AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

39 Capitulo 40 - QUAL PLURAL DE "DECIMAL"?


Algumas semanas se passaram, agora faltava apenas um mês para o fim das aulas. Caly não era mais problema, ela desencarnou de vez, continuava me odiando, mas agora me odiava de longe, ela, a Reyna e a Selena voltaram a ser o trio inseparável, mas isso não afetou o que a Selena e eu já tínhamos construído.Eu voltei a ser a velha Annabeth nerd da escola, nunca mais ouvi, ou cheguei a ver o Luke, acho que ele parou de vir a escola, o assunto “Alemanha” era algo delicado de se comentar, meus amigos apoiaram e ficaram felizes, mas sempre existia aquele olhar de apreensão sobre eles, principalmente quando o Percy estava perto.

Percy ainda reagia de uma forma diferente, ele não se mostrou muito empolgado, apesar de sempre comentar o quão orgulhoso ele estava, mas também não demonstrava tristeza como se nosso relacionamento fosse acabar. Eis a incógnita da questão... Nosso relacionamento, esse era o assunto tabu que ainda não havíamos tocado, mas quanto mais o tempo passada mais apreensiva eu ficava em querer falar sobre aquilo. Eu teria que permanecer obrigatoriamente por um ano na universidade da Alemanha, depois disso eu podia escolher ficar lá,caso minha matricula fosse renovada, ou escolher voltar e terminar o curso aqui.

Percy e eu já havíamos completado mais um mês de namoro, e eu não me sentia apenas uma namorada, eu me sentia uma companheira. Nós estudávamos juntos, dormíamos um na casa do outro, ainda em quartos separados “teoricamente”, mas na pratica nem preciso comentar. Percy sempre ajudava nas compras lá de casa, indo nos buscar no mercado, consertava os encanamentos ruins da minha casa, eu tinha um afeto incomparável a sua pequena irmã que agora parecia uma bolinha de tão gordinha e linda. Tudo estava perfeito, menos o sorriso do Percy, ele não era tão sincero quanto antes e eu me sentia triste por saber que aquilo significava que ele estava sofrendo calado.

Eu estava arrumando as coisas para sair, hoje tinha sido o ultimo dia das aulas extras. Fiquei feliz com o resultado que deu, e o reembolso. Alguém entrou na sala e eu me virei para ver que era o Percy. Ele tinha um sorriso malandro e pervertido, eu sorri.

— O que está fazendo? – Perguntei sorrindo

Ele fez sinal de silencio com o dedo, deu uma ultima olhada no corredor e trancou a porta.

— Percy... – Eu ainda sorria

Ele se aproximou e me agarrou firme, me surpreendendo com um beijo tão intenso que cheguei a precisar de ar.

— Faz uma semana que não consigo ter você só pra mim – Ele sussurrou – O clarão da janela mostrava o alaranjado por do sol e dava um brilho diferente em seus olhos.

— Ultima semana das aulas extras – Eu me defendi – Eu tinha simulados pra corrigir.

— Ok, professora Annabeth... Existem matérias que não consigo entender também, você poderia me ajudar? – Ele ainda me prendia em seus braços.

Eu ri.

— Qual seria?

— Essa saia está muito curta – Ela despojou um sorriso e tentou abaixa-la.

Eu adorava o jeito “ciumento” que o Percy tinha quando se tratava de “cuidar do que é dele”

— É o uniforme, você nunca reclamou dela – Eu resmunguei

— Não... Ela realmente está bastante curta hoje – Ele riu e desceu suas mãos para meu quadril

Eu ri, não tinha reparado se eu havia encorpado mais. Talvez meus treinos estivessem dando um pouco mais de volume no meu quadril.

