AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

50 Capitulo 51 - ESSA É A MINHA NOIVA


Annabeth

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Alguns dias se passaram, eu não ouvi e nem vi o Percy novamente, encontrei dona Sally na área do condomínio, mais vezes do que eu poderia ter contado, porem ela não tocava no nome “Percy” por mais que eu quisesse entrar no assunto. Eu desisti de tentar investigar como ele estava, as coisas pra ele pareciam não ter mudado, o beijo pareceu não surtir tanto efeito como eu imaginava, ele estava seguindo a vida, eu tinha que fazer o mesmo.

Eu havia decidido ir ao apartamento da dona Sally, já que morávamos no mesmo condomínio e nunca cheguei a fazer uma visita formal. Era um apartamento confortável, e luxuoso, nós tivemos uma boa conversa sobre as atualidades do momento, Julia sempre me observava com curiosidade e sorria como se eu fosse o personagem principal de uma história.

— Eu ainda acho que você é a princesa – Ela disse se sentando ao meu lado

— Julia... Lembre-se da conversa – Dona Sally a repreendeu.

Julia fez um pequeno bico incomodado, ela era tão fofa que dava vontade de apertar suas bochechas.

— Você quer conhecer meu quarto novo? Eu coloquei a boneca que você me deu, ao lado do ursinho que o meu irmão me deu, e os dois tomam chá todos os dias. – Ela despojou um sorriso

— Ah... Claro! – Eu disse um pouco sem graça

Dona Sally apenas deu de ombros sorrindo, enquanto Julia me puxava para seu quarto. Não era rosa como eu esperava, era lilás e uma das paredes forrada com papel de parede, onde tinham fotos impressas. Chequei as fotos, momentos da Julia desde o seu nascimento, eu sorri quando reconheci muitas fotos onde eu estava presente, mas também fiquei um pouco triste quando vi que algumas a Rachel estava.

— Foi idéia do papai – Ela disse

Julia tinha apenas cinco anos, mas ela era uma garotinha muito esperta pra sua idade, muito... Madura.

— Você percebeu que eu estou nessas fotos? – Perguntei, apontando para uma delas.

Julia se aproximou e analisou a foto comparando com minha aparência atual, não posso culpá-la, eu havia mudado muito.

— Percy sempre fica sorrindo olhando para essas fotos – Ela sorriu

— Deve ser porque ele te viu crescer – Eu apertei suas bochechas

— Você queria ter me visto crescer? – Ela sentou no meio da cama e me encarou

— Queria... – Acabei dando um sorriso arrependido.

Perdi cinco anos da vida da Julia, a garotinha que tive tanto afeto e amor, durante os meses de recém nascida.

— Mamãe não quer que eu fale da história com você – Ela brincou com um ursinho

— Mas você quer muito falar disso, não é? – Eu sorri – Tudo bem, pode ser nosso segredo.

Eu sentei ao chão de frente pra ela.

— Percy disse que a princesa tinha lindos cabelos loiros e olhos incrivelmente cinzas... Eu acho que ela é você. – Julia me encarou

— Não é só uma história de contos de fada? – Perguntei

— Mas ele disse que a outra princesa se chamava Rachel, e Rachel é a namorada do meu irmão. – Ela me lançou um olhar confuso – E ele disse que eu não posso casar com o príncipe.

Eu ri. Imaginei como uma garota de cinco anos podia ser mais esperta do que eu fui aos meus dezessete.

— Porque você quer tanto que eu seja a princesa?

— Porque você poderia me contar o final da história – Ela fez um bico manhoso

— Não tem final? – Perguntei confusa

— Não, ele disse que só a princesa sabia – Ela deu de ombros e o que me lembrou um gesto igual ao de Percy.

— E se eu não souber o final? – Eu a encarei um pouco triste

Julia não respondeu, ela apenas saiu de sua cama e foi até um banquinho ao lado da cômoda. Ela o puxou para frente e subiu nele, podendo alcança a primeira gaveta. De lá ela tirou uma caixinha pequena de jóias e desceu com cuidado vindo até a mim.

— O que é isso? – Perguntei enquanto ela abria a caixinha, se sento no chão ao meu lado.

— Um anel – Ela tirou um lindo anel com uma pedra brilhante – Era da mamãe, mas não foi o papai quem deu.

Era um anel antigo de noivado, provavelmente o pai do Percy havia dado a dona Sally. Antigamente os anéis de noivados eram extremamente escandalosos com suas pedras de brilhantes. Ele era incrivelmente lindo.

