizesse algum mal...
–Quer dizer que se eu deixar a Hinata-sama partir, você me deixa matá-lo?
–Hai. –Falei sério, fitando o cara.
–E você, Hinata-sama, o que tem a dizer?
–Eu não vou! Não sei o que foi que eu fiz pra você querer me matar, mas tenho certeza que fui eu. Não tem porque você matar o Naruto-kun também, mate somente a mim!
–Hinata! –Falei sério.
–Você não pode morrer Naruto-kun, você ainda não virou Hokage. E você nunca volta atrás com sua palavra, esse é seu nindo!
–Nosso nindo! –Eu disse e vi uma feição de surpresa se formar no rosto dela. –E eu tenho outro objetivo que não posso deixar de lado. –Falei surpreendendo ela e o Ko. –Eu juro que vou te proteger, e eu nunca volto atrás com minha palavra! –Disse firme.
–Naruto...kun...
–E então, vai deixá-la escapar? Se não, se prepare pra lutar!
–Pois bem, se aproxime que eu a deixo fugir. –Ele disse.
–É agora. Não sei se ele vai cumprir a parte dele no acordo, então, quando ele estiver me matando, você corre! –Sussurrei a fitando com um sorriso e algumas lágrimas.
–Não!
–Hinata, tem que ser assim. Um dos dois pode sobreviver, e tem que ser você!
–Se é pra morrer, eu morro junto!
–Deixa de ser cabeça dura Hinata!
–Você é quem tá sendo não me deixando morrer ao seu lado. Não posso te ver morrer Naruto-kun, porque.... eu te amo... –Ela disse me fitando, já chorava descontroladamente.
–Eu sei, e é por isso que você tem que viver. Não posso te ver morrer porque... eu te amo... –Lancei um sorriso pra ela e logo depois corri pra perto do Ko. Parei bem em frente a ele. –Estou aqui, faça o que tem que fazer. E por favor, não mate a Hinata. –Disse de olhos fechados, é esperando o golpe.
–Não se preocupe, não a matarei. E com certeza eu farei o que tenho que fazer.
Nesse momento eu senti braços me envolvendo. Tinha certeza que era a Hinata.
–Mate a nós dois! -Ela sussurrou me abraçando forte pela cintura e com a cabeça colada nas minhas costas.
–Podem abrir os olhos crianças, não vou fazer mal à vocês. –O cara disse com uma voz calma. Fui abrindo os olhos lentamente e olhei pra cima, vi que Ko estava com um sorriso enorme no rosto.
–N-Não vai... nos matar!? –Perguntei intrigado.
–Não, jamais faria isso com a Hinata-sama, e agora com você, garoto. Você conquistou minha confiança.
–D-Do que tá falando!?
–Me desculpe, mas eu precisava testar seus sentimentos pela Hinata-sama. Tinha que ter certeza que a amava com tudo.
–É mesmo? Mas quase que nos mata do coração! –Disse emburrado. Só aí percebi que a Hinata ainda me abraçava por trás.
–Desculpe, mas até que foi divertido...
–DIVERTIDO PRA QUEM?
–G-Gomen... –Ele disse com um sorrisinho nos lábios.
–Hinata, tá tudo bem? –Perguntei ao notar que ela estava muito calada, mais que o normal se tratando da Hinata. Ela assentiu balançando a cabeça, que estava encostada nas minhas costas.
–Parece que vocês têm muitas coisas pra conversar.... –Ele disse já se distanciando. –Mas lembre-se garoto, BYAKUGA! –Ele disse e logo aquelas veias apareceram. Rapidamente ele se distanciou, notei que ele estava longe, mas sentia que os olhos dele olhavam diretamente nos meus. Deixei isso de lado, agora teria um assunto muito importante a tratar.
–Hinata... –Sussurrei ainda com ela colada nas minhas costas, me abraçando com força.
–Uhn...
–Está confortável? –Perguntei baixinho pra não me movimentar muito. Senti ela assentir balançando a cabeça. –Então, você me ama? –Perguntei já sabendo a resposta.