— Não está tão curta assim – Eu tentei ver o tamanho

— Eu vi um dos garotos das aulas extras olhando pra suas pernas hoje no intervalo – Ele murmurou

— Ah... E conhecendo você, aposto que já foi tirar pergunta – Percy fez uma cara de culpado – Não acredito que fez isso... – Reclamei

— Eu não fiz nada, apenas perguntei se ele tinha perdido alguma coisa – Percy fez uma careta

— Você é impossível – Eu baguncei seu cabelo, que agora estava um pouco maior.

— Talvez eu esteja exagerando... Talvez ela não seja tão curta assim – Percy sussurrou – Eu ainda teria que subi-la pra fazer isso – Percy lentamente suspendeu a barra da minha saia para ter acesso à parte coberta das minhas coxas.

— Percy... Estamos na escola – Eu reclamei

— Não tem quase funcionário nenhum, o corredor está vazio e não tem aluno nenhum aqui – Ele murmurou me beijando.

— Por que você sempre começa com isso em lugares assim? – Perguntei rindo

Eu sorri entre o beijo. Percy me empurrou até que eu pudesse me recostar sobre o batente de uma estante. Ele passeou suas mãos sobre mim e me apertava com gosto e desejo. Me senti quente e ansiosa, ainda sobre o encanto do seu beijo. Percy se afastou para me observar, ele mantinha o sorriso de alguém que estaria prestes a aprontar.

— Percy... Não – Eu o repreendi – Eu conheço essa cara, não me venha com suas ideias malucas.

— Só uma pergunta – Ele sorriu – Uma pergunta acadêmica, eu juro...

Eu revirei os olhos e sorri.

— Você é a professora aqui – Ele continuou – Precisa tirar minha duvida.

— Não era sobre o tamanho da minha saia? – Perguntei rindo

— Não... Aquilo foi só uma reclamação mesmo – Ele revirou os olhos

— Ok... Qual sua duvida? – Eu tentei entrar no jogo.

— Se eu desabotoar sua camisa – Ele disse enquanto tirava o primeiro botão, eu o parei.

— Você disse que era acadêmica – Eu resmunguei. Ele afastou minha mão da mão dele.

— Espere até eu terminar... – Ele reclamou – Se eu desabotoar sua camisa... – Ele continuou – Fazer um caminho de beijos até sua barriga – Ele abriu o terceiro botão – Você poderia me dizer qual o plural da palavra “decimal”? Eu realmente não sei. – Ele fez um biquinho.

Eu quase gargalhei e o afastei de mim.

— Você é um idiota – Eu ri

— É uma duvida acadêmica – Ele deu de ombros segurando um sorriso.

— Isso é uma pergunta pervertida – Eu resmunguei

— Não vai me responder... Espera, não responda, preciso estar beijando sua barriga – Ele beijou meu pescoço. Eu me arrepiei e ri. Eu o empurrei novamente, dessa vez pra mais longe, Percy ria.

— Talvez eu diga, em outro lugar, não aqui... – Eu ainda ria e fechei novamente minha camisa.

Percy mordeu os lábios inferiores e me encarou.

— Eu adoro quando você aceita meus desafios – Ele despojou o meio sorriso que eu amo — Minha mãe não está em casa – Ele avisou

Eu olhei para o relógio.

— Nossa! Acho que já deu o horário para eu sair – Eu ri.

Percy e eu saímos rindo da sala e ele continuou resmungando da saia curta, que não estava curta. Fomos para casa dele e nem deu tempo de me acomodar, ele simplesmente me atacou com beijos e mais beijos. Eu tive que cumprir a promessa de dizer qual era o plural da palavra “decimal” quando ele fez o caminho de beijos até minha barriga, foi simplesmente incrível a sensação, eu ainda continuava a me surpreender com o quanto Percy podia me ensinar sobre formas de se obter prazer.

Tomamos um banho e nos acomodamos na cama, acabamos cochilando por alguns minutos, quando eu acordei me deparei com uma feição do Percy diferente. Ele estava deitado ao meu lado, em pensamentos profundos encarando o teto do quarto. Era o mesmo olhar perdido de sempre, desde que recebi a noticia da aprovação da universidade.

