AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

53 Capitulo 54 - VÁ A MERDA COM SEU PROJETO


Annabeth

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A conversa com o Will não foi tão produtiva depois do encontro repentino com a Rachel.

— Olha, eu realmente agradeço o que fez por mim ontem... Eu poderia ter me arrependido...

— Não ia – Ele deu um sorriso descarado – Eu te garanto que não ia.

Eu não pude deixar de sorrir. Estávamos a vinte minutos conversando e ele já havia me feito gargalhar a beça, eu estava me acalmando.

— Tatuagem legal – Ele reparou meu braço

— Odeio quando saiu com roupas que mostrem ela – Revirei os olhos

Will riu.

— É uma tatuagem bem comum, conheço uma pessoa que tem uma igual – Ele deu um sorriso discreto. – Você conhece a lenda dessa tatuagem?

— Sobre linhas de destino ligadas? – Eu ri – Uma vez acreditei.

— Sabe, pareço que não, mas tenho linhagem japonesa. – Ele deu de ombros

Eu o encarei, não tinha nada a ver com japonês. Muito mais escuro, cabelos baixos e pretos e... Reparando bem, até que seus olhos eram um pouco puxados.

— Então você acredita? – Perguntei

— Existe muito mais coisa por trás dessa lenda do que imagina – Ele encarou o braço – Acreditar ou não, não muda muita coisa.

— O que existe na lenda que eu não sei? Porque acredite... Eu pesquisei de ponta a ponta – Dei um sorriso

— Bem... Existe outra lenda que sobre põe a essa, Aka Pati – Ele disse – É quando o fio se parte para ser ligado a outra pessoa, mas existe um porém... Apenas uma pessoa consegue seguir feliz, a outra não. No Japão alguns suicídios são justificados por essa lenda, a pessoa não consegue ser feliz e acaba perdendo a vontade de viver...

Um frio me subiu a espinha.

— São só lendas – Eu disse desanimada

— Pra quem não acredita... Sim – Ele piscou. – Estive com o Percy agora pouco.

Meu coração acelerou

— Hm! — Tentei disfarçar meu incomodo.

— Ele não estava muito bem com o “tempo” que a Rachel pediu – Ele comentou – Ele me contou que você é ex namorada dele, eu... Conheço a dor dele – Will sorriu

— Eu sei onde quer chegar – Eu o encarei – Está tentando ligar as lendas com nós dois. Está tentando dizer que se nossas linhas são ligadas, o Percy pode parti-las e unir-se a da Rachel? – Engoli seco.

— Talvez – Ele deu de ombro – Mas isso depende muito de você, não é? Tipo... Existem milhões de propostas no mundo para agregar seu currículo, pra te fazer crescer mais ainda, o que faria se tivesse que escolher?

— Isso é uma pergunta ridícula – Eu sorri em ironia

— Não é... – Ele sorriu – Eu conheço seu ponto fraco, Annie

— Me conheceu ontem... – Eu rebati

— Não! – Ele retrucou – Eu conheci sua aparência ontem, mas de você, eu ouço história desde a faculdade. Você era a história preferida do Percy...

Que mania Percy tinha de contar histórias.

— Que bom que eu sou famosa – Revirei os olhos

— Gananciosa – Ele sussurrou – Você deseja o topo, almeja o ponto mais alto do cume.

— Não é uma ambição maldosa – Eu me defendi – Eu cresci sem um pai, eu vivi na sarjeta, como acha que me sentia vendo o rosto do meu pai estampado em noticias, com sua família perfeita, enquanto minha mãe e eu passávamos fome?

— Eu não estou julgando isso – Ele pareceu preocupado – Você fez o melhor que pode, é por isso que te acho incrível, mas onde fica o Percy nisso? – Ele perguntou – Onde ele fica entre essas ambições?

Não respondi.

— Você precisa saber escolher Annie, o amor preso em uma linha ou a liberdade sem limites e repleta de realizações? – Ele perguntou – Se escolher um, perderá o outro para sempre.

Meu coração se apertou.

— Está tentando me ajudar, ou me prejudicar? – Eu o fitei

Will riu.

