Abandono.
1 Único.
- É assim, não é? – disse-lhe ele, com lágrimas um pouco relutantes já escorrendo de seus lindos olhos esverdeados — Você confia na pessoa e ela te deixa sem ao menos importar-se com tais conseqüências.
- Não... Não é “assim”. Não foi assim.
- Então, por quê?! Por que me abandonastes sem ao menos dizer-me os motivos? Você apenas usou-me e depois jogou no lixo todo o amor. Apenas esqueceu-se de todas as palavras que eu já lhe disse. Apenas me deixou sangrando, esperando a morte chegar. Ficar sem você não é a coisa mais agradável do mundo. – sorriu cínico. O maior apenas ouvia, lutando contra si para não transparecer-se abatido.
- Oh. – suspirou. — Pequeno, eu estou aqui.
O menor arregalou os olhos.
- E daí?! Achaste que perdoaria tudo que me fizeste passar? – sua voz tinha um tom e tanto de ironia.
Não. O maior sabia que seu pequeno não estava dizendo-lhe a verdade; era tudo uma fachada. Ainda observava-o com certo cuidado, vendo sua face desmanchando-se em lágrimas. Havia confusão em seu rosto. Confusão que agora estava sendo coberta por uma máscara de ironia e confiança, mesmo em meio de tantas lágrimas. Permitiu-se sorrir. Sabia que aquele ser baixinho e indefeso a sua frente, era, de fato, indefeso. E sabia que o amava mais do que a sua própria vida. Ah, como sabia...
- Eu te amo.
Foi tudo que conseguiu balbuciar naquele momento, observando seu pequeno desmanchando-se em mais lágrimas. Não conseguira mais lutar contra sua dor; deixou-a transparecer. Por pouco não se afundou em lágrimas juntamente com seu pequeno, mas não poderia demonstrar tal fraqueza.
- Ugh – o ser pequeno a sua frente resmungou, enquanto colocara as palmas de suas mãos em seu rosto, cobrindo-lhe os olhos. – Eu... Ah. Eu também. Mais do que minha própria vida.
O menor então sentiu braços passando por seus ombros em um forte abraço. Retribuiu-o. Mas não era isso que queria. Ele queria lutar contra os braços de seu amor, permanecer forte. Mas tampouco conseguiu fazê-lo.
Soltaram-se do abraço; agora as mãos do maior estavam firmes na cintura do menor. Encarou os lindos olhos castanhos esverdeados. Leu em seus olhos toda a dor e paixão que o maior possuía.
Só se deu conta do que acontecera ali quando o maior atacou seus lábios, inicialmente de forma que o beijo fora casto e apaixonado. Logo, o mais velho não se agüentou e pediu passagem com sua língua, prontamente concedida. O pequeno colocou seus braços em seu pescoço e juntou mais seus corpos, num beijo que se tornava quente e cada vez mais apaixonado. Logo se separaram pela falta de ar; o menor passou seus dedos pelos cabelos negros do maior, encarando-o apaixonadamente.
Finalmente, paz. Em meio de toda a confusão, seu pequeno estava de volta.
Por enquanto.
Notas finais
♥
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