— É lindo – Eu o peguei e o analisei

— Quando Percy foi embora, mamãe deu pra ele, mas ele disse que não tinha alguém tão especial assim, então ele pediu pra eu guardar, disse que era o tesouro do príncipe. – Ela tomou o anel da minha mão e colocou na caixinha com cuidado – Eu pensei que ele ia dar pra Rachel, mas ele disse... Não. – Ela fez uma cara emburrada.

— Você gosta da Rachel? – Perguntei sem graça

— Gosto – Ela sorriu

Senti uma pontada no peito.

— E você gosta de mim? – Perguntei receosa

Ela me analisou por alguns segundos e sorriu

— Eu gosto – Ela abriu um grande sorriso

— Mas a gente nem se conhece direito – Eu sorri

Julia apontou para o mural de fotos.

— A gente se conhece, não é? – Ela sorriu

— É verdade – Eu ri

— O anel é o tesouro do príncipe, pra princesa – Ela voltou com o assunto – Se você não souber o final, então não tem final, não tem como a princesa receber o tesouro – Ela fez um biquinho

— Jujuba – Eu alisei seu rosto – Eu não sei contar esse final.

Julia encarou a caixinha tristemente

— Porque ninguém sabe o final? – Ela perguntou emburrada

— Talvez por que ele ainda não aconteceu – As palavras saíram da minha boca

Julia deu um meio sorriso parecido com o do Percy.

— Eu vou esperar pelo final então – Ela pegou a caixinha e voltou a colocá-la na gaveta.

— Porque você não aceita que o príncipe fique com a princesa Rachel? – Perguntei

— Ela não estava na história – Julia respondeu rapidamente – E ela não recebeu o tesouro.

— Você é uma garotinha muito esperta – Eu pisquei pra ela

— Eu vou fazer seis anos semana que vem – Ela disse um pouco convencida.

Sim, já estávamos em setembro e setembro me lembrava o final de semana da viagem onde Percy e eu, tivemos nossa primeira vez. Voltar para casa fez varias lembranças invadirem minha cabeça. Observar como a Julia cresceu, me trouxe parte do passado que eu não podia recuperar, mas me deu vontade de querer vê-la crescer de perto. Como eu podia recuperar isso? Como?

***

Eu estava no mercado, tinha acabado de sair da academia junto com a Thalia, precisávamos renovar o estoque de biscoito.

— Isso não é uma dieta – Eu reclamei com ela – Malhar e se entupir de biscoitos.

Ela me remendou como uma criança mimada.

— Eu vou para casa de meus pais esse domingo, não vou dormir na sua casa. – Ela avisou

— E amanha? A balada BarMix? – Perguntei

— Agora você parece animada – Ela sorriu

— Eu realmente preciso me divertir – Suspirei

— Não teve noticias dele, não é? – Ela perguntou

— Não... – Respondi frustrada

Thalia arregalou os olhos por trás de mim.

— Acho que foi muito cedo pra ter dito isso – Ela apontou

Olhei para trás, quase cai. Percy estava entrando na sessão de biscoitos, ao lado dele a Rachel. Virei de costas instantaneamente.

— Vamos sair daqui antes...

— Oi Thalia! – A voz do Percy soou se aproximando. Ele empurrava um carrinho de compras.

— Oi... – Thalia disse sem graça.

— Oi, meninas – A voz doce da Rachel fez meu coração tremer.

Eu me virei lentamente e correspondi com um meio sorriso sem graça.

— Oi, Annabeth – Percy disse em um tom frio. “Annabeth” não foi “Annie” foi “Annabeth”.

Percy tentava parecer tranquilo, mas eu o conhecia muito bem. Ele estava nervoso, surpreso por ter me visto em um lugar, tão der repente, mas então sua feição suavizou.

— Não tive a oportunidade de te apresentar – Ele suspirou – Essa é minha noiva, Rachel.

Eu suspirei. Nossa! Como isso doía, principalmente pela forma natural que ele falava, agindo como se nosso beijo nunca tivesse existido, agindo como se eu fosse apenas uma amiga antiga. Apresenta-la tão formalmente como “minha noiva” era uma estaca no meu peito.

Rachel pareceu satisfeita. Eu estava desarrumada, com roupas de academia, talvez um pouco chamativa demais, pra o Percy não querer olhar pra mim. Pelo menos, disso eu gostei.