— Engraçado, tive uma sensação de ter ouvido essa mesma pergunta mais cedo – Ele sorriu. – Mas enfim, eu só quero que abra os olhos e decida.

Will se levantou da mesa e eu o fitei.

— Então você basicamente quer dizer que a escolha é minha? – Perguntei – Que mesmo depois de tudo que fiz, ainda tenho o direito de decidir?

— Annie... Quando se trata de perder você, ou a Rachel pra sempre, sabemos muito bem quem o Percy escolherá – Ele deu de ombros – Então sim, é você quem irá aceitar, ou não isso...

— Você sabe que eu o escolheria – Eu protelei a conversa

— Até quando? – Ele sorriu

Aquela pergunta me deixou intrigada, será que ele tinha razão? Será que eu não fazia bem ao Percy? Minha mania de mudança constante ainda afetaria nossas vidas? Eu ainda teria coragem de partir e deixá-lo aqui? Eram perguntas que eu não sabia responder, me perguntei se ele era algum tipo de espião da Piper, mexer com psicológico era algo que ele sabia muito bem, porque se eu estava perdida, comecei a ficar mais ainda, porém, eu precisava ir para casa, precisava me recompor... Era uma reunião importante.

Percy

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Eu já estava sentado a mesa do restaurante. Um jantar de negócios com o dono da empresa, o arquiteto que iria projetar as plantas e o engenheiro que iria construir, se as propostas fossem realmente viáveis, será o contrato mais gordo do ano. Me consertei confortavelmente na cadeira acolchoada e me mantive tranqüilo, até quando eu a vi.

Annabeth acabará de entrar no restaurante, elegante, calça social, salto e um blazer. Era incrível como ela conseguia ter tantas personalidades em uma só. Eu desejei, rezei, fiz promessa aos deuses pra que o “arquiteto” não fosse ela, mas quem mais seria? Quem mais? Quando a Annabeth me percebeu, ela revirou os olhos.

— Só pode ser brincadeira – Ela resmungou enquanto conferia o numero da mesa em seu email.

— Boa noite pra você também – Eu resmunguei de volta.

— Então foi você quem desmarcou a primeira reunião em cima da hora? – Perguntou indignada

— Era despedida de solteiro do Jason – Eu disse como se fosse obvio

Ela suspirou impaciente e sentou-se.

— Eu posso recusar a proposta se quiser – Ela pareceu preocupada – Por conta da Rachel...

— Graças a você... Rachel pediu um tempo, nem sei se temos volta – Disse chateado

— Graças a mim? – Ela perguntou irritada – Foi você quem me parou no corredor e me pressionou na parede

— Se você não estivesse se jogando pra um cara que nem conhecia... – Eu me lembrei do encontro deles mais cedo – Alias, como foi a tarde com ele?

— Muito bem, obrigada por perguntar – Ela revirou os olhos

Parecíamos dois adolescentes, não, pior... Duas crianças discutindo. Ficamos alguns segundos em silencio, o solicitante do serviço ainda não tinha chegado.

— Você está linda – Eu comentei, pra quebrar o gelo. Não seria legal se o cara chegasse aqui, e percebesse a áurea maligna entre nós. Annie sorriu.

— Você é um idiota – Ela continuou sorrindo

Vendo aquele sorriso, acabei esquecendo das frustrações e sorri também.

— Sabe o que eu penso quando a gente se encontra assim? – Eu perguntei de uma maneira tranqüila – Que o universo está tentando nos dizer uma coisa que já deveríamos saber – Eu a encarei – Somos melhores juntos, do que separados.

Annie teve que segurar uma gargalhada

— Está me cantando? – Perguntou ainda sorrindo.

— Te cantando? Não... Imagina – Revirei os olhos – Eu já perdi a fé em você, sabidinha – Meu coração fez um “up” quando eu disse em voz alta o seu apelido.

Annie corou ao ouvir que eu a chamei de sabidinha.

— Eu podia te xingar em uma língua que não entenda – Ela resmungou

— Pode tentar, mas saiba que Alemão, foi a primeira língua que eu quis aprender desde que saiu daqui – Eu ergui as sobrancelhas.

