Abaixo de Zero
1 Prólogo
- Acho que ta gravando. — Uma garota de cabelos escuros e olhos claros aproxima a lente da câmera em seu rosto, nos primeiros minutos demora um pouco para a imagem tomar foco até se perceber o sangue escorrer pelo nariz dela e um grande corte percorrer pela sua testa até chegar em sua bochecha. — Meu nome é Jessica Blue, eu acho que vou morrer... — A garota da um tempo e coloca a mão na boca revelando as unhas quase desaparecidas apenas carne viva no lugar. — Eu queria pedir desculpas a cada pessoa e principalmente a você Lucy, eu sinto muito eu jurei que iria voltar, mas eu não consegue. Acho que todos os outros estão mortos, eu nem sei se vai ver essa gravação é impossível, acho que estou fazendo isso para mim mesma, para me fazer sentir bem. — Ela olha para direita depois de um estalo, alguns minutos em silêncio e ela se volta para câmera. — Bom, você deve estar dizendo lá vem mais uma história chata sobre o Apocalipse, mas isso não é esse tipo de história ela foca nas pessoas normais e como elas são horríveis quando tem poder em suas mãos agora estão se perguntando, como isso tudo começou? Infelizmente é a sonsa aqui que vai te contar...
---> Narração, On.
Tudo começou com um vírus, não estou falando de um simples vírus que faz uma criança tossir e espirrar por algumas semanas e um xarope resolve tudo, essa merda acabou com a humanidade a 10 anos atrás ele não transforma a pessoa em um zumbi ou uma árvore, esse vírus se chama V-52, não sei qual os outros nomes que dão a eles nem seus efeitos em seres humanos já que nunca vê ninguém afetada pelo vírus ao vivo naquela época onde era só uma garota ignorante, mas contavam algumas histórias o vírus faz com que a pessoa seja revertida por um tipo de gosma que ao tocar em outro instantaneamente pega os seus sintomas.
Era meu sonho ver uma transformação de uma pessoa em um monstro, não sei o motivo de ter idéias tão estúpidas assim. Bom, como o vírus não sobrevive as partes geladas e nem ouse me perguntar não sou da área de ciência e a Doutora Margot me falou uma vez o motivo apenas não prestei atenção, continuando ele não conseguia se espalhar nessas áreas esse foi o motivo de tantas pessoas acabarem correndo nessa direção, eu já morava aqui no Canadá só tive que subir mais um pouquinho, muitos não sobreviveram a viagem ou não conseguiram se adequar direito ao frio fazendo o número de mortes nos primeiros anos dessa colônia acabarem sendo altos. Alguns dos representantes com maior poder tiveram que estabelecer ordem dividindo algumas áreas geladas, todas tem uma marcação eu, minha mãe e irmã Lucy ficamos na A-2 liderada por Donna Queen uma das mulheres mais poderosas do mundo todos tinha medo dela e de seu marido líder da A-1. Eles dois acabaram construindo um império para todas as pessoas de alta classe e esqueceram dos pobres a quem eles tratavam como lixo, jogando algumas esmolas de pedaços de peixes para uma família inteira, haviam também os trabalhos quanto maior é o trabalho na pirâmide daquele setor mais torlas a moeda oficial daquelas duas áreas poderiam ter, cada trabalho era divididos em 6 setores:
Costureiras — Pessoas que trabalhavam para criar roupas de pele de animais que geralmente eram mandadas para a alta realeza, esses ganhavam 10 torlas por mês o que geralmente daria para comprar fogo artificial ou alguma animal pequeno já que as pessoas não queriam morrer de fome optavam pela comida.
Caçadores — Se arriscam na neve todos os dias para caçar lobos, peixes e outros animais, ganham 15 torlas pelo bom serviço e quando capturavam animais maiores poderiam ganhar um preço gordo
Guardas — As pessoas os odeiam eles passam 24 horas por dia escondendo seus rostos aparentam não sentir nada e com aquelas roupas robóticas que produziam calor, eles vigiavam a realeza e machucavam as pessoas pobres que re rebelavam, nunca descobre o quanto ele ganham nunca tive a sorte de conversa com algum sem tentar me bater
Serventes — Esses trabalhavam quase todos os dias com a realeza, eles faziam de tudo até mesmo trabalhar em construções e se prostituir em prol do desejo de quem serve, ganham 20 torlas e eu sou uma servente e não, nunca me prostitui.
Os Médicos — Pessoas que estavam sempre do lado da alta classe cuidando de sua saúde e também criando medicamentos, ganham 50 torlas.