–Hai, desde a primeira vez que eu te vi gritando pra todo mundo que iria ser Hokage. Naquele dia eu passei a te admirar, mas quando você me salvou daqueles garotos, eu descobri que estava apaixonada por você.
–Sei... aquele dia.
–Gomen, Naruto-kun. Gomen por não ter te ajudado. –Ela disse se mexendo nas minhas costas.
–Tudo bem, acho que já sei por que não foi me ajudar.
–Gomen...
–Para de se desculpar... –Disse sorrindo.
–G-Gomen... ah.. gomen por me desculpar... gom...
–Tá, já entendi. –Disse sorrindo. Apertei as mãos dela que estavam grudadas em meu peito. – Que tal a gente sentar embaixo daquela árvore? –Perguntei apontando para uma grande árvore próxima.
–Tá bem... –Ela respondeu ainda grudada em mim.
–Mas.... acho que não vai dar pra andar com a gente grudado assim... –Disse sabendo que ela ficaria mega corada.
–Então eu não quero ir. Quero ficar aqui, desse jeito mesmo.
–Tive uma ideia melhor. Por que não sobre nas minhas costas, eu te dou uma carona.
Ela mal terminou de escutar e já foi logo subindo nas minhas costas, relaxando o queijo na curva do meu pescoço.
–Tá gostoso?
–Uhun.... –Ela murmurou.
Comecei a andar em direção à árvore.
–Quer descer? –Perguntei.
–Não. –Ela respondeu de imediato.
–Tá bem, então não conversamos....
–Eu não ligo, quero ficar aqui.
–Nem se eu for falar que te amo?
Ela desceu rápido das minhas costas. Pude ver que ela estava completamente corada.
–E-Então, era sério mesmo? –Ela perguntou sorridente.
–O quê? –Fingi que não sabia do que se tratava.
–Que você me ama!?
–Sim, é sério... E a propósito, até já damos nosso primeiro beijo...
–C-Como assim? –Ela perguntou espantada.
–A árvore. Quando você saiu, eu fui lá e beije a árvore também.
Ela corou mais ainda. O rosto estava quase que em vermelho vivo. Percebi que os olhos dela não tinham mais foco, sinal que ia desmaiar.
–V-Você...v-viu...!?
–Eh... foi sem querer... eu fui treinar e quando cheguei, te vi lá.
Ela não resistiu, começou a cair lentamente. Por sorte eu estava bem perto dela, perto o suficiente para pegá-la antes que chegasse ao chão.
Sentei ao pé da grande árvore e a deitei no chão gramado, deixando a cabeça dela repousar no meu colo. Fiquei uns 10 minutos fazendo carinho nela até que ela acordou.
–O-O que aconteceu? –Ela perguntou abrindo vagarosamente os olhos.
–Sei lá, acho que você desmaiou de novo...
–Desmaiei?
–Desmaiou.
–De novo?
–De novo.
–Gomen...
–Por quê?
–Por ter desmaiado no meio da nossa conversa...
–Tá tudo bem, eu fiquei esse tempo todo fazendo carinho na sua cabeça. –Disse sorrindo pra ela, que corou muito quando percebeu que estava com a cabeça no meu colo, mas não saiu e eu continuei com o carinho.
–V-Vamos terminar a c-conversa? –Ela sussurrou.
–Sim, mas vai ser bem rápido.
–P-Por quê?
Nesse momento a fitei nos olhos e lhe sorri enquanto tocava delicadamente sua face com as costas da minha mão.
–Quer ser minha namorada? –Perguntei diretamente. Pra minha surpresa, ela não corou mais, ficou no mesmo tom que tava antes.
–Quero. –Ela respondeu com um sorriso iluminado.
Eu baixei minha cabeça e a beijei na testa.
–Não que eu me importe, mas acho que já estamos atrasados pra academia...
–É mesmo, nem me lembrava. –Ela disse com um sorrisinho meigo.
–Parece que já se acertaram. –Comentou Ko se aproximando.
–Foi sim, somos namorados. –Eu respondi com um enorme sorriso.
–Mas já? Pensei que esperariam mais um tempo.
–Já temos 8 anos Ko-niisan, quase 9. Não precisamos esperar mais.