— Oi – Eu tentei despojar um sorriso

Ela não me encarou com afeição, tinha faíscas em seu olhar, mas bem lá no fundo existia um toque de ternura. Ela deve ser uma garota incrível para o Percy ter escolhido ficar com ela por tanto tempo. Ela provavelmente não merecia sofrer, e eu entendia perfeitamente o porquê ele parecia não querer abrir mão dela.

— Achei que só ia ficar até o casamento – Ela me deu um sorriso fino.

— Eu fiquei muito tempo longe da minha mãe, eu quero aproveitar o máximo – Tentei dar uma de confiante, mas foi mais como “tenho medo desse seu olhar”

Ela apenas sorriu.

— Vamos, amor... Ainda temos muita coisa pra ajeitar, antes deu me mudar de vez pra sua casa. – Ela fez questão de dizer em voz alta. – Um mês não é tempo suficiente pra tanta coisa – Ela deu um risinho. — Até mais garotas...

Thalia me observou. Percy pareceu ter recebido um soco, mas apenas continuou andando.

— Como assim? – Perguntei a mim mesma – Não era só ano que vem? – Eu olhei para Thalia

— Não olha pra mim, eu não sei de nada – Ela balançou a cabeça em negação.

Andei em direção à sessão de bebidas e peguei uma garrafa de vodka.

— Ei... – Thalia repreendeu – Você não se da bem com isso

— Eu juro que arranco seu braço se tirar isso desse carrinho – Eu a fuzilei

— Nossa! – Thalia disse surpresa – Eu só ia sugerir o vinho...

Um beijo, um beijo tão cheio de sentimentos, tão cheio de desejos e agora ele age como se não tivesse acontecido, e ainda com a noticia de que o “junta panela” foi aceleradamente adiantado? Eu queria chorar, isso doía tanto, vê-los juntos doía tanto. No fundo eu ainda tinha esperanças, por mais que fosse errado, eu ainda tinha esperanças. Isso estava acabando comigo.

Percy

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Pensei que meu coração ia sair pela boca quando avistei a Annie, eu nem tinha reparado na Thalia, pois a primeira coisa que reparei foi o novo corte de cabelo perfeito da Annie, e seu corpo atlético desenhado em roupas justas de academia. Se eu tivesse voltado seria motivo pra terceira guerra mundial com a Rachel, suspirei e tentei agir normalmente, fiz meu papel de homem, em valorizar a mulher ao meu lado, apresentando-a como minha “Noiva”, mas então, a Rachel inventa de comentar sobre nossos planos, que foram recentemente mudados. Ver a expressão de surpresa da Annie, foi como receber um soco, porem, eu não podia reclamar, a Rachel era a mulher com quem eu tinha um compromisso.

Confesso que meu humor mudou depois daquele momento, eu não esperava ter que me bater com a Annie daquele jeito, e ainda mais junto com a Rachel. Eu queria poder conversar com ela e explicar como as coisas eram complicadas e pedir pra que realmente a gente se afastasse, queria poder admitir que eu ainda a amava, mas que não podia abrir mão do que construí.

— Percy! – A Rachel me chamou na maior alegria.

Eu estava em sua casa, deitado no sofá assistindo um filme, que nem lembrava o nome e quase dormindo. Seus pais haviam se mudado para outro estado, e deixou o apartamento na mão dela.

Rachel abriu a porta de entrada e instantaneamente eu acordei. Um velho amigo de faculdade entrou. Will, um cara alto, másculo, pele bem parda, olhos cor de mel, cabelo baixo e um sorriso maroto. Eu podia considera-lo meu melhor amigo desde a faculdade, sempre farreávamos juntos, fazíamos encontros com as garotas, não queríamos compromisso, apenas curtição, mas desde a formatura ele tinha ido trabalhar em outra cidade, e só mantínhamos contato por e-mail.

— Will – O cumprimentei com entusiasmo – Quanto tempo.

— Sim... Vim passar uma temporada por aqui – Ele sorriu – Nossa, você está gigante hem?

— Olha só quem fala – Nós rimos

— Me encontrei com o Will ontem na faculdade, pedi pra ele vir aqui e te fazer uma surpresa — Rachel se aproximou.

— Grande surpresa, obrigada – Eu lhe dei um beijo.

— Rachel conseguiu mesmo te prender hem? – Ele riu e nós nos sentamos no sofá.

— Não foi fácil – Ela riu – Nem está sendo – Ela jogou a indireta.

