ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
8 Agora você não escapa.
Notas iniciais
Emily acordou com seu despertador tocando insistentemente, o desligou se sentando na cama com aquela típica cara de recém acordada. Seu cabelo parecia um ninho loiro e sua expressão era de morta viva, olhou para o lado e a outra morta viva ainda dormia toda esparramada na cama do jeito mais engraçado possível.
Pegou uma almofada e jogou na cabeça da morena.
— Sarah, acorda – era para aquilo ter saído mais alto do que saiu... foi quase um sussurro.
Ela pegou outra almofada e jogou em Sarah e dessa vez a morena acordou.
— Ta na hora? – Sarah perguntou levantando somente a cabeça.
— Uhum – Emily se levantou batendo o joelho na escrivaninha – ai merda! – ela sentou novamente na cama com a mão no joelho.
Sarah riu. Elas tinham um grande carinho uma pela outra, sabe?
— Banana – Sarah disse indo até o armário quase se rastejando de sono pelo chão.
Tirou a comprida camiseta que lhe servia como camisola de Harvard ficando só de lingerie e começou a se trocar. Aquela camiseta era de um ex-namorado universitário bem Nerd. Ao contrário de Emily, Sarah já havia namorado, cinco garotos para ser exata e todos duraram, e aquela camiseta havia sido um presente e era muito confortável pra dormir, ela não levava mais nenhum sentimento daquele garoto, mas da camiseta ela não se livrava nem morta.
— Droga – Emily reclamou se levantando ainda com dor no joelho.
— Isso que dá ser loira.
— Não começa branca de neve.
Sarah colocou a calça e a camiseta preta com a linguinha do Rolling Stones, o ombro direito dela era meio caído e a língua era cheia de purpurina vermelha, roqueira, mas linda, bem a cara de Sarah. Ela colocou a bota e se deitou na cama.
— Ai, eu não quero ir hoje – Sarah resmungou.
— Por quê?
— Hoje será o primeiro ensaio... e eu não consegui o papel, não to afim de ir.
— Mas nem saiu o resultado – Emily franziu o cenho.
— Eu sei, mas depois daquele mico é claro que eu não ganhei o papel – ela disse desanimada.
— Bom... isso pode ser bom pra você.
— Por quê?
— Não faça perguntas difíceis!
Sarah não pode conter um sorriso.
— Ótima amiga você.
— Eu sei – Emily sorriu.
. . .
Abby entrou na sala correndo feito uma maluca derrapando no chão liso fazendo um barulho irritante. Ela havia acordado atrasada e Kate não estava lá para acordá-la porque havia saído mais cedo.
Todos na sala olharam para ela enquanto o aquecimento acontecia. Ela não estava um pouquinho atrasada, ela estava MUITO atrasada, tipo, eles já estavam na terceira aula.
— Desculpa pelo atraso – ela disse meio tímida olhando para o professor que tinha os braços cruzados em frente ao peito.
— Aquecimento Zelley – o professor disse apenas e ela soltou a bolsa indo para seu lugar começando o aquecimento.
— Coisa feia – Sam disse e Abby sorriu.
— Calado Sam.
— Acordou tarde ou o que?
— Acordei tarde.
— Pelo menos chegou na terceira aula – ele disse irônico com um sorriso de canto.
— Mas não me atrasei o bastante para perder o aquecimento – ela fez uma cara hilária.
Sam virou uma espécie de amigo para Abby ali, eles sempre riram das pessoas quando erravam um passo ou quando caiam, mas claro, sem elas verem, e dançariam juntos na apresentação, ele faria várias pegadas com ela no ar e claro que ela tinha que confiar muito nele, apesar dele ser forte ela tinha que ter uma confiança muito forte no garoto, por isso haviam ficado bem próximos, desse modo a dança fluía melhor. E ainda por cima, ele era uma comédia, e ah, ele era gay.
— Adorei o seu cabelo, o que você fez? – ele perguntou.
— Nada.
— Está muito bonito.
— Obrigada Sam.
Como sempre ele a ajudou a se aquecer segurando seus braços atrás do corpo e fazendo força. O problema é que o filhinho da mãe era bem forte, não era musculoso, mas era forte, e acabava liberando muito dessa força sem perceber.
— Calma ai – ela reclamou de dor.
— Sorry querida.
Todos foram com suas duplas para fazer o número de balé do dia.
— Relaxa os músculos – ele sussurrou para Abby que assentiu levemente se soltando um pouco mais.
Não demorou muito para a aula acabar e eles irem para o almoço. Todas as meninas iam ficar ensaiando no almoço menos ela, então Sam foi lhe fazer companhia.
