- Passaram-se anos e eu ainda me lembrava daquilo tudo, da apocalipse, da nossa amiga chegando a loucura, da morte dos nossos amigos e da morte do PacNilson. Tudo ficaria guardado em minha memória e na memória de minha esposa, Larissa.

Hoje está tudo calmo, aliás, já se passaram 5 anos. A cidade de Perrada continua sendo vazia, não existe ninguém que more lá. E nós, conseguimos emprego e moramos em um prédio, no centro da cidade. Ninguém nos reconhece mais. Mas hoje em dia lembramos, aliás, aquela apocalipse foi o momento mais emocionante das nossas vidas. Aquelas pessoas morrendo, aqueles abacaxis assassinos, as cafeteiras ambulantes.

Finalmente, tudo acabou, hoje podemos cuidar de vocês, podemos ter nossa família e o nome de vocês dois? Há, é em homenagem aos nossos dois amigos, que também eram gêmeos, sabe, filhos?! -eu perguntei ao meus dois filhos enquanto contava a história de nossas vidas.

- Papai, eles se chamavam Andréia Fonomi e Juan? -perguntou a minha filhinha.

- Sim filha, nós não conseguimos salvar ela. Acho que foi a melhor forma de homenageá-la... -eu respondi enquanto assava os pães de queijo.

Hoje em dia, eu e Larissa nos casamos, tivemos nossos dois filhos, o Juan e a Andreia. Temos uma vida saudável e nunca mais escutamos falar de Perrada. E esperamos nunca mais ouvir falar...

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