Will riu.

— Sempre direta – Ele murmurou

— Sempre! – Eu dei de ombros

Will me ajudou com o desafio “Rachel” na época da faculdade, e riu da minha cara quando assumi o relacionamento, foi uma época divertida. Nós conversamos e lembramos do passado, Rachel parecia muito mais a vontade quando eu me juntava com amigos da faculdade, do que quando eu me juntava com meu amigos da escola. Ela se sentia intrusa entre eles, e não posso dizer que é exagero, era como se eles a enxergassem como a “substituta” me incomodava as vezes.

— Tem planos para amanha? – Perguntei – Marcamos uma passadinha no BarMix

— E você tem tempo pra isso? – Will sorriu

— Eu tive que arrumar... Sabe como é – Eu dei uma olhada para a Rachel, e ela sorriu convencida.

— Eu topo, preciso muito encher a cara – Ele disse com entusiasmo

— Não posso exagerar, terei uma reunião no domingo... Acordar com ressaca, não vai me fazer dar o melhor – Dei de ombros.

Nós continuamos conversando e sorrindo, foi o que eu precisava pra aliviar o estresse.

Annabeth

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A Thalia tinha um estilo meio rock, mas ela era uma boa estilista, e foi graças a isso que acabei me adaptando a boa moda moderna. Aprendi que se você for pra uma desta tipo balada, precisa ir com algo que não faça você pagar calcinha. Coloquei uma calça couro preta cintura alta, ela ficava bem em cima do meu umbigo, mostrando parte da minha cintura com um croped de manga longa estampado, e um salto vermelho combinando com a estampa.

— Você é a melhor manequim que eu tive em toda minha vida – Thalia disse ao me observar

Ela mantinha seu casual estilo rock, mas de uma forma mais feminina hoje. Apesar dela não gostar de relacionamentos, ela gostava de provocar, afinal... Ela era linda.

— Hazel disse que já está ai dentro e que terei uma surpresa – Eu hesitei antes de entrar, meu sensor marcava alta zona de perigo.

Olhei para trás, eu tinha vindo de taxi, pois não sabia em que estado eu sairia da festa.

— Se for esse tipo de surpresa, que eu acho que você está pensando, será uma puta de uma coincidência infeliz – Thalia reclamou e me puxou junto.

A musica estava alta, havia varias pessoas dançando, muitos garotos bonitos e uma áurea de excitação no ar. Fazia tempo que eu não curtia isso, comecei a sorrir enquanto entrava, dei alguns pulinhos dançando, esqueci totalmente do aviso da Hazel.

— É uma puta de um coincidência infeliz – Thalia parou a minha frente e eu me bati com ela.

— O que foi? – Ainda sorria, até eu seguir seu olhar.

Hazel, Frank, Percy, Rachel e um cara que eu não conhecia, sentados em uma das mesas com cadeiras acolchoadas. Quando Percy me viu, pareceu ter ficado branco, acho que Hazel não avisou que eu viria.

— Eu não vou ficar – Disse imediatamente

— É claro que você vai – Thalia disse

— Não...

— Annie, para – Ela puxou meu braço – Ele está aqui, idai? Olha quantos caras te olhando? Bota o pé no chão e segue a vida. – Ela disse irritada.

Eu engoli seco. Hazel acenou para que pudéssemos ir pra lá, fiz que “não” com o dedo e me misturei com a galera no meio da pista. Eu estava tremendo e ansiosa, Thalia e eu fomos até o barzinho e sentamos nas cadeiras altas.

— Eu quero uma bem forte – Eu pedi

Thalia apenas revirou os olhos. Hazel se aproximou.

— Ei, combinamos de ficarmos juntas – Ela reclamou

— Você trouxe o Percy? Com a Rachel? – Eu resmunguei um pouco chateada – Eu não vou sentar naquela mesa.

— Eu não os trouxe – Hazel revirou os olhos – Nos encontramos aqui, fiquei surpresa também... Faz tempo que o Percy não vem a lugares como esse.

Eu suspirei impaciente.

— Annie – Hazel tocou meu ombro – Você precisa se acostumar, Percy vai casar...

— É... Eu sei – Revirei os olhos.

— Não, é serio... Não sei o que aconteceu para os planos dele terem mudado, mas eles estão indo morar juntos no final do mês, porque vão casar ano que vem – Hazel estreitou as sobrancelhas

Eu quase cuspi a vodka.

