ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
1 Voltando para onde tudo começou.
Notas iniciais
– Apertem os cintos, dentro de cinco minutos estaremos pousando na Califórnia.
Emily checou se seu cinto estava apertado corretamente e suspirou.
– Tudo bem, amor?
Emily se virou para Jay e assentiu.
– Na medida do possível – ela sorriu minimamente.
Ele cercou os ombros da namorada e passou a mão no cabelo.
– Vai ficar tudo bem.
Ela não respondeu. Não, não ficaria tudo bem.
Nunca iria melhorar.
O pouso foi tranquilo, bem tranquilo. Jay grudou na poltrona, mas Emily decidiu não ligar para isso, ele era medroso mesmo. O garoto como sempre estava de jeans camisa e blazer, o cabelo entre o castanho e o loiro passado para o lado e o cavanhaque bem aparado deixando apenas uma sombra e fiozinhos castanhos claros em seu rosto.
– Sabe, acho que foi uma boa virmos para Los Angeles – ele disse – será bom pra você.
– As pessoas que eu mais amo agora estarão aqui – ela disse e Jay mordeu o lábio pensando que ela o incluía nessas pessoas.
– Eu aluguei um apartamento perto da Academia para ficar fácil pra você.
A loira franziu o cenho e olhou para ele.
– Como?
– Pra ficar mais fácil pra você ir – ele repetiu não entendendo o porquê dela estar confusa.
– Mas... espera, você acha que eu vou morar com você?
Agora foi Jay que franziu o cenho.
– E não vai?
– Não – ela negou com a cabeça – vou morar no condomínio da Academia, com as meninas.
– Vai me trocar por elas?
Emily suspirou.
– Não somos casados Jay – ela disse passando a franja para trás – e eu sinto falta delas.
– Sim, creio que sente, mas vai me deixar sozinho?
– Só não estaremos morando juntos, o que nunca aconteceu então não vai ser muito diferente do que já é.
– Mas eu...
– Assunto encerrado, Jay – ela segurou o queixo dele depositando um selinho em seus lábios enquanto eles esperavam as malas passarem pela esteira.
O garoto fez uma expressão não muito bonita, não gostava de receber um não, não foi criado acostumado a receber um não.
– Se você não vai ficar comigo, porque eu vim mesmo?
– Se só veio por causa disso, também não sei – ela disse sorrindo para ele.
– Poxa – ele cruzou os braços – mas vai me fazer companhia algumas noites não vai? – ele sorriu malicioso.
– Vou pensar no seu caso – ela sorriu para ele que sorriu novamente considerando aquilo um sim.
– Ok – ele cercou a cintura dela com o braço – meu pai disse para você tomar cuidado com a imprensa, eles ainda não sabem que você veio pra cá, mas bem, em breve vão saber.
Emily assentiu.
– Você não acha que essa pausa para... concluir seu curso não vai te atrapalhar?
– Talvez – ela disse dando de ombros – mas bem, eu comecei e quero concluir, e um curso na ACBAH pode me abrir muitas portas.
– Pra que você quer mais portas abertas se já tem um contrato com meu pai?
– Precaução – ela deu de ombros avistando uma de suas malas e a pegando depressa.
Eles entraram em um taxi.
– Qual o endereço?
Os dois foram falar ao mesmo tempo, mas Jay se apressou falando um endereço desconhecido por Emily. A loira o olhou confusa e ele sorriu.
– Deixamos minhas malas no meu apartamento, depois eu te acompanho.
– Tudo bem.
O taxi parou em frente a um prédio muito bonito, e bem alto. Tiraram as malas lá de dentro e Jay dispensou o taxista, depois pegavam outro.
Enquanto Jay acertava com o porteiro que ele era o novo morador da cobertura Emily reparava na beleza do lugar. As cores branco e prata predominavam, o porteiro usava um terno preto igual a gravata.
Depois de tudo certo os dois entraram no elevador, Jay apertou o último botão e esperaram pacientemente.
A porta se abriu direto no apartamento o que Emily achou muito interessante. O lugar já estava mobilhado com móveis chiques (ao estilo masculino), deixando aquele lugar com digna aparência de que um riquinho mimado morava ali. E bem, era exatamente isso.
