AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista
46 Capitulo 47 - "TÃO INESPERADO ASSIM?" "NA VERDADE, NÃO"
Percy
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A cerimônia terminou, eu estava feliz por meu melhor amigo. Eu o vi conversar com a Annie de longe, preferi não me aproximar, eu estava evitando o contato, até porque isso magoaria a Rachel.
— Se enforcou mesmo – Eu dei um grande abraço no Jason quando ele veio até a mim.
— Pois é, todo homem precisa se enforcar um dia... Você não vai ser diferente – Ele riu. Jason olhou para os lados, como se estivesse procurando alguém. – Você viu a Annie? – Ele perguntou em um sussurro
— De longe – Admiti – Não acredito que estavam falando a verdade no dia da despedida de solteiro, eu quase tive um infarto hoje.
Jason gargalhou
— Eu precisava ter visto isso – Ele bateu em meu ombro – E então, o que vai ser?
— Nada – Gaguejei – Eu nem pretendo falar com ela.
Jason me deu um sorriso carismático.
— Agindo como um adolescente? – Jason suspirou – Isso não é típico de você
— Eu fui pego de surpresa – Me defendi – E não quero causar problemas com a Rachel.
— Percy! – Piper se aproximou e me abraçou interrompendo nossa conversa – Obrigada por tudo, obrigada pelo presente, você e o Frank são demais.
— Felicidades, moça! – Eu a abracei de volta – Lua de mel em Cancun? Isso é pouca coisa pra oferecer a nossa psicóloga particular. Embora você acabe com meu psicológico de vez em quando – Eu ri
— Precisamos conversar sobre isso – Ela puxou minha mão que tinha aliança – Você tem uma mania incrível de cavar a própria cova.
Nós dois rimos
— Onde está a Rachel, eu ainda não a vi – Piper olhou pelos lados
— Deve esta... – Meu coração gelou quando eu vi que ela estava perto da Annie, porém, agia como se não soubesse quem era.
— Uou! – Jason colocou a mão em meu coração – Prevejo um infarto, Piper.
Piper riu
— Eu vou salvar sua vida Percy – Piper me deu uma piscadela – Ei Rachel! – Ela gritou. Rachel deu um grande sorriso e veio até nós.
Annabeth nem ao menos se importou em olhar. Parece que ela tinha aprendido o dom de ignorar as coisas.
Annabeth
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A noiva do Percy estava bem atrás de mim, ela me deu um sorriso simpático quando nossos olhares se cruzaram, parecia ser uma boa garota. Ouvi a Piper chamar por ela, me virei para o outro lado evitando a curiosidade em observar ela saindo, suspirei, isso estava se tornando uma tortura.
Avistei dona Sally observando a pequena Julia correr com seu vestido rodado simulando uma noivinha. Eu fui até ela.
— Oi! – Eu dei meu melhor sorriso
— Annabeth? Nossa, é você mesmo? – Ela me abraçou – Não achei que estaria aqui.
— Nem eu – Corei – Mas resolvi vir.
— Está só a passeio? – Ela perguntou
— Não, na verdade estou tentando fechar um negocio aqui, mas parece que o próprio solicitante anda me evitando. – Dei um sorriso sem graça
— Ei Julia, vem cá – Dona Sally a chamou e a pegou no colo – Essa é a Annabeth, você não se lembra dela, mas ela era acostumada a colocar você para dormir.
Julia me analisou dos pés a cabeça, ela era tão linda que parecia uma bonequinha de porcelana.
— Mamãe... Ela é a princesa? – Julia tentou parecer uma conversa de segredo
— Ah, não sei meu amor, vai precisar perguntar ao seu irmão – Dona Sally sorriu
Eu corei.
— Uma história de conto de fadas que o Percy era acostumado a contar quando ainda morava conosco, parece que ele usou características sua pra descrever a princesa. – Dona Sally sorriu mais ainda e eu corei mais ainda.
Então o Percy contava histórias para irmã me colocando como personagem. Não sei se ficava feliz, surpresa ou incomodada com aquilo.
— Eu costumava te chamar de jujuba – Eu alisei seu rostinho fofo
— Jujuba é doce – Ela disse
— Sim... Igual a você – Eu disse
Julia deu um grande sorriso e estendeu seus braços pra mim. Ela era pesada, mas eu a segurei.
