AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

7 Capítulo 7 - ARANHAS E DEMÔNIOS, SÃO A MESMA COISA.


O dia seguinte passou um pouco rápido e, tudo foi tão maravilhoso.Jason e eu tínhamos nos falado com mais frequência, eu havia despojado nas minhas amigas a tarde maravilhosa com Jason, eu cantarolava isso a todo momento, chegava a ser nojento, mas eu não podia evitar.

— Eu NÃO acredito – Eu dei um mine surto quando peguei minha prova de biologia.

— O que foi? – Hazel perguntou puxando a prova – Ó céus, chama uma ambulância, Annabeth tirou A na prova de biologia.

— Um A? Você está surtando com um A? – Leo que estava próximo a nós comentou – Eu tirei um C e, vou comemorar comendo uma grande fatia de pizza.

— Era pra eu ter tirado um A+ — Eu resmunguei – O que eu fiz de errado? Eu estudei tanto...

— Você esqueceu de passar a caneta uma questão – Hazel me mostrou

— Como assim, esqueci? – Eu puxei a prova de volta.

Uma questão de alternativas não estava passada a caneta, eu realmente havia esquecido. Isso era inadmissível, eu estive tão distraída esses dias que acabei esquecendo algo tão idiota?

— Talvez se você falar com a professora... – Hazel comentou

— É claro que eu vou falar com a professora, isso não é justo... Eu acertei a questão – Eu reclamei.

— É só um sinalzinho do lado de uma nota máxima – Leo me analisou – Não precisa surtar.

— Um sinalzinho? – Eu o encarei – UM SINALZINHO?

— Não foi uma boa ideia você ter comentado isso – Hazel encarou Leo – É melhor correr

— Oi? – Leo perguntou confuso

— Eu vou te mostrar o sinalzinho... – Eu o fuzilei furiosamente

— Ok! É... Tchau – Ele se afastou arregalando os olhos.

Hazel riu.

— Ei, vamos falar com a professora – Ela deu alguns tapinhas em meu ombro. – Não precisa enfartar, você terá o seu A+

Eu suspirei frustrada.

Conversei com a professora, ela riu de mim e, ao mesmo tempo ficou surpresa pelo meu desespero. Por fim, consegui algo, ela não podia simplesmente aceitar a questão, era regra da escola, nada de respostas a lápis, mas como eu sempre mantive notas altas, ela me deu a opção de fazer uma outra prova, como segunda chamada, na próxima terça feira e, é claro que eu aceitei, embora eu não precisasse fazer.

— O que ela disse? – Piper perguntou preocupada. Hazel havia explicado a situação para ela.

— Que ela estaria aplicando uma prova de segunda chamada na terça feira, se eu quisesse fazer que era para eu aparecer aqui, mas que eu não precisava, pois minha nota sobe automaticamente, devido as minhas atividade extras. – Eu disse em desanimo.

— Está dizendo que mesmo que não precisa fazer, mas fará mesmo assim? – Piper estreitou as sobrancelhas em confusão.

— Piper... – Eu choraminguei – Foi um erro idiota, isso é inadmissível.

Ela riu.

— Você vai superar Annie – Ela continuou sorrindo – Vamos ocupar sua mente com coisas legais.

— Tipo? – Perguntei sem animo

— Amanha não terá aula – Ela disse com entusiasmo – Vamos arrumar o salão de festas o dia todo.

— Ah, verdade, estou escalada para liderança da ala feminina e, o Frank para a ala masculina – Eu suspirei.

Piper e, eu estávamos andando pelos corredores, indo para a saída da escola.

— Vamos nos esforçar para... – Reyna interrompeu a fala da Piper com um empurrão de ombro, que fez suas coisas voarem para o chão.

— Não te vi – Reyna deu um sorriso sarcástico. Ela estava com a Caly ao lado.

— Só tem nós quatro no corredor – Piper reclamou

— Eu disse que não vi – Reyna a encarou.

Reyna e, Piper sempre tiveram essa mine guerra, eu não sabia o motivo por tanto ódio.

— Da próxima, olha por onde anda – Eu resmunguei

— Olha só, quem resolveu mostrar as garras – Reyna riu

— Você ainda está me devendo uma, Annabeth – Caly me encarou cruzando seus braços.

— Olha Piper... Estou impressionada com você – Reyna riu – Você nadou tanto para morrer na praia?

— Isso não é de sua conta – Piper a encarou

— Não é de minha conta? Sempre foi de minha conta...

