ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
22 Nojo é pior que ódio.
Notas iniciais
O sorriso de Jackson e Jimmy denunciava que o resultado daquele potencial desastre não estava tão desastroso assim.
Emily estava praticamente de costas para Charlie, não queria olhar para aquele ser. Já o garoto estava mais tranquilo do que ele mesmo achou que estaria, poderia dizer que estava até se divertindo com a situação, tanto por estar cantando, quanto por estar tirando a paciência da loira com isso.
Emily segurou o ar sentindo um espirro vir e Charlie a olhou vendo porque ela havia parado de cantar.
Jackson riu quando ela espirrou, parecia um bichinho espirrando.
– Corta – ele disse ainda meio risonho – acho que já deu por hoje – ele disse olhando para Jimmy que assentiu.
– Sim sim.
Os dois tiraram os fones e Emily saiu depressa da cabine. Parecia que até respirar o mesmo ar que ele lhe incomodava
– Emily, você aqui amanhã uma hora – Jimmy disse e ela assentiu, havia se tornado seu horário fixo mesmo – e Charlie, quatro horas, temos até as sete para tentar terminar de gravar essa faixa, depois temos começar a cuidar do clipe, e isso quer dizer que quanto mais rápido terminarmos de gravar o clipe em andamento, mais rápido podemos cuidar do próximo.
– Ok – disseram em uníssono e Emily bufou oque fez Charlie sorrir.
Se a presença dele a incomodava, o estresse dela o alegrava.
Emily foi para a cozinha atrás de um café com bastante creme. Encheu o maior copo descartável colocando a tampa e o canudo já tomando um grande gole.
– Eu posso comer um desses?
Emily olhou para trás onde Charlie apontava pra uma das caixas de chocolate.
– Faça oque quiser – ela disse não dando a mínima continuando a tomar seu café enquanto procurava na geladeira o resto da pizza do almoço, estava faminta.
Charlie apenas deu de ombros e abriu a caixinha de chocolate pegando um.
– Hmmmm morango.
Ela revirou os olhos entediada.
– Quer um?
Ela o olhou e ergueu uma sobrancelha.
– Ok, você é bipolar ou oque?
– Sou educado, é diferente – ele disse.
Ela riu voltando a mexer na geladeira.
– Acho que educação não é algo que eu diria que prevalece em você – ela achou a caixa e sorriu – sarcasmo e grosseria viriam mais a calhar.
Dessa vez Charlie riu se sentando à mesinha.
– Disse Emily Davis – ele sorriu, novamente tirando uma com a cara dela.
– É um nome bonito, eu sei, pode apreciá-lo – ela disse simplesmente ignorando – e vê se decora, porque em breve vai ouvi-lo com bastante frequência.
– É mesmo?
– É mesmo – ela sorriu – já ouviu falar no... como se chama...? Grammy?
Charlie a olhou com um sorriso divertido.
– Bom saber que sua modéstia não mudou – ele a olhou – pelo menos isso.
Ela jogou o corpo na mesa e se apoiou na mesa o olhando.
– Engraçado que você diz isso como se só eu tivesse mudado – ela bufou – você não é 1% daquele Charlie de antes. E se você ousar falar que eu que te destruí, juro que te dou um tapa na cara pra você parar de ser bicha – ela praticamente rosnou pegando o copo novamente se dirigindo para a porta.
– Uma bicha que te fez gemer muito, não é Emily Davis?
As bochechas dela coraram e ela o olhou raivosa.
– Você virou um idiota, um grande idiota – ela deu alguns passos e o olhou – eu sinto nojo de você, Charlie.
* * *
– Do início! – Adam gritou.
Todos recomeçaram a coreografia assim que a música começou.
Os olhos do professor que em pouco tempo, não seria mais professor da ACBAH se moviam por todos os dançarinos analisando detalhes mínimos, posições e principalmente a sincrônica entre todos.
Abby e Sam se moviam naquela pequena sincronia e perfeição de sempre. A química entre eles ajudava muito na dança, e por mais que Adam odiasse admitir isso. Essa química o incomodava.
Certo que Abby não era mais dele, isso se algum dia realmente foi, e sabia que era errado sentir ciúmes de uma aluna, mas às razões do coração nunca serão entendidas pelo homem.
E isso não era algo que ele conseguia controlar, era absolutamente inevitável.
Sam levou um susto quando a menina escapou de seus dedos por ter ficado mais distante no salto do que deveria. E assim os dois caíram no chão, e enquanto Sam ria da queda, Abby permanecia muda.
Ele a olhou vendo os olhos dela ficarem lagrimejados ameaçando chorar contra a vontade dela. Ela segurava o tornozelo e os olhos do loiro foram diretamente para lá.
– Abby? – ele disse segurando o rosto dela.
– Com licença – Adam foi abrindo passagem entre a roda e pessoas que havia se formado em volta deles.
Olhou Abby no chão. A menina retribuiu seu olhar e ele se agachou.
– Tudo bem, senhorita Zelley?
Ela negou deixando a primeira lágrima escapar.
– Chame a ambulância e avise a diretora, por favor – Adam pediu a Sam que assentiu – rápido.
Ele olhou Abby e segurou seu rosto beijando sua testa, logo depois saiu correndo.
– Está doendo muito?
– Sim – ela murmurou.
– Venha – ele passou o braço por baixo das pernas dela com cuidado, e assim que ela abraçou seu pescoço ele segurou suas costas – continuem ensaiando, alguém já vem continuar a aula.