— Eu acho que você é a princesa – Ela tentou sussurrar
— Eu acho que não – Eu sorri. Ela continuou me analisando.
— Então vai ficar por mais algum tempo? – Dona Sally voltou ao assunto
— Provavelmente – Eu sorri
— Eu meio que estou orgulhosa de você, eu sabia que iria se tornar uma pessoa maravilhosa – Ela tocou meu rosto – Você fez tanta falta para nossa família, minha querida Annabeth.
Eu quase me desmanchei em choro, mas me contive. Tive que colocar a Julia ao chão ela pesava muito.
— Eu devo muito a você, pelos incentivos e palavras que me motivaram – Eu a abracei – Também senti a falta de vocês. Eu sinto muito por ter deixado as coisas acabarem assim.
— Nem sempre as coisas saem como queremos, às vezes precisamos de tempo e mudanças antes de ter o que realmente é nosso – Ela se afastou do abraço.
Eu estava muito mais esperta que antes, mas não consegui entender suas palavras. Apenas concordei. Ficamos conversando por mais alguns minutos e então a Thalia me chamou.
— Chega de vestido e de salto – Ela resmungou
Eu ri
— Vamos, já está noite... – Eu olhei para o céu estrelado.
Eu peguei as chaves da minha moto na mão do frentista, agora eu podia me desarrumar com o vento da viagem. Percy estava na saída com a noiva, eles pareciam ter uma conversa intima, então ela jogou seus braços ao redor do pescoço dele e o beijou. Meu corpo todo se enrijeceu, Percy apertou sua cintura como se o beijo o tivesse empolgado, ver aquilo me fez querer gritar, fiquei tonta, quase cai. Eu me virei para trás, dando de cara com o par de olhos azuis da Thalia.
— O que foi? Você está mais branca que o normal... – Thalia passou seu olhar por trás de mim e entendeu.
Eu catei as chaves do apartamento e a entreguei.
— Você poderia pegar um taxi? Eu não quero... Eu não vou pra casa agora – Eu disse tremendo
— Annie... – Thalia me lançou um olhar de pena
— Eu estou bem – Forcei um sorriso – Só preciso dar umas voltas...
Ela sabia que andar contra o vento me acalmava, então apenas concordou. Existia apenas um lugar nessa cidade que me acalmava. A praia.
Percy
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Rachel me deu um beijo intenso, eu me senti quente e empolgado, mas ali não era um lugar apropriado para demonstrar isso.
— Você esta se segurando... – Ela sussurrou em meu ouvido e eu sorri
— É porque estamos em um local publico – Eu resmunguei
— Então vamos para um local reservado – Ela entrelaçou seus dedos aos meus.
Eu estava cansado, com uma leve dor de cabeça, e ainda estava pensando na Annie, eu não queria transparecer isso para Rachel, eu precisava esfriar a cabeça e voltar ao meu foco.
— Rachel... Hoje não! – Eu a puxei de volta
— Você... Rejeitando isso? – Ela perguntou surpresa.
Ótimo, ela vai entender os motivos, Rachel era muito esperta.
— Eu só estou um pouco cansado, eu vou te levar para casa e...
— Isso é por causa dela? – Rachel me interrompeu
— Rachel, por favor... Não começa – Eu pedi calmamente – Eu já disse, estou com você, para de tentar criar confusão por conta disso, estamos bem, tem mais de uma semana que não brigamos, então por favor...
— Tudo bem – Ela suspirou – Desculpa, é só que... É difícil pra mim, ok? Ela foi o seu grande amor por mais anos do que temos juntos, isso me deixa um pouco insegura.
— Tudo bem... Deixa isso pra lá – Eu nem queria conversar sobre aquilo – Vou te levar pra sua casa.
