ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
17 Coletiva.
Notas iniciais
Emily andava de um lado a outro, estava praticamente furando o chão de tanto que percorria o mesmo caminho diversas vezes seguidas.
– Emily, pelos deuses, pare de andar para lá e para cá! – Jackson arrumou a touca em sua cabeça seguindo a menina trilhar o mesmo caminho apenas com os olhos.
– Desculpa – ela o olhou parando, só então percebendo que estava andando de um lado a outro – é que eu...
– Eu sei, está nervosa – ele a observou voltar a andar de um lado a outro, obviamente nem percebendo que fazia isso.
– Nervosa? Nervosa é pouco – ela disse, seu lábio parecia tremer um pouco.
– Porque não toma um chá e se acalma um pouco? – ele se levantou indo pegar um chá para ela na mesa.
– Acho que não vai adiantar muito, mas não custa tentar.
Voltou o entregando para a menina que pegou o copinho com chá e o tomou em um gole. Jackson sorriu.
– Precisa de um abraço? – ele abriu os braços fazendo bico com uma doce voz de bebê.
Ela o olhou por alguns segundos e assentiu o abraçando com força pousando sua cabeça no ombro dele.
– Relaxe, dará tudo certo. É só responder oque a perguntarem com essa carinha simpática de sempre e pronto – ele suspirou – sorria, isso ajuda a amenizar a vergonha e te deixa mais simpática, e estale a língua uma vez antes de responder, isso vai te ajudar a não se enrolar com as palavras.
Ela sorriu enterrando sua cabeça na curva do ombro dele.
– Parece tão simples quando você fala.
– Mas é simples – ele acariciou as costas dela – você é a estrela, eles que tem que estar nervosos em te entrevistar, não o contrário.
Ela tirou a cabeça do ombro dele erguendo um pouco a cabeça para olhar seus olhos.
– Não sei oque eu faria sem você, não sei mesmo – ela o abraçou de volta – obrigada.
– Eu sei, sou ótimo – ele disse fazendo Emily rir um pouco.
– Ótimo, agora segure esse sorriso a entrevista toda.
– Vou tentar, prometo – ela sorriu novamente.
– Ótimo.
– Bom... acho melhor eu me trocar porque falta meia hora e eu ainda estou assim – ela olhou para suas roupas.
– Vai lá loirinha.
– Vai sentar do meu lado, não vai?
– Faço um esforço – ela revirou os olhos saindo.
* * *
Emily tomava uma garrafinha de água enquanto ouvia Jimmy e Arthur elogiarem sua coletiva.
Jackson fazia massagem em seus ombros (porque ela pediu) e ela tentava se recuperar da zona que havia sido aquilo. Muitos flashes em seu rosto, pessoas murmurando, lentes apontadas em sua direção... e claro, as perguntas.
– Agora tudo só tende a melhorar – Arthur sorriu – agora temos as revistas e...
– Eu posso ir pra casa? – ela perguntou, o cortando não propositalmente.
Jimmy a olhou, ela estava claramente cansada. Sorriu, havia saído tudo bem, então... oque custa deixá-la descansar?
– Claro querida, fique avontade e descanse bastante.
Emily sorriu.
– Obrigada.
Emily entrou em seu carro e colocou as mãos na cabeça a apoiando no volante. Precisava respirar um pouco, ela pensou que seria divertido, mas foi frustrante e até meio assustador. Ela nem lembrava ao certo oque fez durante a entrevista, esperava que tivesse sorriso como Jackson disse para fazer, e pela cara deles no final, ela havia feito tudo certo.
Ainda bem. Um problema a menos.
* * *
– E então?
Emily fechou a porta, Sarah e Abby estavam no sofá comendo alguma coisa pra variar um pouco, logo Kate saiu correndo da cozinha olhando para Emily em expectativa.
– Foi assustador – ela disse.
Sarah riu e Abby franziu o cenho enquanto Kate permanecia séria.
– E por quê?
– Ah, muita gente falando ao mesmo tempo... oque estão comendo?