— Você me parece estar muito bem, pra quem rompeu o noivado – Ela jogou a bomba

— Eu não rompi... Ela rompeu, dizendo que precisa de um tempo – Eu gaguejei.

— Você devia ir atrás dela – Annabeth tremeu ao falar sobre aquilo.

— Eu deveria mesmo – Eu a fitei, mesmo que ela não estivesse olhando pra mim – Mas acontece que não consigo, por mais que eu queira, não consigo sentir vontade de reatar.

— Você a ama, deveria rever isso – Ela encarou a mesa. Eu quis forçá-la a olhar pra mim, mas seria anti ético nesse local.

— Tesão qualquer um sente, difícil é sentir amor às sete da manha de uma segunda feira – Eu suspirei com a tentativa idiota da Annabeth de saber o que eu realmente sentia pela Rachel – Eu não... Eu não a amo – Admiti de vez.

Annabeth fechou os olhos, não sabia se ela estava aliviada ao ouvir aquilo, ou decepcionada.

— Você ao menos tentou amá-la? – Ela finalmente me encarou

— Varias vezes – Eu admiti – Incontrolavelmente, varias vezes.

Nossos olhes se prenderam por alguns segundos. Eu acho que já senti a sensação de infarto varias vezes, ou seria uma amostra grátis disso. Meu coração estava acelerado, meu corpo tremendo e minha respiração falha... Eu tinha que dizer, eu tinha que me livrar dessas palavras presas.

— Na verdade, não amá-la é apenas uma conseqüência de algo obvio – Annabeth me encarou — Eu amo você, Annie – Cuspi de vez – Para de fingir que não sabe disso, me irrita.

Annabeth

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As palavras do Percy me pegaram de surpresa, sim eu sabia, mas não imaginei que ele diria em alto e bom som. Foi uma mistura de alegria, com receio, com medo, com insegurança, não sabia explicar. Queria ter dado um sorriso, mas logo atrás do Percy apareceu uma figura que me apavorou, eu quase desmaiei.

— Boa noite! Desculpem o atraso – Ele puxou a cadeira para se sentar a nossa mesa, cabelos grisalhos, elegante, da mesma forma que aparecia em noticiários – Olá, Annabeth... Como vai sua mãe?

— Você? – Gaguejei.

Percy pareceu não entender o que estava acontecendo.

— Parece que sabe exatamente quem eu sou – Ele deu um sorriso debochado. – Vinte três anos...

— Eu recuso isso – Disse indignada – Você só pode estar brincando comigo... Alias, como quer que eu te chame? Frederick? Chefe? Ou papai?

Percy quase caiu da cadeira. Frederick apenas sorriu como se tivesse escutado uma piada. Sim, era meu pai, e uma das coisas que absolutamente ninguém sabia, nem mesmo o Percy, era que meu pai era um dos caras mais ricos do estado. Ele esbanja dinheiro enquanto minha mãe e eu morríamos de fome.

— Por favor, estamos aqui a negócios – Ele disse sem se importar muito – Eu posso ser a ponte pro seu sucesso, e você a ponte para o meu. Podemos continuar sem as formalidades familiares.

— Eu já disse... Recuso – Eu quase gritei – Não colocarei meu nome em nenhum projeto seu, não vai usar do nome que eu lutei pra conquistar SOZINHA – As lagrimas vieram, mas eu as segurei.

— Você está fora de si – Ele resmungou – Não transforme isso em uma baixaria.

— Essa é a primeira vez que nos vemos em anos, e você apenas quer usar do meu nome pra engrandecer seu projeto? – Perguntei indignada

— O que você quer que eu faça? Que vinte três anos depois te reconheça como filha e acabe com minha carreira? Vamos apenas tratar isso como negócios, sei muito bem de quem você puxou essa ambição de crescimentos. – Ele riu convencido

— Não me compare com você, isso é nojento – Eu fiz uma careta

— Ok, eu cansei de ser bonzinho – Ele me encarou – Eu preciso montar essas sondas, e pra que o investimento seja alto, preciso ter como referência a melhor arquiteta que já tem indicação em quatro países e a melhor empresa de engenharia... Vocês dois.

