A.R.Troopers Portuguese Version

1 Cp. 1 - Memórias Zumbificadas Pt. 1


Estava claro pra uma noite fria, e as quatro luas brilhavam nos céus límpidos do subúrbio do Distrito Aera. Todas as casas estavam apagadas, e todos seus moradores descansavam para o próximo dia de amanhã em suas vidas, exceto por uma pequena casa mais distante e pacata.

—Mas papai, você me prometeu ano passado! Eu quero muito saber as histórias de nossos ancestrais! Qual o problema disso afinal?

Cansado, Ronald Harrington Minos suspirava com um bebê dormindo em seu colo.

—Filho, você nunca percebeu que todo ano é a mesma coisa? Nossa vida no planeta Terra não importa mais. Passado necessita ficar no passado.

—Eu sempre irei tentar te convencer a me contar! Se o passado na Terra não importasse, a gente nunca pensaria em usar coisas como os calendários terrestres, não acha?

Ronald suspirava outra vez com mais profundidade, reclinando-se em sua poltrona, coçando a pequena barba mal-feita e ajeitando seu chapéu-coco.

—Um dia você irá entender. Eu espero. Agora, senhor curioso, por que você ainda não está dormindo? Já passa das trinta e você continua em pé, todo alegrinho!

—A culpa é toda sua, pai! O bolo tinha muito açúcar! Eu disse, eu disse, eu disse!

—Não importa, garoto! Vá pra cama e ao menos finja que está dormindo, a sua mãe já está pra-

Ronald mal terminou sua frase, e o barulho da porta se abrindo se alastrou por toda casa... O quê não era muito de se impressionar, já que a casa era relativamente pequena, com uma sala, cozinha e um quarto com divisória. Estava mais para um pequeno andar de hotel.

Uma mulher, que aparentava estar nos seus 30 anos de vida, entrava na sala cansada. Seus cabelos ruivos estavam empoeirados de carvão, e seu uniforme de maquinista pior ainda. Ela tossia e se espreguiçava.

—Ufa! Finalmente, jaula doce jaula! Desculpe ter demorado tanto para comemorar os nove anos do noss-...RODRICK?! VOCÊ ESTÁ ACORDADO À ESSA HORA?!!

—E-Eu estava t-te esperando, m-mamãe!- O garoto tentava disfarçar.

—Awwnn, meu amor! Não precisava disso! Por que não podia me esperar?... Ahh, você soube do presente, não é, menino!

—PRESENTE?! VOCÊ DISSE PRESENTE?!- O garoto pulava de alegria. Rodrick usava uma camiseta branca amarelada, algumas marcas de machucados no queixo e uma franja e cabelo desgrenhados.

—É um presente que você vai adorar! Ele é tão grande, mas tão grande... Que eu acabei não conseguindo trazer ele pra cá. Mas se você for dormir, nós podemos ver o presente amanhã na minha folga! O quê acha, querido?

—SIM SIM SIM!!- Rodrick corria para o quarto e se jogara em sua cama. -Boa noite, gente!

Quando a criança elétrica foi para o seu lado da divisória, Ronald fechara seu rosto de vergonha, apenas mostrando um sorrisinho falho de medo.

—Deixa eu adivinhar... Muito açúcar no bolo de novo.

Ronald soltou um baita de um suspiro aliviado. -Desculpe, Sue. O Rodrick não parava de pedir para colocar mais açúcar em tudo.

—Não importa. E aí, sobrou alguma coisa pra mim?

—Ficaria assustado se não tivesse! Eu mesmo comi uma fatia só e ainda dividi com o bebê.

Sue olhava para o bebê, enojada como a atitude do seu marido. Seu nome era Cylan, tinha quatro dentinhos de capivara, olhos grandes e expressivos, e três cabelinhos que formavam uma franja. Sua barriga estava dilatada de cheia.

—Ele parece que comeu duas fatias inteiras, Ronald! Você enloqueceu hoje?!

—Olha querida, não dava pra gente discutir isso amanhã? O Rodrick me empurrou muito até o limite e eu preciso descansar...

Sue franzia a testa, mas confirmou que ninguém devia estar acordado tão tarde da noite. Os dois vão para cama, e deitam.

—...Desculpa, amor, mas eu estou faminta!- Dizendo isso, Sue levantava e corria até a geladeira, pegando um pedaço com uma faca já lá dentro e um papel toalha, voltando para a cama.

—Acho que aproveitando que você está sem muito sono, eu queria falar sobre o... "presente" do Rodrick.

—Calado. Ele vai adorar viver em um lugar onde ele vai poder finalmente se enturmar. Aqui não é um lugar onde ele devia crescer, você sabe. Até porque, ele mesmo não vai deixar pra trás muita coisa aqui em Aera. Ele sequer tem algum amiguinho na escola dele?

—...Touché. Eu ainda acho que o problema não é a escola dele, mas você se recusa a me ouvir.

—E vou continuar recusando, Ronald. O MEU filho não vai crescer como um daqueles nerds mudos dos meus tempos de colégio!

—EI! Eu era um nerd na época e você acabou de se casando comigo!

—Você é caso à parte. Já comi, vamos dormir.

—Boa noite, querida.- Ronald lhe dava um beijo antes de fechar seus olhos.

—Espero que a gente não acorde com um pecrawt-do-mar destruindo mais uma casa hoje de manhã. As tropas estão focadas demais nos rebeldes. Boa noite, querido.

E assim, a família dormia mais um dia. Rodrick mal sabia como sua vida poderia mudar desse dia em diante.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.