— O que? – Perguntei horrorizada

Thalia me analisou com uma expressão surpresa. Ela sabia o motivo da minha indignação.

— Como assim ele decidiu casar? Nem conversamos sobre o beijo – Eu disse em voz alta.

— Sobre o que? – Hazel sentou-se na cadeira vazia ao meu lado e tirou de mim o copo de vodka – Que história é essa?

Contei resumidamente a história do beijo e confessei para a Hazel que eu amava o Percy, contei sobre o mal entendido da minha volta quando ainda estávamos juntos, contei tudo que tinha pra contar.

— Ai meu Deus, Annie... Você tem que contar a ele – Hazel me deu uma fitada – Eu tenho certeza que essa decisão repentina deve ter sido por algo.

— Sim... Com certeza algo – Eu disse irritada – Me mostrar que sou passado, que nosso beijo não significou nada.

— Annie, o Percy te ama – Hazel disse com firmeza – Você sabe disso...

— Idai? Ele decidiu seguir a vida – Eu disse quase chorando

— A Annie tem razão – Thalia se meteu – Ele seguiu a vida dele, ela não pode ficar alimentando uma ideia, só porque existe uma torcida pra isso. – Thalia disse chateada – Desde que cheguei ouço vocês falarem... “Percy, te ama” – Thalia revirou os olhos — Ok! Eu também percebi isso, mas parece que independente disso, é com a Rachel que ele quer ficar. Então parem de achar que é a Annie que precisa fazer algo pra mudar isso.

Hazel ficou em silencio por um tempo.

— Percy acha que você não o ama – Ela sussurrou – Thalia está certa, ele não quer abrir mão da Rachel, mas ele tem o direito de saber que você o ama.

— Eu não vou dizer – Revirei os olhos – Estou de saco cheio disso. – Dei um longo suspiro – Eu quero dançar, e dançar pra valer.

Sai da cadeira e me balancei conforme a musica até o meio da pista, por alguns minutos dancei sozinha, depois Thalia se juntou a mim.

— Hazel voltou pra mesa – Ela disse sussurrando em meu ouvido, pois a musica estava alta. – Ela está furiosa com a questão de você não querer dizer ao Percy sobre o mal entendido de cinco anos atrás.

— Eu não estou nem ai – Menti – Eu quero esquecer isso pelo menos por hoje.

Eu me virei pra ela e joguei meus braços ao redor do seu pescoço, quase como se fossemos nos beijar.

— Lembra da formatura? – Perguntei – Da nossa dança?

— Ah... Serio? – Ela riu – Isso vai causar um verdadeiro estrago.

— Eu quero sair daqui sendo arrastada – Eu gargalhei.

Thalia riu e concordou.

Era uma dança sensual que combinava com qualquer melodia. Duas garotas bonitas, duas garotas “gostosas”, duas garotas que roubavam olhares e suspiro, tanto de homens, quanto de mulheres, dançando juntas, insinuando um momento exótico, no meio da pista, e tão próximo que faltava apenas um beijo. Essa foi a forma que gostávamos de agir, quando íamos para as baladas na Alemanha, aqui... Não podia ser diferente.

Percy

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A Hazel voltou para mesa, eu me sentia incomodado de diversos jeitos. Primeiro porque a Rachel se sentia ameaçada, e isso me deixava um pouco triste, segundo porque ver a Annie chegar sorrindo, tirando olhares das pessoas e com a intensão de se divertir, me deu uma pontada no peito, terceiro, ela tinha uma tatuagem enorme na lateral do corpo e isso era muito atrativo e sexy, e quarto... Will! Que ficou bastante interessado com a chegada dela.

— Quem são aquelas duas? – Ele apontou

Mais uma pra colocar na lista. Annie e Thalia começaram uma dança “erótica” não era “exótica” do tipo que te causa uma sensação extravagante de algo que nunca viu, era “erótico” mesmo, do tipo que te faz ficar excitado. Minha reação ao ver aquilo foi tão nítida que Frank precisou me cutucar com o cotovelo pra eu perceber que estava dando muito na cara, minhas pernas tremeram, meu sangue ferveu... Eu estava prestes a me levantar e tira-la da pista de dança.

— Cara... Que gostosas! – Will disse

Me virei quase que instantaneamente para o Will, soltando fumaça por tudo que é canto.

— Isso é tão vulgar! – Rachel murmurou, mas era nítido o incomodo em sua voz.