–Ah não!? Então, o que namorados fazem? –Ele perguntou me fitando não sei por que.
–Eh... se beijam!? –Respondi sem jeito.
–É, isso mesmo.... –Ele falou.
–E andam de mãos dadas! –Ela falou levantando e segurando minha mão, me obrigando a levantar também.
–Vocês vão mesmo andar de mãos dadas pela vila?
–Não. –Respondi sério. –Acho que se os moradores nos verem de mãos dadas, vão xingar a Hinata também. E eu não quero isso.
–Isso não é motivo, Naruto-kun.
–É sim. Se alguém te ofender eu não vou me segurar e vou partir pra cima.
–É isso mesmo! Se alguém se meter com ela, você parte em dois! –Ko disse sorrindo pra mim.
–K-Ko-niisan, não o incentive!
–Ele tem razão Hinata. Se alguém mexer com você, eu o parto em dois!
–Tá, mas acho melhor correrem, a aula começa em vinte minutos.
–Não vai nos acompanhar? –Indaguei.
–Não. Preciso fazer uma coisa antes. –Ele respondeu com um estranho sorriso nos lábios.
–Então tá. Vem Hinata! –Disse segurando sua mão e a puxando.
Saímos correndo em direção à academia. Chegamos ainda no horário, mas a sala já estava lotada.
–Tem certeza Hinata? –Perguntei vendo que ela não soltou minha mão.
–Tenho sim! –Respondeu convicta.
Entramos de mãos dadas na sala, todos os nossos colegas nos olhavam espantados. Não ligamos para os olhares e os comentários e fomos sentar. Eu permaneci no meu lugar de antes, na fileira do meio, e ela veio sentar ao meu lado.
–É testada, parece que perdeu seu prêmio de consolação. –Comentou Ino.
Eu não liguei muito para o comentário, mas a Hinata sim. Ela levantou segurando minha mão e fitou Ino.
–Ele não é prêmio de consolação, vocês é que não têm competência pra enxergar isso! –Até eu me assustei com esse comentário. Vi a classe toda a olhar de boca aberta, e ela se manter firme.
–J-Já chega, Hinata... –Disse temendo que ela avançasse na Ino.
–Tá bem, Naruto-kun... –Ela voltou a sentar. Notei que Ino se preparava pra dizer alguma coisa, mas não teve oportunidade, pois o Iruka-sensei chegou antes.
–Muito bem turma, hoje a aula será sobre antigos Hokages, mais precisamente, o Yondaime.
–Iruka-sensei, pode dar logo o dez do Naruto-kun, ele sabe tudo sobre o Yondaime. –Hinata disse. Mais uma vez eu me surpreendi com ela. Estava sim um pouco corada, mas eu sentia confiança nas palavras dela.
–Não é assim que funciona, Hinata. -Ele disse em um tom de respeito, mas toda a sala começou a rir dela. Eu estava fervendo, iria partir pra cima de todos, mas pensei em uma forma melhor de calar a boca daqueles imbecis. Sem pensar duas vezes, tasquei um beijo na bochecha dela, que corou violentamente, mas sorriu. Todos calaram as malditas bocas. Mesmo com elas escancaradas, nenhum som saia. Até o Iruka-sensei ficou de boca aberta.
–M-M-Mas... o quê significa isso!? Ele murmurou.
–Não se preocupe Iruka-sensei, somos namorados. –Hinata respondeu completamente corada, mas sem gaguejar.
–B-Bem... ah... que seja, mas... deixem isso pra depois. –Ele respondeu desnorteado.
A aula prosseguiu. Iruka-sensei fazia uma pergunta e eu levantava a mão. Chegou até a pedir pra eu parar de levantar mão para dar chance aos outros, mas não adiantou muito porque sempre que ele perguntava, a Hinata levantava a mão e eu soprava a resposta, só algumas, porque ela é muito inteligente.
O tempo passou voando. Nem percebi quando o sinal tocou. Metade da sala ficou depois do sinal, não entendi porque, mas quando levantei com Hinata pra sair, eles nos seguiram.