Levei a Rachel em casa, ela insistiu pra que eu entrasse, mas eu recusei. Eu não estava com cabeça para nada alem de cama e aspirina. Passei pela praia, o leve cheiro do mar me trouxe calma. Eu estacionei meu carro ao lado de uma enorme moto, que me fez lembrar a minha. Caminhei até a praia quase deserta e reconheci uma silhueta feminina parada em pé observando o mar. Meu coração gelou, era a Annie, seus olhos encaravam o horizonte escuro, o vento soprava as ondas de seu cabelo curto e a barra de seu vestido logo. Ela sentou-se sobre a areia em uma posição confortável, que ela costumava sentar quando mais nova, apoiando os braços sobre o joelho. Tentei dar meia volta e sair, mas ela virou seu rosto para trás e me observou, desviou o olhar e voltou a encarar o horizonte. Eu suspirei um pouco nervoso, eu teria que encará-la mais cedo ou mais tarde, estranhamente o destino escolheu exatamente hoje para esse reencontro, justamente no lugar onde tudo sobre nós começou. Continuei andando em direção a ela, a cada passo que eu dava meu coração parecia acelerar mais.
Fiquei de pé ao lado dela, as mangas do seu vestido eram longas e justas, era elegante. Annabeth não olhou pra mim, eu me sentei ao seu lado e esperei alguns segundos. Antigamente eu costumava fazer isso quando ela precisava desabafar, mas dessa fez, nada aconteceu, ela continuou calada sem olhar pra mim.
— Seis anos – Eu quebrei o silencio – Parece que o tempo passou rápido.
— É... Parece – A voz dela fez meu corpo tremer, estava um pouco mais grave, afinal... Ela era uma mulher agora.
Eu a observei, seu vestido estava suspenso até a parte alta das suas coxas, ela parecia não ligar pra isso, estava descalça, unhas pintadas, o corte moderno de mais curto na nuca e mais longo na parte da frente. Achei que esse corte só combinava com cabelos escorridos, mas ficou perfeito com os ondulados loiros dela. Annabeth parecia diferente, não só fisicamente, mas ela parecia estar mais madura, mais educada, menos agressiva, isso era... Tentador.
— Olha só pra nós dois – Eu quebrei o silencio mais uma vez – Trocamos os tênis surrados por sapatos finos, calças jeans e camisas despojadas com roupas finas e elegantes... Soa até engraçado.
Eu consegui arrancar dela um meio sorriso.
— É, mudamos bastante... Você agora tem barba – Ela se virou pra mim.
Nossos olhos se encontraram, foi uma sensação de sentimentos incontroláveis.
— Dizem que é meu charme – Eu toquei na barba e Annabeth, reparou a aliança. Ela desfez o sorriso e voltou a encarar o mar.
Nunca odiei usar aliança como agora, e me odiei por odiar isso.
— Pode ser um charme – Ela disse sem olhar pra mim – Embora eu ache mais atraentes homens sem barba.
Eu estreitei as sobrancelhas em surpresa.
— Você também combinou com seu novo corte de cabelo, mas também prefiro os longos – Tentei despojar um sorriso
— Isso é um problema seu – Ela disse rispidamente. Espere, eu retiro o que eu disse sobre ela ter mudado. Ainda era a mesma Annabeth de antes.
— Isso foi um pouco rude – Eu disse surpreso.
— Não foi rude, foi sincero – Ela deu um meio sorriso – Você ia dar meia volta e ir embora não ia?
Ela perguntou sobre quando eu percebi que era ela aqui e tentei voltar sem ser percebido.
— Ah... Ia! – Não achei a necessidade de mentir
— Você ainda continua sendo o mesmo idiota, cabeça de alga – Ela se encolheu para um pequeno riso.
Eu sorri. Só ela me chamava daquele jeito, fazia tempo que eu não ouvia aquele apelido.
— Mas logo depois eu achei que deveria encarar isso de vez – Admiti
— Eu entendo o fato de você me ignorar – Ela fitou a aliança – Não sinta mal por isso – Ela me deu um sorriso reconfortante.
Senti-me incomodado com aquilo, no fundo eu queria que ela se importasse com fato de que havia outra pessoa em seu lugar, afinal, foi ela quem tinha me abandonado. Eu não gostava da paz que estava sendo criada em meu coração enquanto nós conversávamos, eu não queria aceitar que só fato de estar ao lado dela me fazia estar renovado, me fazia achar que esse era o meu lugar... Eu queria ficar irritado com isso, mas eu não conseguia, eu só conseguia estar mais ansioso e mais feliz.
Annabeth
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O silencio nos pegou novamente, eu estava conseguindo manter a calma e aparentar estar tranqüila, mas eu temia que eu fosse desmaiar a qualquer minuto.