Rachel era uma mulher mais reservada, ela não gostava de ir a festas, ou viver um perigo, como: “curvas da morte”, ela era mais caseira e gostava mais de passar o final de semana assistindo series. Me chamar para vir ao BarMix foi uma tentativa de “reconciliação”, ela sabia que eu gostava, e que não vinha por respeito a ela.

— Eu vou lá! – Will se levantou

Eu ia questionar, mas a Rachel estava ao lado. Isso era tão torturante.

— Evite a morena, se quer continuar com suas mãos – Frank comentou

Eu dei uma leve fitada para Frank, que desviou o olhar na hora. Evitar a morena? Frank ficou maluco? Ele praticamente deu livre acesso pro Will chegar na Annie... Ai, como eu queria socar a cara do Frank agora.

— Eu vou tentar nas duas, quem sabe eu não consiga um a três hoje... – Will deu seu velho sorriso conquistador.

Frank gargalhou.

— É cara, quem sabe com sorte...

Encarei o Frank novamente, ele estava me provocando também. Eu queria ter parado o Will, ter dito que se ele tocasse na loira, eu iria arrancar as mãos dele, mas era impossível.

— Rachel, vamos ao banheiro comigo? – Hazel percebeu minha tensão.

Ela sabia que eu acabaria falando algo que não devia na frente da Rachel. As duas foram, e eu me virei para Frank.

— Você é um idiota! – Eu murmurei irritado

Frank apenas riu, se divertindo com minha reação.

Will chegou às garotas, e o pior... Elas o aceitaram dentro de suas danças. Ele no meio, elas dançando pra ele, deixando que ele as tocasse. Eu balançava a cabeça negativamente, foi a pior visão que tive em minha vida, pior sensação que eu tive em minha vida...

— Esse cara não é o amigo que você costumava chamar de irmão? – Frank perguntou

— Cala a boca! – Resmunguei

A visão “pornográfica” continuava, eu não conseguia parar de olhar, e nem conseguia parar de sentir raiva. O ciúme me corroía, me destruía, e eu não podia fazer absolutamente nada.

— Percy – Frank disse calmamente – Você precisa se acostumar com isso, a Annie é uma mulher bonita, atraente e é solteira – Ele deu ênfase na palavra. – Você não pode controlar a vida dela.

— Eu não consigo evitar – Admiti – Eu não consigo nem parar de olhar, e sentir a vontade de ir até lá e tira-la a força.

Frank ficou incomodado ao ver que eu estava pra explodir.

— Cara, seu casamento... Isso é loucura – Frank finalmente disse – Você está dando um passo pra uma vida infeliz.

— Eu não posso abandonar a Rachel – Eu o encarei – Ela esteve comigo a todo o momento, eu tenho obrigação de fazê-la feliz.

— Faze-la feliz? – Ele fez uma careta – Você não vai ser feliz, Percy... Acha que ela será quando perceber isso?

— Porque vocês a rejeitam? – Perguntei irritado – Ela não é uma intrusa, ta legal? Ela é a mulher com quem eu vou me... Casar – A palavra “casar” saiu arranhando a garganta

Frank deu um risinho irônico

— Tudo bem então... – Ele deu de ombros — Olha pra Annie, olha seu “irmão” com as mãos sobre ela – Frank me encarou, eu não quis olhar – Olha ele beijando o pescoço dela, olha ele com as mãos subindo sobre a cintura dela.Ele vai leva-la a um motel hoje...

— Da pra parar? – Repudiei a ideia

— A mulher que você ama, vai passar a noite com seu amigo... Está bom pra você? – Ele se aproximou de mim. – Você está bem com isso?

— Ela não vai... – Eu disse meio que desesperado – Ela não pode.

— Como não? Por que ela não iria? Ela parece ter gostado dele, ele parece ter gostado dela, eles são livres... E você, meu cara amigo, Percy... Você vai estar com a Rachel.– Ele deu um sorriso provocador.

Eu suspirei e encarei os três ainda dançando com sorrisos expostos, repudiei a ideia mais uma vez. Annie e Will... Não, nunca, eu não podia aceitar. A Annie tentou se afastar do Will, mas ele a pressionou, sussurrando algo em seu ouvido, eu os fitei, ela deu um sorriso convidativo e se afastou dele novamente. Eu me levantei em fúria, ela ia mesmo fazer isso?

— Aonde vai? – Frank perguntou surpreso

Não respondi, apenas fui em direção a ela. Eu não podia deixar isso acontecer, não podia.