— Reyna... – Piper disse com mais intensidade – Chega, ok? Chega... Você já conseguiu o que queria a muito tempo, agora me deixa em paz.

Reyna estreitou os olhos e, as duas pareciam estar em uma batalha mortal através dos olhares. Como sempre, eu não fazia ideia do que aquilo significava, era um treta antiga, eu não tinha porque me envolver.

— Vamos Reyna – Caly apertou seu braço – O corredor está ficando cheio.

Reyna e, Caly saíram como se nada tivesse acontecido.

— Que treta miserável é essa que você tem com a Reyna? – Eu perguntei a Piper, que podia finalmente respirar.

— Treta antiga, nada que você tenha que se preocupar, serio... Eu estou bem – Ela deu um sorriso sem graça. Ela não parecia bem.

***

No dia seguinte, todos da escola estavam em constante inquietação. Dia de planejar festas da escola era sempre o melhor dia, até para mim, que odiava a falta as aulas. Frank e, eu ficamos responsáveis por algumas turmas, eu liderando as garotas e, ele liderando os garotos. Leo, sempre se metia em encrenca nessas horas, ele adorava umas gracinhas e, eu já estava me irritando com isso.

Para que eu não fizesse um show e, montasse um ringue no meio da escola, decidi fazer as tarefas que foram dadas a ele. Eu precisava levar alguns papeis na direção e, pegar algumas autorizações.

— Charles, por favor, eu não aguento mais esconder isso – A voz da Selena ecoava dos corredores.

Não me intimidei a me esconder, eu não poderia continuar fazendo isso, eu prometi me enturmar e, causar terror nas inimigas, se ela procurasse alguma treta, eu ia enfiar minha mão naquele nariz ridículo... Então, apenas continuei indo em direção ao corredor.

— Selena, é complicado... Nós dois somos complicados – Um garoto disse.

Pude avista-los de longe. Era o Charles, um dos amigos do Jason. Charles não era muito bonito, nem muito popular, nem tão rico quanto os outros amigos, mas ele tinha um charme em particular e, um corpo perfeito que chamava atenção.

— Mas eu te amo, eu não quero mais esconder que estamos juntos! – Aquelas palavras saindo da Selena, me fez parar.

Talvez aquela conversa fosse intima demais para ser interrompida. Toda minha motivação para “causar terror nas inimigas” havia ido aos ares no mesmo instante.

Eu resolvi dar meia volta e, sair dali. Ver Selena implorar atenção e, dizer “te amo” para um garoto que não era tão bonito, não era tão popular, era estranho. Eu até senti um pouco de pena dela, deveria ser ruim não poder assumir um relacionamento com alguém que se ama. Enquanto eu voltava percebi que a voz dos dois se aproximaram, eu corri para a primeira porta que vi aberta no corredor. Entrei de vez tropeçando em algo que impedia a porta de fechar e, empurrei a porta para que fosse fechada.

— Não feche... – Uma voz masculina quase gritou enquanto a porta batia – A porta... – A voz falhou quando o tranco fez um barulho — Ótimo, agora estamos trancados.

— O que? – Eu puxei o trinco e, ele estava duro. Eu me virei para trás e, percebi que era o Percy. – Ah não... Se sua namorada souber disso, ela vai querer arrumar uma confusão das grandes e, provavelmente serei advertida... Eu nunca fui advertida. – Eu tentava abrir a porta desesperadamente.

Para onde foi a determinação em “causar terror as inimigas”? Eu estava morrendo de medo de alguma delas procurar confusão comigo e, eu acabar me encrencando na escola.

Percy se aproximou da porta e, tirou minha mão do trinco.

— Primeiro: Eu não tenho namorada, segundo:Foi você que bateu a porta e, terceiro... O que você está fazendo aqui? – Ele me encarou

— Eh... – Eu gaguejei. Não podia dizer que estava fugindo da Selena e do Charles.

— Tanto faz – Ele revirou os olhos com a demora da minha resposta. Então pegou o celular e, teclou algo. – Relaxe, vou pedir ao Frank pra vir aqui. Essa porta só abre por fora.

— Quem teve a ideia de fazer uma porta que só abre por fora? – Eu revirei os olhos

— Isso é um armário de materiais de serviço e, tem um aviso na porta falando sobre isso, tinha um aparador na quina pra evitar a porta de fechar, mas você o chutou – Ele deu de ombros suspirando em nervoso. – E com certeza foi algum arquiteto quem projetou isso.

