Annabeth

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“Casamento não é um mar de rosas”, disse a vovó Anna uma vez. “As responsabilidades aumentam, e a tensão também. Alguns conselhos eu lhe darei: Engula o orgulho, sempre pense que vale a pena continuar, exija respeito, imponha respeito, nunca durmam brigados, e sempre tenham fé um no outro”

Foram conselhos que fizeram a diferença, precisei mudar muito, e amadurecer muito mais. Percy ainda continuava sendo o oito, ou oitenta de sempre, e na verdade, eu precisava de alguém assim pra me frear, pra me moldar. O tempo passou, nós nos mudamos para uma casa maior, nós crescemos juntos, trabalhávamos juntos... A arquiteta e o engenheiro, era uma casada perfeita.

A primeira vez que peguei o Percy na cama com outra mulher, foi hoje, quando cheguei do trabalho as 23h e ele estava dormindo com nossa filha de um ano, agarrada em seu pescoço. Cinco anos haviam se passado desde nosso casamento, e observar as pessoas que eu mais amava na vida, agarradinhos e dormindo profundamente, me fez sorrir. Eu com certeza era a mulher mais realizada do mundo.

Nossa filha se chamava Luiza, ela tinha cabelos claros como os meus, e olhos verdes como os do pai, na verdade, ela era toda o pai. Sorriso, olhar, o jeito esperto que lhe dava com as coisas, e isso era nostálgico, era um sentimento único. Quando se carrega por nove meses um ser dentro de si, e depois acaba percebendo que a única coisa que havia puxado de você foi apenas cor dos cabelos, não era algo decepcionante, era surpreendente. Era perfeito olhar para minha filha, e ver o meu marido.

Tomei um banho na suíte de nosso quarto, e logo depois me aproximei da cama para tentar levar a Luiza até o quarto dela. Percy já havia despertado e a encarava tranquilamente, enquanto acariciava seu rosto, como se estivesse em suas mãos o bem mais precioso que lhe tinha.

— Te acordei? – Perguntei sussurrando

Percy ainda era lindo, ainda mantinha seu corpo em forma, apenas o rosto era um pouco mais maduro. A cada ano que se passava, ele se tornava ainda mais bonito, parecia que a idade lhe combinava muito bem.

— Ah... – Percy me olhou – Sim... – Ele sorriu, com a tentativa de tentar negar.

— Me desculpe, eu precisei participar de duas reuniões hoje – Me ajeitei para alisar o braço da Luiza. – Ela deu muito trabalho?

Percy e eu passávamos o dia fora, eu a deixava com minha mãe ou com dona Elena, e a buscava no fim da tarde, mas dessa vez o Percy teve que ficar com ela praticamente o dia de folga inteiro.

— Não – Ele disse cansado

Eu sorri

— Ela deu, sim – Nós dois sorrimos.

— Passar um dia de folga em casa, curtindo nossa filha só me faz querer ter mais dias como esses, por mais cansativo que sejam, só que... Com você da próxima vez – Eu me sentei ao lado dele na cama.

Percy ainda continuou deitado, pois a Luiza ainda estava agarrada em seu pescoço com um sono profundo.

— Nós precisamos de férias... Tipo, longas férias – Eu ri. – Não tiramos férias desde que a Lu nasceu. Precisamos de um tempo em família, um tempo nosso só pra ela.

— Concordo – Ele pegou minha mão e levou até seus lábios, dando um beijo. – Eu já te disse que você ficou mais linda depois de ter se tornado mãe? – Ele sorriu

— Todos os dias – Eu sorri – Mas continue dizendo...

Eu me aproximei e lhe dei um beijo.

— Vou leva-la... – Fiz menção para pegar a Lu. Percy me parou

— Não – Ele sorriu – Deita aqui, aproveita esse momento comigo.

Eu sorri. E ai estava o maravilhoso marido, sempre disposto a me mostrar e viver melhores momentos familiares. Eu não tive uma infância boa, eu não tive afeto de pai e mãe, nunca fui mimada dessa forma, sempre tive que trabalhar pra ajudar minha mãe, sempre tive que estudar ao invés de desfrutar de momentos assim. Percy sabia disso, ele conhecia meu passado como ninguém, então ele está sempre disposto a me fazer viver isso agora. Admito ele ser mais babão do que eu, e isso me fazia ama-lo mais ainda.

Deitei sobre a cama ao lado do Percy, de uma forma em que a Lu pudesse ficar no meio de nós dois, nos alinhamos para ficarmos bem apertadinhos, em um aconchego bom. Percy me olhou e sorriu.

— Eu amo vocês – Ele disse

— Eu amo vocês – Respondi.

