AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

31 Capitulo 32 - DE QUEM É O XEQUE MATE AGORA?


Selena havia me mandado uma mensagem dizendo que não era pra eu sair, pois já havia dado o toque de recolher. Eu estranhei o por que ela havia dito isso e ainda não tinha chegado, mas de qualquer forma, me desanimei por não poder falar com o Percy. Como eu havia acabado de tomar banho, coloquei uma roupa mais confortável para dormir, uma camisola fina, meu cabelo estava molhado e, eu precisaria pedir para a Selena seca-lo com seu secador.

A porta do quarto abriu e, eu me virei para pedir que ela fizesse isso, meu queijo caiu, não era a Selena, era o Percy. Ele deu uma paradinha me encarando, suas bochechas ficaram vermelhas, provavelmente ficou envergonhado por me ver de camisola. Ele segurava uma mochila e, a deixou cair no chão.

— Parabéns... Pra nós? – Ele gaguejou.

Eu me sentei na cama instantaneamente, fiquei confusa e, sem entender o que ele estava fazendo ali, apesar de que meu coração palpitou alegremente e, um frio na barriga me fez sorrir.

— Você não esqueceu? – Eu arfei

— Sinceridade? – Ele fez uma careta e, se aproximou de mim puxando a mochila junto – Esqueci... – Ele sorriu. – Desculpa!

— Tudo bem... Eu também esqueci – Eu ri.

— Somos tão românticos – Percy deu de ombros

— O que está fazendo aqui?

— Eu troquei de quarto com a Selena – Ele se sentou ao chão em minha frente e, eu continuei sobre a cama, um pouco envergonhada. Cruzei as pernas em borboleta e, o fitei.

Percy estava mais moreno por conta do bronzeado do dia, e eu percebi que eu também estava.

— Você ficou com uma marquinha de biquíni perfeita – Ele fitou meu busto.

A camisola era de alça fina, então dava pra ver a marca do biquíni que seguia até meu pescoço. Eu corei.

— A Selena esta ciente disso? – Fiz uma careta. Mudando de assunto.

— É... Sim! Precisei dizer que o nariz dela é lindo, pra que ela me deixasse vim – Percy apertou a boca, querendo não rir.

— Não se pode mentir para uma gravida – Eu revirei os olhos

— Ou era isso, ou eu não conseguiria te ver, eu precisava te ver – Ele mexeu na mochila. – Trouxe trufas, chocolate com morango... Isso não é bodas de um mês, certo? Mas serve – Ele me entregou uma caixa.

Percy era fofo tentando ser romântico, mas ele não precisava se esforçar em ser romântico, ele simplesmente era.

— Isto estava vendendo na cantina hoje – Eu analisei a caixa.

— Ei... Não estraga a intenção do presente – Ele estreitou as sobrancelhas.

— Obrigada – Eu fiz uma cara meiga – Mas eu não gosto de chocolate.

— Serio? – Percy arregalou os olhos surpreso

— Não... Eu adoro chocolate – Eu ri – Mas eu queria ter visto sua reação, depois de se esforçar por isso.

— Você é geniosa demais – Ele reclamou

Eu estiquei meus braços em direção a ele, Percy entendeu que eu queria um abraço. Ele se ajeitou ficando de joelhos e, se agarrou em minha cintura. Sua cabeça ficou apoiada em minhas pernas, que estavam em posição borboleta.

— Foi uma boa ideia eu ter vindo? – Ele perguntou preocupado.

— Não sei... Confesso que estou meio preocupada com a ideia de nos pegarem – Eu ri sem graça

— Eu posso ir embora – Ele disse suspirando

— Eu gostaria de dizer que queria que fizesse isso, mas na verdade não quero – Eu ri com meu nervosismo.

— Ótimo! – Percy riu.- Porque eu não iria mesmo.

— Duvido que se eu te chutar daqui, você não saia – Eu dei um risinho

— Você não é tão forte assim – Ele resmungou

— Quer apostar? – Eu me arrependi de ter perguntado.

— Você não ganharia de mim, em uma luta – Percy me deu um sorriso malandro

— Eu ganharia sim, esqueceu que sou tricampeã na modalidade de luta? – Dei um sorriso convencido

— Eu consigo te imobilizar fácil – Ele riu

— Não consegue... – Fui interrompida antes de terminar a frase.

Percy me empurrou sobre a cama com tanta rapidez, que acabei me assustando. Ele Ficou sobre mim e, prendeu meus braços acima da cabeça, deu um sorriso malandro, eu fiz um bico de frustração e puxei minhas pernas, fazendo meus joelhos bloquearem seu corpo contra mim.