Chegamos do lado de fora e encontramos o Ko nos esperamos. Nos juntamos a ele e fomos caminhando, ainda com alguns espectadores dos seguindo.
Ko olhou pra trás, nos pegou nos braços e sumiu, deixando os idiotas pra trás. Rapidamente fomos parar no clã Hyuuga.
–Então, até amanhã, Hina.
–Até, Naruto-kun... -Ela disse timidamente. Veio e me deu um beijo na bochecha.
Já ia começar a andar com um enorme sorriso quando Ko me chamou.
–Não vai entrar, Naruto-kun? –Ele perguntou sorrindo.
–E-Entrar...!?
–Claro. Como vai falar com o Hiashi-sama aqui fora? –Ele disse e pude perceber que Hinata ficou preocupada.
–O-O que o papai quer com o Naruto-kun? –Ela perguntou preocupada.
–Não acha que a princesa Hyuuga vai namorar as escondidas, acha? –Ele disse me fitando.
–N-Não. Tem razão, preciso falar com seu pai, Hinata.
–Se mostrar essa atitude, ele vai gostar de você. –Ko disse me tranqüilizando um pouco.
Entramos e eu notei que ninguém me fitava com ódio. Até tinham alguns que me olhavam com medo, uns até aterrorizados, mas a maioria me fitava com um sorriso.
–P-Por que todos estão agindo assim? –Indaguei preocupado. Talvez fosse alguma armadilha.
–Não se preocupe, isso só mostra que o Hiashi-sama gosta de você.
–Ele... gosta? Mas porque se eu nem o conheço?
–Não peça explicações, Naruto-kun. Nem pra mim e muito menos pra ele.
–M-Mas por quê? –Levei um soco fraquinho no ombro. –Hinata, porque fez... ah... tô pedindo explicações né? Hehe, foi mal...
Andamos um tempão. Aquele lugar parecia que não tinha fim. Andamos em um corredor formado pelas casas. Era imenso. Quanto mais andávamos, mais parecia que tínhamos que andar.
–Chegamos. –Ouvi Ko dizer. Eu tinha parado de prestar atenção no caminho, só movia as pernas.
–Graças a Kami! Isso aprece que não tem fim! –Exclamei cansado.
–Pensei que fosse mais forte! –Comentou Ko.
–Mas é que parecia não ter fim! Como consegue andar isso tudo todo dia, Hinata? –Perguntei a fitando.
–Sei lá, não acho que seja distante assim. –Ela disse pensativa.
–Muito bem, vocês esperam na sala que eu vou anunciar você, Naruto-kun.
–Hai... –Disse temeroso.
Ko saiu e eu sentei em um dos enormes sofás que tinha ali. Sentei do lado da Hinata, mas não fiz nada. Estávamos na casa dela e a qualquer momento o pai dela poderia aparecer.
–E-Então... o que será que seu pai vai me falar?
–N-Não sei, Naruto-kun, mas seja o que for, você vai se sair bem...
Ficamos um tempo conversando, até Ko chegar e dizer que eu podia entrar. Ele disse que Hinata tinha que entrar comigo, então fomos os dois ao escritório do líder dos Hyuuga. Logicamente não entramos de mãos dadas, o que se tornou um ponto negativo logo na nossa entrada.
–Pensei que estivessem namorando. Não deviam estar de mãos dadas? –Ele comentou me fazendo gelar. Notei que Hinata também estranhou o comentário. Estava completamente alheia.
–S-Sumimassen... –Disse me curvando.
–Podem sentar. –Ele disse, e nós obedecemos.
–P-Perdão, mas... já sabe que estamos namorando? –Perguntei com medo da resposta, afinal, eu ainda era o “demônio” da vila.
–O que você acha que o Ko faz? –Ele perguntou sério.
–G-Gomen.
–Não gagueje, isso é sinal de fraqueza. –Ele disse me fitando.
–Hai. –Disse sério.
–Vou ser direto Naruto. Você está sendo convidado e se tornar um Hyuuga, com todos os direitos e deveres que lhe cabem.
Eu não acreditava no que tava ouvindo. Pensei em pedir pra ele repetir, mas sei que isso seria ruim.
