About a Boy
1 About a Boy - Capítulo Único
Notas iniciais
Daiki Aomine não sabia o porquê carambolas estava ali. Ah, lembrou, Kise, Momoi, Wakamatsu, Imayoshi, Sakurai e Susa obrigaram o às de Touou a ir no Festival de Talentos da Escola Kaijou.
Os motivos que cada um ia para o Festival eram distintos: Momoi pelo namorado, Kise, Wakamatsu, Imayoshi e Susa por causa de três colegas de classe do às de Kaijou, muito bonitas por sinal, que queriam conhecer os rapazes e Sakurai para ver o rapaz de Kaijou que roubou seu coração, Kouji Kobori.
Kise já havia se apresentado com uma performance digna de um idol, Kobori com uma apresentação de sapateado, Nakamura e Hayakawa narraram um romance trágico criado pela dupla, Moriyama fez embaixadinhas e só faltava a apresentação de Kasamatsu.
— Oe, vai demorar essa joça? Já estou de saco cheio e não teve nada de interessante, além da apresentação das gostosas lá, dançado AKB48. Aliás, Kise, alguma delas está solteira, sabe?!
— Elas não gostam de caras com o seu tom de pele. Nem vale a pena, Aominecchi. – respondeu pragmático o rapaz.
O racismo contra seu tom de pele, mais escuro do que a mídia e a sociedade japonesa, em um geral, pregavam como “padrão”, sempre foi um grande desafio, que Daiki encarou desde sempre. Tanto que sua amizade com Momoi, na infância, iniciou-se após a garota salvá-lo de um isolamento coletivo da sala, por motivos racistas.
— E você não achou seu pau no lixo para transar com esses tipinhos, né?! – comentou Wakamatsu.
— Wakamatsu-san, olha a Momocchi aqui, pô! Maneira aí no linguajar. – falou Kise.
— Ki-chan, você não é meu cérebro para processar o que devo ou não ouvir. – retrucou a moça de chamativos cabelos rosa.
— Desculpa, Momocchi...
“Depois dessa, eu cavava meu túmulo e não saía mais.” – observou Imayoshi, rindo muito internamente da cara do às de Kaijou.
— Gente, silêncio, o apresentador vai falar... Me desculpe por interromper vocês, me desculpe, me desculpe, me desculpe! – alertou Sakurai, do jeito dele.
O apresentador agradeceu, mais uma vez, pelo comparecimento do público ao Festival e anunciou:
— Agora com vocês, o capitão do nosso time de basquete, Yukio Kasamatsu, tocando “Lipriunms”da banda norte americana Nirvana...
— É “Lithium”, pô! – berrou Kasamatsu, escondido atrás do palco, arrancando risos de uma parte da plateia, inclusive Aomine.
— É, o cursinho de inglês está fazendo bem para o Kasamatsu-senpai. – comentou Kise na plateia, cochichando no ouvido da namorada.
— Tenha dó do apresentador, Ki-chan. – respondeu a moça, também cochichando.
O apresentador, sem jeito, continuou:
— Enfim... tocando Nirvana, com vocês... Yukio Kasamatsu. Palmas para ele, galera!
Yukio entrou no palco, carregando seu violão. Estava vestido com uma camisa de flanela xadrez, camiseta estampada escrita “About a Boy”, calça preta justa, rasgada e um tênis All Star sujo.
Após as palmas cessarem e agradecê-las, Yukio sentou no banquinho posto para ele no palco, ajustou o microfone na sua altura e cumprimentou o público:
— Boa noite a todos os presentes. Mais uma vez, agradeço seus aplausos como cumprimento e eu vou tocar uma música chamada “Lithium”, do Nirvana, porque ela significa muito para mim. 1, 2, 3 e...
Começou a tocar os primeiros acordes da música, tão nostálgica. Em seguida, cantou os primeiros versos:
“Eu estou tão feliz, porque hoje
Eu tinha encontrado meus amigos
Eles estão na minha cabeça
Eu sou tão feio (...)”
Aomine sentia-se estranho. Ao contrário da plateia toda, que curtia a música tranquilamente, sua mente admirava... a beleza de Kasamatsu, igual ele analisava as mulheres bonitas que sentia vontade de ficar. Analisava o equilíbrio entre a virilidade e delicadeza dos traços do seu rosto, os dedos e os braços firmes, de anos e anos de basquete, tocando suavemente o violão, a voz afinada, suave...
“Ei, ei, Daiki, o Kasamatsu-senpai é homem! Homem, entendeu?!”
Recaiu em prestar atenção na voz de Kasamatsu, que estava em um arranjo que casava bem com sua voz e novamente no rosto e corpo do rapaz. Os olhos de Aomine eram hipnotizados pelos azuis de Yukio, magnéticos como um imã. Mal sabia o às de Touou o quanto a canção em inglês,cantada pelo outro, era desesperada e raivosa:
“(...) Eu estou tão só, mas tudo bem
Eu raspei minha cabeça e não estou triste
E, apenas, talvez, eu seja o culpado
Por tudo que ouvi, mas não estou certo (...)”
A voz de Yukio, no momento, levava Aomine a imaginar:
“E se ele estivesse no meu quarto, cantando só para mim e, de repente, tirasse uma casquinha dele, beijando o pescoço dele, enquanto ele fazia esse “yeah” de uma maneira bem mais... Epa, epa, epa, Daiki!”
Confuso.
No palco, Kasamatsu cantando o refrão em uma intensidade ímpar. A entrega completa a música, o ápice das emoções:
“(...) Eu gosto disso (eu não vou pirar)
Eu sinto sua falta (eu não vou pirar)
Eu amo você (eu não vou pirar)
Eu mato você (eu não vou pirar)
(...)”
E, depois de tanto tempo, Aomine sentia o coração disparar, mas não era mesmo por alguma mulher bonita.
“Free...
I'll do...”
(About a Girl – Nirvana)
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