— Boa! – Ele disse. – Mas nem tanto!

Ele segurou meus dois pulsos com um braço só, e com o outro ele forçou um dos meus joelhos para baixo, podendo se aproximar de mim. Eu tentei me soltar, mas ele era forte.

— Xeque mate, sabidinha – Ele me deu um sorriso ainda mais malandro.

Eu joguei meu corpo pra frente e, com a força das minhas pernas o inclinei para o lado. Percy não esperava que eu tivesse mais forças nas pernas, do que nos braços. Eu acabei virando o jogo e, montei por cima dele. Pressionei meu cotovelo de leve em seu pescoço, isso em uma luta teria sido nocaute.

— De quem é o xeque mate agora, cabeça de alga? – Eu disse sorrindo.

Percy ficou um pouco surpreso pela minha virada, mas acabou cedendo e, descansando a cabeça sobre a cama, eu voltei a posição ereta ainda sobre ele. Ele sorriu e, me encarou profundamente. O quarto estava meio escuro, apenas as luzes da noite clareavam o lugar. A luz que a lua deixava passar, faziam seus olhos verdes parecerem quase cinzas como os meus.

— Foi sua intenção desde o começo, não foi? – Eu disse rindo – Quando viu que fiquei com a Selena, você automaticamente pediu ao Charles pra ficar no mesmo quarto que ele. Na intenção de trocar de lugar com a Selena...

— Talvez? – Percy deu um ar de riso, eu o fitei – Ok! Foi uma intenção, mas não um plano, só iria fazer se você concordasse. – Ele desviou o olhar por um momento – Foi só um pensamento pervertido de momento. Você precisa voltar a ser menos esperta...

— Ainda está com esse pensamento pervertido? – Percy voltou a olhar pra mim, e arregalou os olhos com a pergunta.

Me senti ansiosa pela resposta, depois do nosso pequeno momento de ontem, confesso ter ficado um mais interessada em coisas pervertidas.

— Não tenho intenção de fazer nada que você não queira, já conversamos sobre isso – Ele suspirou. – O que aconteceu ontem... Bem, foi ótimo, mas... – Percy gaguejava – Não quero que aceite todas as coisas que penso em fazer com você, às vezes eu não consigo controlar meu desejo, preciso que você me pare quando não estiver à vontade. Quando não gostar de algo que eu fizer.

— Eu gostei de ontem – Eu admiti – Mais do que deveria.

— Isso é muito bom – Percy riu – Posso fazer mais vezes?

— Pode! – Respondi imediatamente.

— Nossa! Isso foi... Inesperado – Ele deu um sorriso sem graça.

— Eu gosto de surpreender – Eu dei de ombros

— E você faz isso muito bem – Percy riu. – Mais e sobre hoje? Você realmente quer que eu fique aqui? – Sua pergunta foi receosa. Eu sorri.

Nós nos encaramos em silencio por alguns segundos. Eu baguncei seu cabelo, sem desprender o olhar, foi algo muito fora do comum, eu nem sei explicar com exatidão como meu corpo mudou depois desses longos segundos. Era como se nós dois estivéssemos tendo uma conversa silenciosa através do olhar, tom verde contra o tom cinza, mergulhos e, mergulhos de sensações. “Não tenho intenção de fazer nada que você não queira” foi o que ele tinha dito, e durante todo esse mês, ele tinha sido compreensivo e, paciente. Todas as vezes que atingíamos um clímax máximo, como agora, eu dava pra trás e, ele nunca se chateava com isso... Ele não tinha intenção de me forçar a fazer nada, ele queria me deixar livre diante do meu tempo, e justamente agora, não existia um beijo, ou um toque, ou qualquer outra coisa que instigasse meu desejo, era apenas o olhar dele sobre o meu, que fez meu corpo queimar.