–Não entendi...
–Sei que é muito cedo pra pensar nisso, mas sei que um dia irá casar com a Hinata, não vai?
–Claro. –Respondi a fazendo corar.
–Então, você será um Hyuuga de um jeito ou de outro. O que estou fazendo é acelerar o processo.
–Desculpe a indiscrição, mas vai aceitar meu namoro com a Hinata assim tão fácil? -perguntei sério.
–Como eu deixei claro, o trabalho do Ko é ficar de olho na Hinata. Todo esse tempo que ele passou com vocês me foi reportado. Tenho muita fé no julgamento dele, então, não me oponho.
–Arigatou. –Disse me curvando. Não sei de onde tirei tanta formalidade.
–Certo, mas você ainda não me respondeu se aceita ser um Hyuuga. Estou a par de tudo o que você passou rapaz, sei que sofre muito e que é solitário. Aqui você será tratado como um membro da família, terá um lar e proteção.
–Isso é tudo o que eu sempre quis. E se for pra ficar perto da Hina, eu aceito sem pestanejar!
–Pois bem, a partir de agora você é um Hyuuga.
–Domo Arigatou.
–Ko irá lhe mostrar seu quarto e tudo no clã. Você tem acesso aos dojos destinados as crianças do clã.
–Hai. Sumimasen... –Dissemos eu e Hinata e nos retiramos, de mãos dadas.
–Daqui a pouco eu lhe mostro seu quarto, Naruto-kun. –Ko disse. Ele estava esperando do lado de fora.
–H-Hai...
–Agora tenho um assunto a tratar com Hiashi-sama. –Ele disse se encaminhando ao escritório.
–T-Tá certo...
–Não se preocupe, Ko-niisan, estaremos no jardim.
Ele assentiu e nós nos dirigimos ao jardim. Era um lugar muito bonito, com árvores frutíferas (o que não condiz muito com um jardim.), flores de todos os tipos e vários banquinhos de praça. Tinha um lago artificial que mais parecia uma lagoa. Até patos tinha. Sentamos em um dos bancos, perto do lago, e ficamos conversando.
–Ah, agora que eu lembrei. Eu não pedi sua mão ao seu pai. –Disse levantando.
–N-Naruto-kun... isso não é preciso...
–É sim! Eu sou um homem, e homens fazem as coisas do jeito certo! Me espera que eu já volto.
Dei um beijo na bochecha dela e saí correndo. Cheguei rápido e já ia bater quando escutei Ko falar de dentro do escritório.
–O clã está mesmo seguro, Hiashi-sama?
–Não tem porque ter medo Ko, eu confio muito no Minato. Não tem porque duvidar de sua capacidade.
“O Hiashi-sama conhecia o Yondaime? Do que será que eles tão falando?”
–Mesmo assim. Eu sei que as chances de acontecer uma tragédia são poucas, mas...
–Já chega Ko, eu sou o líder desse clã. Não pense que já não ponderei muito sobre a situação. Eu sei os riscos que corremos com isso, mas não posso abandonar minha palavra. Eu concordei quando o Minato pediu pra mim cuidar do Naruto, não posso voltar atrás com minha palavra. E quantas vezes ele brincou dizendo que o Naruto e Hinata estavam destinados um pro outro? Me sinto muito culpado por tê-lo deixado sozinho todo esse tempo, mas quero me redimir. Não ligarei mais pras opiniões dos conselheiros, se for preciso, o clã sairá de Konoha e levará o Naruto junto! E sei que eles não querem perder o clã mais forte da vila.
Não ficou muito claro, mas ao que pude perceber, o Yondaime tinha alguma relação comigo.
–Entendo... realmente, aquele garoto é diferente...
–A única coisa que está me incomodando é a sua falta de educação. –Ele disse me fazendo gelar. –Entre, Naruto. –Ele disse, e eu obedeci, com uma cara de pânico.
–G-Gomen....
–Não gagueje.
–Hai, gomen.
–O quanto você escutou?
–Desde a parte em que disse que confia no Yondaime.
