ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
4 Porque eu te daria oi?
Notas iniciais
Emily sentiu realmente muita falta das aulas da Academia, até a de dança, mas sentiu falta principalmente das aulas de Nicole.
A aula não foi "normal" como ela queria porque querendo ou não agora era de certa forma famosa e depois de um ano e meio fora claro que todos queriam saber tudo inclusive Nicole.
O único que parecia pouco se lixar para se ela estava ali ou não era Charlie.
Certo, isso era algo que havia a surpreendido, afinal ele nem havia respondido ao oi dela, e depois daquilo nem olhou mais direito para ela. O olhar dele para ela enquanto a mesma se aproximava de todos na entrada era de uma mistura de confusão com choque, e certamente não era de uma forma boa.
Ela saiu rodeada de gente da sala tentando responder todas as perguntas, olhou par ao lado e viu Charlie saindo passando a mão no cabelo andando na direção contrária a da dela.
Imediatamente esqueceu isso "expulsando" as pessoas para ir ao banheiro. Se apoiou na pia suspirado e olhou seu reflexo, sorriu, se sentia feliz, porém esse novo jeito de Charlie era algo que estava a incomodando um pouco. E como foi e sempre será curiosa e muito persistente ela estava decidida a saber o que estava acontecendo com ele.
. . .
Charlie se olhou no espelho vendo seu reflexo, molhou as mãos e as passou nos cabelos os arrumando um pouco, passou uma água no rosto também e saiu.
O certo seria ele estar ligeiramente tenso por Emily estar de volta, mas por incrível que pareça, não estava. No momento que ele a viu chegando é claro que o coração subiu até a boca e tudo mais, mas agora, algumas horas depois ele se sentia... normal novamente. Não tinha porque ficar tenso, ela havia dado um chute nele há um ano e meio atrás e saiu sem dar um simples tchau, ok, ele não ficaria se remoendo por isso agora, já havia se remoído por muito tempo por uma pessoa que estava namorando novamente e aparentemente bem, então porque ele não ficaria bem? Isso não fazia sentido na cabeça dele.
Saiu da Academia indo para o refeitório e sentadas na mesa que havia se tornado "deles" as quatro meninas conversavam animadamente, como sempre via antes.
Pegou sua comida e foi para lá.
– Oi – Kate sorriu para Charlie que sorriu novamente para ela.
– Oi.
Ele se sentou comendo tranquilamente não participando da conversa delas, mas ouvindo atentamente, conversa de mulher sempre é algo engraçado, de homens é mais sacanagem que não sei o que, mas de mulher é até interessante.
Emily também parecia tranquila, o que era bom. Charlie levantou os olhos para a loira notando cada detalhe de seu rosto, cada sorriso, o jeito que ela movimentava as mãos freneticamente enquanto falava fazendo suas pulseiras com pequenos pingentes de vários monumentos mundiais tilintarem. Os olhos dela estavam especialmente brilhantes aquele dia e o tem esverdeado que rodeava a pupila estava muito mais nítido do que o azul que praticamente dominava sua íris, o que era muito interessante, sem dúvida. É, ela ainda parecia a Emily, com certas diferenças que só pessoas que a conheciam muito bem conseguiam notar, além da aparência agora mais adulta seu modo de falar estava mais culto e considerando que ela sempre foi culta agora ela falava como uma empresária de sucesso, parecia mais calma do que era, como se tivesse encontrado sua linha de paz no cérebro e agora usufruía muito bem dela, suspirava com frequência e o sorriso pequeno e de certa forma tímido que estava em seus lábios a maioria das vezes agora era um sorriso grande e simpático.
O garoto focou seus olhos na mesa enquanto comia, era estranho ficar olhando para ela fixamente igual ele estava fazendo.
Quando os meninos chegaram sentando ao lado de suas namoradas Charlie finalmente começou a conversar, riu tanto de uma idiotice que Nick falou (o que era normal) que quase engasgou, mas Nathan o herói da pátria o salvou de um possível afogamento. As três palhaçinhas riram da quase morte do garoto e Emily o olhou sem expressar felicidade, tristeza... nada, sem expressar absolutamente nada, apenas o olhou e tomou um pouco de seu suco desviando o olhar novamente.
Um menino estava em cima da mesa quando gritou para todos prestarem atenção.
Logicamente todos se calaram e olharam naquela direção, Charlie já sabia o que era, provavelmente.
– Olá povo – ele acenou, algumas pessoas responderam outras apenas prestaram atenção no que ele iria falar – sei que esse ano estamos atrasados, mas a festa de calouros vai acontecer, é claro – alguns aplausos – mas ao invés de ser esse sábado será no outro por motivos que eu ainda não entendi da presidência do terceirão, mas enfim, só pra deixar avisado como sempre ocorrerá na praça do condomínio então estejam todos lá.
