AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista
3 Capítulo 3 - EU PROMETI, EU TENHO QUE CUMPRIR.
Na biblioteca dei a má sorte de me bater com a Caly novamente. Ela me encarava como se esperasse a oportunidade perfeita pra quebrar meu pescoço.
— Que tipo de pessoa, aquela garota é? – Perguntei sussurrando para Piper.
— Caly?Uma das escravas da Selena – Piper deu um risinho. – Da um tempo, você realmente não sabe quem ela é?
— Eu sei quem é, só perguntei que tipo de pessoa ela era – Eu disse como se fosse obvio – Ela não deve nem saber o que é dizima periódica.
— Você é impossível com esses julgamentos intelectuais – Piper revirou os olhos.
— Porque? Ela te fez algo? – Hazel exaltou a voz.
— Não... Fale baixo – Eu reclamei.
Eu contei as minhas amigas o que eu havia visto. Elas riram, mas acharam aquilo super normal.
— Não acredito que se abalou com isso – Piper riu – Essas garotas praticamente imploram esses tipos de coisas, pra se manter popular.
— Que nojo – Eu disse
— Para de ser freira – Piper arregalou os olhos
— Não é isso, é que... Pra se manter popular? – Eu perguntei como se aquilo fosse o fim do mundo. – Será que o Jason também se envolve nisso? – Piper e, Hazel se entreolharam e, eu preferi nem ter perguntado.
— Eles são os garotos mais cogitados do colégio Annie – Hazel disse sem importância – O Percy principalmente.
— Percy? – Perguntei como se fosse piada – Eu nunca ouço falar nele.
— É porque ele é do tipo de garoto que “come quieto” – Hazel riu –Você acha que o Jason é o mais popular, porque você o transforma nisso, mas se você começar a ver as coisas a sua volta, vai descobrir outro mundo.
— A mim, você não está dizendo nada, Percy pode ser bonito, mas... Jason é o Jason – Eu dei de ombros
— Claro! – Hazel revirou os olhos em desdém. – Mas não se incomode com o fato dos sexos explícitos, isso aqui não é um convento.
— Não quero mais falar sobre isso, é nojento – Eu resmunguei.
— Você por acaso é virgem? – Hazel perguntou em um tom brincalhão.
Foi uma pergunta inocente, mas fez o mundo cair sobre minhas costas. Meu coração bateu rápido demais, lembranças e, memórias ativaram na minha cabeça e, involuntariamente eu me vi encarando a mesa como se precisasse que ela me fornecesse oxigênio.
— Ai droga, eu falei alguma coisa errada? – Hazel tocou minha mão.
— Não... Eu só... – Eu não conseguia falar.
Foi um trauma de infância. Eu não tive dinheiro pra ir a um psicólogo, eu não tive acompanhamento medico, ou fiz algum tratamento pós trauma. Eu simplesmente fui violentada pelo meu ex padrasto quando eu tinha treze anos de idade, durante seis meses da minha vida e, quando tive coragem de contar a minha mãe, ele nos bateu e, fugiu. Foi uma fase ruim na minha vida, eu nunca tive um namorado e, mesmo tendo essa paixonite pelo Jason, imaginar em um momento de sexo com alguém, me causava repulsa. Não sei como as pessoas interpretam isso, mas conseguir viver depois de algo assim é torturante.
— Annabeth... – Hazel me chamou – Me desculpe, eu não queria...
Eu não precisei dizer nada a ela, mas talvez minha reação tivesse dado uma dica do porque aquele assunto me incomodava, do porque era um tabu.
— Tudo bem... – Eu tentei me recompor. – Bola frente... – Eu suspirei.
— Não é querendo ser insensível, mas muda essa cara Jason está vindo nessa direção – Piper falou.
— O que? – Eu perguntei surpresa e, olhei para mesma direção que ela.
Frank e Jason estavam se aproximando. Eu fiz o máximo que pude para me recompor.
— Algum problema? – Frank perguntou a mim
— Renite... – Piper disse de imediato – Ela tem renite, a biblioteca é cheia de poeira, sabe?
— Ah... – Frank me encarou desconfiado e, eu sorri para concordar com ela. Piper sempre tinha uma saída para as situações constrangedoras.
— Isso vai impedir de nos ajudar com calculo? – Jason perguntou. Meu coração acelerou.
— Não! – Eu disse em um tom seco – Podem sentar
— Frank disse que você é boa em calculo– Jason sorriu para mim – Annabeth, seu nome, não é?
— Ah... Sim! – Eu disse gaguejando
Era a primeira vez que ele falava diretamente comigo, como se me conhecesse.
— Podemos começar? – Ele colocou os livros sobre a mesa – Tem uma lista de exercício que não consigo fazer...
Hazel e, Piper arquearam as sobrancelhas e, sorriram pra mim. Era um progresso, não era? Aquilo estava realmente acontecendo. Os olhares que passaram a nossa volta eram curiosos, minhas amigas e, eu não éramos populares o suficiente para estar em um grupo de estudos com dois dos caras mais bonitos da escola. Na verdade elas poderiam ser populares, mas andar comigo as impedia disso.
Alguns minutos se passaram até que Jason encarou um ângulo da biblioteca e, sorriu.
— Ei Percy, aqui! – Ele acenou sorrindo.
O nome “Percy” fez meu rosto corar. Eu olhei para as meninas, que também tinha a mesma expressão que eu. Tentei não olhar para frente e, me mantive concentrada no meu caderno. Senti a aproximação de Percy do outro lado da mesa.
— Ela é boa em cálculos – Jason disse – Eu já consegui fazer umas três questões, sozinho.
— Eu posso? – Ele fez a pergunta. Queria que não tivesse sido para mim, mas pela cara das meninas era exatamente para mim.
