AZ inspirado em TWD

54 Hotel cinco estrelas


Notas iniciais
Hey, hey, heey!

Aqui estou, vasculhando carros, trailers, ônibus e até aquelas motos que possuem algo como um bunker embaixo do banco. Até agora, não achei nada que pudesse ajudar muito, apenas uma caixa de ferramentas. Estávamos indo na direção contrária dos zumbis, regredindo na estrada, enquanto Daryl e Kay procuravam um bom ônibus ou (se tivermos sorte) um trailer confortável, com cozinha e um banheiro higiênico. Nós estamos fazendo como Kay mandou, olhando antes pela janela para ver se há algum errante, mas esses carros de vidro escuro são difíceis de fazer essa revisão. Sabe, em alguns carros achamos coisas bem tristes de se ver, como uma garotinha no banco de trás de um Fiat Uno que tinha uma pequena boneca em mãos e, no banco da frente, a provável mãe dela, que ainda tinha as mãos no volante e olhava para frente, como se estivesse paralisada no tempo. Aproximei meu rosto do vidro da frente, do rosto daquela mulher e ela olhou para mim com um olhar profundo, em um piscar de olhos eu fui transportada à um lugar tranquilo, um quarto. Suas paredes eram rosa-claro, com vários desenhos pendurados, havia uma cômoda branca e, sobre a mesma, um porta-retratos com a foto de uma família feliz. Uma mulher de uns 30 anos, loira, seus olhos eram azuis, profundos como o mar, um homem também com a idade de 30, ou um pouco mais, moreno e tinha olhos verdes e, por fim, uma garotinha loira de olhos verdes, a combinação dos dois. Todos sorriam, felizes e a menininha abraçava um ursinho de pelúcia. Olho os desenhos na parede, com a assinatura Celinna. A garota da foto entra no quarto, chorando e, desesperada, se esconde embaixo da cama. Eu, assustada, olho para a porta, mas nada vejo, então decido descer as escadas por onde ela havia subido. Ao chegar no andar debaixo, vejo a noticia na televisão de que existem humanos canibais por aí e que não há lugar seguro a não ser Atlanta. É um tipo de vírus que toma conta do sistema nervoso da pessoa e... a mulher da foto desliga a TV e eu percebo que ela está nervosa pois rói as unhas enquanto corre para a cozinha pegar mantimentos. Depois eu estou dentro do carro, ao lado da criança e ela dirige, buzinando desesperadamente, mas o trânsito não flui! Então eu volto para o momento atual, com enorme dor de cabeça, ainda fitando a mulher do carro enquanto a mesma empurra a cabeça contra a janela para tentar me devorar.
–Fernanda, está tudo bem?-Zayn indaga, pondo a mão em meu ombro.
–E-eu estou bem, Zee.-Respondo-o, piscando algumas vezes para voltar ao normal, mas a imagem da garotinha apavorada não saía de meus pensamentos.-Zee, já pensou para onde vamos depois de virar andante? Sabe, nós precisamos ir a algum lugar bom ou ruim, devemos receber as consequências da nossa vida.-Digo, andando ao lado dele enquanto fuçávamos os automóveis.
–Eu acredito no céu e no inferno, você não? Acho que isso é como o dilúvio. Os bons seguirão vivos e, depois da longa caminhada, morrerão bem e irão para o céu, você não pensa assim?-Explica, em seguida me indagando.
–É, eu acredito que será assim, apenas quis saber seu ponto de vista. Existem tantas religiões, eu estava interessada em saber como seria o final do ponto de vista de outra pessoa, mas você pensa como eu.-Falo.-Mas não pense que estou decepcionada! É algo bom que você acredite nisso como eu.-Sorrio, o abraçando de lado.
–Okay, mas agora vamos continuar nosso serviço, porque está complicado achar algo bom aqui!-Ri ele, buscando no carro prata ao nosso lado uma coisa útil.

Após algumas horas, o céu estava exatamente na metade do lado esquerdo, então fomos voltando. Lá, todos já estavam reunidos e nos esperavam com caras preocupadas, provavelmente por estar quase noite.
–Ah, meu Deus! Vocês nos assustaram, idiotas! Eu disse na metade do céu à esquerda, não ao anoitecer!-Kayue nos dá bronca e nos leva até nosso "hotel", um ônibus velho e enferrujado, porém com banheiro.-É um ônibus e viagem, teremos um pouco mais de conforto do que se fosse um da cidade. Escolham seus assentos, queridos, vai ser uma longa noite. Alguma ideia de como trancar a porta?-Diz, enquanto todos subiam.
–Eu acho que devíamos arrancar uma porta de carro. Vai demorar um pouco, mas vai ser seguro.-Opina Daryl.
–Vai demorar demais, temos que nos arranjar com algo daqui de dentro. Vou tentar abrir o porta-malas para ver o que encontro.-Fala Beth, descendo novamente.
–Espera, vou com você para garantir que não morras.-Digo, pegando meu arco e uma aljava. Subi no carro ao lado e pulei para o ônibus, dando a volta para observar se havia algum errante.

Notas finais
Aqui, coisas lindas!