Se sentaram na mesa e Sam ajeitou o suéter azul marinho que usava logo depois passando a mão no cabelo.
— E como são suas amigas? – ele perguntou começando a abrir a embalagem de sua salada.
— Ah, não tem uma palavra que as defina muito bem, só te aviso que são loucas.
— Claro – ele sorriu abrindo seu suco – faz muito sentido, já que elas te aguentam.
— Você me aguenta, querido.
— Mas eu sou um caso a parte, meu bem.
— Você vai conhecê-las amanhã, mas já te preparo para as milhares de perguntas que elas com certeza irão fazer.
— Porque eu sou gay?
— Também – Abby riu – principalmente Sarah e Emily, inclusive Sarah.
— Certo, não me incomodo – ele deu de ombros.
E assim eles passaram o almoço, conversando e rindo das pessoas sem a menor noção de estilo naquele lugar, podiam se tecnicamente talentosos, mas havia cada sem noção ali...
. . .
Primeiro ensaio oficial para a apresentação. Desastre total!
Estava difícil todos pegarem a coreografia, afinal, ninguém ali era dançarino e a coreografia não era o que se podia classificar de fácil, tinha que saber sensualizar, dom que toda mulher possui sabendo ou não, o problema era se soltar com um garoto tecnicamente estranho.
Como planejado a coreografia havia ficado algo bem sensual. Charlie estava se divertindo pra caramba com Emily dançando para ele, mesmo que ela não o olhasse nos olhos e fizesse como se estivesse dançando com um manequim. Mesmo assim, ele se divertia com os toques e todas os apertões e mordidas no maxilar. O fato de ela ficar bem pertinho dele o fazia se arrepiar, o máximo que ele podia fazer ali era segurar a cintura dela e apertar de leve sua perna em uma hora específica da coreografia, na verdade ele só tinha que segurar, mas claro que ele apertava.
Ninguém estava conseguindo se soltar 100% a não ser os únicos namorados que haviam ali, Josh e Helena (Lena) que por sinal haviam feito os testes para a Academia juntos, haviam passado e ainda ficado na mesma sala, vai ser sortudo assim lá na china!
— Não não, isso está errado – Nicole disse fazendo todos pararem de cantar.
Todos relaxaram a postura e Emily colocou as mãos na cintura tirando a de Charlie que permanecia ali, o garoto riu e colocou a mão por cima da dela que decidiu ignorar.
— Vocês têm que se soltar mais! Estão muito travados! Tirando aqueles dois que estão ótimos – Nicole olhou para o casal que estava de mãos dadas – vamos, cada um de frente para o seu parceiro.
Emily se virou ficando de frente para Charlie que piscou para ela a fazendo revirar os olhos. Ele não conseguia ficar um segundo perto dela sem fazer alguma gracinha.
— Agora segurem as mãos, entrelacem os dedos – e eles assim fizeram ficando com as mãos levemente erguidas.
A época de vergonha entre sexos já havia passado, afinal todos ali eram maiores de idade, e no meio que estavam não poderiam ter vergonha de nada nem ninguém, pior que eles só havia os atores que tinham que beijar e fazer coisas além disso com os parceiros de cena. Mas de um certo modo cantores também eram atores, porque o sentimento da música tinha que ser expressado de alguma forma, se não, era sem graça.
— Certo, olhem bem nos olhos um do outro – Nicole continuou e os olhos da loira e o moreno se encontraram.
Os dois ficaram parados por um instante se olhando, Charlie não fez nenhuma graçinha nem nada, estava muito hipnotizado para fazer algo, ficou totalmente sem chão a olhando daquele modo. Os olhos dela eram muito legais e ele gostava disso, aquele tom verde bem carinho rodeando a pupila a deixava mais linda do que ela poderia ser, era um verde diferente, bem mais claro que os olhos dele e o azul era tão elétrico que parecia faiscar.
— Eu quero esse contato visual o tempo todo durante a música, vocês tem que passar a sensação de desejo que é o objetivo – Nicole disse e Emily desviou os olhos para ela soltando as mãos quentes de Charlie – vamos de novo!
Todos voltaram a suas posições e Nicole colocou o play back novamente. Rachel começou cantando, logo depois veio Emily e depois Charlie.
Emily seguiu o que a professora disse certinho, mas apesar de não ter tirado os olhos de Charlie, ele ainda não via afeto naquela imensidão azul com verde que eram os olhos dela. Mas quando ela passou as mãos em seu peito roçando seus lábios no maxilar dele (assim como ensaiado) a cabeça de baixo não pensou muito antes de agir e logo sua ereção era bem evidente sob o pano da calça. Fazer o que? Ele ainda era homem e infelizmente quando uma garota bonita e gostosa passava a mão nele o mesmo se excitava.