Percy

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DOIS ANOS DEPOIS

Depois da primeira férias em família, todos os anos montamos cronogramas e viagens, isso fez meu casamento sair do ótimo, para o perfeito. Sete anos de casados, trinta anos nas costas, uma esposa linda e perfeita, uma filha adorável e esperta e um filho a caminho.

Nós estávamos curtindo os últimos dias daquele verão, em uma casa de praia no interior do estado. Annie ainda era a mesma pessoa inteligente e lerda de sempre, porem com uma maturidade acima do normal. Depois que se tornou mãe, ela mudou, ela desacelerou a necessidade de sempre estar querendo crescer no trabalho. Eu tive que ter muita paciência para saber lhe dar com seus altos e baixos, mas valeu a pena cada dificuldade que passamos no casamento, aprendemos bastante um com o outro. Agora ela estava mais focada na família, focada em passar mais dias em casa do que no trabalho e isso me fazia transbordar de alegria, pois estávamos sempre juntos. Piper e Jason tiveram seu primeiro filho há pouco tempo, e a Hazel estava gravida pela primeira vez.

Há pouco tempo Annie descobriu estar gravida pela segunda vez, não foi algo planejado, mas ser pai é um sentimento único, principalmente quando você descobre que o próximo será um garoto. Ainda não escolhemos o nome, mas estávamos animados com a noticia, na minha família só existia mulher, minha sogra, minha mãe, minha irmã, minha mulher, minha filha... Os paradigmas foram quebrados com a noticia do príncipe, confesso que chorei emocionado, não imagino a hora de poder tê-lo em minhas mãos. Sei que a sensação será diferente, pois a primeira vez, é sempre mais intensa. A noticia de ser pai pela primeira vez foi surreal, e vê-la nascer foi algo inexplicável...

Olhei para frente, onde a Annie brincava com a Luiza, e a Julia na beira do mar, minha mãe se aproximava para participar da bagunça. Eu sorri. Mulheres da minha vida...É sempre um dia estressante quando Paul e eu temos que lhe dar sozinho com os humores agressivos dessas mulheres. Eu corri até o local onde elas estavam, Julia já estava enorme, mas ainda possuía o gênio travesso e sarcástico de sempre, com um toque de rebeldia se criando, doze anos era uma fase meio descontrolada para garotas. Eu a peguei no colo de surpresa e a joguei na onda do mar. Ela gritou em protesto.

— Percy, seu idiota... Meu cabelo! – Ela reclamou

— O que tem ele? – Perguntei rindo

— Eu acabei de arrumar, que saco... Meu primeiro dia de aula amanha, e irei com cabelo pesado de agua salgada – Ela saiu emburrada – Que merda.

— Ei, que palavras são essas? Você chegou à fase da rebeldia cedo demais – Eu reclamei – Pra que arrumar o cabelo no primeiro dia de aula? Você vai estudar, não desfilar... Você por acaso tem algum paquera na escola?

— Ai meu Deus – Ela revirou os olhos – Mãe!

Minha mãe ignorou, ela não se metia mais nas nossas brigas.

— Me responde, mocinha – Eu a pressionei

— Você já tem uma filha, para de encher o meu saco – Ela arfou impaciente – Não precisa mais se preocupar comigo, ela vai ter um namorado também.

— Isso é ciúmes – Annie riu enquanto corria atrás da Luiza que não parava quieta, se divertindo com as ondas indo e vindo.

Julia revirou os olhos.

— O que você quis dizer sobre “um namorado TAMBEM”?– Eu a fitei.

Julia corou

— Você fica cada vez mais insuportável – Ela saiu batendo o pé.

— Mãe! – Eu a olhei indignado – Você ouviu isso?

— Percy... Deixa a Julia em paz – Minha mãe revirou os olhos. – É uma fase difícil

— Qual fase da Julia não foi difícil? – Perguntei atordoado com a possibilidade da minha irmãzinha está aos beijos e amasso com algum pilantrinha da escola.

Annie finalmente conseguiu pegar a Luiza no colo, que se acabou na gargalhada achando que era uma brincadeira de pega a pega. Ela veio até a mim com um sorriso no rosto. Dizem que a Luiza é a minha cara, mas olhando bem, ela conseguia parecer com a Annie tanto quanto parecia comigo. Annie me entregou a Luiza e me deu um beijo em seguida.

— Amor... Não força as coisas – Ela me analisou – Você tem que se acostumar com isso, a Lu vai crescer também

— Não me lembre disso – Eu repudiei a ideia

— Esse é o preço que se paga por terem apenas mulheres bonitas na família – Minha mãe riu

— Por enquanto – Eu sorri e alisei a barriga da Annie já se formando.

