Notas iniciais
Cap formiguinha, não poderei postar nos próximos dois dias então postei agora mesmo :p

Sophie estava dormindo dentro da barraca de Thomas. Os quatro homens ainda conversavam felizes sobre a vida que tinham atualmente, Joseph parecia amar sua família, ele dissera que faria tudo para cuidar de sua família.

A noite ia alta e não estava com sono. Fui até Thomas interromper a conversa rapidamente.

─ Thomas a noite está segura? ─ perguntei.

Ele se virou intrigado.

─ Esta, o que esta pensando em fazer? ─ perguntou ele com uma expressão preocupada.

─ Dar uma volta para ver se o sono chega...

─ Pegue. ─ disse ele tirando a bainha com sua adaga da cintura. Os outros três homens ficaram assustados e de olhos arregalados. ─ Cuide bem, é uma adaga de família, e só use em casos extremos, lembre-se do apito. ─ falou ele. ─ Toma cuidado, agora vai. ─ falou ele se virando para seus amigos.

Pude notar a incredulidade na cara de cada um. Me virei e coloquei a bainha firmada no cinto que Thomas me dera, andei pelas cabanas e logo já podia ver o dorso dos Arclaros, a lua estava clara e dava para ver tudo ao redor, continuei andando.

Então algo inesperado aconteceu. Fui presa pelos braços por trás, uma mão tampou minha boca, tentei a morder, mas ele se esquivava a cada instante, fui jogada no chão e ele levantou minha saia, logo vi o que ele iria fazer, consegui esquivar uma mão da força dele, retirei a adaga de Thomas da bainha, me virei com toda minha força abrindo um grande corte no peito dele, ele urrou. Era um dos soldados do grupo de Joseph.

Com maestria e ódio ele me desarmou rapidamente pegando a adaga, tudo que senti foi dor, ele enterrou a adaga em minha barriga.

─ NORÁH!!! O QUE VOCÊ FEZ!? ─ uma voz berrou.

Cai no chão com a cabeça virada para a direita, no exato momento em que Thomas, Lhogran, Joseph e Thaircont chegaram. Thomas e Lhogran vieram correndo até mim. Joseph estava estático olhando para seu subordinado.

─ NORÁH O QUE DEU EM VOCÊ? ─ berrou a mesma voz de antes, me virei e era um garoto moreno, então ele socou a cara do tal Noráh.

─ Noráh, porque? ─ perguntou Joseph.

No meio da confusão só depois notei que Thomas e Lhogran falavam comigo. Me virei.

─ Anna está acordada? ─ perguntou Thomas.

─ Fale algo que merda!! !─ disse Lhogran passando a mão nos cabelos dele, desesperado.

─ Belle... ─ falei fracamente.

Thomas não entendeu e me olhou com aquela expressão de questionamento.

─ Me chamem de Belle... ─ falei antes de tudo se apagar...



Tudo clareou, pisquei tentando me acostumar com a luz.

─ Ela acordou... ─ falou o homem que berrara com Noráh.

─ Belle!? ─ perguntou Thomas.

Movimentei a cabeça para vê-los.

─ Você não esta nada bem, Sophie já chorou tanto... ─ falou ele.

Me levantei desesperada.

─ FIQUE QUIETA, VAI ROMPER OS PONTOS, DESGRAÇA! ─ falou ele gritando comigo. ─ Já tivemos que refazer duas vezes pela sua inquietude, fique quieta, Lhogran esta usando magia para te curar, mas foi um ferimento sério. ─ falou ele bravo.

─ Chame Sophie. ─ pedi.

Ele saiu e voltou de mãos dadas com Sophie. Ela estava chorando e veio me abraçar.

─ Não morre, não quero ficar sozinha!!! ─ disse ela chorando alto.

─ Não vou morrer meu amor. ─ falei fazendo carinho nela.

Ela ficou entorno de meia hora abraçada em mim. Então Joseph entrou na cabana, sério e olhou para a pequena.

─ Sophie, você me deixa a sós com sua titia, preciso conversar com ela. ─ falou ele passando a mão na cabeça dela.

─ Tudo bem titio Eph, cuide bem dela. ─ falou ela fazendo uma carinha extremamente linda.

─ Ela é tão esperta para a idade dela, minha filha menor tem a mesma idade e não fala metade do que ela fala, é uma ótima menina. ─ falou ele se sentando na beirada da cabana.

─ Sim, é meu anjinho. ─ falei sorrindo.

─ Anna ou Belle como preferir, me desculpe... O homem que te atacou era do meu pelotão, notei nos últimos tempos que ele estava sofrendo com a falta da sociedade, mas não imaginei que ele fosse chegar ao ponto de querer estuprar uma jovem do rei. Roran, o homem que estava gritando com ele e que estava aqui dentro ainda há pouco com Thomas, contou o que aconteceu, eu quase não pude acreditar... Como punição ele será morto nesta tarde, se você não acordasse ele seria torturado até a morte...

─ Não é preciso, não faça isso...