–Entendo... Naruto, eu tenho muita informação sobre você, mas não posso passá-las agora.
Lembrei do que Ko disse, resolvi não questionar Hiashi-sama.
–Entendo. Não farei perguntas.
–Entenda Naruto, você ainda é muito jovem pra compreender tudo o que te envolve. Vamos fazer um trato, quando você se formar na academia eu te conto tudo a seu respeito.
Arregalei os olhos e sorri.
–Está bem, eu espero.
–Bom saber disso. Sempre ouvi falar que era hiperativo e impaciente, mas vejo que estava enganado.
–Não está enganado, Hiashi-sama. Não questioná-lo é somente uma forma que eu achei pra lhe agradecer.
–Fico feliz em tê-lo na família, Naruto. –Ele disse com respeito na voz.
Olhei para o chão e deixei algumas lágrimas rolarem.
–A-Arigatou... gomen por gaguejar....
–Bem, isso você abandonará com o tempo. Agora, Ko, mostre o clã à ele.
–Hai. Vamos, Naruto-kun.
–Hai... –Disse chorando.
Fomos ao jardim chamar Hinata, e logo estávamos conhecendo todo o clã.
Eu estava em êxtase. De uma hora para a outra minha vida tinha mudado completamente. Agora eu tinha um lugar, um clã, uma família e uma namorada.
Terminamos o passei por volta das 7 da noite. Minha barriga doía de fome, mas não disse nada a eles. Como se lesse meus pensamentos, Ko anunciou que estava na hora do jantar. Ou então é porque era mesmo hora do jantar.
Subi para meu quarto, que tinha banheiro, e me preparei. Desci para minha primeira refeição em família.
Foi realmente incrível. Apesar da frieza do Hiashi-sama, o jantar foi até divertido. Pra mim, mesmo se tivéssemos comido em silencio absoluto, teria sido o melhor jantar da minha vida, mas foi mais divertido ainda. Logicamente, a mesa do jantar não era lugar pra rir, mas conversamos muito sobre muita coisa. A irmãzinha da Hinata era uma fofura. Não consegui imaginar ela batendo em alguém... O primo da Hinata, que estava sob a guarda do Hiashi-sama, era frio. Notei que ele olhava torto pra Hinata. Prontamente olhei ameaçadoramente pra ele, mostrando que eu iria protegê-la de tudo.
A noite de sono foi a melhor da minha vida. Uma cama confortável, segurança e nada de barulho.
No dia seguinte, bem cedo eu já estava em um dos dojos. Era umas 5 da manhã, pensei que não teria ninguém, mas me enganei. Quando entrei, pude ver o que o primo da Hinata se preparava pra treinar.
–O que faz aqui? –Ele perguntou frio.
–Tenho certeza que você já sabe, eu sou um Hyuuga agora, tenho o direito de estar aqui. –Respondi sério.
–Hn... Me pergunto porque o Hiashi-sama acolheu um mendigo no clã.
–Porque diferente de você, ele não é um egoísta. Eu nem sei quem é você, mas já vi que não gostei de te conhecer. –Ele ia falar alguma coisa, mas eu o impedi. –E tem mais, não quero te ver olhando pra Hinata daquele jeito de novo, entendeu?
–Não acha que é presunção demais?
–Eu não acho, tenho certeza. Sua força é clara, obviamente você me derrubaria sem problemas, mas saiba de uma coisa. Se mexer com a Hinata, eu te mato!
–Por que não tenta? –Ele sussurrou.
Já ia partir pra cima dele. Sabia que levaria uma surra, mas não podia dar pra atrás. Corri em direção à ele, mas parei ao escutar uma voz.
–Começar o dia com brigas não é muito saudável. –Comentou Ko entrando no dojo.
Parei minha corrida e fitei Ko.
–Gomen, perdi a cabeça.
–Tudo bem, mas que isso não se repita. –Baixei a cabeça e assenti. –Hiashi-sama pediu pra mim treinar vocês.
–S-Sério? –Indaguei contente.
–Foi... mas vocês tinham que acordar tão cedo? –Ele comentou desmotivado. Eu ri da cara de cansado que ele fez.