— Papai ta louco pra você sair, não aguenta mais ouvir falar em cor rosa – Annie conversou com a barriga.

Eu sorri.

— Papai – Luiza alisou meu rosto – Como é o nome do meu irmãozinho?

— Ah... – Olhei para Annie, que deu de ombros – Ainda não sabemos.

— Eu gosto do Miguel – Ela fez um biquinho.

— “Do” Miguel? – Olhei pra Annie sem entender.

— É o nome de um personagem de desenho – Ela me acalmou

— Ah... Claro – Sorri satisfeito – E você quer esse nome pra ele?

— Sim... – Ela afirmou com a cabeça

— Tudo bem então, ele vai se chamar Miguel, porque você escolheu – Eu lhe dei um beijo.

Luiza sorriu.

— Lindo nome meu amor – Annie deu um beijo apertado em sua bochecha

— Papai, mamãe e irmãozinho... Eu amo vocês – Ela cantarolou.

Acabei de receber uma pontada de ternura no peito.

— Eu também amo vocês – Eu disse

— Eu muito mais – Annie se alinhou a meu abraço.

— Uma foto... – Minha mãe disse mirando a câmera.

Nós sorrimos para o clique, foto da família quase completa.

Cinco meses depois daquele dia, a família se completou, e foi como eu imaginei. Segurar o Miguel no colo, e mostra-lo para Luiza o conhecer, vendo a Annie sorrir com aquilo foi incrivelmente perfeito. Eu era um cara realizado, um pai e um marido realizado, eu não tiraria nada do que aconteceu na minha vida até hoje.

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Pov Autora.

Piper e Jason tiverem um filho, que chamou Felipe, ele é um pouco mais velho que o Miguel, mas nasceram no mesmo ano.

Hazel e Frank tiveram gêmeas, meses depois do segundo filho da Annie, elas se chamaram Eduarda e Clarice.

Thalia continua solteirona e independente, não criou raízes em nenhum lugar, gostava da liberdade e de conhecer lugares pelo mundo, de tempos em tempos ela volta para visitar a familia e amigos.

Rachel e Will se casaram quase cinco anos depois do casamento do Percy, e infelizmente não mantiveram contato com o mesmo.

Selena e Charles já tiveram seu terceiro filho, o mais velho Igor de atualmente 11 anos, o do meio Lucas de 7 anos, e a mais nova Bianca que acabará de nascer.

O pai da Annie tentou contato mais uma vez, e dessa vez o encontro foi calmo. Frederick conheceu seus netos, e a Annie conheceu seus dois irmãos mais novos. Entretanto, a afinidade entre eles não mudou muito.

A empresa do Percy e do Charles, cresceram tanto, que se tornou uma empresa internacional com filial em vários países. Atualmente Annabeth é a arquiteta particular deles.

Os projetos da Annie correm por todo o mundo, mas a maioria das propostas ela recusa por conta do tempo que precisaria passar longe da família.

...

MORAL:

Não espere que as coisas cheguem as suas mãos sem esforço, lute e conquiste. O estudo é o passo inicial para uma vida de sucesso. (Relação: Annabeth e sua superação)

Valorize-se... Não permaneça em uma relação por obrigação, isso não trás felicidade. (Relação: Rachel x Percy)

Ame intensamente, não tenha medo de demonstrar isso. Amar é um dom para poucos, e mesmo que pareça o fim, se ainda houver amor. Lute (Relação: Annabeth e Percy)

Amizade tem vezes que se torna mais importante do que uma paixão boba. (Relação: Annabeth e Piper x Jason)

A culpa nunca é da vitima (Relação: Trauma da Annabeth)

Irresponsabilidade precisa ser corrigida com responsabilidade. (Relação: Gravidez na adolescência da Selena)

Amizades ruins, te levam profundo do poço. (Relação: Luke)

Tentar atrapalhar a vida de alguém, só irá atrapalhar sua vida (Relação: Caly)

Ame a quem te ama, e não quem te sorri (Relação: Caly e Leo)

Não faça uma pessoa te amar, sem intenção de ama-la de volta (Relação: Percy x Rachel)

Não deixe que a ambição te faça perder coisas e pessoas importantes pra sua vida (Relação: Annabeth e sua necessidade de crescimento)

Sempre tenha tempo para momentos felizes com sua família (Relação: Annabeth e Percy com acumulo de trabalho e necessidade de dar atenção a primeira filha)

—____Existem inúmeras outras morais que podem tirar dessa história. Ela foi feita como uma forma de reflexão divertida.

Notas finais
Enfim, fim... ♥