Percy meio que entendeu isso, ele entendeu que meu silencio diante da sua pergunta, já era uma resposta, meu meio sorriso, meu olhar sobre o dele, meu corpo ficando quente do nada, era a resposta para minhas inseguranças. Ele estava deitado e, eu estava sobre ele, o quarto estava vazio, só existia nós dois, não havia policia, não havia minha mãe, não havia dona Sally, não havia nada que estivesse entre nós. Percy estendeu seus braços e, tocou levemente meu pescoço com os dedos de ambas as mãos, eles tremiam como na vez do carro, o sorriso de Percy se desfez, e parecia que ele estava encarando seu próprio trajeto. Seus dedos desceram do pescoço e, foram até meus ombros, meu corpo todo arrepiou, ele moldava as curvas com as duas mãos, como se estivesse tentando decifrar cada parte do meu corpo. Ele continuou baixando suas mãos, passando de leve por cima dos meus seios e, parando sobre minhas coxas. Ele puxou meu quadril mais pra frente, eu me encaixei perfeitamente sobre ele agora. Suas mãos continuavam a me analisar junto com seus olhos, elas agora subiam meu corpo por baixo da camisola, às mãos do Percy passaram pela minha virilha e, eu estremeci. Ele sorriu, mas ainda não estava olhando para mim, ele ainda acompanhava seu próprio trajeto, suas mãos subiram até minha cintura, uma das mãos passou pelo meio da minha barriga, até o externo entre meus seios. Minha boca tremia, minhas pernas tremiam, meu corpo todo estava em estase e, excitação.

Eu estava nervosa e, ele sabia disso, então ele desfez todo seu trajeto de mãos, e me puxou para ele, me acalmando com um beijo. Um beijo leve, distribuindo calmamente nossas línguas. Foientão que eu percebi, que ele estava tão nervoso quanto eu.Percy me inclinou levemente sobre a cama e, nos ajeitamos alinhadamente nela. Ele parou o beijo para me olhar, não existia um sorriso em seu rosto, mas era como se estivesse sorrindo com os olhos. Ele estava sobre mim, entre minhas pernas, a camisola estava caída sobre minha barriga, minhas pernas estavam expostas, Percy passou sua mão sobre meu rosto, seu polegar lentamente acariciou meus lábios que tremiam.

— Eu... Eu estou nervosa – Eu tentei dizer.

Percy pegou minha mão e, colocou sobre seu peito, onde eu podia sentir literalmente seu coração bater rápido e, forte.

— Eu também! – Ele deu o meio sorrio que eu amava.

Eu dei um sorriso nervoso e, fechei os olhos. Percy beijou meu queixo e, fez um caminho molhado até meu pescoço. Eu podia sentir sua “intimidade” incrivelmente excitada sobre a minha “intimidade”. Meu coração começou a disparar, eu tentei me controlar, não posso, eu definitivamente não posso ter um ataque de pânico agora... É o Percy, é ele quem está aqui e, eu quero, eu quero isso. Suspirei para aliviar o nervosismo.

— Annie? – Percy perguntou preocupado percebendo minha tensão.

— Tudo bem... – Eu sussurrei, pegando o ar de volta – Eu quero... Eu quero você também, Percy. Eu estou preparada... Eu posso fazer isso.

A expressão do Percy foi de surpresa, com alivio, com felicidade... Não sei descrever o que aquele sorriso significou, só sei que ele me puxou pra si, se sentando sobre a cama e, me colocando sobre seu colo com uma tranquilidade que acabei me surpreendendo. Foi a partir disso, a partir da minha confissão e, redenção ao sentimento, que a natureza do Percy mudou. Ele passou de nervoso, para confiante e isso me deixou confiante também. Ele ajeitou meu cabelo pra trás e, avançou em um beijo, dessa vez mais intenso, ele apertou minhas coxas pressionou suas mão em meu quadril, eu tirei sua camisa e, ele deitou minhas costas sobre a cama para tentar tirar sua bermuda. Percy sem camisa era perfeito, Percy de cueca box era quase um deus grego, me pergunto se ele não tem nenhuma relação com isso.

Ele se colocou sobre mim novamente com um sorriso malandro no canto da boca, eu não estava mais nervosa, e nem ele. Nos beijamos novamente, eu travei minhas pernas envolta de sua cintura, ele desceu suas mãos sobre minhas coxas, subindo por baixo da camisola novamente, passou a mão em minha barriga, continuou seguindo até apalpar meu seio. O toque me deixou excitada, não, mais que isso, me deixou molhada, principalmente porque ele sabia perfeitamente como fazer aquilo. Minhas mãos o puxava pra mais perto de mim, eu não sabia como fazer aquilo, eu apenas seguia o extinto que a excitação me levava. A ponta da língua do Percy contornou minha mandíbula, formando beijos molhados até minha clavícula, ele lentamente baixou a alça da minha camisola, dos dois lados e, continuou o caminho dos beijos. Não consegui segurar uma arfada de ar, quando sua língua contornou meu seio, mas ele continuou descendo até minha barriga e, subiu novamente, sempre me apertando contra suas mãos. Nesse exato momento, Percy já havia me despido e, se despido... Estávamos nas chamadas “preliminares” e a única coisa que eu podia concluir daquilo era que ele era incrível, Percy era incrível. Entre suspiros e, emoções novas que surgiam em mim, Percy prendeu seus olhos aos meus. O confronto de olhares havia terminado ali, o silencio e, ansiedade haviam terminado ali.

