About This Girl I Know.

8 We all know what to do but no one does it.


James Sullivan;

Fui acordado pelo meu celular tocando Girl I Know, era o Brian. Fitei o celular um pouco antes de atender. Ele pode ter sido um canalha, mas não sabia que ela era a Leana, ele continuava sendo meu melhor amigo. Será que eu o machuquei muito? Estou começando a sentir algo ruim, se chama culpa.

- Alô?

- James, cara, eu sinto muito.

- Eu que sinto, agi por impulso, cara.

- Você gosta mesmo dela. Me desculpe.

- Que? — fiquei surpreso comigo mesmo. Quer dizer, porque eu agi daquele modo?

- Porra, tu tava morrendo de ciumes dela, vai dizer que não gosta dela?

- Ah, eu não sei cara. — falando em voz alta, não fazia sentido. Se eu não gostasse dela, não teria quase quebrado o nariz do meu melhor amigo.

Leana Silver;

Quando me dei por mim mesma, já estava no meu banheiro vomitando. Argh, se tinha uma coisa que eu odiava mais do que tudo nessa vida, era vomitar. E depois, como de costume, veio aquela dor de cabeça, sentei no sofá, mal me aguentava em pé. Como se não bastasse, meu celular toca! Tem coisa melhor? Ele estava do outro lado do mundo.

Fui me arrastando e cheguei perto do meu celular que vibrava e tocava Where Did Jesus Go.

- Alô? — falei com uma voz sonolenta e cansada.

- Te acordei? — fiquei surpresa ao ouvir a voz de James. Tenho que gravar o número dele no meu celular logo.

- Não, tudo bem.

- Como está se sentindo hoje de manhã?

- Bem. — menti — E você?

- Bem.

Silêncio. Merda, eu não sabia mais o que falar. Pelo visto nem ele.

- Hã… Tudo bem, só queria saber como você estava.

- Ah, ok. Obrigada, a gente se esbarra por aí.

James Sullivan;

E o som do estalo indica que ela desligou. Droga, “só queria saber como você estava”? só não é tão ruim quanto “liguei só para ouvir sua voz”. Que merda Sullivan, o que está acontecendo com você?

Meus pensamentos foram atrapalhados pela porta abrindo. Era Matthew, Johnny, Zacky e é claro… Cervejas e cigarros. Só estava faltando o Brian.

- Cadê o Brian?

- Não quis vir. — respondeu Matthew.

- Por que?

- Não sei.

- Vou ligar para ele. — Devo ter ligado umas três vezes e mesmo assim ele não atendeu. Estava com um pressentimento ruim. — Ae, ele não atendeu. Será que aconteceu alguma merda?

- Ah, qual é, é o Brian. — disse Zacky abrindo uma Heneiken. Isso é verdade. Era o Brian. Ele nunca atendia o celular, naturalmente estava com uma mulher, ou… Mais de uma. Mas mesmo assim, eu estava preocupado.

- Ae, eu vou dar uma volta. Preciso resolver algumas coisas. Podem ficar, e guardem umas Heneiken e uns cigarros para mim, viadinhos.

- Não prometemos nada! — disse Johnny no seu quarto cigarro bebendo sua quinta Heineken. Aquele anão era foda.

Peguei o carro e o liguei. Ele morreu. Puta merda, porque isso sempre acontece quando eu estou com pressa? Tentei ligar o carro de novo, dessa vez ele foi. Ao sair da minha casa olhei para trás e vi eles se divertindo, espero que eles não quebrem nada.

Ao chegar na casa de Brian, parei meu carro em frente do seu portão, ele não ia se importar. Entrei e toquei a campainha. Toquei mais uma vez. Bati na porta, chamei pelo seu nome, fiz de tudo. Comecei a ficar tenso, muito tenso. Não sabia mais o que fazer, então eu lembrei que todos nós sempre tínhamos o costume de ter uma chave reserva em algum lugar, por todas as vezes que nós chegamos sem chave, ou bêbados em casa etc.

Procurei em baixo do tapete. Nada. Realmente, muito clichê. Procurei em um vazo de planta perto da porta e bingo! Entrei.

- Brian? — Nada. Minhas mãos começaram a soar e eu as limpei na minha calça de couro preta, mesmo não adiantando em nada. — Porra Brian, cadê você seu viado? — Nada de novo. Fui até o banheiro. Nada. Fui até a cozinha. Nada. Fui nos dois quartos e por ultimo em seu próprio. Nada. Quando estava saindo lembrei da suite, e então quando entrei meus olhos se arregalaram. Minha vontade era de chorar. Encontrei Brian no chão.

-

Brian Haner;

Acordei me sentindo muito tonto. Quis sentar depressa, mas estava com fios ligados nos meus dedos e em direção a um aparelho que ficava bipando ou sei lá o que. Tentava lembrar do que tinha acontecido, mas não dava. Meus pensamentos foram cortados pelo James.

- Brian, porra! O que houve, cara? O que tu fez? Tu não sabe como me preocupou, seu filho da puta.

- Eu… Eu não consigo me lembrar o que aconteceu. — eu botava a mão na cabeça como se isso fosse me ajudar a lembrar, mas na verdade minha cabeça pesava e esse era um jeito de não “a deixar cair”. — Por quanto tempo eu dormi?

- Por umas três horas, aqui no hospital pelo menos. Não sei que horas você desmaiou.

- Como você descobriu?

- Te liguei e você não atendeu, resolvi te procurar.

- Mas eu nunca atendo.

- Te liguei três vezes. E também eu estava com um mal pressentimento.

Leana Silver;

- Val, Lea, sinto muito. Eu preciso ir ao hospital. — Gena estava muito assustada, seus olhos redondos e pretos estavam mais redondos ainda.

- O que aconteceu, Gena? — perguntei.

- Um amigo do meu namorado está passando mal, ele é meu amigo também. Eu vou dar uma força para eles.

- Quer que a gente vá para te dar uma força? — Val perguntou.

- Eu quero, vocês vão?

- Eu não sei se é uma boa ideia, não somos conhecidas de ninguém lá. — eu estava discordando, como sempre.

- Ah, é claro que é. É minha. — disse Gena.

- É Lea, vamos dar uma força. — Val segurou minha mão.

- Tudo bem, só por vocês.