— Você chegou hoje? – Ele estava tentando não deixar a conversa morrer
— Uns três dias atrás – Eu admiti
— Conseguiu ficar na espreita por três dias? – Ele perguntou surpreso
— Não... Na verdade me encontrei com o Leo e a Caly no dia que cheguei.
— Ah... – Ele pareceu surpreso. Talvez porque o Leo não comentou isso com ele.
— Acho que o assunto acabou – Eu suspirei entre o silencio
— Acho que sim – Ele concordou relutante
— Eu tenho que ir – Peguei meus sapatos e me levantei – Foi bom te ver, Percy... Nos vemos por ai.
Ele continuou sentado encarando a areia, passei por ele e fui interrompida de dar mais um passo, quando ele segurou as pontas dos meus dedos. Faíscas percorreram meu corpo, eu olhei para baixo, ele encarava nossas mãos.
— Não vá... Ainda não, eu não sei quando nos veremos de novo — Ele sussurrou. Aquilo me matou por dentro.
Não posso, não posso ceder ao sentimento, não posso estragar a vida do Percy, logo agora que ele estava bem, então por favor Percy, me ajude a não ceder.
— Eu tenho que ir – Minha voz tremeu.
Ele se levantou sem soltar minha mão, nossos olhos se encontraram novamente, mas dessa vez com mais intensidade, o silencio nos inundou e Percy se aproximou para me dar um beijo na bochecha, não... Um pouco mais pra fora da bochecha, quase no canto da boca, como se seu objetivo fosse afetado por uma questão de consciência e acabou desviando o alvo. Eu fechei os olhos sentindo sua pela se afastar da minha, ele me observou e deu espaço pra que eu saísse.
Nós caminhamos em silencio até a calçada.
— Vai precisar de uma carona? – Ele destravou o carro ao lado da minha moto. Eu podia jurar que seus olhos estavam pedindo que eu precisasse.
— Não, Percy... Mas talvez eu aceitasse se precisasse – Eu dei um belo sorriso peguei o capacete travado na moto e montei.
Percy me olhou surpreso, com um meio sorriso se formando.
— Você só pode estar brincando – Ele riu
— O que foi? – Eu suspendi o vestido, para me deixar mais confortável e mantive um sorriso no rosto – É tão inesperado assim?
— Na verdade não – Ele sorriu e entrou no carro um pouco sem graça.
Eu dei partida na moto, acelerei para fazer aquele lindo ronco de motor e depois parti em velocidade. O destino prega peças, eu tinha que me acostumar com isso, eu tentei fugir do Percy durante todo o dia, mas foi uma falha bem sucedida.
Percy
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Eu nem soube como reagir ao ver aquilo, fiquei tão sem graça que me apressei a entrar no carro. Annabeth montada numa 600, suspendendo seu vestido e saindo em velocidade sem igual? Uau... Eu instantaneamente parei no tempo, ela parecia um daqueles personagens femininos de jogos que viram fantasias de desejos masculinos. Comecei a sorrir sozinho, meu Deus... Eu precisava parar de pensar na Annabeth.
Na verdade eu queria ter um tempo a mais com ela, isso era ridículo. Eu cheguei a pedir por isso, mas ela não aceitou, ela nunca aceitaria, é claro que ela não aceitaria. Quando ela se levantou para partir, eu acabei agindo por impulso, eu não sabia quando eu teria outra oportunidade de estar com ela, mas é claro que eu não podia estar com ela, eu nem deveria ter sentado ao lado dela. Que merda! Eu estava confuso... E por um descuido meu, eu quase a beijei, mas a razão falou mais alto e eu desviei a direção do beijo, porem, só o fato de ter tocado seu rosto, já fez a chama do meu sentimento por ela se acender. Eu ainda a amava, eu não podia mentir pra mim mesmo. Porque esse sentimento ainda continua aceso depois de seis anos? Foram seis anos longe dela, fora cinco anos sem nem ouvir, ou ver o rosto dela... Porque então parecia que nossa despedida tinha sido ontem?
Toquei meu braço, no local da tatuagem, talvez tenha sido impressão minha, mas senti que as letras “Akai Ito” havia formigado. Engatei a macha e sai. Noite perfeita? Noite desastrosa? Noite confusa? Eu não sabia opinar sobre isso...
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