— Você está com medo? – Ele perguntou quase sussurrando preocupado com minha reação.

— Não! – Eu respondi

Então ele se mergulhou em mim. A sensação que eu tive foi de ter tomado uma grande ducha de agua quente, levando meu passado pra longe. As cenas que me atormentavam foram substituídas por momentos de constante prazer, gritos de desesperos, foram substituídos por gemidos de satisfação, dores constantes, foram substituídos por um puro e, incansável desejo saciado. Selena tinha razão, eu podia superar meu trauma com isso. Eu era dele, ele era meu... Nossos corpos, nossos lábios, nosso suor, nossos olhares, tudo estava ligado, como uma vez eu havia pensado: Akai Ito, a lenda que dizia que uma pessoa estava destinada a outra desde o seu nascimento. Desde que percebi gostar do Percy, eu tive essa impressão, de que nossas linhas estavam ligadas e, que nossos destinos estavam ligados.

Sentir o Percy, não era apenas só sentir... Era muito mais que isso, eu já ouvi falar que fazer sexo era bom, mas fazer amor era coisa de outro mundo, se aquilo não era fazer amor, eu precisaria expandir meus sentimentos e, chegar a ama-lo. Percy era intenso, era calmo e, agitado, era frio e, quente... Me ouso a dizer que ele era o próprio mar, como ondas que iam e vinham em constante leveza e força, que me afogava de prazer e me fazia suspirar em sua superfície. Em um dia eu percebi que Percy tinha mãos magicas, recentemente descobrir seus dedos mágicos, agora nesse momento eu tenho a impressão de que a magica não estava no Percy e sim em nós dois, em como nossos sentimentos eram conectados, em como nossos corpos pareciam imãs que precisavam desesperadamente se juntar. Gemidos, suspiros, beijos, suor, olhares, posições, orgasmos... Tudo fazia parte da nossa magia.

***

Eu despertei nos primeiros raios da manha, quando Percy tentou tirar o braço que estava debaixo da minha cabeça. Estávamos abraçados de conchinha, envolvidos pelo lençol.

— Não queria te acordar – Ele sussurrou

— O que foi? – Perguntei imediatamente. – Que horas são?

Seu braço ainda estava me abraçando. Eu sorri por perceber o que estava acontecendo. Nós havíamos dormido juntos e eu não tive nenhum ataque de pânico ou delírio traumático, como da ultima vez que apenas dormimos.

— São 5:30 da manha, preciso ir... Charles já me mandou uma mensagem – Ele disse desanimado.

Eu fiquei sentada sobre a cama, segurando o lençol sobre mim. O frio da manha, me fez tremer.

— Muito cedo! – Reclamei.

— O pessoal vai acordar às 7h – Percy lembrou. Ele se levantou pelado, me fez corar. Ele sorriu – o que foi?

— Nada! – Tentei disfarçar

Percy riu ainda mais, enquanto vestia suas roupas.

— Você é linda! – Ele me fitou.

Eu sabia que não era apenas a minha aparência que ele estava elogiando e sim meu corpo inteiro, já que agora ele o conhecia.

— Percy... Eu... – As palavras não saiam.

Eu queria perguntar como nossa noite tinha sido, já que ele era um cara experiente e, eu uma nerd, lerda. Minha expressão fez Percy entender meu constrangimento. Ele conseguia entender as coisas tão rápido, que me dava inveja.

— Você foi incrível – Ele se aproximou e, me deu um beijo na testa – Não tenho palavras pra descrever essa noite. Perfeito, seria pouco demais... – Ele sorriu.

Eu sorri satisfeita com suas palavras, porem ainda um pouco envergonhada.

— Até mais tarde! – Eu murmurei

Ele se virou antes de abrir a porta. Ele pareceu querer dizer algumas palavras, mas apenas sorriu.

— Não dê muita corda pra Selena, ela vai apertar sua mente – Ele disse com um sorriso no rosto e, saiu.

Eu procurei pela minha camisola, e a vesti, não seria muito legal se a Selena me visse pelada. Voltei a deitar na cama, novamente tentei dormir. Não queria perguntas da Selena logo de manha cedo, eu também precisava saber como eu contaria isso a minhas amigas, e pior... A minha mãe, fora isso a única coisa que eu conseguia fazer era sorrir.