ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
8 Estranho...
Notas iniciais
Emily subia o elevador junto de seu pai até o décimo quinto andar, o novo escritório de Jimmy Lockwood.
Quando a porta do elevador se abriu ela definitivamente viu o lugar de Jimmy ali. Tudo chique e muito bonito, incluindo a secretária loira oxigenada e olhos bem azuis, o que era óbvio serem lentes, mas mesmo assim ela continuava bonita, ridícula, mas bonita.
Se é que isso faz sentido.
Emily foi andando ao lado de Edwin até o balcão e a mulher imediatamente levantou os olhos para ela.
– Oi, eu sou...
– Emily Davis, é eu sei – a mulher disse sorrindo olhando para ela e depois para seu pai – e o senhor deve ser o senhor Davis.
Edwin assentiu.
– O senhor Lockwood os espera em sua sala – ela olhou para a porta grande e preta a sua direita e Emily sorriu.
– Obrigada.
Emily bateu delicadamente na porta e seu pai colocou a mão sob seu ombro a confortando.
– Entre – Jimmy disse.
Assim que os dois entraram o homem de mais ou menos 60 anos sorriu.
– Emily! – ele se levantou.
– Oi Jimmy – ela foi até ele com os braços abertos o abraçando.
– Edwin, como vai? – eles apertaram as mãos e Edwin sorriu.
– Bem, e você?
– Melhor impossível. Agora vamos, sentem-se, temos negócios a tratar, um CD, na verdade.
Edwin e Emily se olharam e ele piscou para ela.
* * *
Emily abriu a porta do condomínio e entrou de cabeça baixa. As meninas em expectativa a olharam.
– E então? – Sarah perguntou meio afoita.
Emily olhou para elas quase chorando.
– Oh não – Kate disse colocando a mão no coração.
– Eu... – ela disse – eu vou gravar um CD!
Elas jogaram Emily no chão fazendo um bolinho enquanto riam e comemoravam com gritos absurdos.
– Eu estou sem ar suas gordas! – Emily gritou rindo.
Elas saíram de cima da menina que respirava ofegante.
– E quando saí? – Abby perguntou.
– Em dois meses, começo amanhã!
– Amanhã?
– O Jimmy já veio com o meu repertório todo composto, amanhã começam as reuniões para arranjos e tudo mais, e devemos começar a gravar semana que vem.
– As músicas já estão compostas?
Ela assentiu freneticamente, a fixa ainda estava voando e demoraria pra cair.
– E são boas?
– Me digam vocês – ela estendeu o pen drive para as meninas.
Kate foi corendo pegar um notebook enquanto elas decidiam sobre a capa do CD e tudo mais.
. . .
Emily acordou com o despertador tocando alto em seu ouvido.
– Que merda! – Sarah gritou com a cabeça sufocada dentro dos travesseiros.
– É a vida – Emily se sentou naquela cama com aquela típica cara de zumbi. O cabelo todo passado pra um lado, os olhos sem o costumeiro brilho por conta do sono e como sempre seus punhos fechados coçando o olho direito.
– Levanta – ela jogou uma almofada em Emily que a olhou fazendo bico, Sarah apenas riu – hoje era um dia que eu queria morrer sabe – ela disse manhosa abrindo o guarda-roupa vestindo apenas uma camiseta enorme que Emily julgava ser de Nick.
– Não reclama porque além da aula eu tenho hora extra no estúdio – ela disse e Sarah fez uma careta de "que droga hein" – é, pois é.
– Quem mandou ser famosa? – Sarah riu dela enquanto a loira se levantava apenas com uma langerie branca de renda.
– É a vida – Emily deu de ombros com um sorriso metido – um talento tem que ser exposto ao mundo.
– Ahhhh estrelinha – ela disse e Emily riu negando com a cabeça procurando uma roupa que estivesse afim de usar naquele dia tão ensolarado, como a maioria deles eram – então senhora estrela, morra de inveja porque enquanto você vai estar lá, entediada em um estúdio eu vou estar transando.