– Vem cá – ele a puxou pela cintura capturando seus lábios rapidamente.
Emily envolveu a nuca dele com os braços respondendo ao beijo lentamente. Jay segurou a camiseta dela para erguê-la, mas ela segurou as mãos dele as tirando dali.
– Por quê? – ele parecia uma criança reclamona.
– Porque eu estou cansada – ela sorriu.
– Ahhhhh, estou na seca a mais de uma semana, não pode fazer isso comigo.
– Jay... – ela disse quando ele a abraçou por trás beijando seu pescoço.
– Hum?
– Tenho que ir, as meninas devem estar me esperando – ela olhou o relógio no pulso dele.
– Uns 10 minutos a mais não vão atrapalhar.
– Que fogo hein – ela sorriu sentindo seu "garotinho" bem animadinho sob o pano da calça.
– Sempre – ele sorriu.
– Vamos?
– Ok.
. . .
– Não, mas assim – Nathan fez uma pausa tomando seu refrigerante – se os ETs invadissem a terra, seria bem pior do que zumbis.
– Claro que não cara, os zumbis são bem mais loucos – Charlie rebateu.
– Vocês são dementes – Nick disse – se qualquer um dos dois invadir a terra seria um desastre... se bem que zumbis seriam melhores.
– Há! – Nathan olhou para Charlie que revirou os olhos.
– Porque sempre nossas conversas vão parar no mesmo lugar? – Abby suspirou apoiando a cabeça na mão.
– Desisti de me perguntar isso – Sarah suspirou.
– Pois é – Kate olhou para o namorado e bebeu um pouco de sua limonada.
– Sabe, vocês dois pegaram um pouco do sotaque britânico – Nathan disse olhando para Sarah e Nick que a menos de seis meses haviam voltado de Londres.
– É – Nick sorriu – é sexy.
Eles riram e Sarah jogou uma batata frita nele.
– Sexy mesmo é sotaque brasileiro – Charlie disse – porque as brasileiras são as melhores.
As três meninas olharam para ele que engoliu seco.
– É o que dizem por ai, não me culpem – ele disse.
– Uma viagem ao Brasil seria interessante – Sarah disse.
– Sim, para o Rio – Kate sorriu – é realmente muito bonito.
– Bonito mesmo são os meninos – Abby sorriu de lado.
Os três meninos se olharam.
– Ah não – Charlie sorriu – mais bonito que eu é impossível – ele sorriu.
– Ahhhh convencido – Sarah disse jogando uma batata nele também.
– Engraçado que se acha, mas está solteiro – Kate sorriu.
– Porque eu quero – ele disse levantando o dedo – e solteiro sim, sozinho não.
– Ah, claro – Nick ergueu as sobrancelhas irônico.
– Enfim – Charlie fez um gesto de desdém com a mão.
– Porque não vamos ao cinema hoje? – Nathan perguntou.
Kate, Sarah e Abby se olharam e engoliram seco.
– Não dá – Kate disse.
– Por quê?
– Hã... – elas se olharam novamente – temos um compromisso – Abby disse.
– Compromisso? E desde quando vocês tem vida pessoal? – Charlie ergueu as sobrancelhas e Abby mostrou a língua para ele.
– É... coisa de mulher – Sarah tentou simplificar.
– Ah, saquei – Nick fez cara de inteligente – vocês vão comprar lingeries, fazer as unhas e falar como somos maravilhosos e lindos – ele sorriu metido – ok, podem ir, eu deixo.
Elas riram.
– Nem nos seus sonhos faremos isso, seu banana – Sarah deu um tapa de leve em sua cabeça.
– Aham, me engana que eu gosto – ele sorriu de lado.
– Enfim, é isso – Kate encerrou o assunto.
– Então ta né – Nathan suspirou comendo seu almoço.
– Eu te compenso depois – Kate sussurrou no ouvido de Nathan que sorriu com os olhos brilhando.
– Então já que as meninas vão sair, porque não vamos á uma boate de stripres? – Nick zoou, mas Sarah lhe deu um belo tapa na cabeça.
– Não corrompa meu homem – Kate abraçou Nathan que riu, Charlie apenas observava.