Sorte é que não dava para perceber muito bem... exceto Emily que tinha um radar para esse tipo de coisa, e também tinha uma hora que ele simplesmente colava seu corpo no dela... ai não dava pra não sentir. E como tudo relacionado a ele, Emily decidiu ignorar aquilo o que deixava Charlie mais louco ainda porque ele sabia que ela estava vendo e sentindo e não expressava nada quanto a isso.
Ele sorriu quando ela o rodeou passando a mão em seu peito e quando ficou atrás dele arranhou seus ombros com aquelas unhas deliciosamente compridas, ele a segurou pela mão e a deitou no ar a sustentando com seu braço e acariciou seu rosto e a levantou novamente a girando.
Eles seguiram fazendo a coreografia até que uma hora, só os dois dançavam, todos já haviam parado, mas eles continuaram.
Emily se distraiu um segundo e olhou em volta vendo todos os olhares fixados neles, imediatamente soltou Charlie andando para trás.
— Perfeito vocês dois – Nicole disse – viram? É dessa forma que todos devem fazer. Fim do ensaio.
Emily pegou sua bolsa e saiu apressada até o camarim.
Ficou um bom tempo arrumando suas coisas, sozinha e quando colocou a bolsa no ombro para sair um certo moreno lindo e insistente apareceu com as mãos nos bolsos do jeans.
Ela o olhou brevemente e depois saiu andando.
— Não – ele negou a segurando – você fica.
Ela revirou os olhos.
— Tchau Charlie.
Rapidamente o garoto tirou a bolsa do ombro dela e pressionou seu corpo frágil na parede.
— Olha aqui loira – ele disse com o rosto bem perto do dela – você está me deixando maluco, você sente algo por mim que eu sei então porque não para de bancar a difícil e se entrega?
— Porque eu não tenho a que me entregar, muito menos a quem.
— Então olhe nos meus olhos e negue que quer me beijar.
Ela levantou os olhos e ficou muda, não tinha como mentir olhando aqueles olhos.
Charlie sorriu de lado.
— Eu sabia.
Charlie a puxou contra seus lábios com força e dessa vez Emily não recuou nem resistiu, ela correspondeu na mesma intensidade deixando ambos sem ar. Ele mordeu o lábio dela sorriu mais abertamente.
— Até quem fim!
Charlie chutou a porta do armário a abrindo e entrando nele com Emily.
— Eu disse que me pagaria por aquela joelhada – ele sorriu de lado tirando a jaqueta a jogando no chão.
— Acho que posso te compensar – foi a vez dela empurrá-lo para a parede pelo peito.
— Me mostra como – ele sussurrou no ouvido da garota que sorriu pervertida.
Emily o beijou de um modo que nunca havia beijado e Charlie não pôde deixar de conter um sorriso. Ela não estava resistindo ao beijo, pelo contrário, estava mais do que reagindo ao beijo.
Charlie a apertou com força arrancando um fraco gemido dos lábios da loira que o fez sorrir.
As mãos do garoto foram para as penas dela, a colocando em seu colo e logo depois sentada em cima da mesa a qual empurrou tudo o que havia em cima para o chão se encaixando entre as pernas dela e antes que ele pudesse se arrumar ela o puxou pela nuca novamente para seus lábios puxando o cabelo escuro e sedoso do menino cada vez mais.
Foi um beijo extremamente intenso, Charlie escorregava as mãos pelas pernas da loira as apertando por cima do jeans justinho. A ereção dele voltou a ficar dura e ele fez questão de pressioná-la entre as pernas dela que mordeu o lábio inferior muito excitada.
— Ah Emy – ele gemeu e Emily sorriu acariciando o cabelo dele enquanto o moreno beijava o pescoço dela.
Os beijos logo subiram para a boca novamente não pedindo passagem para a língua, exigindo passagem. Ele abriu os olhos olhando os dela e pela primeira vez viu algum sentimento naquele olhar, havia um sorriso meigo nos lábios de Emily que destruiu Charlie totalmente o fazendo sorrir igualmente acariciando o rosto dela com uma mão, Emily fechou os olhos apenas sentindo o carinho que nunca havia recebido de nenhum garoto.
Novamente ele a beijou tirando o fôlego dos dois, não conseguia ficar longe dos lábios dela por muito tempo, ainda mais quando ela estava tão entregue daquela forma.
— Boa garota – ele murmurou entre o beijo.
— Cala a boca – ela murmurou também dando um tapa no ombro dele, mas sem parar o beijo.
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