Notas iniciais
:)

Willas

Willas encarava a janela aberta sem prestar realmente atenção, sua mente estava passando tão rapidamente por diferentes pensamentos, porém todos incluíam a mesma pessoa: Sansa.

Seu irmão estava em algum lugar do castelo, organizando um equipe dos melhores soldados que ainda estavam em Jardim de Cima para ir atrás do rastro que os Starks haviam deixado.

Como um objeto amaldiçoado apenas para lembrar do fato que haviam tomado sua esposa de seus braços, a adaga do lobo estava colocado sobre a mesa ao seu lado, sempre o enchendo de fúria e um sentimento de impotência ao ser olhada.

Willas se odiava mais do que em toda sua vida. Ele havia aprendido a viver com a perna manca, com as dores e com o fato de que nunca mais seria um cavalheiro, porém, o fato de não ter aguentado a dor do joelho nem para chegar aos portões de Jardim de Cima, na busca pela sua esposa, havia acabado com isso. Ele odiava seu joelho ruim, odiava Oberyn, odiava ser quem era.

A prova disse era os estilhaços do espelho no quarto, transformando o chão em uma perigosa armadilha para os desavisados.

“Irmão, escolhemos os homens, eles vão partir assim que receberem seu aval.” Garlan falou com ele da porta, mas Willas não parecia prestar atenção. Seus olhos dourados ainda virados em direção ao pôr do sol na janela. “Irmão?”

Willas apoiou-se na bengala e virou-se em direção ao irmão, estava prestes a responder quando um ajudando do meistre invadiu o quarto, empurrando Garlan no desespero para chegar a Willas.

“M’lorde... um corvo...” ele respirava entre as palavras, segurando uma carta bem enrolada nos dedos. “Starks.”

Willas nem se lembrou dos pedaços de vidro no chão quando praticamente correu, na medida em que sua perna permitia, em direção ao mensageiro, provavelmente machucando os pés no percurso.

Arrancou o pergaminho do mensageiro e o abriu com tanta força que o partiu ao meio.

Concentrou-se na primeira parte, logo em seguida lendo a metade rasgada.

“Eles querem um encontro.” Disse para si mesmo. “Querem um tratado em troca de Sansa.” Willas virou-se novamente para o irmão. “Eles a tratam como um objeto de barganha!” Willas baixou o rosto, sentando-se no cama limpou as lágrimas que começavam a escorrer. “Diz na carta que está grávida, e que se não aceitar a proposta eles vão tirar o bebê e a casar com um soldado Stark.”

“Acha que ela está mesmo grávida?” Garlan perguntou.

“Não sei... Eu não sei de nada, Garlan!” Willas esbravejou, jogando a bengala no outro lado do quarto.

“Chame alguém para limpar esse quarto.” Willas ouviu o irmão falar para o mensageiro. “E peça ao meistre para vir ao quarto.”

Willas deitou-se na cama e puxou os cabelos com força, fechando os olhos e pensando o que faria. Não era surpresa o que os Starks queriam: Alianças. Porém, parte de sua família estava em Porto Real, a mercê dos Lannisters, isso era ter que decidir entre duas coisas que Willas amava demais. Entre o dever e seu coração.

A noite chegou e com ela uma noticia que alegrou o coração desesperado de Willas.

“Você tem certeza avó?” Perguntou encarando o rosto enrugado da Rainha de Espinhos.

“Sim. A garota dragão e os Marttels já tomaram seu lado nessa guerra, nós também vamos. Os Lannisters estão falidos, segundo um informante há muito tempo aquelas minas secaram, eles devem até os cus para os bancos de ferros, e não vão ter como pagar. Seu pai já está em retirada, voltando para Jardim de Cima e pede para esperar, ele também tem um acordo para apresentar ao Rei Lobo.” Ela apertou a mão de Willas e deu o que deveria parecer um sorriso. “Eu sei que você gostou daquela ruivinha, parece que a boceta dela é charmosa.”

“Avó!” Willas ficou vermelho e com um pouco de raiva do jeito que ela se dirigia a sua mulher, mas a Rainha de Espinhos não era conhecida assim a toa. “Ela espera um filho meu.” Ele disse para ela. “Eu vou ter um filho, avó.”

“Vou lembrar de rezar aos sete, outros, deuses árvores e todos divindades para que seu filho não se pareça com o idiota de seu pai.” Ela retrucou, erguendo-se e dando um fim a conversa. “Marque uma reunião com o lobinho e vamos ver se é tão honrado quanto o pai descabeçado.”

“Avó. Você não devia falar assim.” Garlan repreendeu.

“Eu sou velha e estou no fim da minha vida, eu falo do jeito que eu bem quiser. Agora eu vou dormir, que meu corpo precisa descansar, mesmo que minha mente não...”

Garlan ocupou o lugar da avó, encarando o irmão mais velho.

“Acha mesmo que a menina dragão está se dirigindo para cá e vai lutar ao lado do Stark?” Perguntou, alisando as informações da avó.

“Não sei, mas os rumores estão cada vez mais fortes, dizem que ela liderou uma rebelião de escravos do outro lado do mar.” Willas respirou fundo. “Eu apenas quero minha Sansa de volta, irmão. Se tenho que lutar ao lado de dragões e lobos gigantes, eu lutarei.”

“E sobre Nymeria? O que vai fazer com ela?”

“Mande-a para o pai, e deixe avisado que se ela voltar a colocar os pés no meu castelo ou interferir na minha vida pessoal, da próxima vez ele receberá apenas uma cabeça como consideração por tudo que eu passei ao seu lado. Eu vou dormir, porque cortei o pé com os vidros, e o meu joelho está me matando.”

“Claro.” Garlan ajudou o irmão a se levantar, e ficou olhando o partir enquanto mancava em direção ao seu quarto.

Willas deitou-se na cama e abraçou o cobertor que carregava os vestígios finais do perfume de Sansa. Sua Sansa. Sua linda esposa Sansa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.