– Uma espécie de panqueca de queijo – Abby disse.
– Quem fez?
As duas olharam para Kate que sorriu.
– Culpada.
– Eu quero também! – Emily resmungou e Kate sorriu.
– Cinco minutos – Kate disse indo pra cozinha apressada.
Ela se jogou no sofá em cima das meninas que gemeram por ela ter pulado nelas.
– E o Jay estava lá?
Emily revirou os olhos e Sarah acabou rindo.
– Graças a deus Jimmy botou ele para fazer algo, eu teria surtado mais anda se ele estivesse lá.
– Então ainda está brava? – Abby perguntou.
– Brava é pouco, estou quase espumando pela boca por culpa dele.
– Engraçado, eu não consigo ficar brava com Nathan muito tempo – Kate disse – não sei se é porque sou meio abobada quando se trata dele, mas eu não consigo.
– Eu fico decepcionada, irritada, mas brava eu não consigo por mais de um dia – Sarah disse.
Abby apenas se calou ao lembrar de Adam.
– Bom, sorte sua, isso quer dizer que você é mais racional do que sentimental – Kate deu de ombros se levantando indo até a cozinha.
Emily olhou para a parede. Todas as vezes que quis explodir a cabeça de Charlie, a raiva não durou mais que um dia, assim como Sarah disse, ela ficava chateada por mais tempo, mas brava não.
Balançou sua cabeça tirando essa ideia da cabeça e subiu as escadas até seu quarto, estava exausta.
* * *
Charlie arremessou outra bola na cesta, outra de três.
Sua regata preta estava encharcada no peito e costas, mas ele não ligava, já estava acostumado. Passava o cabelo suado para trás a cada cinco segundos e tinha a sensação que daqui a pouco iria acabar escorregando no próprio suor no chão da quadra.
– Que menino dedicado!
Ele olhou para a porta e sorriu ao ver Jen.
– Treinando depois da hora, nossa, estou orgulhosa.
Ele abriu os braços, mas ela recusou o abraço. Não estava com roupa de treino, estava bem bonita na verdade, mais do que costumava estar normalmente. O rosto geralmente sem maquiagem estava bem... decorado, e muito bonito..
– Sem abraços hoje – ela sorriu.
– Como sabia que eu estava aqui?
– Não sabia – ela sorriu – mas estava indo embora e ouvi barulhos, por pura curiosidade olhei e adivinha? Vi um moreno hiper suado tacando essa bola laranja na cesta.
Ele sorriu.
– Bom, só entrei pra dar um oi porque tenho um encontro em... quarenta minutos.
– Nossa senhorita requisitada – ele disse e ela riu – posso saber quem é o alvo da vez?
– O Logan, é claro – ela disse – e escrava oque eu digo, hoje eu pego esse garoto.
– Vai fundo garota.
Ela pegou um lencinho dentro de sua bolsa e passou na bochecha de Charlie depositando um beijo ali logo depois.
– Fresca – ele disse.
– Nanão, você que está nojento – ela sinalizou a regata dele.
– Nunca estou nojento, até coberto de lama eu sou irresistível.
Ela riu negando com a cabeça.
– Certo senhor irresistível, eu tenho que ir, me deseje boa sorte! – ela se virou indo até a porta.
– Use camisinha!
– Pílulas servem pra isso!
– E as doenças? Não me vá pegar um HPV Jennifer!
Ela riu se apoiando na porta olhando pra ele.
– Valeu pai – ela piscou – e ah, eu duvido que você use camisinha.
– Só quando necessário!
– Sei, você tem cara de quem sai engravidando todo mundo – ela riu dele que fez careta, logo depois se virou para ir embora
Ele riu enquanto ela saía e voltou a treinar como antes. Jogou a bola na cesta que bateu no aro e voltou direto no seu rosto. Sentou no chão com a mão no nariz rindo de si mesmo.
Lembrou de quando tentou ensinar basquete a Emily e da bolada na cara que levou, sorriu e fechou os olhos ainda acariciando o nariz de leve.