Eu calei a boca imediatamente. Não podia argumentar sobre isso.

— Quanto tempo vai demorar? – Perguntei impaciente

— Não sei, Frank é lento – Percy deu um meio sorriso.

Percy se recostou na parede, o lugar era um pouco apertado, ele parecia nervoso e, envergonhado ao mesmo tempo. Lembrei da cena do banheiro entre ele e, Caly, seu olhar surpreso sobre os beijos e, os esfregões dela sobre ele. Céus, será que ele achou que fiz isso propositalmente?

— Eu... Eu... Não fiz de proposito – Eu disse um pouco nervosa – Eu juro que...

— Do que está falando? Eu não estou pensando em nada disso – Ele fez uma carranca

— Ótimo! – Eu por fim disse

— Você tem sorte por eu estar aqui – Ele disse chateado – O que ia fazer se ficasse presa aqui sem ninguém saber?

— Pensando por esse lado... Eu não teria como avisar a ninguém – Eu pensei sobre aquilo.

Eu provavelmente ia morrer aqui dentro. Eu cruzei os braços um pouco irritada, Frank estava demorando, eu estava ficando impaciente. Cerca de cinco minutos se passaram e, nada do Frank aparecer. Algumas vezes Percy teclava algo pelo celular, mas eu não queria perguntar o que era. Mais uns dez minutos se passaram e, nada. Eu estava cansada de ficar em pé, não dava para sentar sem ter que debruçar em coisas sujas e, úmidas.

— Isso está precisando de uma limpeza – Eu reclamei pra mim mesma.

Percy olhou para cima e, fechou os olhos talvez lamentando a situação. Depois ele finalmente me encarou.

— Você tem medo de insetos? – Ele ergueu uma sobrancelha

— Não – Respondi de imediato

— Que bom, seria ruim você começar a se bater nessa falta de espaço por causa de uma aranha em seu cabelo – Ele suspirou

— A... Aranha? – Eu comecei a me bater – Tira! Mata! Socorro... Pelo amor de Deus, tira!

Eu me batia freneticamente, sem nem mesmo ver onde ela estava. Eu não tinha medo de insetos, mas aranha não era coisa de Deus. Provavelmente eu dei algumas cotoveladas e, alguns chutes no Percy, enquanto eu tentava desesperadamente encontrar a miserável aranha. Eu só parei quando não consegui acha-la.

— Annabeth – Percy disse por trás de mim – Você está me imprensando na parede em uma posição perfeitamente excitante e, eu não tenho um mínimo de culpa nisso.

Foi quando percebi que meu quadril estava contra ele, eu quis dizer bem colado nele, suas mãos estavam levantadas como um sinal de que ele não estava tentando nada pervertido.

— Você poderia ter dito isso de uma forma menos constrangedora – Eu reclamei me virando de frente para ele.

— Poderia... Mas não resisti evidenciar isso – Ele riu.

— Não achei graça – Eu disse emburrada.

— Você disse que não tinha medo de insetos – Ele ergueu uma sobrancelha

— Aranhas não são insetos, são demônios disfarçados pra causar dor, desgraça e, morte nas pessoas – Eu disse em ênfase.

— Espere! – Ele segurou meu rosto com uma de suas mão.

Fiquei totalmente parada, com a outra mão ele tirou algo do meu cabelo e, jogou para longe.

— Demônio exorcizado com sucesso – Ele se afastou com um meio sorriso

— Obrigada, você salvou minha vida – Eu suspirei em alivio.

Percy riu.

Meu celular tocou a mensagem dos desafios. Eu revirei os olhos e, o puxei para ver, meu rosto corou na mesma hora.

*Mensagem de texto*

JOGO: Beije o melhor amigo do cara que você gosta.

— Você está jogando isso? – Percy deu um sorriso debochado.

— Foi a Hazel que... – Eu parei de falar – Eu não tenho que te explicar.

— Ok, então o que diz seu desafio? – Ele cruzou os braços

— Nada! – Eu respondi de imediato

— Não parece ser nada – Ele sorriu e, pegou meu celular

— Ei! – Eu reclamei e, enquanto ele leu a mensagem seus olhos arregalaram e, ele me entregou de volta.

— Beijar o melhor amigo do cara que você gosta... – Ele recitou a mensagem ainda me encarando – Interessante... – Ele tentava não rir.

— É sempre a mesma mensagem, não muda nunca, igual a primeira vez – Eu tomei o celular de volta.