– Morrendo de inveja – ela sorriu para a morena.
* * *
Emily estava absolutamente elétrica com o CD, entrou praticamente saltitando na Academia, naquela tarde tudo começaria!
Estava tão animada que nem ligou para sua primeira aula ser dança. Colocou a roupa prendendo o cabelo como de costume e foi para sala.
Ao se deparar com o local completamente vazio que percebeu que poderia estar adiantada. Olhou a hora no celular e sim, de fato estava adiantada, bem adiantada.
Decidiu se alongar para poupar tempo e porque afinal, não tinha nada pra fazer. Apoiou o tornozelo na barra e se esticou encostando a testa no joelho.
Estava muito silencioso, então tirou o celular do bolso e colocou os fones em uma música qualquer de sua lista que acabou caindo em alguma da Demi Lovato.
Se alongava tranquilamente até começar a ouvir alguns barulhos estranhos, e quando levantou a cabeça tirando os fones viu cinco fotógrafos batendo no vidro enquanto tiravam fotos esperando a menina olhar para eles.
"Ah, sério isso?" ela pensou suspirando e abriu o vidro para falar com os fotógrafos piscando um pouco por causa dos flashes.
"Que inferno".
– Podem parar um pouquinho, por favor? – ela perguntou educadamente e eles pararam de fotografar – obrigada – ela sorriu – podemos fazer o seguinte? Eu deixo vocês tirarem algumas fotos e depois vocês me deixam alongar?
Os homens se olharam e deram de ombros.
– Acho que essa não é nossa intenção – um deles disse.
E voltaram a fotografar.
"Sair correndo é uma boa opção?".
– Hey caras, não podem entrar na Academia.
Emily olhou para trás e viu Charlie com o uniforme de dança se aproximando do vidro.
– Apenas duas vezes por ano a imprensa é permitida aqui, e com certeza não é hoje – ele cruzou os braços.
Emily olhava para o menino espantado, ele estava a ajudando? Como assim?
– Agora se puderem dar licença terá uma aula aqui ema alguns minutos.
Os fotógrafos pareceram não ligar e continuaram agora o fotografando também.
– Dois segundos para saírem correndo ou pulo essa janela e faço-os sair de qualquer jeito – Charlie estalou os dedos.
Ele disse aquilo de um modo tão ameaçador que assustou até Emily, mas os fotógrafos permaneceram tirando fotos.
Emily olhou para Charlie, os olhos verdes refletiam a claridade saída da janela, ele revirou os olhos cansado e simplesmente segurou uma cordinha a puxando fechando a persiana da janela a qual Emily não sabia da existência até o momento.
Ele olhou para Emily rapidamente e deu as costas saindo.
Mas... oque? É, ela não estava entendendo mais nada.
* * *
O vento batia forte contra seu rosto e a música ecoava pela rua. Emily amava baixar a capota do carro e sair com o som a mil em uma estrada, e era praticamente onde ela estava. A rua era de certa forma deserta, cheia de árvores e algumas casas, ou melhor, mansões. É, ela estava na parte dos riquinhos da cidade.
No momento tocava Cool For The Summer e ele soltava a franga cantando feito retardada, seu cabelo era todo jogado para trás pelo vento e os óculos escuros em frente aos seus olhos a permitiam enxergar em meio aquele sol escaldante.
Estava no meio do refrão quando parou o carro vendo a grande Jimmy Records ali, a esperando, apenas a esperando.
Desligou o rádio e o carro, aquele lugar era tão silencioso, Emily imaginou que os ricos deviam estar pensando "quem é essa retardada com uma música dessas á essa altura?".
A menina riu com seus próprios pensamentos e estacionou o carro dentro do pequeno estacionamento, levantou a capota e colocou a bolsa no ombro enquanto com a outra mão arrumava o cabelo e andando em seu salto agulha foi até a entrada.