–Foi mal... –Disse sorrindo.
Passamos a manhã quase toda treinando. Só paramos para comer alguma coisa. À tarde, fomos à academia.
–E-Então, Naruto-kun, quando vamos dar nosso primeiro beijo? –Me virei rapidamente pra ela.
Nós dois estávamos indo pra academia sozinhos, apesar de que eu sabia que o Ko estava olhando de longe.
–C-Como assim, já fizemos isso, na árvore.
–Mas não é a mesma coisa...
–É , eu sei... mas pra mim foi nosso primeiro beijo.
–Mas pra mim não!
–Então, temos um impasse. Vamos perguntar ao Ko o que ele acha.
–Concordo!
–KO! –Gritamos juntos. Ele saiu de atrás de uma árvore e saiu correndo para o lado oposto de onde estávamos.
–Droga, ele fugiu! –Resmunguei.
–Não interessa, depois perguntamos. –Ela disse correndo e me arrastando.
Chegamos na sala e novamente os olhares eram direcionados à nós.
–Não liga Sasuke-kun, ele só tem uma, você tem todas. –Comentou uma garota horrível. Eu até ri do Sasuke por ter aquela coisa atrás dele.
–Não perguntei nada! –Ele disse seco. Percebi que ele tava com raiva de alguma coisa.
–Naruto-kun, podemos ir lá na árvore pra resolver esse assunto logo. –Hinata comentou baixinho.
–Boa ideia. –Respondei sorrindo e ela me deu um beijo na bochecha.
–Formam o casal perfeito. O fracassado e a louca. –Comentou um garoto imbecil no final da classe.
Sem pensar duas vezes, me levantei e caminhei até o garoto.
–Se dizer mais alguma coisa desse tipo, você tá morto. –Disse com ódio. Sem mais nem menos o garoto começou a tremer. Notei que não era só ele, quase toda a sala estava tremendo.
–Naruto-kun, deixa ele... –Hinata sussurrou pegando na minha mão e me puxando.
Sentamos novamente, e toda a classe ficou em silencio. Iruka-sensei chegou e começou a aula.
O tempo realmente passa rápido quando eu estou do lado da Hinata. Nem notei quando a aula tinha acabado. Ela pegou na minha mão e saímos correndo em direção a minha floresta de treinamento pra resolvermos logo o assunto do beijo.
Novamente alguns colegas de classe nos seguiram, não sei nem por que. Quando percebi, olhei por cima do ombro e uns 10 colegas saíram correndo. Vendo que não ficou mais nenhum, começamos a caminha em direção a nosso lugar secreto.
–Pena que não dá pra perguntar à árvore o que ela acha. –Hinata comentou.
–Mas tenho certeza que ela concordaria comigo! –Disse a fazendo emburrar a cara.
–Como sabe?
–Porque ela também sentiu o mesmo gostinho que eu... –Disse sorridente.
Hinata ficou mega corada e desviou o olhar.
–G-Gostinho...!?
–Hai. Um gostinho de açúcar, mel, sei lá...
–É mesmo? –Ela sussurrou envergonhada.
–Foi.
–P-Por isso eu disse que.... ainda não damos o nosso primeiro beijo, p-porque eu... ainda não senti o gostinho....
–T-Tem razão! Não tinha pensado assim... Mas ainda acho que o primeiro já foi, o próximo será o segundo.
–E-E então... posso sentir o gostinho doce? –Ela sussurrou fitando o chão.
–Pode. –Respondi tremendo de nervoso.
Ela me fitou, fechou os olhos e vez um biquinho. Fiz a mesma coisa e fui aproximando nossos lábios. Nem percebi quando meus lábios estavam colados nos dela. Ficamos uns 30 segundos assim, com os lábios colados, até ela sair.
–E-E então, sentiu?
–Uhun... –Ela sussurrou sorrindo pra mim.
–Eu também. Foi melhor que outro...
–Posso sentir de novo? –Ela disse sorrindo.
Desta vez fui eu quem fechou os olhos e fiz bico. Pouco depois senti os lábios macios da minha namorada e novamente o gostinho doce surgiu.

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