Por último os líderes — Os caras mais insuportáveis que existem eles controlam o valor das torlas e tudo que roda em suas determinadas regiões.
Agora que você sabe como a nossa sociedade funciona da forma mais desigual possível vou começar com a minha história, poderia começar com o dia em que conhece o Max, ou o dia em que sai numa aventura por motivos bobos, mas irei começar com o dia em que eu comecei a desprezar o mundo em que vivo.
Estava mais uma vez trabalhando para Donna limpando os seu belo conjunto de talheres, eram lindos de se olhar.
— Você está sempre trabalhando. — Disse Minerva atrás de mim, uma mulher morena com sotaque francês. Ela usava um tipo de pano azul transparente que mostrava muito de sua pele assim como eu aquilo fazia parte dos vestimos da bela mansão de Donna e não era algo sexista longe disso, a mansão de Donna era quente, mas da mesma forma fazia um certo frio que congelava os ossos e ela adorava ver seus funcionários trabalhando em medidas desumanas. — Deveria tirar uma folga. — Nos duas acabamos rindo da idéia de uma folga daquela casa.
— Onde está o Raphael? — Eu perguntei fazendo o rosto de Minerva congelar ela olhou para trás como se tivesse se lembrado de alguma coisa e correu pela porta, a segui tentando entender o que estava acontecendo tive que correr no piso gelado daquela casa com cada parte do meu corpo sentindo um arrepio com o vento soprando.
Encontrei Minerva de frente para a escada feita de madeira da mansão encarando Raphael que estava colocando o tipo de casaco algo que nenhum funcionário tinha permissão de fazer, me aproximei de Minerva que corria as lágrimas encarando o loiro se aproximar devagar.
— Então é isso? — Miverna gritou na direção dele, Raphael abriu a boca, mas ela continuou. — Você continua chutando aquela piranha!
Ela correu para outro salão e olhei de forma furiosa na direção do marido da minha melhor amiga.
— Antes de dizer qualquer coisa, eu consegue muita grana com o que dei para aquela coroa. — Disse ele com a aparência refletindo orgulho.
— Minerva não se importa com a merda da tarla, ela te ama, vocês tem filhos juntos. — O encarei como se ele estivesse ficando louco.
— Amor não paga comida de ninguém. — Ele pegou algo do bolso do casaco. — Só mais uma coisa vá até a sua casa vieram aqui agora a pouco. — Ele entregou um bilhete em minhas mãos. — Parece que sua mãe está mau. — Abre o bilhete nos instante e parte em direção a saída, nele estava escrito que minha mãe tinha desrespeitado os guardas por isso levou uma lição. Quando se escrevem "lição" nesse tipo de cartas não é geralmente algo bom, troquei de roupa e fui até minha casa tudo naquela cidade era fria as pessoas moravam em casas feitas de madeira que não tinham muita coisa apenas uma lareira, mesa e uma cama, todas as casas eram da mesma forma.
Me aproximei da minha casa e vê um tecido manchado de sangue jogado nas escadas da entrada. O peguei do chão e analisei aquela obra era da minha mãe, entrei e vê Lucy segurando a sua mão chorando enquanto ela estava deitada na única cama da casa também estava meu vizinho Daniel um homem barbudo e sorridente que mandou o bilhete para mim. O fogo estava aceso, mas como não era artificial não tornaria tudo mais quente.
— Mãe! — Me aproximei de seu corpo e senti sua respiração acelerada. — Eu vou encontrar algum médico por ai, Lucy cuide dela.
-Não. — Ela segurou forte a minha mão. — Eu queria que estivesse aqui quando partisse.
— Não! — Disse junto com Lucy que quase não conseguia falar apenas chorava. — Eu te amo mãe não vou deixar a senhora ir.
— Uma hora todos vamos querida. Mesmo se encontrar um médico lá fora nenhum vai querer me atender. — Ela passou a mão no rosto de Lucy. — Confie em se mesma Lucy você é mais forte do que acha que é fraca e Jessica cuidado com a porta... — Não tinha compreendido as últimas palavras dela antes do seu último suspiro.
— Vocês vão comer ela? — O Senhor Daniel perguntou, não o entenda mau é comum canibalismo ao mortos em nossa sociedade o encarei com o vômito em minha garganta.
— É claro. — Ele abaixou a cabeça e saiu pela porta, tinha que dizer sim ou então minha casa seria invadida e levariam o corpo daqui direto para as suas entranhas. — Não se preocupe mãe vou dar a você um enterro digno.
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