Emily sorriu minimamente, amava festas.
. . .
– Não Jimmy, está tudo bem – Emily disse parando Sarah com a mão para que pudesse ouvir a voz do homem – sim, nós estávamos jantando e alguns fotógrafos apareceram, nada demais... não, apenas respostas curtas e precisas como me ensinou... ok, é, eu sei que fiquei ótima – ela riu, Jimmy sabia que ela estava falsa metida – ok, até.
Sarah olhou para a loira e ergueu as sobrancelhas.
– Ai Jimmy – ela brincou e Emily riu.
– Ei vocês sabem se eu poderia levar Jay na festa da Academia?
– Acho que sim – Kate disse – é não tem problema, é só uma festa.
Abby assentiu.
– E ah, você vai ficar com o tio Eddie quando ele chegar? – Abby perguntou e Emily negou.
– Ele me proibiu de morar com ele – ela disse – mas ele vai ficar em um lugar bem legal que vão cuidar dele.
– Uma casa de velhos?
Emily riu.
– É.
– Mas ele não é velho.
– Eu sei, mas ele agora não pode ficar sem supervisão de alguém, e era eu ou uma enfermeira, ele escolheu a enfermeira...
– Nossa quanto Amor.
– Pois é – ela riu – mas ele estará em boas mãos e perto de mim, é o que importa.
– Mudando completamente de assunto, poderíamos fazer algo divertido essa noite, não é? – Abby sugeriu.
– Sou toda ouvidos – Kate disse.
– Vamos, sugira algo Zelley – Sarah disse.
– Ah... até a última aula eu já terei pensado em algo.
Emily riu se despedindo das meninas indo para sua próxima aula, dança.
. . .
Estava com sua legging preta, camiseta da Academia e al-star vermelho.
Estava prendendo seu cabelo quando uma menina familiar para ela entrou, ela se lembrou dela, mas a verdade é que nunca haviam conversado... se ela não se enganava era atriz.
– Ah, Emily – ela sorriu, tinha os olhos escuros e os cabelos compridos iam encaracolados até um pouco abaixo dos ombros, muito bonita sem dúvida – que coincidência eu precisava mesmo falar com você.
Emily franziu e o cenho e sorriu se virando totalmente para ela.
– Ah, você não me conhece, claro – a menina riu de si própria estendendo a mão para a loira que a apertou sorrindo simpática – sou Christina Ambers, Chris Ambers.
– Prazer Chris – ela disse sorrindo.
– Bom, obviamente não deve saber, mas sou presidente do "grêmio" por aqui.
Emily ergueu as sobrancelhas.
– Ah, que legal.
– É, legal, mas MUITO trabalhoso – a menina sorriu – mas não quero te atrasar, então indo direto a questão você deve saber da festa dos calouros na próxima semana.
A loira assentiu apertando o rabo de cavalo.
– Ótimo. Bem, como você agora é A Emily Davis e está de volta, pensamos que poderia cantar, um show ao vivo na festa como fazemos todos os anos.
Emily fez biquinho mexendo a boca.
– É claro, se estiver tudo bem para você.
– Por mim tudo bem sim, acho que não teria problema... – ela coçou o queixo – mas eu tenho que chegar com o meu agente antes.
– Não, óbvio que sim – ela assentiu – você teria uma resposta até quarta?
Ela assentiu.
– Sim, acho que até amanhã já tenho uma resposta, que provavelmente será sim – ela sorriu e Chris sorriu para ela também.
– Ok, estamos procurando um menino também porque queremos um casal esse ano – Emily assentiu – mas se você confirmar já será um avanço e uma grande honra.
– Que nada, não exagere – Emily fez um gesto de desdém com a mão – sou só uma aluna como qualquer uma aqui, mas agradeço a consideração e a honra é toda minha.
Chris sorriu.
– Agora vou deixar você ir para sua aula, desculpe o incômodo e aguardo sua resposta.
Emily agradeceu e dando mais uma olhada em seu reflexo no espelho saiu indo para a aula de dança.
Assim que entrou viu Charlie com o uniforme e um tênis preto qualquer, estava de braços cruzados com as costas apoiadas na barra de balé apenas observando o movimento das pessoas na sala. Os olhos dele foram para os dela, a menina sorriu para ele esperando um sorriso de volta, porém ele apenas piscou indiferente e olhou para o lado.
Ok, qual era o problema? Ela não queria ter uma relação tensa com ele, não que eles precisassem ser amigos, na verdade sim, ela queria ser amiga dele pelo menos, afinal, querendo ou não ele significava muito para ela e sentia um carinho muito grande por ele. O que aconteceu no passado havia ficado no passado para ela, afinal fazia um ano e meio... agora Charlie não parecia ter o mesmo pensamento.