— Toda vez que te vejo com esse olhar, meu coração se aperta – Eu sussurrei.

Ele deu um meio sorriso, mas continuou olhando para o teto.

— Eu sei que precisamos conversar, eu só quero adiar isso por um tempo – Ele admitiu

— Você não está bem com isso, não é? – Perguntei – Eu acho que a gente não pode adiar essa conversa, Percy... Eu irei logo depois das aulas acabarem.

Percy suspirou como se minhas palavras tivesse lhe dado vários socos.

— Você queria que eu estivesse bem? – Ele perguntou.

Automaticamente minha resposta mental foi não, embora eu não tivesse dito em voz alta.

— Não é fácil aceitar que a garota pela qual eu me esforcei tanto em conquistar, estará indo embora – Ele admitiu

— É só por um ano – Eu sussurrei

— Você garante isso? – Ele me olhou fixamente

— Eu... Eu estou fazendo isso pelo meu futuro, pelo nosso futuro, é uma carreira internacional Percy, eu não posso simplesmente...

— Eu sei – Ele me interrompeu – E é por isso que eu não quero conversar sobre isso, eu não quero dizer o que eu realmente quero, porque isso seria egoísmo.

Meu coração se apertou e eu tive um desejo imenso de que ele dissesse pra eu não ir. Eu não sei que reação eu teria se ele realmente dissesse aquilo, mas eu precisava que ele dissesse, eu precisava ouvir aquelas palavras da boca dele.

— Annie... – Ele se virou pra mim e segurou meu rosto – Eu sei que o que você sente por mim, não é tão grande quanto o que eu sinto por você.

— Percy... Eu sou apaixonada por você – Eu resmunguei – O que eu sinto por você, eu nunca senti por ninguém...

— Eu sei – Ele me interrompeu – Mas é apenas uma paixão ainda.

Eu não havia entendido as palavras dele, como se paixão fosse um sentimento pequeno.

— Eu sei que esse sentimento ainda vai continuar crescendo em você, eu realmente espero por isso, mas... – Ele suspirou – Mas pra mim não é mais paixão, Annie. Há muito tempo deixou de ser paixão.

Eu franzi a testa em confusão

— Eu não estou entendendo, Percy – Eu ainda o encarava em confusão.

— Ok... – Ele deu um sorriso nervoso – Eu sabia que dessa vez você não ia entender, então eu preciso deixar claro. – Ele me encarou profundamente – Preste bem atenção no que eu vou te dizer agora, porque eu não direi outra vez, não enquanto você não sentir o mesmo. Você entendeu?

— Ah... – Balbuciei algo, mas não sabia o que dizer

— Eu te amo! – Os olhos de Percy brilharam e meu coração se derreteu.

Eu não tive reação de uma resposta, fiquei assustada demais para dizer algo. Pela primeira vez desde que começamos a namorar, eu me senti confusa sobre o que eu realmente sentia pelo Percy. Amor... Amor era sentimento para uma vida só, eu não sabia se o amava também, mas porque eu tinha medo de dizer isso? Porque eu tinha medo de pensar sobre isso? Eu mesma havia dito sobre nossos destinos serem ligados para sempre, então porque eu simplesmente não conseguia pensar que isso era amor? Porque a confusão me pegou assim tão der repente?

Percy me beijou, talvez tentando amenizar o silencio constrangedor que acabou se formando. Ele não se importou com o que eu não disse, ele apenas me beijou e me puxou para seus braços e se desmanchou sobre meu corpo, como se de alguma forma estivesse precisando respirar dele, pela segunda vez, nós nos entregamos uma ao outro... Foi diferente, foi como se não houvesse paz em nossos corações. Entre nós dois, existia um conflito agora, uma guerra de sentimentos incompatíveis... Acho que esse seria o obstáculo mais difícil que tentaríamos passar.