Ele olhou pro Percy, que ainda estava boquiaberto.

— Eu não vou te dar esse mérito – Eu sorri – Contrate a segunda melhor, eu estou fora. – Eu me levantei

— Posso acabar com sua carreira se eu quiser – Ele disse calmamente – Se você sabe quem eu sou, sabe como sou influente principalmente diante dos prestadores de serviço, então... Faça o papel de boa filha e aceite minha proposta, que vai fazer seu currículo pesar mais ainda. – Ele sorriu. – Ou aceite o fato de ter uma carreira que conquistou com esforço, acabada.

— Minha mãe e eu passamos fome, enquanto você nadava em dinheiro – As lagrimas desceram – Eu cresci sem pai, tendo que vê-lo posando em fotos com sua família, minha mãe deu todo suor pra me oferecer tudo que podia, nós fomos humilhadas, jogadas a tralhas, fomos usadas, espancadas... Eu já fui violentada – Eu não conseguia mais segurar as palavras – Tudo isso porque você nem se quer estendeu a mão pra oferecer uma migalha. Acha mesmo que devo fazer papel de boa filha? Acha mesmo que você merece algo vindo de mim, depois que eu conquistei minha carreira sozinha?

Meu pai me encarou um pouco surpreso pelas coisas pesadas que eu havia dito

— Annie... – Percy se levantou

— Vá a merda com seu projeto, vá a merda com sua ameaça... Eu sou o que sou, pelo fruto do meu trabalho, pelo suor da minha mãe. A você Frederick, eu não devo nada. – Eu virei as costas e sai correndo feito uma criança.

Eu não acredito que depois de tudo, eu ainda tive que me deparar com isso.

Percy

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Annabeth correu, tentei impedi-la, mas ela correu. Era nítido seu sofrimento, era nítido sua angustia, e o pior, eu não conseguia deixar de viver isso também.

— Talvez eu tente com a segunda melhor – O coroa resmungou

— Eu recuso também – Disse de imediato

— O que? – Ele perguntou indignado – Sua empresa toda será prejudicada

— Não quero trabalhar com uma pessoa sem caráter como você – Eu o encarei furioso

— Você vai se arrepender...

— Você vai se arrepender – Eu o puxei pela gravata – Se você ousar em acabar com a carreira dela, eu acabou com você.

— Quem é você? – Ele perguntou surpreso.

— Alguém que você não quer confrontar – Eu o empurrei – Hoje é seu dia de sorte, não vou quebrar sua cara aqui, preciso seguir aquela garota.

— São bilhões de dólares em jogo – Ele reclamou

— Minha empresa não precisa do seu dinheiro sujo – Eu o fitei

— Vai se arrepender...

— Olha só, eu conheço uma boa advogada que é perita em finanças, e adora expor um escândalo. Você não deve ser muito inteligente pra saber que se cair na mídia a existência da Annabeth como sua filha, que nunca foi reconhecida, é a sua carreira que estará em jogo.

Senhor Frederick apenas consertou a gravada e olhou para os lados. Eu sorri maliciosamente e corri para fora. Pelo tempo que demorei com a conversa, Annabeth já deveria estar no meio do caminho. Peguei o celular enquanto corria até o estacionamento e disquei os números da Piper.

— Piper!

—“Oi, Percy” – Ela parecia surpresa com minha ligação

— Qual é o numero do apartamento da Annie, sei que já foi lá – Eu tentei ser direto

— “O que? Pra que?” – Ela perguntou

— Só fala – Eu já estava no carro impaciente.

— “2503” – Ela disse receosa – “O que vai fazer, Percy?”

— Desculpa...

Eu desliguei o celular e sai cantando pneu. O olhar dela, a expressão dela, tudo... Tudo estava em pedaços, tudo estava desmoronado. Só de pensar nisso, eu me sentia mal, não podia deixá-la sozinha em um momento desse, eu tinha que estar ao lado dela. Mesmo que ela quisesse me colocar pra fora, eu ainda sentaria no corredor do apartamento e esperaria ela parar de chorar, mas eu tinha que estar ao lado dela, como eu sempre estive em todos seus momentos de frustrações, traumas e medos.