O olhar daquele homem era magnífico!

Ele guiou todas nós meninas para uma grande sala.
− Meninas, todas vocês serão arrumadas por meus empregados, afinal princesas não devem parecer plebéias.− sua voz era melodiosa, controlada e extremamente encantadora.

Durante horas nós fomos arrumadas como princesas, haviam meninas tão lindas, algumas mais pareciam anjos. Quando terminamos já era noite, me levantei e me olhei no grande espelho, meus cabelos pareciam ouro líquido, estava com um vestido azul, ele não tinha mangas, um corpete apertado cobria toda a área abaixo dos meus seios e acima do quadril, a parte de baixo do vestido era armada, com vários detalhes em pérolas. Eu devia concordar, parecia um princesa. Enquanto estava perdida em meu devaneio, uma voz conhecida soou as minhas costas.
− Está deslumbrante. − Thomas disse.
− Ora! Thomas o que faz aqui? Achei que não pudesse entrar aqui.
− Na verdade posso, mas estou aqui por que o rei mandou. Ele mandou que eu buscasse algumas moças, você é uma delas.
− Eu....?
Thomas levou a mim, Alícia, uma menina chamada Kelly e a outra Stephany, não sabia pra o que era, mas ele nem olhou em meus olhos, parecia estar com raiva, ou talvez só tentando não deixar margem para Alícia falar.
Entramos em uma grande sala, o rei estava sentado em seu trono.
− Pronto majestade aqui estão elas.
Ele olhou cuidadosamente para cada uma de nós.
− Thomas pode ir. Meninas sabem por que estão aqui?
Todas balançaram a cabeça negativamente.
− Pois bem, é porque quero me casar, uma de todas vocês será minha esposa. A propósito, estão lindas.
Ele nos observou durante muito tempo, ele olhava em mínimos detalhes, cada coisa que fazíamos.
− Thomas, pegue a de branco. − disse ele apontando para Kelly− Quero ela no meu quarto em 4 horas.
A menina estremeceu.
− Sim senhor− Thomas respondeu chamando um assistente − Leve-a, eu levarei as outras para a casa das mulheres− murmurou ele tão baixo que era quase impossível distinguir as palavras.
A jovem Kelly foi levada, Thomas levou todas nós para o lugar onde dormíamos, ele entregou as outras a Lho, que as levaria até os quartos, mas me puxou, e sem palavras me carregou noite a dentro. Nós saímos do castelo, andamos pela floresta, que a essa hora era cheia de ruídos assustadores, ao longe eu vi uma grande torre, na verdade as ruínas de uma torre. Thomas silencioso me levou até a torre, subimos as escadas, quando chegamos no ponto mais alto, havia uma porta, nós entramos na sala. Sombras se insinuavam onde a clara luz da lua não chegava, teias de aranha revelavam o quanto o lugar era antigo, havia poeira para todos os lados, aquele lugar era um quarto, móveis velhos lá estavam, mas o mais assustador era que exatamente a cama, permanecia intacta, não havia poeira, nem teias de aranha, era coberta por um lençol negro, as fronhas também era pretas, haviam rendas brancas nas beiras da fronha, não simples rendas, mas eram perfeitas como se uma deusa as tivesse demorado anos fazendo com que ficasse delicada, Thomas estava parado me olhando, eu não diria nada, ainda observava o lugar em mínimos detalhes.
− Por que me trouxe aqui?
− Eu a trouxe porque queria momentos de paz com você. Esta é minha morada, não se assuste, faz nove meses que estou a procura das escolhidas, é claro que era para estar assim.
Me sentei na cama que por sinal era o único lugar limpo, eu e Thomas conversamos durante tanto tempo, nós não tínhamos assunto, mas era agradável falar com ele, por fim o sono venceu-me, me deitei na cama dele, ele seguindo meu gesto, se deitou de frente para mim, nos olhávamos olho no olho, foi assim até que eu caísse no sono e não me lembrasse do que acontecera depois.
Acordei de manhã assustada, estava na minha cama, dentro do castelo, será que havia sido só um sonho? foi quando me virei.
− A bela adormecida acordou − disse Thomas carinhoso.
− Oh Thomas, o que eu... Péra aí! Onde eu estou?
− Não se lembra? Noite passada eu...
− Eu estava na torre, não no meu quarto.
− Eu tinha que te trazer, se ficasse lá e o rei resolvesse te visitar? Quando você dormiu, eu te trouxe.
− Me carregou daquela torre até aqui? − assustei-me pois a torre era muito longe do castelo- A propósito, que lugar é aquele?
