Notas iniciais
Olá jogadores!!! O conto original ficou meio grande de mais, então eu decidi dividir em duas partes de sequência pra facilitar na leitura. Os dois grupos, tanto Esquadra Alpha (Ricardo Coração de Leão e Tarkarius Krom) quanto a Esquadra Delta (Ikaru Velvet) devem ler ambas as partes, okay? Boa leitura e abram suas asas! O barato vai ser louco!

Que belo pôr do sol aquele. Em Aldeia Sharaj todos os anoiteceres eram iguais, aquela enorme caixa de areia escaldante. Contudo, o jovem, trajado de turbante e armaduras de estilo nômade o observava com pesar.

-Irmão...-O jovem adulto desabafava seus sentimentos com o sol escaldante do deserto, esperando que a alma de seu profeta levasse a mensagem até seu primogênito. -Já faz uma semana que tu saiu ao lado dos Lobos Cinzentos para libertar Boca do Pavor...

-Jihad... -Dizia um homem alto e barbudo que se aproximava, surpreendendo o garoto.

O homem imponente, com anos de mais experiência sobre o garoto o observava com tristeza, porém, de semblante forte. Aquele que surgia trajava-se de um trabalhado manto branco com detalhes vermelhos tingidos, não de uma tinta comum, mas do sangue dos seus servos.

O jovem observava as diversas cicatrizes expostas no rosto do homem enquanto tentava buscar alguma informação a respeito daquela palavra, mas não tinha ideia sobre o que ou quem o outro se referia. Cerrando os olhos e dando as costas para o sol poente, o jovem curvava-se levemente afim de cumprimentar o mais velho.

-"Jihad"...? Me desculpe, mas não lhe entendo, meu pai... -O mais novo demonstrava clara decepção.

-Jihad é a palavra de nossos antepassados para "Guerra Santa", meu filho... -O velho explicava ao acariciar sua longa barba cinzenta. -Matik... Teu irmão de outra mãe, também meu filho...

-Foi uma vítima de Jihad...

-Não. Matik a honrou. -O pai agora punha-se a observar o sol caindo sobre o deserto de dunas mortas ao lado de seu filho ainda vivo. — A Jihad, meu filho... é o nosso maior propósito.

-Pois...a serviremos, pai.

-Servi-la-emos, meu filho, Saladino...

O garoto simplesmente não sabia o que dizer ao grande patriarca dos Cruzados do Deserto, pois a perda fora tão forte ao irmão quanto ao pai. Juntos, o fragmento da grande família sultânica apenas permitia-se observar o céu amarelado se tornar negro e ser coberto das estrelas brilhantes da noite.

—

Nessa mesma vila, "protegida" pelas milícias dos Cruzados do Deserto, havia um bar. Uma taberna fundada pelo sultão do vilarejo servia para oferecer bebida, descanso e mulheres aos membros da horda. A cidade não era grande, contudo, todos lá se conheciam, fossem os guerreiros terroristas ou o povo que os servia.

Então todo estrangeiro era facilmente identificado e, devido à difícil história do povo, recebia instantaneamente todos os maus olhares. Ainda mais se não se vestisse com turbante e roupas nômades como todos estavam acostumados.

Não seria diferente quando o forasteiro de chapéu de cowboy, sobretudo de couro e um cigarro de palha aceso formando uma cinzenta e fedorenta fumaça. Os olhos do homem eram cobertos pela sombra de seu chapéu, o que dava a ele um ar misterioso. Contudo, entre sua barba suja de fuligem, um sorriso duvidoso era eternamente presente.

-Vuuush! -O forasteiro assoprava a fumaça de seu cigarro ao entrar na Taberna do Sudão. — Olho Vermelho. -Trazia à mesa do bar três moedas de ouro ao se sentar.

Mesmo que tentasse ser sorrateiro, a voz grave e ecoante do homem o ajudava a chamar mais atenção. A voz era excepcionalmente marcante por lembrar muito um certo Cavaleiro das Trevas.

-Aqui... -O barman, sem alguns dentes e, aparentemente, abstinente de um bom banho o entregava um copo de barro com um líquido não identificado.

O forasteiro, após alguns instantes de estranheza, resolve derramar o liquido na mesa do bar. Em seguida, dirigia a palavra ao atendente mal encarado.

-Eu procuro o xerife da cidade... O Sheik Matin Sharaj?

Toda a taberna silenciava-se e punha ao encarar o homem, ouvindo-se apenas o som de um vento cortante passar pela aldeia antes que um cidadão largasse sua bebida para cobrir a saída dali. Instantaneamente todos os homens se levantavam e o cercavam enquanto os trabalhadores da Taberna se retiravam para trás do balcão rapidamente.

-O Sheik não pode fala... -Um brutamontes de mais de dois metros de altura se aproximava do forasteiro e o abordava com a mão sobre o ombro do homem.

O Cowboy se levantava do banco e ficava de frente com o brutamontes que não podia ver seus olhos devido ao formato do chapéu.

-E por que não? -Ele punha um cigarro na boca sem acende-lo enquanto falava.

-Sheik não fala com homem morto!

O grandalhão sacava sua espada e a erguia ao topo da cabeça. Contudo um som estridente de explosão ecoava pela taberna e, com o surgimento de um buraco, o brutamontes caía duro no chão.

Sobre o gigante caído, o atirador surgia com sua pistola arcaica de funil superaquecido apontada. Em seguida, levava o cabo ainda quente até a ponta do cigarro, ascendendo-o.

-É uma pena para seus amigos...

—

Eis que, em um segundo, uma dezena de Kishins terroristas atacam o forasteiro de chapéu. Em um minuto, a Horda inteira é evocada para dar fim a vida do pistoleiro. Em uma hora... o Cowboy estrangeiro havia disparado 53 balas e matado 127 terroristas para então encontrar seu Sheik.

Assim era a sua dança macabra ao ritmo da rapsódia de Satan, um matadouro de um homem. E com apenas revólveres obsoletos, tudo era um alvo para aquele monstro sobre-humano capaz de matar kishins em plena forma sem uso de animômancia alguma.

Enfim, ao Sheik Sharaj, este nome que, por si só não passava de um título passado ao líder da horda Cruzados do Deserto, dona ilegal da aldeia Sharaj. Não... o nome de nascença daquele homem não era Sharaj, mas sim, Mohammed Matin, casado com 13 mulheres que o concederam 21 filhos saudáveis. Quase todos, em algum momento se tornaram seus guerreiros de elite, quando homens, ou suas sacerdotisas curandeiras quando mulheres.

E 19 haviam sido mortos pelo atirador do Oeste.