─ Não existe clemência entre Signatas, todos pagam seus erros, nossos rostos são a marca disto, é uma lei que ele seja executado, não interfira. ─ falou ele duro. ─ Sinto muito pelo acontecido.

─ Não foi sua culpa...

─ De certa forma sim, fui eu que o trouxe...

─ Não se culpe, ficarei bem. ─ falei sorrindo.

Durante toda a tarde Lhogran cuidou de mim, falando muitos encantamentos de cura, imaginei que fosse para ser fácil. Mas a demora foi a prova de que não era.

─ Não é fácil fazer encantamentos de cura? ─ perguntei insolente.

─ Sim, é o mais simples dentre todos, apesar de ser o que mais demanda energia, o problema não é que estou esgotado, o problema é a arma usada Belle, a adaga de Thomas é uma adaga de vasbsay, um metal extremamente raro, no mundo antigo era extraído de uma pedra chamada meteoro, agora chamamos de pedra celestial ou vasbsay, por algum motivo, ela é hiper-resistente e fazer encantos de cura de uma ferida feita por ela é extremamente difícil. E para curar naturalmente é extremamente difícil.

─ Ervas aceleram a cura? ─ perguntei.

Ele me olhou confuso.

─ Não conheço ervas de cura. ─ falou ele.

─ Então vamos testar, me ajude a levantar Lhogran. ─ pedi.

─ Thomas me mataria.

─ Então me ajude a não romper os pontos! Vamos me ajude, se é tão difícil curar com magia você vai estar mortinho no fim da tarde e ainda não estarei bem. ─ falei persuadindo-o.

Ele balançou a cabeça.

─ É hoje que morro. ─ falou me ajudando a levantar.

Saímos e ouvi instantaneamente o berro de Thomas.

─ Lhogran!!! Esta conspirando contra mim!? ─ perguntou furioso.

─ A magia não adiantou nada Thomas, então ela sugeriu que usássemos ervas. Ela tem conhecimento dessa área, então levarei ela, se mais alguém pudesse nos ajudar...

─ Eu vou. ─ falou o tal Roran.

Então seguimos, de tempos em tempos eu pedia para Roran pegar certas plantas. Volte meia ele opinava dizendo que certas eram venenosas, sempre tinha uma resposta plausível, ele sabia também um pouco sobre plantas.

─ Onde aprendeu a colhê-las? ─ perguntei.

─ Minha mãe, senhorita. Ela era uma grande conhecedora da arte. ─ falou ele sorrindo.

─ Era? O que aconteceu? ─ me virei séria.

─ Há algum tempo houve uma guerra em Ilíria, minha cidade natal. Ela foi morta por invasores... ─ falou ele abaixando a cabeça.

─ Sinto muito. ─ disse passando a mão nos cabelos dele. ─ A vida é dura com quem amamos, espero que a volta seja plena para você.

─ Já foi. ─ falou levantando a cabeça. ─ Me vinguei de quem matou uma das mulheres mais especiais de Ilíria.

Sorri e seguimos em silêncio, depois de pouco tempo voltamos ao acampamento, Thomas me parou instantaneamente para olhar a ferida, enquanto isso Sophie correu para me abraçar, como era de se esperar Thomas parou ela e fê-la seguir com calma para não me machucar. Thomas parecia de bom humor apesar de manter suas feições carrancudas.

Peguei potes de barro com Lhogran, então fiz as pastas das devidas plantas. Me sentei no chão e passei com cuidado.

─ Vai curar logo? ─ perguntou Roran se sentando ao meu lado e de Sophie.

─ Não sei. Lhogran! ─ chamei.

Ele veio rapidamente, parecia assustado.

─ Diga. ─ falou parando para respirar ao meu lado.

─ Tente fazer magia de cura agora, acabei de lembrar que uma das plantas que usei corta efeito mágico e a outra potencializa as magias para ser feitas. Tente. ─ falei.

─ Ah Belle, isso é mito, já tentei muitas vezes...

─ Somente tente. ─ cortei ele.

Ele acenou com a cabeça e começou a proferir encantos, enquanto isso concentrava toda minha energia na região da barriga, a área começou a formigar e Lhogran continuou a proferir os encantos, e senti um imenso formigamento na área, então olhei para o machucado e começou a sangrar, Lhogran parou na hora.

─ O que?! ─ perguntou, então o sangue começou a pingar. ─ THOMAS!!! ─ urrou ele.

Thomas veio correndo e quase caiu.

─ Céus o que fizeram!? ─ perguntou ele, o sangue estava quase jorrando. Thomas rasgou desesperadamente a camisa e tentou estancar. ─ Esta doendo? ─ perguntou.

─ Não.

Então ele limpou o machucado e todos levamos um grande susto, a ferida estava fechada, sem nenhum sinal ou cicatriz. Thomas franziu o cenho.

─ O que diabos vocês fizeram? ─ perguntou ele.

Lhogran olhou assustado.

─ Pergunte para ela. Eu só proferi o mesmo encantamento de antes...

─ Funcionou!!! ─ gritei.