– Só estou brincando – Nick disse – Charlie é o único que tem esse direito já que é encalhado.
– Eu não sou encalhado – ele disse – e não gosto de lugares como esses se quer saber.
– Viu, deveria aprender com ele – Sarah disse para Nick que fez uma careta.
– Você fala como se eu fosse louco de te trocar por uma qualquer ai – ele disse erguendo as sobrancelhas para Sarah.
– Eu sei que não é, porque eu sou perfeita – ela sorriu metida – mas é sempre bom confirmar.
. . .
– Não acredito que ela está de volta! – Kate estava quase pulando de um lado a outro do carro.
– Se aquiete ai Kate – Abby riu.
– É, vai me fazer bater o carro criatura – Sarah também riu.
– Sabe, ainda acho que devíamos ter falado com os meninos sobre ela voltar... principalmente o Charlie – Abby disse suspirando.
– Isso é óbvio – Sarah disse – mas eu não sei você, mas eu não tenho cara pra falar isso para ele – ela olhou brevemente para Abby pelo retrovisor – todas nós lembramos como ele ficou quando ela foi, e quanto tempo demorou para ele voltar ao "normal".
– Sim – Kate mordeu o lábio – mas não será pior se ele simplesmente vê-la? – ela olhou para as duas – quer dizer, ainda mais com o Jay.
– A verdade é que não da pra melhorar a situação, vai ser um choque de qualquer jeito – Abby apertou o banco.
– Mas falando no Jay, será que ele é bonito? – Sarah totalmente aleatória.
– Presumo que sim, já que ela tem bom gosto – Kate deu de ombros.
Sarah parou o carro, mas não esperava mesmo que Emily estivesse na porta com um garoto muito bonito.
– Emily!
Kate literalmente pulou do carro correndo em direção a loira que foi correndo igualmente a ela. As duas se chocaram em um abraço apertado cheio de saudade.
Um ano e meio, quase.
Elas não disseram nada, apenas ficaram se abraçando, Sarah e Abby se olharam sorrindo e como sempre faziam em ocasiões especiais se abraçaram em grupo.
– Você voltou – Abby murmurou.
Depois de um tempo elas se soltaram, estavam todas com os olhos e narizes vermelhos.
– Eu não acredito! – Emily gritou e elas se abraçaram de novo dando pulinhos feito idiotas.
Aquilo durou uns cinco minutos.
– Meu deus, você cortou o cabelo – Emily olhou sorrindo para Sarah que tinha os cabelos um pouco abaixo dos ombros agora, a morena sorriu dando de ombros.
– E você parece mais alta – Abby sorriu, a piada de Emily ser a menor nunca pedia a graça, porém a loira só riu.
– Senti tanta falta de vocês – os olhos dela marejaram de volta.
Jay foi até elas sorrateiramente ficando atrás de Emily, que ao perceber que as meninas olharam por cima de seu ombro, se virou vendo o namorado.
– Ah, claro – ela havia se esquecido de Jay – meninas, esse é o Jay Lockwood...
– Namorado dela – ele sorriu simpático estendendo a mão para as meninas que o cumprimentaram.
Depois de o cumprimentarem ele olhou seu relógio e suspirou, ser filho de um dono de gravadora e ter que "caçar sucessos" para ele não era fácil, e depois de quase fazer uma birra para vir para a Califórnia com Emily agora tem que fazer as coisas que seu pai viajaria pra fazer se ele não estivesse ali.
– Eu tenho que ir agora, meu amor – ele disse puxando Emily e lhe dando um selinho – amanhã eu venho te buscar para almoçarmos.
Emily assentiu.
– Tudo bem, boa sorte – ela deu mais um selinho nele sabendo que ele iria se encontrar com algum cliente.
Se despediu das meninas e saiu.
– Que fofo – Kate sorriu para Emily que sorriu dando de ombros.
– Agora conta tudo! – Abby ficou elétrica – como assim nossa amiga está ficando famosa?
Emily sorriu.
– E se eu respondesse que estou tão perdida na situação como vocês? – elas riram.
– Certo, vamos ter muito tempo para conversar porque vamos ao shopping, agora – Sarah disse e elas foram para o carro ainda conversando animadamente sobre aquele ano e meio.
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