- Esses merdas morreram, agora chegou minha vez. Desgraçados, sei que meus abacaxis vão voltar e nos salvar filho, eu sei disso! -eu disse enquanto descascava um sabonete de morango e o comia.

- Pai, cala a boca, você não vê?! Chegou o nosso fim, não tem ninguém que nos salvem! -Júnior falava enquanto me olhava, como se eu tivesse fazendo algo de outro mundo.

Esses fedelhos sempre me atormentaram, e agora, eu vou ter que ser enterrado junto desses gambás?! Mas não vou mesmo! Estou comendo sabonete de morango, se eu pudesse, comeria de abacaxi. Mas ainda não criaram o sabor.

Um velho com cara de tarado entrou na sala e me chamou pelo meu nome:

- Abacaxilson... -ele disse antes de ser interrompido.

- Olha só o cara de cu! Eu não te dou confiança para você me chamar pelo nome da frente. Eu sou um senhor importante, já dancei tango com a Oprah, me respeite! -eu falei enquanto comia o sabonete.

Eu e meu filho fomos obrigados a descer pela escada de emergência, fomos levados para um local estranho. Mas tinha um cheiro ótimo de calcinha suja:

- Deitem-se! -ordenou o velho.

- Ok... -meu filho abaixou a cabeça e se deitou.

- Você também seu velho filho da puta! -disse o homem para mim.

Deitei e não disse nada, apenas observava o local e ouvia a musiquinha que tocava de fundo, que mais parecia musiquinha de mercado:

- O que você vai fazer com a gente? -meu filho perguntou ainda assustado.

O homem então, tirou do bolso uma seringa enorme, e apertou um pouco, para acertar o líquido que estava dentro:

- Agora é a vez de vocês! -ele falou, enquanto introduzia o líquido na veia sanguínea do meu filho.

Eu não entendi muito bem, mas vi os olhos dele se fecharem, então não dei tanta bola assim e estendi meus braços. Imaginei que aquilo fosse um tipo de droga, que curaria minha fobia de café.

Então, ele ajeitou a agulha e introduziu em mim. Confesso que o que mais doeu foi a picada, quando o líquido estava entrando, eu não senti nada. Apenas meus olhos fecharem e minha cabeça arder um pouco.

Depois disso, não houve mais nada, aliás, é assim que uma pessoa comum morre.

Se me arrependo de algo que tenha feito? Obviamente não. Sei que estão pensando que eu morri e que não teria como pensar, mas não, eu ainda não estava morto. Eu estava ainda morrendo, sentindo agonia, mas no entanto, estava pensando em tudo que fiz na minha vida.

Sei que agora eu iria me sentir melhor, ninguém mais me atormentaria, eu não faria mais nada, apenas, dormiria por toda a eternidade....