— Claro! – Eu disse sem graça. Não tinha como olhar para cara dele e, não lembrar da cena do banheiro.
Percy colocou seus livros sobre a mesa e, continuou em silencio.
— Então Percy... Onde você estava? – Piper perguntou.
— Porque quer saber Piper? – Percy perguntou com um sorriso irônico – Por acaso queria estar no mesmo lugar que eu?
— Idiota – Piper fez uma careta. Jason o encarou com um olhar estranho e, Percy desfez o sorriso.
— Achei que ia ter treino – Ele respondeu sem olhar para ela. – Eu estava no ginásio.
— Annabeth, como faz essa questão? – Jason perguntou, mudando o rumo do assunto e, eu esqueci totalmente do ocorrido do banheiro.
— Você tem que achar o valor de “x” da questão, sendo que ele pertence ao conjunto de inteiros, mas aqui diz que “x” é igual a “n” e, “n” pertence ao conjunto natural. – Eu tentava explicar. – Então você substitui com esses números aqui...
— O meu deu numero negativo, confere? – Hazel perguntou
— Não – Eu respondi
— Ah... Por quê? – Ela encarou a questão deprima
— Por que...
— Porque números negativos não pertencem aos conjuntos naturais e, “x” é igual a “n”, logo “n” não pode ser negativo, mesmo sendo inteiro – Percy respondeu ainda sem olhar para nós e, escrevendo algo em seu caderno.
Eu o encarei surpresa.
— Ah... Ele também é um gênio – Jason disse sorrindo – Mas ele prefere anatomia humana. – Ele disse em um tom brincalhão. – Percy riu e, nos encarou. Pareceu ser uma piada interna e, anatomia humana deveria ser algo de duplo sentido.
Ele me olhou com um pouco de vergonha, depois desviou o olhar e, voltou ao seu caderno.
— Ei Annabeth, você poderia se encontrar conosco mais vezes? – Jason perguntou – Suas explicações são melhores que a do professor.
— Claro – Eu disse sorrindo. Eu realmente me senti bem em poder ajuda-los. Talvez eu devesse fazer isso mais vezes, ao invés de estudar apenas para mim.
— Podemos todos nos encontrar aqui às vezes – Ele sugeriu e, nós concordamos.
— Percy, posso falar com você? – Caly se aproximou.
Percy levantou sua cabeça para encara-la.
— Agora? – Ele perguntou sem animo.
— Exatamente...Agora – Ela disse irritada
Percy suspirou e, arrumou os livros.
— Nos vemos a noite – Ele disse a Jason e, a Frank. – Tchau meninas. – Ele deu um meio sorriso para nós e, saiu com a garota ao lado dele.
— Ela é a dona dele por acaso? – Hazel perguntou.
— Ela está querendo esse posto – Frank riu
Jason riu.
— Ela insiste muito no Percy, ele não dava muita bola pra ela, mas... – Frank pensou sobre aquilo.
— Parece que conseguiu mais que uma atenção... – Piper cantarolou baixinho. Nós a encaramos – Eu acho, não sei... Tipo, ela o chamou e, ele foi... Todo mundo viu isso. Não estou dizendo que eu tenho certeza disso, ou que alguém me falou algo deles...
Eu a fuzilei com o olhar mais perverso que eu tinha e, ela calou a boca.
— Ela faz isso direto, na frente das pessoas – Jason riu em ironia – Percy não gosta de problemas, ele simplesmente vai, para evitar uma situação constrangedora.
— Acho que eles são um casal – Eu pensei alto. Talvez dessa forma a imagem do sexo oral deles acabasse sendo menos polemica em minha cabeça.
— Como eu disse – Frank me encarou – Ela quer isso...
— Acho que já estudei demais, preciso ir para casa, vamos sair hoje... Vocês querem ir? – Jason perguntou mudando de assunto.
— Pra onde? – Hazel perguntou curiosa.
— Uma saída de amigos, no boliche – Ele deu de ombros.
— Não... – Eu tentei dizer
— Claro que vamos – Hazel me interrompeu – Você pode pegar a gente?
— Claro... Onde? – Ele sorriu – Só estarei com o carro na ida, um amigo meu irá pega-lo por algumas horas.
— Na estação – Piper respondeu – Estaremos lá as 20h
— Ok, combinado – Ele disse se virando – Ah... Obrigada Annabeth, você é demais.
Aquele sorriso me desabou, fiquei parecendo uma retardada encarando ele virar a porta junto com Frank.
— Vocês ficaram malucas? – Eu encarei minhas amigas – Eu não tenho como ir, eu moro longe, não tenho dinheiro pra bancar uma saída...
— Calma! – Piper arregalou os olhos – Nós podemos dormir na casa da Hazel.
— Na minha? – Hazel a encarou
— Sim, na sua... Você mora perto do boliche – Piper a fitou
— Ok! – Hazel cedeu
— Não sei...
— Você prometeu que iria se enturmar, não foi? – Piper perguntou
— Relaxa Annabeth, nós vamos bancar a noite pra você... Somos suas amigas e, conhecemos sua situação... Coloque na sua cabeça de uma vez, nós aceitamos você. – Hazel me encarou e, eu corei.
— Tudo bem! – Eu praticamente sussurrei – Eu prometi não foi? Tenho que cumprir.
— Vamos tomar isso como uma comemoração – Hazel sorriu – A sua aprovação na universidade.
Eu sorri, que idiota eu era. Me preocupar tanto com a maioria da escola quando eu tinha ao meu lado duas pessoas que me faziam sentir ser a melhor dentro de todos os outros.
— Eu já disse que amo vocês? – Eu tentei segurar minhas lagrimas
— Nunca! E se começar a dizer, iremos nos acostumar – Piper disse rindo e, nós rimos também.
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