─ E agora você esta amarela, perdeu muito sangue com o ferimento esta manhã e ainda mais de um litro agora, está louca, pode ter funcionado, mas você podia ter morrido ─ falou Thomas. ─ Você é a mais idiota e mais sortuda de todas as garotas que já encontrei. ─ falou ele saindo.

Então me levantei e me estiquei.

─ Pense pelo lado bom majestade, agora poderemos seguir com a caravana! ─ falei.

─ Se você achava que não seguimos com a caravana por você esta redondamente enganada, você não é nem no mínimo importante para meus planos, garota. Posso te tratar bem, mas não confunda isso com sua falsa importância. ─ falou ele duro, então se virou e sumiu entre as barracas.

Fiquei quieta e séria.

─ Isso que dá se considerar importante pro Thomas, se acostume, ele ainda te dará foras tão grandes quanto esses. ─ falou Lhogran me usando como encosto para seu braço.


Ao fim da tarde todos arrumavam suas coisas, por volta de oito horas todos estavam prontos para sair, havia muitos Arclaros, a garota de olhos de gato foi com Lhogran no dele, Thomas foi sozinho com o maior Arclaro, Roran se ofereceu para levar a mim e a Sophie.

A viagem seguiu calma, quando a lua ia alta no céu Thomas resolveu parar com o grupo, em uma floresta, armamos o acampamento ao lado de um rio. Aos poucos todos se espalhavam. Como de costume fiquei atenta ao que acontecia, descobri os nomes das meninas, Alícia era o nome da garota-gata, havia uma garota que parecia mais um anjo, de pele clara, olhos azuis e cabelos cacheados que desciam como uma cascata pela cabeça dela, até ao bumbum, ela se chamava Daara.

Uma outra que tinha cabelos castanhos, pele negra e cacheados e olhos verdes era Naus, segundo as conversas dela, era descendente de ciganos. A quarta era Haddanë, de cabelos negros e escorridos com um leve reflexo azul evidenciado pela lua, seus olhos eram negros como a noite. A quinta era Monnar, de olhos castanhos claros e corpo esbelto, cabelos ondulados e claros, conforme o que conversava com Haddanë era violinista, um instrumento escasso em nossa época. E a ultima era Angelique, ela era nova, devia ter dez anos, magra de cabelos ruivos, os olhos eram verdes e pele clara.

Eram lindas meninas, como era de se esperar, cobras se enrolavam com cobras, Linda e Alícia mantinham uma ótima conversa.

Fiquei no meu canto, já era tarde quando a comida saiu e comemos felizes. As conversas corriam o acampamento. Thomas estava conversando com Joseph. Eu estava do outro lado do acampamento. Observei a floresta, então vi algo estranho, algo como bigodes de algum animal, era um nariz pontudo com duas narinas... Me levantei automaticamente e corri até Thomas.

─ THOMAS, THOMAS! ─ gritei.

Ele me olhou carrancudo e sério.

─ O que foi?

─ Thomas vi algo estranho na floresta, vi bigodes e um focinho pequeno e pontudo!!! Me contaram que Rognarüs são assim!!! ─ falei desesperada.

─ Espera que eu acredite em você? Estamos fora do alcance deles. ─ falou ele sério. ─ Sinceramente só acho que esta querendo chamar minha atenção.

Olhei para ele desesperada.

─ Mas... ─ tentei.

─ Não, pare com sua encenação infantil e ridícula. Já estou cansado de você.

Olhei para ele aparentemente ferida e sai sem nenhuma palavra. Me sentei ao lado de uma barraca, Thomas havia voltado a ser o brutamontes que era.

Fechei os olhos, Sophie estava na cabana.

─ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. ─ um grito estridente fez-se ouvir. Me levantei instantaneamente a tempo de ver Haddanë na boca de um ser tão terrível que chegava a ser impronunciável: Um Rognarü.

Não era só um, eram três monstros adentrando ao acampamento. Corri para pegar Sophie, entre gritos. No meio do caminho encontrei um arco e flecha, o peguei instantaneamente e corri para meu anjo. Tirei ela da cabana, ela chorava. Vi Thomas correr para os Arclaros pegando apenas o necessário e gritando para fazerem o mesmo.

Eu era prisioneira, não tinha o que pegar alem de Sophie.

Então me assustei, Thomas havia entrado em sua cabana para pegar algo, então um Rognarü se aproximou, quando Thomas saiu deu quase de cara com este, peguei uma flecha, armei e soltei, atingiu o focinho do monstro afastando-o de Thomas, este que olhou para a direção do disparo, olhou para mim assustado, então sorri e puxei Sophie. E corremos, Roran me puxou para o Arclaro dele. Então fugimos, sentei-me atrás de Roran.

Conforme os Arclaros corriam os Rognarüs nos seguiam loucamente, até o instante em que um Rognarü investiu contra o Arclaro de um subordinado do terceiro general. O Arclaro tombou instantaneamente.

─ CONTINUEM!!! ─ Thomas ordenou aos berros.

Notei a tristeza nos rostos de muitos, mas não havia saída. Ainda sim continuamos a ser perseguidos, foi ai que notei que Thomas estava com as feições diferentes, como nunca as vira: com medo.



Notas finais
Reviews? t-t