— Se você não fizer o desafio, você precisa pular ele, ou será sempre o mesmo desafio até que você cumpra – Ele explicou

— Você joga? – Perguntei

— Não, mas... Todos estão jogando, então eu meio que sei as regras – Ele deu de ombros.

— Isso explica porque fiquei recebendo a mensagem para um vandalismo por um dia inteiro, até que tive que fazer – Eu revirei os olhos

— Você fez um vandalismo? – Percy perguntou surpreso

— Não! Foi só meu nome na cadeira do cinema e, não fui eu... Foi o Jason! – Eu me defendi

— Ah! – Foi a única coisa que o Percy disse.

Um silencio constrangedor foi colocado entre nós.

— Não vai fazer o desafio? – Ele perguntou me encarando um pouco mais serio que o normal.

— Claro que não! – Eu disse como se fosse obvio. –Parece que você sabe muito bem de quem eu gosto e, eu não preciso dizer quem é o melhor amigo dele – Eu disse irritada – Eu não vou beijar você, eu nunca beijaria você, ainda mais depois da cena do banheiro. – Eu disse em voz alta e, me arrependi.

A boca do Percy meio que abriu e, seus olhos arregalaram em surpresa. Eu desviei o olhar, um pouco ressentida por eu ter dito aquilo na cara dele e, um pouco envergonhada por eu estar lembrando da cena.

— Eu sabia que você tinha visto aquilo – Ele sussurrou pra ele mesmo

— Vi mesmo! – Eu resmunguei – O que vocês tem na cabeça? Isso é uma escola...

— Eu não preciso de um sermão – Ele me interrompeu – Muito menos vindo de você.

— Você me acha certinha de mais, também? O que será que seus amiguinhos acharam dessa sua aventura no banheiro? – Eu resmunguei irritada.

— Aquilo era uma coisa particular, não era pra ninguém saber... Essas coisas não se falam por ai... – Ele me encarou.

Bem, apesar da imoralidade da situação, manter a discrição de algo que desmoralize uma mulher era um ato de cavalheirismo, eu não podia negar isso. Parece que o Percy não se sentia confortável com aquele acontecido, mas se não fez nada para evitar, pra mim era culpado.

— Ei! – A voz do Frank interrompeu nossa mine discussão – Vocês estão ai?

— Abre logo isso – Percy bateu na porta irritado.

Frank abriu a porta e, o Percy saiu sem olhar para trás, sem pedir obrigada, sem ao menos dar um tchau. Frank me encarou como se eu tivesse feito alguma coisa errada.

— Não olha pra mim, eu não tenho nada a ver com isso – Eu me defendi

— Tanto faz, seria complicado entender e, só de pensar me cansa – Frank revirou os olhos – Jason estava perguntando por você.

— Você disse onde eu estava? – Eu perguntei

— Sim... – Ele respondeu como se fosse obvio

— Você é um idiota – Eu revirei os olhos e, corri.

— Mas... O que? – Frank me olhou inconformado – Eu deveria ter deixado você trancada, mocinha...

Eu ignorei e, sai o mais rápido possível. Não acredito que o Jason ficou sabendo que eu estava trancada em um armário junto com o melhor amigo dele.

— Jason! – Eu o chamei assim que o encontrei – Eu posso explicar...

— Oi – Ele disse calmamente – Frank conseguiu achar vocês... Que bom! – Ele sorriu

— Não está bravo? – Perguntei confusa

— Porque eu estaria? – Ele ergueu uma sobrancelha.

— Eu fiquei presa em um armário apertado, escuro e sozinha com seu melhor amigo – Eu disse como se fosse obvio – E também... Recebi um desafio que era pra eu beijar ele – Eu omiti a parte do “cara que eu gostava” ele não precisava saber de cara que eu gostava dele, já era perceptível demais.

— Uau! – Ele piscou – E você fez?

— Não – Eu disse de imediato – Claro que não

Jason riu, como se aquilo fosse uma piada e, não falou mais nada sobre o assunto.

— Tudo certo pra amanha, não é? – Eu tive que me certificar.

— Sim, nos encontramos aqui – Ele deu um de seus sorrisos doces – Tenho que pintar uma porta. – Ele estendeu as tintas.

Eu suspirei em alivio, ele não tinha se chateado. Porém uma parte de mim queria que ele tivesse ficado chateado, a final, pessoas que se gostam sentiam ciúmes, certo? Ele nem pareceu se incomodar. Eu corri para minhas amigas, precisava delatar o ocorrido.