Logo que entrou viu uma mulher morena de cabelos cacheados atrás de uma mesa digitando algo freneticamente em seu computador. Emily deu uma pequena olhada em volta antes de ir andando até a moça que ergueu os olhos para Emily, provavelmente pelo barulho dos saltos.
– Olá, em que posso ajudá-la? – ela perguntou com um sorriso gentil.
– Oi – Emily retribuiu o sorriso – eu sou Emily, Emily Davis e...
– O senhor Lockwood a espera no estúdio... – a mulher conferiu – cinco.
– Certo, muito obrigada – ela agradeceu andando até o elevador.
Enquanto subia ela se olhou no espelho tirando rapidamente o batom da bolsa o retocando, espremeu os lábios um contra o outro e fez bico pro espelho guardando o batom novamente enquanto saia do elevador.
A menina paralisou quando virou o corredor indicando o estúdio cinco.
As paredes brancas estavam repletas de fotos dela de um ensaio que ela havia feito ainda em Nova York, pouco depois de assinar o contrato.
Ela foi andando lentamente observando as fotos.
Modéstia a parte as fotos haviam ficado espetaculares, a preferida dela era sem dúvida uma que ela estava com um violão ao seu lado, adorou aquela foto, até chegava a parecer que ela tocava violão, mas não tocava merda nenhuma pra falar a verdade.
Ela demorou longos minutos ali parada apenas observando as fotos, a ficha não havia caído que aquele era SEU estúdio.
Ela abriu a porta vendo Jimmy e um homem de jeans, jaqueta de couro e touca cinza conversar com ele animadamente.
– Emily! Até quem fim! – Jimmy disse sorrindo se levantando para cumprimentar a menina.
– A-as fotos, corredor... – ela nem conseguia falar direito oque fez Jimmy rir.
– Eu sei, ficaram ótimas não é?
– E-eu...
– Esse estúdio agora é seu e todos tem que saber disso.
A menina ainda estava perplexa, mas com um sorriso extremamente idiota nos lábios.
– E ah, já ia me esquecendo – ele olhou para o homem ao seu lado – Emily, esse é Jackson Muller, seu compositor.
A menina arregalou os olhos.
– Meu deus! Você compôs aquelas músicas? – o homem sorriu assentindo – não te conheço, mas já te amo – ela foi até ele o abraçando, o homem, muito cheiroso por sinal a abraçou sorrindo.
– Que bom que gostou.
– Ta brincando? Eu to completamente apaixonada pela segunda faixa, e pela quinta, e a primeira... sério cara, você é ótimo.
Ele sorriu mais abertamente.
– Então minha missão na terra está cumprida.
– Certo, estou vendo que se entenderam – Jimmy disse sorrindo – eu tenho uma reunião em dez minutos então vou deixá-los escolherem os músicos sozinhos.
Os dois assentiram.
– Boa sorte crianças.
E com um aceno de cabeça Jimmy saiu.
– Pronta? – Jackson olhou para Emily que assentiu sorrindo.
– Prontíssima.
– Ok, tem uma galera na sala de espera pra fazer os testes.
– Tudo bem – ela sorriu – e posso te perguntar uma coisa antes?
– Claro.
– Seu nome é Jackson mesmo?
Ele sorriu.
– Meu sobrenome é Jackson – ele disse – me chamo David, mas prefiro Jackson.
– Também prefiro – eles sorriram enquanto Jackson chamava a primeira pessoa.
– E que os testes comecem! – ela o ouviu falar e sorriu nervosa.
"É agora".
* * *
– Como que de todas as pessoas não me aparece um que saiba tocar piano descentemente! – Jackson parecia indignado, a banda estava pronta, só faltava um pianista.
– É... – ela fez um bico e piscou algumas vezes – espera, eu conheço uma pianista, uma ótima pianista.
Ele ergueu uma sobrancelha.
– É boa mesmo?
– Se quiser ela pode vir, agora.
Ele sorriu.
– Então vamos, chame logo.
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