− Oh... É o antigo castelo de meu pai, foi ficando velho, todo o resto caiu, mas consegui proteger a torre, agora moro lá.
− Ora, mas é tão longe.
− Isso é bom pois ninguém me atrapalha.
− Você é engraçado Thomas!
− Sério? Você é a primeira pessoa que diz isso − ele disse sorrindo.
− O que aconteceu ontem, não vai atrapalhar nenhum de nós dois né?
− Desde que ninguém saiba.
− HAHA não contarei!
− Muito menos eu! Agora que acordou, vou indo, se arrume rápido, o café será com o rei, e além do mais hoje é a primeira eliminatória.
− Eliminatória?
− Sim, hoje várias moças serão tiradas da lista das que podem se casar com o rei
− Então é como um concurso?
− Quase isso! Vamos preguiçosa, levante-se!!! − ele veio até mim, fez cóceguinhas como faria como um criança.
− To indo!!! − levantei-me rápido para que ele parasse.
− Vou indo! − ele saiu, me deixando sozinha no grande quarto, me apressei e fui tomar banho.
Me vesti com um lindo vestido branco, ele tinha detalhes em pérolas, e tinha uma calda que se arrastava pelo chão, não me preocupei se ela se sujaria, os pisos do castelo eram limpássemos. Enquanto andava até a sala de refeições, observei o quanto o castelo era bonito por dentro, os corredores desapareciam ao longe, em muitas paredes haviam pinturas, que a propósito eram de muito bom gosto. Esculturas completavam o lindo cenário, passei por um corredor com portais, por onde se via o grande jardim, flores coloridas reavivavam o cenário, o castelo não era colorido, mas as flores já bastavam para dar vida ao cenário sóbrio de corredores escuros. Logo ouvi as vozes das meninas, conversavam alto, claramente comentando a beleza do rei, pude observar que todas elas eram amigas, mas não tocavam no assunto de quem passaria, era um assunto delicado, pois todas eram inimigas na verdade, a rivalidade se encontrava em cada um dos olhares que davam para a outras moças, mas não saía uma palavra que insinuasse a rivalide.
Me sentei, nenhuma delas olhou para mim, foi um alívio, mas logo fiquei nervosa de novo, o rei entrou na sala.
− Bom dia meninas. Ah, quero perguntar uma coisa, alguém aqui sabe meu nome?
Todas balançaram negativamente a cabeça.
− Meu nome é Stephan. Quero saber o nome de vocês também.
Cada uma foi dizendo seus nomes calmamente, até que chegou minha vez.
− Anabelle Clarisse D'olloran.
− Anabelle... É um nome encantador! − disse o Stephan olhando interessado.
O resto da manhã foi um saco, várias meninas foram eliminadas como se não servissem, eu não fui eliminada, mas no final Stephan me olhou com interesse.
− Thomas! Por favor a tal Anabelle, quero que a livre de toda essa idiotices que eliminatórias, quero que ela já esteja na final. − murmurou ele baixinho.
Thomas veio até mim, me puxou delicadamente pelo braço, foi me levando até meu quarto, abriu a porta.
− Belle, não poderemos mais nos ver, agora você terá a guarda real toda atrás de você.
− Não! Não pode fazer isso! Arranje um jeito!
− Não posso! Sei que é terrível... Mas nada posso eu fazer!! − ele me deixou no quarto sozinha.
Estava arrasada, agora por causa de um capricho do rei, não poderia mais ver Thomas, nessa hora percebi algo que não devia ter percebido, meu coração batia descompassadamente, a raiva subia a minha cabeça, eu estava apaixonada, por Thomas...
O resto da tarde passei chorando, não devia gostar de Thomas, se o Stephan me escolhesse? Como eu sobreviveria?
Chorei até dormir.

Acordei a manhã seguinte arrasada, me arrumei e segui para o café. Todos perceberam meus olhos vermelhos, Thomas me olhava o tempo inteiro. Quando o café terminou, ele me esperava na grande árvore do jardim.
− O que está havendo?
− Nada, Thomas não é nada.
− Você estava chorando. É claro que há algo!!!
− Não é do seu interesse.
Nessa hora ele se retraiu, vi que havia sido grossa, não me desculpei, talvez fosse o melhor a fazer.
− Por favor, me deixa.
− O que... Por que está fazendo isso?
− Vai embora!!! − Lágrimas escorreram pelo meu rosto, ele ficou abalado. − Só me deixa!!!
− Como quiser! Mas não voltarei, nunca!
Meu coração se partiu em mil pedaços. Queria morrer...

Notas finais
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