"– Não é tão difícil!
– Pra você né – Emily bufou tentando jogar outra bola na cesta, daquele jeito desengonçado, típico de quem não faz ideia do que está fazendo.
Charlie riu pegando a bola e indo até ela, estendeu a bola até Emily que a segurou com um bico irritado nos lábios.
– Tente assim – ele andou até estar atrás dela – mexa menos aqui – ele tocou o baço dela – e foque sua mira no pulso, não na força, nem no braço em si, mas no pulso.
Ela assentiu levemente arrepiada com os quase sussurros do garoto perto de seu ouvido. Ele segurou os braços dela os posicionando corretamente, a olhou com um sorrisinho e soltou seus braços segurando agora sua cintura.
– Tenta agora, loira – ele mordiscou de leve seu pescoço.
– Seu objetivo é me distrair ou me concentrar? – ela sorriu.
– Quero muito que acerte a cesta... mas também quero que solte essa bola e me agarre.
Ela sorriu se aconchegando mais nos braços dele.
– Posso fazer os dois – ela sussurrou e Charlie sorriu mordendo o lábio inferior com um sorriso pressionando de leve sua cintura na bunda dela.
– Pode? – Charlie mordeu o pescoço dela novamente – acerta a cesta e me da um beijo então – ele sorriu – só ganha beijo quando acertar.
Emily riu o olhando.
– Sendo assim, acho que você nunca mais vai receber um beijo meu – ela riu e ele sorriu.
– Vai, acredito em você.
– Uhhhh não deveria – ela riu se posicionando para acertar a cesta.
Mirou bem e arremessou a bola... que não entrou na cesta.
Emily riu indo até a bola, a pegou e jogou para Charlie que se distraiu por um momento não vendo a bola indo em sua direção, como consequência ela foi em cheio em seu rosto.
Charlie deitou no chão com o impacto e Emily arregalou os olhos.
– Charlie? – ela foi correndo até Charlie se ajoelhando ao seu lado – meu amor, te machuquei?
– Só de você falar "meu amor" já passou – ele sorriu com a mão na bochecha vermelha.
Emily sorriu tirando a mão ele de sua bochecha para poder olhá-la, estava bem vermelha. Se inclinou sobre ele beijando a área vermelha várias vezes apoiando as mãos em seu peito.
Charlie sorriu de canto fechando os olhos, amava receber aquele carinho que ela tinha com ele.
– Desculpa – ela lhe deu um selinho e Charlie abriu os olhos para olhá-la.
– Tudo bem – ele se sentou e olhou para a cesta – você ainda vai acertar uma hora, pelo menos uma.
Ela sorriu acariciando os cabelos dele.
– Você é um bom professor, sei que consegue fazer essa proeza."
Abriu os olhos de repente. Odiava o jeito com as lembranças o afetavam, como se pudesse senti-las agora. Aquele sorriso, aquela voz, os olhos, o toque... tudo relacionado a Emily lhe causava alguma sensação, a maioria delas boas, por mais que não gostasse de admitir.
Não havia como negar, ele foi muito feliz com ela, mas agora... realmente o coração tem suas próprias razões. Jen era uma garota espetacular, mas ele não sentia por ela oque sentia por Emily, e o mais assustador de tudo isso é que ele sentia isso antes mesmo de conhecê-la, sentiu isso assim que a ouviu cantar Bigs Girls Don't Cry nas audições há pouco mais de dois anos, e isso só foi se intensificando cada vez mais durante aqueles seis meses, aqueles maravilhosos seis meses que passaram juntos.
O intrigava que mesmo depois de tudo que viveram, ela o trocar por aquele... aquele mauricinho metido a besta. Ele ficava bravo só de pensar que aquele idiota desfrutava daquele carinho, daquele sorriso e dos prazeres que Emily Davis o proporcionava.
Se levantou indo até o vestiário tomar uma ducha. Não queria mais pensar nela, não queria mais se estressar por ela... era demais pedir que ela sumisse?
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