Ele saiu com ela nos braços pelo corredor andando devagar para os movimentos bruscos não a machucarem mais.
– Calma meu amor – ele sussurrou no ouvido dela que e o abraçou com mais força – vou te acompanhar e vão cuidar de você, prometo.
Carla logo apareceu junto a Sam olhando para Abby.
– Tudo bem, querida?
– Acho que ela torceu o tornozelo, ou algo pior – Adam respondeu e sua mãe assentiu.
– Vai ficar tudo bem – ela sorriu para Abby – vai acompanhá-la?
– Sim, e preciso que alguém fique com a turma.
Ela assentiu e Adam olhou para Sam.
– Eu posso ir?
– Creio que não seja necessário – Adam disse até meio grosso.
– Por favor – Abby sussurrou.
Adam o olhou e suspirou assentindo.
– Pode.
E assim que a ambulância chegou, os três foram direto para o hospital.
* * *
Abby olhava sua perna pensando se poderia dançar depois daquilo. Havido sido pior que uma torção, bem pior. Ela havia quebrado uma droga de ossinho que achamos ser insignificante até que se manifesta da pior maneira.
Se estraçalhando.
Sua perna já estava engessada e ele sentia uma coceira infernal que não podia aliviar. Suspirou afundando sua cabeça no travesseiro quase gritando de frustração.
– Oi criatura.
Ela olhou para a porta onde Sarah sorria reconfortante.
– Oi.
– Essas coisas sempre acontecem com você, já percebeu?
– O mundo me ama – Abby deu de ombros e Sarah riu ficando ao lado dela.
– E como está?
– Quebrada, mas bem.
Sarah assentiu.
– Vai ficar bem?
– Difícil afirmar.
Sarah fez uma careta.
– Que droga hein.
Abby assentiu.
– Kate disse que vem assim que puder e Emily acabou de sair das gravações, daqui a pouco está aqui.
– Obrigada – Abby sorriu.
Sarah olhou para o gesso da menina.
– Não acha que isso está muito branco?
– Acho.
Sarah sorriu maquiavélica abrindo sua bolsa tirando uma canetinha de lá.
– Me diz, qual é a dos dois discutindo lá fora? – Sarah puxou uma cadeira e se sentou em frente ao gesso começando a desenhar nele.
– Adam e Sam?
– Uhum.
– Não sei, eles nunca se deram – ela deu de ombros – Adam o acha estranho e Sam o acha extremamente metido.
– E ambos os fatos são verdadeiros?
– Claro que Sam é estranho, mas é adorável, e Adam pode ser um pouco metido, mas não extremamente.
– Acho que isso é ciúmes de você, Zelley.
Abby riu meio sem jeito.
– Um é meu professor e outro meu amigo gay. Acho que não hein Jones?
Sarah deu de ombros como quem mantinha sua opinião apesar das circunstâncias apontarem o contrário.
– E porque estavam brigando?
– Sobre quem iria cuidar de você nesses dias que vai ficar impossibilitada de viver – ela olhou a menina rapidamente voltando a desenhar em seu gesso – ai eu disse pra eles acalmarem a peruca porque quem iria cuidar de você, éramos nós. Ai eles se calaram.
Abby riu.
– Sempre tão delicada.
– Claro.
A morena em pouco tempo saiu a procura de rosquinhas e Frapuccino, pedido da própria enferma. E assim que ela saiu, Sam entrou.
– Melhor?
Abby deu de ombros.
– Gostei na arte do gesso – ele sorriu olhando para o desenho de Sarah. Um dragão, que meigo não?
– É – Abby sorriu pegando a bolsa de Sarah tirando outra canetinha de lá a dando para Sam simbolizando que ele também poderia desenhar algo, e assim como Sarah, ele se sentou em frente a perna dela e começou a desenhar.
– Por acaso já disse o quanto odeio aquele homem?
– Já.
– Então repito. Eu odeio Adam O'Pry.
Abby revirou os olhos.
– Essa sua implicância não vai te levar a lugar nenhum, sabe disso, não é?
Ele deu de ombros voltando a desenhar.
– Eu tenho direito de não ir com a cara dele, vivemos em um país com liberdade de expressão.
– Isso não significa que todas elas sejam válidas.
Novamente ele deu de ombros.
– Você sabe que esse tornozelo quebrado é todo culpa sua, né? – ele a olhou meio brincalhão – você que pulou errado, eu tentei te segurar, mas não deu.
Ela sorriu.
– Eu sei, eu pulei errado e você tentou, eu vi – ele assentiu.
– Ótimo – agora ele ficou sério e a olhou – sabe que se eu pudesse estar ai no seu lugar, eu o faria, certo?
Ela assentiu.
– E te agradeço muito por isso.
Ele sorriu.
A porta se abriu rapidamente e um ser cor de rosa apareceu com um lacinho preto na cabeça.
– Você ta legal? – o Cupcake perguntou.
– Ótima, docinho.
Sam se levantou olhando seu desenho e devolveu a canetinha a Abby.
– Depois eu venho – ela assentiu e ele novamente segurou a testa dela lhe ando um beijinho – Kate – ele a cumprimentou e saiu.
Kate a olhou e ergueu uma sobrancelha.
– Oque você aprontou dessa vez, Zelley?
Abby riu tirando outra canetinha da bolsa de Sarah, uma rosa.
– Quer desenhar também? É uma história um tanto longa.
Kate a olhou e pegou a canetinha se sentando.
– Então pode ir começando.
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