"Se ele não quer se sensato, então seja você" ela pensou indo até ele ficando ao seu lado. É, ele ainda cheirava a loção pós barba e perfume masculino.
– Oi – ela virou o rosto para ele.
O garoto olhou para ela rapidamente e virou o rosto novamente. Aquilo havia sido uma resposta? Não? Ela não sabia, realmente não sabia.
"Ah, agora que eu insisto".
– E como você está?
– Normal.
Ok, pelo menos ele havia respondido. "Ah, estou bem também, obrigada por perguntar".
– Hã... o professor ainda é o mesmo?
Ele apenas assentiu, dessa vez não foi uma resposta concreta, mas ainda sim foi uma resposta.
– Ok, porque está assim? – ela virou totalmente para ele.
– Assim...
– Estranho comigo.
– Você não me conhece, como pode definir um "normal" para mim?
Ela ergueu as sobrancelhas.
– Eu não te conheço? Está brincando comigo?
– Eu estou com cara de comediante?
Ela ia responder, mas o professor entrou na sala olhando para Emily com o cenho franzido.
– Davis? Deu as caras novamente? – ele sorriu.
"Para sua desgraça sim".
– Também é bom te ver, senhor.
Ele sorriu, não parecia bravo nem nada, gostava da menina apesar de tudo.
Ela olhou para Charlie rapidamente, estava todamente confusa e brava pela atitude dele, Charlie nunca foi grosso com ela, podia ter feito mil e uma cagadas com ela, podia ter gritado e brigado com ela, mas nunca foi grosso daquele modo.
E Emily sendo Emily ia tirar aquela história a limpo, ainda hoje. E como ia.
. . .
Quando o sinal da última aula tocou, Emily olhou para a outra extremidade da sala vendo Charlie se levantar colocando o celular no bolso traseiro do jeans e indo calmamente até a porta. A loira se apressou em colocar a bolsa no ombro e foi andando rapidinho até ele.
Saíram pelo corredor e quando viu que ele não estava notando que ela o seguia teve que chamá-lo.
– Charlie – ela disse já meio cansada, ele se fez de surdo e ela bufou frustadamente enraivecida – Charlie Martin pare de ser criança e se vire pra falar comigo como o adulto que creio que seja.
Ele parou de andar e se virou para Emily com os braços cruzados e se apoiou nos armários de lado.
– O que quer, Davis?
– O que eu quero? Quero saber o que está acontecendo com você, é isso que eu quero.
– E o que isso te interessa?
– Tudo, porque você só está assim comigo – ela suspirou – você nem me deu oi quando eu cheguei.
Ele permaneceu sério.
– Você não me deu tchau, porque eu te daria oi?
E foi ai que a luz ascendeu na cabeça de Emily, era por isso.
– Então é por isso – ela suspirou – faz mais de um ano...
– Não ache que eu ainda sofro por você não ter simplesmente ligado pra mim e ter ido embora sem falar nada.
– Charlie, isso é passado – ela disse – e eu não quero que fiquemos assim, quero ser sua amiga.
Ele não demonstrou nada.
– Sou incapaz de ser seu amigo, Emily.
– Por quê?
Ele foi até ela, os dois ficando assustadoramente perto, Emily sentiu seu coração dar um pulo, mas ignorou aquilo.
– Não somos mais nada Emily, não tente forçar uma amizade que ambos sabemos que não dará certo.
– Porque não daria?
– Porque eu nunca seria seu amigo, esse título se tratando de você nunca esteve na minha lista, então vamos fingir que temos uma relação "saudável", sem conversas nem nenhum tipo de envolvimento e pronto, assunto resolvido.
– Mas eu não quero isso.
– Eu também não queria que muitas coisas fossem do jeito que são, mas já te contaram que o mundo não gira ao seu redor?
Ela bufou com raiva.
– É isso que você quer? Que eu te ignore como se nunca tivemos nos visto?
Ele sorriu.
– Pelo jeito ainda continua sendo inteligente – ele voltou a ficar sério.
– Você não é mais o Charlie que eu conheci.
– O Charlie de um ano e meio atrás você teve o prazer de destruir – ele disse ainda sério – e ele finalmente se tocou que a vida não é perfeita e que não vale a pena sofrer porque alguém que nunca se importou realmente com você.
– Isso não é verdade, você sabe tão bem quanto eu que o que tivemos foi verdadeiro.
– Era o que eu pensava – ele cruzou os braços – porém temos que quebrar a cara na vida para aprender. Será melhor assim.
– E porque acha que será melhor assim?
– Porque eu não quero sofrer tudo que sofri novamente, então fique bem longe de mim.
E dito isso ele saiu. Emily suspirou, aquilo não era mesmo o que ela queria.
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